Uma carta sobre amor, que passou a ser sobre saudade, mas que no fim acaba (como sempre) sendo sobre ele.


Fortaleza, 06 de julho de 2016 - 02h18min. 
Querido amor,
Já é tarde, mas eu não consigo dormir sem escrever a você. Perdoe-e por mais uma carta. Mas é que eu, que achei que sabia de tudo, que já tinha experimentado o bastante e podia escrever um manual de instruções sobre a vida, me peguei descobrindo coisas sobre mim que nem sabia que existia quando me vi ao seu lado.
Foi quando você chegou e me abraçou que eu pude perceber que nada no mundo era mais confortante que aquilo, porque no seu abraço eu encontro o meu eu perdido sem você, porque no seu abraço eu sinto o seu coração batendo forte e vejo o quanto isso que nós temos é real, o quanto você é real, o quanto esse contato carnal me é essencial. Mas o mais incrível é descobrir, quando estou dentro do seu abraço, que o contato carnal não é o mais importante. Encontrar-me com sua alma, senti-la feliz por estar perto de mim e sentir o calor que emana dos seus braços naquele instante são o que importa. 
Foi quando você me beijou que eu pude sentir tudo formigar. Dos pés a cabeça, eu não me reconhecia. Eu era outra pessoa, uma versão de mim que ninguém além de você conhecia ou poderia conhecer. Era uma versão melhor de mim, a melhor que eu já pude ser, porque eu tinha você com a boca colada na minha e o corpo o mais perto possível. Eu descobri ali que o seu beijo é capaz de me revigorar, me carregar, me criar, me consertar, me construir, como também é capaz de me recarregar, recriar e reconstruir inteira em apenas um tocar de lábios. 
Foi quando você se despediu, abraçando-me e beijando-me, que eu percebi a tamanha saudade que eu iria sentir pelos próximos dias sem vê-lo. Eu senti um vazio gigantesco, uma falta absurda, como se você fosse a minha droga e eu estivesse abstinente. Mas ao contrário das outras drogas, você é um vício que me faz bem e eu não quero moderar em seu uso, muito menos me abster ou privar de você. Pelos próximos dias, eu me senti a pior pessoa do universo. Sentia o meu corpo corroer a si próprio, a saudade percorrer meu corpo dos pés à cabeça simplesmente porque não tinha suas mãos ou seus beijos ou seu cheiro por perto. Eu senti falta do seu amparo, do seu carinho em minha mão, dos seus beijos espalhados pelo rosto, das suas mãos, do seu sorriso acanhado (mas que é o mais lindo do mundo), do seu olhar concentrado (que me encara e me deixa desconcertada) e do modo como me faz rir.
Senti falta da sua presença como nunca senti de outro alguém, já imaginando que a qualquer momento eu podia quase que literalmente perder o controle sobre mim. Eu me vi em dias horríveis sem poder vê-lo e essa distância só acabava comigo a cada instante mais. Só ouvir sua voz pelo telefone ou reler os diversos poemas que me escreveu já não ajudavam mais. E eu, que sempre achei que conseguiria, me vi incapaz de enganar a saudade com todas aquelas nossas lembranças juntos, fotos, poemas e ligações. A saudade não se permitia mais ser enganada por mim e resolveu se vingar por todas as vezes em que eu tentei burla-la. 
E eu estou aqui, escrevendo para você, porque já até se tornou corriqueiro e chato você me ouvindo dizer que estou com saudades. E você mesmo já deve ter cansado de me dizer isso. Hoje, eu chorei enquanto pensava em nosso reencontro. Imaginei mil e uma coisas que podíamos fazer quando nos víssemos de novo, mas depois descartei todas elas. Quis, por fim, somente ficar ao seu lado, sentindo sua respiração batendo contra o meu rosto, dizendo-lhe repetidas vezes o quanto eu o amo e implorando ao tempo que ele seja eterno, que não corra enquanto estivermos juntos. 
Sei que você sabe, mas não posso deixar de dizer: eu sinto sua falta. E eu o amo muito. Não se esqueça nunca disso. 
Dorme bem hoje. E sempre. Enquanto eu não puder garantir com minhas próprias mãos que isso aconteça, se esforce, por mim. 
Um beijo da sua
Luz.


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