Eu não fui uma má namorada. Ele podia sair com quem quisesse na hora que quisesse, e eu só dizia: "pode ir, desopila; quando voltar, me liga, que eu quero saber como foi seu dia". Ele podia ficar no celular enquanto estivesse comigo e eu não me importaria, sabia do número de amigos que ele tinha e ele é incontável. Ele podia falar com quem quisesse e eu não teria uma crise de ciúmes, porque eu sempre acreditei na liberdade e espaço de cada um. Ele podia não me contar tudo, podia fazer o que desse vontade e ainda podia só me ligar no fim da noite - ou nem ligar; uma mensagem me satisfaria. Eu escutava as músicas favoritas dele e pesquisava sobre seus gostos favoritos só para agradar. Lia os livros e via os filmes que ele recomendava só para ele saber que eu me importava, que eu queria participar da vida dele de alguma forma. Você pode estar me achando uma trouxa agora, mas eu achava que estava fazendo o certo. Achava que ele queria mesmo viver desse jeito, sem ficar colado comigo o tempo todo. E eu acreditava nesse tipo de relação: éramos livres para ir e vir, fazíamos o que bem quiséssemos. Mas só ele fazia. Só eu me prendia ao que nós tínhamos, já que eu não fui uma má namorada.
Mas mesmo que eu fizesse tudo para ali ficar, ele foi embora. Ele disse que sempre sentiu que eu o amava muito, que o cuidava muito e que ele era muito grato por eu ter o tirado do fundo do poço, que ele não sabia onde estaria agora se não fosse por mim; mas disse que já não conseguia mais me amar, não sentia mais a mesma coisa. Na mesma hora, eu tive certeza: ele nunca sentiu. Amor não acaba assim. Eu sei que não acaba. Ele pode mudar, pode assumir outras formas, pode acalmar. Mas acabar? Duvido. Isso nunca vai entrar na minha cabeça, até porque eu não fui uma má namorada.
A dor só existe agora porque eu demorei muito tempo para perceber que ele não gostava de namorar. Ele não gostava de ter alguém a quem "dever" satisfações, nem muito menos alguém o tempo todo preocupado com o seu bem estar. Ele não gostava de se prender, mesmo que eu o deixasse plenamente livre, e não gostava de ter compromissos com ninguém. Ele não gostava dessa coisa recíproca de querer cuidar, se importar e amar. O que ele gostava era de ter alguém para trocar uns beijos quando a carência chegasse; gostava de alguém que o escrevesse poesia para aumentar o seu ego; ele gostava de ter alguém a quem procurar no fim da noite quando já tivesse curtido o dia inteiro; gostava de ter no mais fundo da sua mente a lembrança de que tinha alguém que se preocupava, que o amava, que o queria de fato; ele queria que depois dos problemas, alguém o abraçasse e com sinceridade dissesse: "tudo vai ficar bem, estou aqui contigo". Ele queria tudo isso, mesmo que não fosse nem metade disso pra mim. 
Eu não fui uma má namorada. Ele que não soube retribuir. 

Tive um estalo para escrever esse texto quando lembrei de um vídeo que vi há uns meses  - um recital do texto de Sabrina Sá -, que eu sempre choro assistindo, e somando à experiências pessoais, as palavras saíram sem que eu nem mesmo visse. Até a próxima!



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