Campinas, 9 de Maio de 2013.

               Conheci ele dias depois do fora que levei de Erick. No dia seguinte em que Erick me deu as costas em plena chuva, juntei minha tralha, e fui para Campinas. O frio me sufocava, assim como o fora que ainda me doía. Ia para São Paulo apenas para a faculdade, e depois voltava para campinas. Estava na casa de uma tia, só que no quarto que era o único cômodo do andar de cima. Concluindo, eu estava ali sozinha. Nesta manhã (9), fui para um café depois de terminar minha última prova, que me daria férias. Cheguei lá, e estava um tanto lotado. Era até difícil andar até o caixa. Quando finalmente consegui, pedi um cappuccino. Sentei-me á mesa, trouxeram meu café.
               Enquanto tomava-o e folheava uma revista qualquer de fofoca, avisto um garoto um pouco atrapalhado vindo em minha direção. Não, não era bem em minha direção. Mas ele passaria ao lado da minha mesa. Segurava uma xícara de café puro. Já pensei: Aquilo não vai dar certo. 
Dito e feito. Segundos depois, ele tropeça no pé de outro cara e derrama o café em cima de mim. O problema não era a temperatura no café, mas sim o meu mau humor do dia-a-dia.
- Ah, meu Deus! - Ele grita, todo cavalheiro tentando me ajudar a limpar. - Eu... Eu... Sinto muito!
               Eu estava pronta para fazer um escândalo. Dar uns gritos com ele, falar uns milhares de palavrões. Mas aí eu respirei fundo, e olhei nos olhos dele. Pareciam os olhos de um cachorro perdido - e esse eu conheço bem. A calma tomou conta do meu corpo, relaxei os ombros, e fiquei com pena dele. Daí, eu tentava rir, com a expectativa de que isso deixaria-o tranquilo. Sem sucesso. Depois que limpamos tudo, ele ainda parecia se sentir culpado. Voltei a sentar á minha mesa, e ele pediu licença para sentar comigo. 
- É sério. Me desculpa. Eu... Não estou num dia bom. Bem difícil até. Me perdoa? - Seus olhos meigos e acinzentados casavam com o sorriso frouxo e apaixonante. 
- Olha... Também não estou bem. Fica tranquilo, tá perdoado. - Eu respondo, ainda muito apaixonada pelo sorriso dele.
               Eu pensei que depois do que eu disse, eu me livraria dele, apesar de não ser bem isso que eu desejava. Estava errada. Aí mesmo que ele persistiu. E eu gostava. Gostava do jeito dele atrapalhado, e como tinha facilidade de conversar sobre qualquer coisa. E por tudo sorria. Sinceramente, pouco parecia que ele estava num dia ruim. Ele me disse que seu nome é Bernardo, e que algumas pessoas (as quais ele odeia) o chamam de 'Bê'. Eu lhe digo meu nome, e digo que odeio apelidos tanto quanto ele.
- Então... Você mora aqui? - Ele pergunta.
- Sim, há pouco tempo.
- De onde você veio?
- De São Paulo. - Ele acena com a cabeça, como se esperasse que eu continuasse explicando. Eu entendi, e continuei: - Bom, eu ainda estudo lá. Vou todos os dias pra lá por conta da minha faculdade.
- Por que veio pra Campinas? São Paulo é tão... Bom.
- Você acha? - Eu rio. Penso que eu realmente não tenho muita coisa contra São Paulo, apenas a existência de certas pessoas (como Erick). É, ele tem razão. São Paulo é bom, é maravilhoso. Eu amo aquela cidade. - Eu vim pra Capinas por que eu tive alguns problemas em Sampa, e eu precisava respirar novos ares.
               Ele assentiu. Conversamos sobre a minha faculdade, e ele disse que adoraria conversar mais vezes comigo. E, no mesmo dia, nos encontramos novamente á noite. Fomos até um restaurante próximo á minha casa, que eu disse a ele que era de comida japonesa e ele disse que adorava essa culinária. Eu o convidei. O jantar foi muito bom. Ele parecia um anjo; e eu adorava a forma como ele conduzia a conversa.
               Era quase possível dizer que eu estava completamente encantada por ele. Havia vezes que ele falava algo - perguntava, na verdade - e eu não respondia por que estava hipnotizada por suas palavras. Sua voz, olhar, sorriso. Tudo. Nunca senti algo tão forte e rápido por alguém dessa forma - nem mesmo por Erick.
               Por fim, quando o jantar havia acabado e estávamos á caminho da minha casa, ele disse:
- Eu, realmente, quero te ver ainda mais. Amanhã, talvez.
- Eu, realmente, acho que você é bem ansioso. - Respondo.
- É, sou. Mas já vou aguentar a noite inteira sem falar com você... Vou me segurar para não lhe ligar ainda hoje. - Eu rio. - É sério! - Ele dá um soquinho no meu ombro. - É difícil achar pessoas que gostem de conversar comigo.
- Eu amo conversar com você. - Ele arqueia as sobrancelhas.
- Sério?!
- Sim, eu amo.
               E ele volta a tagarelar. Fico entediada, esperando chegar logo em casa. A conversa dele me agrada, mas não a forma como ele é pessimista. De pessimismo basta o meu. E ele falava no quanto os amigos o desprezavam, e o tanto de garotas que já lhe deram fora por que ele queria provar que não era apenas um rosto bonito - e eu rio quando ele diz isso. Quando é momento de virar na esquina da rua da minha casa, Bernardo ainda continua tagarelando pessimismo. Minha paciência chega ao limite, e eu numa rapidez lhe empurro num muro de uma casa e lhe dou um beijo.            
- Clari... - Ele tenta continuar a falar.
- Cala a boca. - Eu exclamo, e volto a lhe beijar.
               Ele relaxa, e retribui. Coloca os braços em volta do meu corpo, e sinto o calor dele.
               Aí eu percebo que essa é minha oportunidade de dar um Up na vida. É a hora de esquecer o que me aconteceu, aproveitar as oportunidades, e deixar rolar. Eu gosto dele. Não do jeito que gostava - gosto - de Erick, mas ele me deixa á vontade. Me faz rir á toa, e isso é insubstituível. Tanto eu quanto ele merecemos o beijo. No final, eu termino o beijo com mais alguns de leve no lábio fechado dele, e um no queixo. Digo:
- Desculpa. Sem querer...
- Vai dizer que não queria fazer isso? Que foi um erro? - Ele ainda está com os braços á minha volta.
- É, bem... Mais ou menos.
- Bom, se sim, espero que você continue errando.
               Eu sorrio, pego sua mão, e sigo em direção á minha casa. Eu, como ele mesmo disse, espero continuar errando toda vez que o ver futuramente. Tipo, amanhã de manhã. E esse dia que começou ruim, terminou maravilhosamente bem. Adeus Erick, olá Bernardo. Estou feliz, estou sorrindo incontrolavelmente. E eu vou me permitir. Eu sou infinita, não sou? Vou me permitir liberar-me e ser o que eu quiser. Que venha amor, por favor!

Nota da autora: Espero que o final não tenha ficado confuso, e eu adoraria ter a sorte da Clarice! xoxo,




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