Fazia um tempinho que eu não me deparava com algo pela nossa querida internet, mas hoje a coisa chegou de uma forma que eu não me aguentei, não.
Estava no Facebook nesta sexta-feira (20) linda, morta de feliz com a semana cansativa que acabou, e esbarro com um post nada tranquilo, nada favorável.

clique em "ver mais" e fique tão chocado quanto eu.

Ler isso me provocou milhões de reações. A primeira delas foi sentir nojo mesmo, por ainda ter que lidar com pensamentos do tipo. A segunda certamente foi rir, rir muito, pois eu não fazia ideia do tamanho regresso que estamos vivendo. Decidi trazer o show de comédia que este post é com algumas passagens que eu achei hilárias. 
A risada começou na apresentação do manifesto, que já de início traz um cunho religioso. A sua #SantaIndignação inclusive traz curiosidade ao leitor para permanecer lendo o seu protesto. A que ousadia da propaganda, não? Eu gostaria até de ler, se houvesse, o manifesto dela contra aquela propaganda da O Boticário com os mais diversos tipos de casais, se lembram? 
A moça ainda descreve os comerciais e depois manda o fragmento que eu ri mais: "Nós que conhecemos a Verdade imutável da Palavra de Deus não podemos ficar calados. Temos que #boicotar essa loja e mostrar nosso repúdio.". Não sou muito ligada naquelas coisas que estão escritas na Bíblia, mas nunca ouvi dizer que lá vinha escrito que tipo de roupa o homem e a mulher deviam usar. Em todas as peças em que eu assistia quando era criança, tanto na Páscoa quanto no Natal, Jesus, na minha opinião de criança atenta, sempre usou vestidos lindos e sandálias gladiadoras. E agora, a moça da publicação me vem com essa de que um tipo de roupa é para um tipo de gente específico, e que se eu não faço parte deste tipo de gente, eu não posso usá-la.  
Infelizmente, eu gosto mesmo é de ter o repúdio desse tipo de gente. Desse tipinho aí, que gosta de rotular tudo, de definir o que os outros vão vestir, o que os outros estão fazendo, com quem outros vão se relacionar. E a questão é que isso só é da conta dos outros! Os outros que sabem o que fazer com suas próprias vidas, e na minha opinião, são esses ditadores que estão levando o país - e toda a humanidade - de mal à pior.
Por fim, eu disse que não sou muito sábia no que diz respeito às coisas que estão escritas na Bíblia, mas gostaria de ressaltar: 

Êxodo 20:7   "Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus em vão; porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão." 

Usar o nome do teu Deus para justificar o teu preconceito me parece ser um pecado muito mais absurdo, Ana Paula, do que um homem vestir a roupa de uma mulher e vice versa. Um beijo por cima do ombro.



Talvez, com pouquíssima sombra de dúvida, você que vive e respira na internet já ouviu falar no excelentíssimo canal do YouTube JoutJout Prazer. A dona do canal, Júlia, é uma mulher fantástica que eu conheci através de uma amiga e tem me inspirado bastante em diversos assuntos devido ao seu jeito de pensar e principalmente a forma com que ela expõe sua opinião. Por motivo de querer, JoutJout nunca mostrou o rosto do seu namorado, Caio, de quem sempre ouvíamos a voz no fundo dos vídeos. Acontece que em um vídeo anterior, Caio apareceu de alguma forma e começara uma discussão - que eu achei bem desnecessária - sobre a cor da pele de Caio. Algumas pessoas apontando-o como negro, outras defendendo-o por não ser negro, mas, sim, pardo; outras exalando o preconceito, dizendo até que JoutJout não mostrava-o em vídeo por ele ser negro. E eis a sua resposta:



A discussão que aconteceu após o vídeo fora o que me deixou ainda mais espantada. Eu me fiz a mesma pergunta que ele: o que determina o fato dele ser negro ou não? Quer dizer, a vida inteira eu me considerei parda. Nasci branca, mas com o tempo, com a exposição ao sol, ganhei cor, e me considerava parda tal qual Caio. Mas e se alguém achar que sou negra por algum motivo? E se eu nem mesma me considerar mais de cor alguma? 
Foi então que eu descobri o porquê de ter ocorrido tal discussão; mesmo que já estejamos no décimo sexto ano do século XXI, o Brasil ainda é um país racista. O que ainda é assustador porque se você sai na rua, obviamente você não vai encontrar uma maioria de brancos, negros, ruivos, albinos ou qualquer tipo. Você vai encontrar uma mistura de raças, de cores, de jeitos. Canso de repetir que somos um povo miscigenado e por incrível que pareça ainda somos muito racistas. E sabe qual é o problema maior? O colorismo brasileiro. O problema não é ele ser negro, pardo, whatever. O problema é querer rotulá-lo como alguma coisa. Mas quem se importa?


