Ontem, eu o disse adeus.
Só consegui respirar fundo agora, depois de choro, de escutar milhões de vezes as nossas músicas e de aceitar, de uma vez por todas, que mais uma vez eu não dei certo com alguém. Eu tive que dizê-lo adeus, não porque ele havia me magoado de alguma forma, ou me traído, ou sido frio como outros foram. Ele foi cálido do início ao fim. Foi esperançoso, forte, me fazia acreditar que eu era forte também. Mas foi necessário que disséssemos adeus um ao outro.
Eu sou teimosa, mas desde o início, uma partezinha de mim dizia que não daríamos certo. Não porque não gostávamos um do outro ou porque o sentimento não era recíproco - era, e era tanto que fazíamos de tudo para demonstrar isso. Nós simplesmente não encaixamos. Os mundos são divergentes, as amizades são outras. Só havia um momento em que nós realmente nos entendíamos completamente, e era quando nos beijávamos. Ali havia encaixe, ali parecíamos um quebra-cabeças de duas peças e que apenas essas duas bastavam. Mas não se pode levar um relacionamento adiante apenas com beijos, muito menos se há tantos empecilhos entre os dois. E haviam muitos.
Eu não lembro de sequer um dia, desde que tudo isso começou, que eu não tenha amado estar ao lado dele; que eu não tenha buscado o cheiro dele nas minhas roupas (e sempre encontrado e amado ter uma parte dele comigo durante o dia inteiro); que eu tenha conseguido ficar um só instante sem pensar no sorriso dele e na carinha brava que ele fazia quando eu implicava com meu corpo e ele sempre repetia: "você seria ainda mais linda se gostasse de você exatamente como é". Nos encontramos quando ambos ainda estavam machucados de amores anteriores e reerguemos um ao outro. Parece ser a coisa mais boba isso de ser o ponto de apoio para outra pessoa, o refúgio, a saída de um mundo tão hostil - mas éramos exatamente isso. Ele foi quem me reacendeu. E eu fiz de tudo para estender a minha luz à vida dele também. Enquanto conversávamos e decidíamos que rumo tomar, eu vi o quanto ele estava melhor, o quanto eu fiz diferença em sua vida. E então percebi que o nosso amor realmente não foi em vão. Não fomos mais um casal que "não deu certo". Demos certo, e demos tão certo que hoje somos pessoas melhores graças a nós, ao nó que criamos na esperança do felizes para sempre.
Mas isso não existe, a gente sabia que não. Nosso relacionamento inteiro foi pautado em esperanças, em pensamentos positivos e sempre tentando relevar uma coisa ou outra para seguir em frente. Até chegar o momento em que estagnamos. E ao parar, vimos uma bifurcação que nos obrigava a nos separar ali, naquele instante, para seguirmos nossas vidas sem o outro, pelo menos da forma que gostaríamos. Até agora, eu fui o mais clichê possível, esgotei todas os meus limites de casais estereotipados. Contudo, há uma coisa em que fomos completamente diferente de todos os outros: nunca sonhamos com o futuro. Não planejávamos nos casar em uma igreja, nem muito menos pensamos nos nomes dos nossos filhos. Nós não planejamos viagens de férias para a praia, e nem tampouco com que parte da família passaríamos o Natal e o Réveillon. Nós apenas vivemos. E vivemos os nossos momentos juntos como se fossem os últimos, como se esperássemos que no segundo seguinte tudo fosse acabar, mesmo que não revelássemos isso, sem dizer em voz alta os medos que sentíamos.
Nós apenas vivemos. E nos amamos sem dizer literalmente, e nos quisemos por perto sem precisar gritar isso. Apenas estivemos um ao lado do outro nos momentos difíceis e comemoramos as vitórias juntos. Sempre juntos. As mãos mais coladas possíveis. Como diria aquela frase que eu li e que sempre acaba me lembrando nós: alguns amores foram feitos para existir, e não para durar. E ainda somo: o nosso amor foi feito para nos acrescentar.
E a melhor parte, a que me permitiu dormir a noite toda e que me deu forças para relatar isso agora, foi ele me prometer que, mesmo que não pudéssemos mais ter a mesma ligação que tínhamos, ele ainda seria o meu anjo. O que me resgata quando eu não puder me levantar. O que me dá a mão quando ninguém mais dá. O que me salva do mundo e me leva às nuvens mesmo sem ter asas e sem me tirar do chão. Que me protege, me cuida, me guia, me ensina e, apesar de tudo, me ama.
O meu amor não nasceu para fazer esse namoro durar para sempre, mas para ficar marcado nele a luz que há em mim.

Sobre relatos pessoais que thanks God nos oferecem textos como este, que vêm do fundo do coração, da parte mais sensível dele - que eu acho que é onde guardamos as melhores pessoas e os melhores momentos, também. É onde eu guardo o meu anjo, que entrou na minha vida para ser nada além disso - e que já está de bom tamanho. Até a próxima


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