Porto Alegre, 10 de Junho de 2014.
Me pego pensando nas outras pessoas. Pensando em como elas me enxergam e se isso faz alguma diferença ou não. Queria saber a verdade sobre a minha vida. Tento me imaginar só, me imaginar bem. Fico pensando se pelo menos um terço do que quero será realizado. Se com minha família as coisas irão mudar e se eu, daqui um tempo, poderei dizer se sou feliz. Porque nada parece tão nítido. Só vejo uma neblina, pra qualquer lugar que eu olhe. E é justamente ela que me impede de olhar melhor, ver o que eu realmente quero ver.
E, diga-se de passagem, que diabos eu quero ver? Tudo pra mim parece chato ou desinteressante. Faz um pouco mais de um ano que tudo aconteceu. Que minha vida virou do avesso, e eu descobri que, na verdade, eu estava, Naquele tempo todo, do lado errado. Conheci pessoas, dei adeus á outras. E tudo isso só serviu de lição. Bernardo, meu namorado até Janeiro de 2014, foi um anjo até quando pôde. Mas aí meus problemas pareceram demolir a relação. Sabe aquela história de que a pessoa não é feita pra namorar? Se encaixa perfeitamente em mim, por mais que eu não queira.
Bernardo sempre foi um anjo, um cavalheiro. Me tratava de uma forma absolutamente fofa e eu adorava ele com aqueles elogios que me faziam ficar surpresa, porque ele podia tão romântico e casual ao mesmo tempo. Aquilo era ele, sendo ele mesmo. Fazendo qualquer coisa para me fazer rir de bobagens, ou até mesmo cantarolando algum trecho de música que eu gostasse. Simplesmente, era ele. Mas quando eu subitamente desaprendi a dividir meus problemas dos nossos problemas, o que tínhamos virou um problemão e tivemos que terminar. E, quer saber? Foi melhor assim. Ele merece alguém que lhe dê todo o amor que merecer. Mas e eu? Bom... Eu nem sei ao certo o que fazer com minha vida.
Mas o que sei, e é uma certeza, estou evitando me relacionar. É, ao menos por um tempo. Quero um tempo só pra mim, um tempo que poderei respirar de verdade, sem compromissos e sem ter algum dever com alguém. Quero ser livre pelo máximo de tempo que minha carência aguentar. E foi aí que decidi vir para o Sul.
Disse para uma amiga que precisava desopilar. Ela achou graça e perguntou se eu estava falando sério. Que inocente! Menos de um mês depois eu arrastei ela comigo para simplesmente mochilar. Ela estava com alguns problemas e eu resolvi para nós duas que o melhor seria se déssemos uma voltinha... Pelo país. Está sendo bem divertido. Rebecca é engraçada e acorda sempre com um incrível bom humor, ao contrário de mim. Falei pra ela que só poderia falar comigo depois do café da manhã, e durante toda a refeição ela fica fazendo anotações mentais do que dizer a mim depois que eu realmente acordar - ou seja: tomar meu café.
Até que eu me canse, essa será minha vida. Quero tirar umas férias de mim mesma. Aquela Clarice cheia de problemas e pessimismo, agora é simplesmente uma garota que quer achar a fórmula do viver, se é que me entende. Nem que eu entre na busca da minha vida, mas vou achar um jeito de dar um jeito no meu futuro. E ele não será trancado em uma sala de escritório, longe disso! Aguarde. Eu prometo a mim mesma fazer o máximo para tornar-me alguém que sempre sonhei em ser: feliz.

N/A: Finalmente! Consegui desencalhar Clarice - não no sentido comum, claro. Quis, dessa vez, dar outro rumo para a vida de Clarice. Tirar ela daquela ideia fixa de que ela deveria ter um namorado e afins. Pus ela pra viver uma aventura, e os próximos Diários serão com ela falando dessa aventura. Mal posso esperar pra postar! Digamos que quero transformar Clarice no que eu gostaria de ser.



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