Hoje em dia, as pessoas confundem liberdade de expressão com libertinagem, assim como sinceridade é confundida com falta de educação. Você não precisa ir muito longe para entender: em qualquer blog de moda, procure por uma postagem mostrando uma roupa ou um acessório para corpo, muito provavelmente haverá um comentário do tipo: "linda a sua bolsa, mas se você emagrecesse um pouco, ficaria ainda mais linda". Opa? Desculpa? Entende o que quero dizer? A blogueira está vendendo o produto, não o seu corpo. Outro exemplo que pode ser utilizado são os comentários mais absurdos que existem nas fotos das mulheres que assumem seus cachos, black power, cabelão solto e com atitude. Coisas do tipo: "você é bonita, mas penteia esse cabelo".



O mundo precisa entender de vez que algumas pessoas, graças a Deus, já possuem identidade própria e não ligam pro que os outros acham. Algumas pessoas já amam seus próprios corpos sem precisar da aprovação de ninguém; usam seus cabelos da forma que querem, as roupas que quiserem usar, independente do que a mídia e os meios de informação dizem ser o mais bonito, o ideal.
Por fim, voltando ao foco do vídeo, que diferença faz ele ser negro ou não? Que diferença faz rotular qualquer pessoa de qualquer coisa? De uma forma arrogante, eu diria que a diferença é que o olhar muda. A pessoa racista, incapaz de entender que cor não define caráter, pensa que todo negro é ladrão e todo branco é mocinho; acha que negro só quer vagabundagem e branco foi feito pra estudar, ser bem sucedido. Essa é a verdade, querendo ou não, na forma bruta mesmo.
Sinceramente, do fundo do meu coração, eu ingenuamente achava que as pessoas já tinham superado essa coisa de encaixar todo mundo em um padrão. A evolução faz parte de todos nós, e a padronização não se encaixa nela.




Há bastante tempo eu estava querendo escrever sobre Homofobia, mas não sabia como abordar o assunto sem parecer repetitiva, até porque hoje em dia todo mundo já tem seus argumentos formados sobre o assunto, e são até muito parecidos. Mas, aproveitando o acontecimento de ontem (26), decidi fazer a postagem. A Suprema Corte dos Estados Unidos legalizou o casamento gay em todo o país, e o fato não foi comemorado apenas por ativistas que estavam do lado de fora do tribunal, mas por todo o mundo. Como as pessoas não se expressam mais no "mundo real", me contive a observar as redes sociais. No Twitter, a hashtag #LoveWins ("amor vence") surgiu e ficou em primeiro lugar nos assuntos mais comentados, e no Facebook, vimos fotos de perfis coloridas (e lindas) por toda a timeline.
Mesmo que eu tenha visto bastante hipocrisia (pessoas com fotos coloridas mas que mantém aquele discursinho de "não tenho nada contra gays, desde que meu filho não seja um"), fiquei muito feliz com algumas postagens e a maioria delas me trouxeram a ideia para os seguintes tópicos:
  • Primeiramente, uma imagem vale mais que mil palavras:
mais explicativo não há.
  • É importante lembrar que a legalização no Brasil existe desde 2013, e eu não consigo entender como ainda tem gente batendo nessa tecla. Em 2011, o Supremo Tribunal Federal passou a reconhecer a união homoafetiva. 
  • Isso não é uma blasfêmia. Seria se estivessem legalizando o casamento religioso. Entendo que religião não é algo com que se possa mexer, e acredito que se determinada religião não aceita que a pessoa seja homossexual, ela não tem nada o que fazer ali. É simples, e facilmente explicada através de uma metáfora: se você está num grupo de amigos onde não aceitam quem você é, simples: saia de perto deles. Funciona da mesma maneira.
  • Você não precisa ser gay para defender a causa, basta que você acredite que o amor é algo gratuito, livre, uma das únicas coisas que ainda não perdemos (não totalmente). É como o feminismo: não precisa ser mulher para querer a igualdade de gêneros, para defender que as mulheres também têm o seu espaço na sociedade. Não existem diferenças entre o hétero e o homo; cada um tem o seu lugar, tem os seus direitos e deveres, são seres humanos! 

  • O amor é livre de preconceito. Ele não se priva a gênero, raça ou nacionalidade. O amor é simples, é gratuito e não precisa da aprovação de outros para existir. Eu acredito que não haja mais o que falar, apenas saber que ser contra o amor torna o ser humano frio, baixo e calculista. Apenas cresça e aprenda que todos somos livres para fazer o que bem quisermos, amarmos quem bem quisermos e cabe a você não julgar, apenas respeitar.

