Para Sir Phillip, com amor

Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Ano de publicação: 2003 (tradução: 2015)
Número de páginas: 276
Narração: 3ª pessoa
Título original: To Sir Phillip, with love
Sinopse: Eloise Bridgerton é uma jovem simpática e extrovertida, cuja forma preferida de comunicação sempre foram as cartas, nas quais sua personalidade se torna ainda mais cativante.
Quando uma prima distante morre, ela decide escrever para o viúvo e oferecer as condolências. Ao ser surpreendido por um gesto tão amável vindo de uma desconhecida, Sir Phillip resolve retribuir a atenção e responder.
Assim, os dois começam uma instigante troca de correspondências. Ele logo descobre que Eloise, além de uma solteirona que nunca encontrou o par perfeito, é uma confidente de rara inteligência. E ela fica sabendo que Sir Phillip é um cavalheiro honrado que quer encontrar uma esposa para ajudá-lo na criação de seus dois filhos órfãos.
Após alguns meses, uma das cartas traz uma proposta peculiar: o que Eloise acharia de passar uma temporada com Sir Phillip para os dois se conhecerem melhor e, caso se deem bem, pensarem em se casar? Ela aceita o convite, mas em pouco tempo eles se dão conta de que, ao vivo, não são bem como imaginaram. Ela é voluntariosa e não para de falar, e ele é temperamental e rude, com um comportamento bem diferente dos homens da alta sociedade londrina.
Apesar disso, nos raros momentos em que Eloise fecha a boca, Phillip só pensa em beijá-la. E cada vez que ele sorri, o resto do mundo desaparece e ela só quer se jogar em seus braços. Agora os dois precisam descobrir se, mesmo com todas as suas imperfeições, foram feitos um para o outro.
"Os sonhos dela não passavam disso: sonhos. Ilusões, coisas que criara. Se ele não era quem esperara, a culpa era só dela. Vinha ansiando por algo que nem mesmo existia." (p. 50)
Dando continuidade à jornada que estou correndo com a família Bridgerton, cheguei ao livro 6 com certas expectativas. Eloise é uma das minhas Bridgertons favoritas, entre homens e mulheres. Ainda que ela seja muito intrometida e até um pouco irritante, ela sempre me pareceu muito espirituosa e eu sempre gostei da forma como ela se colocava diante de determinados rótulos e expectativas que queriam direcionar a ela. 
Esse livro é localizado na linha do tempo muito próximo ao anterior, o romance de Colin e Penélope. No caso deste, é muito intenso como tudo acontece tão rápido. Embora Eloise e Phillip tenham trocado cartas por praticamente um ano, é em questão de dias que ela chega à casa dele fugida de toda a família e, tão rápido quanto eles descobrem que não são como imaginavam de acordo com as cartas, os irmãos de Eloise, enlouquecidos, encontram a irmã na casa de Phillip e, também em questão de dias, todos os trâmites para o casamento acontecem.
"Mas, à medida que ele a observava à sua frente e via o rosto dela se transformar com um simples sorriso, percebia que sua razão para ter partido não importava. Só tinha de conseguir fazê-la ficar." (p. 65)
Não vou me deter a falar sobre expectativas, visto que estou decidida a ler toda a série e, sendo assim, tenho boas expectativas para todos os livros. De um modo geral, senti que esse livro foi bastante "confortável", em um sentido até bom da palavra. Os acontecimentos não são tão movimentados como no livro anterior, mas esse traz algumas reflexões, sobretudo voltadas para a decisão de Eloise sobre se casar.
"- Mas foi o que aconteceu - disse ele, fazendo a gentileza de concluir o pesamento dela. - Acho que nem Penelope pensou que se casaria. E, para ser sincero, duvido que Colin também tivesse previsto isso. O amor às vezes chega sem ser notado, sabe?" (p. 150)
As motivações de Phillip para o casamento eram bastante claras. Mesmo que depois tenha surgido o amor dele por Eloise, em primeiro lugar, o seu objetivo era dar uma mãe aos seus filhos gêmeos, que, por sinal, são muito indisciplinados. As motivações de Eloise, no entanto, embora não sejam claras para todo mundo, são escancaradas para ela mesma: depois do casamento de Colin, seu irmão mais velho, e Penelope, sua melhor amiga, Eloise foi inundada por um sentimento de solidão nunca sentido antes. Ela acreditava, e afirma isso diversas vezes para si mesma, que poderia acabar como uma solteirona para o resto da vida depois de uma série de pedidos de casamento recusados, tanto porque não havia encontrado amor verdadeiro naqueles pretendentes, quanto porque achava que ela e Penelope poderiam fazer companhia uma para a outra na solteirice. 
Confesso que essa decisão de Eloise, por esses motivos, me incomoda um pouco. Eu sempre a considerei forte, independente e autoconfiante... Vê-la fazendo escolhas por medo de ser reduzida a uma solteirona me fez vê-la de outra forma e eu ainda não sei se foi totalmente positivo. 
"Violet nunca precisara de nada, e sua verdadeira riqueza residia em sua sabedoria e seu amor, e Eloise percebia agora, enquanto via a mãe virar de novo em direção à porta, que ela era mais do que só sua progenitora... ela era tudo o que Eloise desejava ser." (p. 203)
De fato, é interessante ver a construção da relação dela com as crianças (e, posteriormente, com o próprio Phillip). Gosto de como ela reflete muito sobre o "ser mãe" dessas crianças que ela adotou, essas que adotaram Eloise também, de certo modo. Como eu disse, é um livro mais confortável, mais calmo, embora seja muito reflexivo. Apesar desses incômodos que eu tive, adorei ficar um pouco mais próxima dos pensamentos de Eloise. Ah, e o epílogo desse livro é muito, muito lindo, com direito a quentinho no coração e tudo.

