São Paulo, 5 de Abril de 2013.
Disse a ele que eu o amo. Sim, eu disse. Burrice, não? Percebi quando o vi dando-me as costas, me ignorando, deixando-me ali, com as lágrimas confundindo-se com a chuva que caia sob a minha cabeça. E veio o flash back.
Era uma manhã de sábado, seguida de uma sexta-feira á noite solitária e pensativa. Acordei no sábado, pensando o quanto minha vida estava resumida aquilo, a fazer nada. Levantei-me, sabe, sem muita disposição. Vesti uma roupa qualquer, não me importei se iria combinar ou não. Desci as escadas da minha casa de universitária vazia, e fiquei olhando para o nada. Tomei uma xícara de café quente, numa lanchonete perto de casa. Ainda não me importava se a roupa cabia á situação, ao horário. Nem das horas eu tinha conhecimento. Terminei o café, e voltei para casa.
O café me despertou, fazendo-me ficar com ainda mais vontade de fazer algo interessante. Mas com quem? Deitada na minha cama, que no momento satisfazia qualquer desejo meu, lembrei dele, o garoto pelo qual suspiro desde a quinta série. Falando um pouco dele, posso resumi-lo em um garoto dono de um sorriso mais que perfeito, de uma voz grave encantadora e de um olhar sempre sincero. 
Ele é um grande amigo, também. Respeitamo-nos e brincamo-nos sempre que podemos. Mas a carência de se viver sozinha numa casa foi aumentando minha vontade de contá-lo a verdade: A verdade sobre o que eu sinto por ele, amor. 
Levantei-me da cama, decidida de que aquele seria o dia. Mandei-lhe mensagem, disse que precisava o ver. Ele concordou, e marcamos para á noite. Minha felicidade era tanta... Mal sabia eu que aquele era apenas um passo para a maior dor que eu poderia sentir. 
Arrumei-me, e olhei janela á fora. O céu estava tomando uma cor escura, simbolizando que iria chover. Apressei-me ao sair de casa, e logo peguei um táxi para encontrar o garoto. Cheguei ao local marcado. Já havia começado a cair algumas gostas do céu. Isso não importava, até por que, eu estava confiante de que isso não demoraria mais que trinta minutos. 
Juntei-me a ele, em um banco de uma praça, e fui bem direta, sem deixá-lo ao menos cumprimentar-me. 
- Há tempos eu quero te dizer, mas não consigo achar a melhor maneira para isso. Bom, não importa. O que importa é que eu quero te dizer... - Ele me olhou ainda mais dentro dos meus olhos, me deixando um tanto nervosa. O céu já estava quase completamente escuro. - Eu preciso dizer que... - Garganta travou. Não conseguia dizer nem um 'ai'.
- Diz de uma vez, Clarice!
- Euamovocê! - Eu disse, emendando cada palavra, e fazendo-o assumir uma expressão um tanto confusa. - Amo-o muito. Há um tempo já e... Eu precisava dizer. Por que eu já não aguento ficar um pouco de tempo longe de você. É sufocante. Você é a pessoa certa, a pessoa que eu quero, para mim. Me amar e me entender do jeito que sou.
O silêncio tomou conta da conversa. Ele já não estava mais tão confuso, mas envergonhada eu sei que eu estava. Esperava que ele dissesse algo e, por fim, disse:
- Eu... - Suspirou. - Clarice. Não posso. Eu... Ah, meu Deus. Já senti o mesmo por você, confesso. Mas... Hoje eu não posso mais. Estou namorando outra garota, e eu estava tentando lhe contar isso há um tempo. Por isso concordei em nos encontrar. - Minha cara assumiu uma fogo de raiva sem tamanho. - Mas, que tal, podemos ser amigos, não? 
Amigos?! Francamente, é desse garoto que eu gosto? Que eu amo?! Depois de tudo que eu fiz para decidir dizer isso a ele, o pensamento de que 'poderíamos' ser amigos não era algo acessível. Na hora, fiquei calada, e fiz sinal de negação com a cabeça. E foi aí que ele deu as costas, se despedindo com um toque na minha bochecha. 
Agora já chovia tanto que mal se conseguia ver algo na praça. Mas o que está perfeitamente perceptível era a minha cara de vergonha. Além de um fora, eu sentia como se alguém tivesse passado por cima de mim diversas vezes calçando um salto 15. E foi assim que terminou meu dia que começou depressivo e terminou pior ainda.

Por Letícia Lobo.

Nota da Escritora: Olá, amados e amadas. Esse texto é só mais um que faz parte do meu estoque de história da série "O Diário Desajeitado de Clarice Martan". Que é uma história que narra a vida de Clarice, uma garota que sofre um tanto pouco com sua vida que de 10 coisas, 8 dão erradas. É cem por cento escrito por mim, e há um tempo eu o escrevo... Resolvi postar para vocês. Geralmente, as datas são reais, o que muda é apenas a cidade. Ok? É isso, vou continuar postando-o, principalmente os meus preferidos. xoxo,


Deixe um comentário