Por fim, eu nunca vou conseguir dizer tudo o que eu queria dizer sobre o assunto, mas o que eu disse aqui é uma boa parte. Fiquei muito feliz com a notícia, ontem foi um dia realmente inspirador. E eu espero que ainda hajam mais acontecimentos como esse, que o ser humano possa crescer ainda mais assim, fazendo com a humanidade caminhe à frente e veja que realmente não existem motivos para reprimir algo tão bonito quanto o amor. Até para saber que, no final, o amor sempre vence.

Para finalizar a postagem, ficamos com uma das melhores imagens surgidas ontem. É isso, o choro é livre, beijinho para os homofóbicos e até a próxima!





Naquele universo maravilhoso chamado Twitter não existe apenas bobagem. Se você é alguém que, como eu, não se prende às babaquices que o site oferece, talvez se interesse por este assunto. Um dos assuntos mais comentados na rede durante estes dias era: #FamíliaNãoÉSóHomemEMulher. Após muito ler sobre, as próprias postagens sobre o tema, até mesmo depois de me posicionar em meu perfil, decidi que tenho muito mais opinião sobre o assunto do que cabe em 140 caracteres. Lembrei-me desta fabulosa ferramenta que possuo e vivendo eu num país livre, decidi trazer aqui minha visão sobre a intolerância, a cegueira e todos os outros fatores que impedem as pessoas de respeitar que os tempos já são outros.
  • Família não é uma estrutura imutável. Odeio mesmo quem considera família uma estrutura. Pai, mãe, filhos e um cachorro chamado Marley. Seja pai e mãe, mãe e mãe, pai e pai, só mãe, só pai, tio, tia, avô e avó. Não interessa a quem, se tem amor, se é o seu porto seguro a quem você recorre quando tudo está perdido, é família; aquele esquema de que só homem e mulher podem formar uma família é algo tão ultrapassado! "Dois iguais não fazem filho", mas adotam e cuidam dos que os dois diferentes não são capazes. "Gosto, bem longe de mim", "você apoia, mas se for com seu filho você não vai gostar" ou "eles vão influenciar a nova geração" são argumentos tão vazios, pois 1. você não tem que gostar, mas respeito é o mínimo que você deve ter; 2. só alguém sendo muito babaca para repreender o filho por ele decidir ser homossexual; e 3. que eu saiba, os pais da maioria dos homossexuais são héteros. Cadê a influência? E nem preciso dizer que isso é só uma das coisas que nos provam o quanto nenhuma família é igual. Existem milhões de casos de crianças que vivem somente com sua mãe, com a avó, tio e tia e tantos outros. 
  • O seu preconceito não te levará à lugar algum. Você que olha torto para essa nova fórmula familiar, repreenda a si mesmo! Preceituar o que quer que for é algo muito baixo e eu tenho certeza de que ninguém quer ser/fazer algo assim. Seja mais do que isso; eu sei que você consegue.
  • Chega de intolerância! Não será um comercial de TV que irá ferir a imagem da família tradicional brasileira. Abra seus olhos. Ser intolerante torna a vida chata e curta. Abra sua mente para o que já é fato aceito pelas pessoas inteligentes: os tempos são outros. Você é tão intolerante que chega a não aceitar a mudança até quando ela não te afeta. Se importa com a vida dos outros e, me diz uma coisa, a sua deve estar arrumadinha, não? Nenhum problema, nenhuma conta para pagar, nenhuma decepção amorosa? Olhe-se no espelho antes de levantar a voz e apontar o dedo para alguém.
No mais, o meu objetivo aqui não é ofender ninguém; venho por meio destas palavras expressar a minha opinião que estava presa na ponta da língua há tanto tempo. Se você se ofendeu, sinto muito dizer, mas acho que é melhor pensar um pouco no porquê disso. E depois, se você ainda procurar razões para se ofender, desculpe-me de novo, mas você é um caso perdido.
Viva a mudança, viva o amor, viva a igualdade! Viva ser feliz. Viva!
Nota: Estou começando hoje o [agora é sério!] por motivos de: cansei de escrever sobre amor. Venho com essa nova proposta no intuito de escrever sobre coisas sérias, assuntos que vejo pela internet e fico chocada com o quão as pessoas conseguem se fazerem de cegas, surdas e mudas, até que algo venha a "ferir" sua moral. E aí elas se fazem de cegas, surdas e mudas para aquilo que costumo chamar de realidade. É isso e até a próxima.