P.S. para quem já leu: Como é que a Julia Quinn não me escreve a reação da Eloise sobre aquela coisa que foi revelada no livro passado? Fiquei o livro inteiro esperando por isso. E essa falta eu não vou perdoar.



 

"Não é ótimo quando descobrimos que não somos exatamente o que pensávamos ser?" (pág. 55)

Os Segredos de Colin Bridgerton

Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Ano de publicação: 2002 (tradução: 2014)
Número de páginas: 328
Narração: 3ª pessoa
Título original: Romancing Mister Bridgerton
Sinopse: Há muitos anos, Penelope Featherington frequenta a casa dos Bridgertons. E há muitos anos alimenta uma paixão secreta por Colin, irmão de sua melhor amiga e um dos solteiros mais encantadores e arredios de Londres.
Quando ele retorna de uma de suas longas viagens ao exterior, Penelope descobre seu maior segredo por acaso e chega à conclusão de que tudo o que pensava sobre seu objeto de desejo talvez não seja verdade. 
Ele, por sua vez, também tem uma surpresa: Penelope se transformou, de uma jovem sem graça ignorada por toda a alta sociedade, numa mulher dona de um senso de humor afiado e de uma beleza incomum. 
Ao deparar com tamanha mudança, Colin, que sempre a enxergara apenas como uma divertida companhia ocasional, começa a querer passar cada vez mais tempo a seu lado. Quando os dois trocam o primeiro beijo, ele não entende como nunca pôde ver o que sempre esteve bem à sua frente. 
No entanto, quando fica sabendo que ela guarda um segredo ainda maior que o seu, precisa decidir se Penelope é sua maior ameaça ou a promessa de um final feliz.
Em Os Segredos de Colin Bridgerton, quarto livro da série Os Bridgertons, que já vendeu mais de 3,5 milhões de exemplares, Julia Quinn constrói uma linda história que prova que de uma longa amizade pode nascer o amor mais profundo.

