Porto Alegre, 24 de Dezembro de 2014.
Primeiro Natal que passo longe de casa. Me sinto um pouco perdida, é verdade. Estou me sentindo sozinha, também. Mas não estou totalmente sozinha. Acabo de colocar a mesa da ceia e agora estou sentada na mesa do quarto que já tornei meu. Rebecca fora especialmente atenciosa e me abrigou aqui, sendo ela minha prima. E nesse meio tempo que aqui tenho morado, conheci Pietro e ele é um grande amigo de Rebecca. Ele é órfão desde os treze anos, quando perdeu os pais num acidente de carro. São com essas histórias que eu vejo o quanto a minha vida é maravilhosa, porque Pietro sofreu a vida inteira. Estava no carro quando o acidente ocorreu, e ele mesmo dissera que se sentia culpado por não ter morrido junto com eles. Até hoje, aos vinte e quatro anos, vive com a saudade e a tristeza dentro de seu peito. E ele é quem tem me feito sorrir todos os dias, desde que cheguei aqui.
Morar no sul tem sido uma experiência e tanto. Devo citar que estou feliz por ter passado num curso técnico daqui, começo em Janeiro. E estou muito realizada por estar finalmente fazendo minha história. E este Natal não está de um todo ruim. Montamos uma árvore de Natal, reunimos os amigos que formam uma espécie de família para fazer um jantar de Natal e já estou vestida com meu vestido escolhido para hoje. Não poderia estar melhor, exceto pela falta que eu sinto da minha primeira família. Meu pai, minha mãe, até de meu irmão, que só sabe brigar comigo... Sinto falta de todos. Sempre ficamos no Natal juntos, trocamos presentes e nos reunimos com o restante da família. Só que, desta vez, estou em outro estado. Estou bem acompanhada, é verdade, mas parte de mim está em São Paulo. E o Oscar de drama mais aparente vai para Clari... Espera! Eu juro que estou tentando me controlar em relação ao meu drama casual.
Devo parar de escrever. Alguns amigos já devem ter chegado, e preciso recebê-los. Preciso dizer que estou feliz por estar aqui, apesar de não estar totalmente realizada. Tudo bem, eu posso aguentar. Aguentei uma vida quase inteira de mentiras, de confusões e coisas não muito bem entendidas. Aguento mais um pouquinho, se for necessário. Eu tenho Pietro agora, minha principal âncora em Porto Alegre. E aqui eu pretendo morar até que eu consiga o que realmente quero, que é minha independência. Isso ou nada, é o que agora penso. E este Natal não poderia ser melhor, por estar com família, amigos, e tranquila. Não teria presente melhor do que a minha liberdade.
- CM.

N/A: Aproveitando o gancho do Natal, eu não poderia escrever usando a minha própria voz porque eu geralmente fico triste no Natal. Mas, como eu queria muito, pude escrever na voz de Clarice, que vez ou outra eu esqueço guardada em algum baú, e vez ou outra lembro de resgatá-la. Espero que gostem, e Feliz Natal! Que hoje seja um dia especial para todos, sem esquecer o real significado! Que possam estar rodeado de pessoas que goste e que lhe façam lembrar o real prazer que é estar com a família. xoxo,




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