Acho que já deixei bastante claro na resenha anterior o quanto eu sou grata ao livro 3 da série Os Bridgertons por me permitir chegar a este. Todas as expectativas que eu trouxe até aqui foram atendidas e supridas pelo meu mais novo casal favorito: o bem humorado Colin Bridgerton e a brilhante Penelope Featherington.
Eu não sei nem por onde começar a falar sobre um livro que me deixou tão apaixonadinha durante a leitura. Então, vamos por partes.
As grandes estrelas desse romance são, como deveria ser, o casal que protagoniza. Comecemos por ele: Colin é, até agora, o meu Bridgerton homem favorito. Veremos se Gregory poderá superar isso, mas o irmão número 3 é muito querido por mim. Eu adoro seu humor e adoro sua sagacidade, tudo nele atendeu a tudo o que eu esperava.
"Jamais lhe ocorrera que escrever fosse algo prazeroso para ele. Era algo que simplesmente fazia. Fazia-o porque não conseguia se imaginar sem aquilo. Como viajar para terras estrangeiras e não manter um registro do que via, do que vivenciava e, talvez o mais importante, do que sentia?" (página 89)
No entanto, eu vou arranjar uma briga com alguém que disser que esse livro não é sobre a Penelope. Para mim, ela é a estrela mais luminosa desse livro. É tudo sobre ela, tudo. Se tornou a minha "mocinha" favorita. Forte, inteligente, perspicaz... Muito autêntica, mesmo que quase ninguém enxergasse isso nela. 
Os diálogos deles dois eram tudo o que eu ficava esperando no livro. São envolventes, inteligentes, exprimem o melhor dos dois. Eu amo que até os segredos deles se conversam e fazem com que eles se encaixem tão bem, assim como o conceito que cada um tinha sobre "realização de vida". Em determinado momento, a sensação que eu tinha era de que o ideal de vida de sucesso para Penelope era o que Colin tinha e, para ele, o contrário. Isso adiciona uma camada de profundidade na história deles que vai além da quebra de expectativas da sociedade em ver uma Featherington (e justo aquela) casada com um Bridgerton (e justo aquele). 
"- Eu te amo mais do que tudo. - Ele se inclinou para frente e a beijou suavemente nos lábios. - Pelos filhos que teremos, pelos anos que passaremos juntos. Por cada um dos meus sorrisos e mais ainda pelos teus." (página 299)
A cereja do bolo, para mim, foi a relação de Penelope com Lady Danbury, essa que só criei mais afeição desde que assisti à série. 
Sou muito suspeita para fazer essa resenha. Enquanto na anterior eu praticamente só fui críticas negativas, aqui eu sou apenas elogios. Fugindo dos spoilers, devo dizer bem por cima também que amei o desfecho. Estou apaixonada pelos dois. Leria muito mais. 
Foi ótimo para finalizar essa primeira metade da série, satisfeita com a forma como Julia Quinn traça os caminhos de seus personagens tão independes e, ao mesmo tempo, tão bem costurados. É normal já estar sofrendo com o fim daqui a alguns livros?

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo

Autora: Taylor Jenkins Reid
Editora: Paralela
Ano de publicação: 2017 (tradução: 2019)
Nº de páginas: 360
Narração: 1ª pessoa
Título original: The Seven Husbands of Evelyn Hugo
Sinopse: Lendária estrela de Hollywood, Evelyn Hugo sempre esteve sob os holofotes – seja estrelando uma produção vencedora do Oscar, protagonizando algum escândalo ou aparecendo com um novo marido... pela sétima vez. Agora, prestes a completar oitenta anos e reclusa em seu apartamento no Upper East Side, a famigerada atriz decide contar a própria história – ou sua "verdadeira história" –, mas com uma condição: que Monique Grant, jornalista iniciante e até então desconhecida, seja a entrevistadora. Ao embarcar nessa misteriosa empreitada, a jovem repórter começa a se dar conta de que nada é por acaso – e que suas trajetórias podem estar profunda e irreversivelmente conectadas.

"Porque eles são só maridos. A Evelyn Hugo sou eu."
É isso o que acontece quando começamos um livro com muitas expectativas e ele vai nos surpreendendo a cada novo capítulo? É normal sentir que alguma coisa que ele trouxe nos mudou? Foi essa a impressão deixada em mim por esse livro. 
De cara, confesso que não simpatizei muito com ele. Começa com a voz de Monique Grant, uma jornalista que aparenta ter uma vida nada extraordinária. Está tentando subir na carreira e rapidamente é possível perceber como isso é algo importante para ela – pelo que entendemos logo nos primeiros capítulos, ela acabou de se divorciar numa daquelas bifurcações "escolher o marido" x "escolher a carreira". Embora seja convicta pelo caminho da sua carreira, ela ainda sofre um pouco pelo término, ocorrido há poucas semanas. 
"Precisa encontrar um trabalho que faça seu coração bater mais forte, e não um que deixe seu peito apertado."
É logo no começo que Monique é procurada pela assessoria de Evelyn Hugo para realizar uma suposta entrevista. Após anos reclusa, Evelyn há muito tempo não faz tantas aparições públicas e as entrevistas, então, foram extintas. Mas agora, com quase 80 anos, tendo uma das vidas mais conturbadas, polêmicas e – por que não? – bem vividas de Hollywood, ela está organizando um leilão de seus lendários vestidos e todas as revistas estão atiçadas para conseguir o máximo de informação sobre isso.
Quando Monique e Evelyn se conhecem, fica evidente que existe algo por trás do motivo para Evelyn chamá-la, especificando que se não fosse a jornalista em questão, não seria mais ninguém. Mas o motivo não é revelado a princípio e, cá entre nós, não é a busca por ele que faz com que o leitor fique preso a esse livro. O grande e inabalável motivo tem nome, sobrenome, carisma e talento invejáveis: Evelyn Hugo.
A proposta de Evelyn, então, é que Monique escreva uma biografia autorizada da atriz, que só poderá ser publicada após a sua morte. À medida em que Evelyn conta a sua história, falando sobre toda a sua carreira e tudo o que nunca foi contado sobre seus sete maridos, rapidamente descobrimos que a história dela vai muito além disso. 
"O que fica na minha cabeça no fim de semana – da sexta à noite ao domingo de manhã no parque – não é "como meu casamento foi por água abaixo?", e sim "quem diabos foi o grande amor da vida de Evelyn Hugo?""
Quantas mulheres não foram reduzidas a seus relacionamentos amorosos? Quantas mulheres não foram rotuladas de acordo com seus corpos, deixando de lado quem elas realmente eram/são? Evelyn nos faz pensar sobre como a nossa sociedade ainda tem muito o que aprender, mesmo que a história que ela está contando, em grande parte, tenha se passado no século passado. 
Evelyn é uma das personagens mais difíceis de descrever, tal como seu livro. A única coisa que posso afirmar com certeza é que fui muito cativada por ela, assim como Monique se sentiu durante todo o período em que estiveram juntas. Devido aos sentimentos conflitantes, nesse livro todo tipo de sentimento pelas personagens é permitido, sobretudo perceber seus erros. Durante a leitura, nós somos chamados a ponderar suas escolhas e atitudes porque, afinal, é uma história que evoca muito a nossa capacidade de ser empático. Você não precisa achar se é certo ou errado, só precisa entender que houveram motivações e, sobretudo, não há arrependimento em Evelyn por ter sido quem foi e por ter feito o que fez.
"Desconfie de homens que precisam muito provar alguma coisa."
Eu vou indicar esse livro para todo mundo, porque é incrível. O símbolo feminino representado por Evelyn e toda a discussão que o livro pode trazer sobre sexualidade tornam essa história tão necessária! E se você for se aventurar por ela, fique ciente de que são pouquíssimos os homens que prestam nessa história – eu avisei que é bem próxima da realidade... E que ela não é mesmo sobre eles. Além disso, aborda temas tão relevantes que, mais do que nunca, resgatam essa história fictícia para a nossa atual realidade.



Foto: Acervo pessoal | Frase do rapper Emicida reproduzida no documentário "AmarElo" (Netflix).

Hoje, há quase um ano vivendo de perto esse caos que meses antes chegou por aqui na Terra, tive um daqueles baixos dentre tantos altos que persisto em viver apesar de tudo. Aqueles baixos em que o meu quarto, que geralmente é confortável e me abriga bem, começou a parecer pequeno - o teto mais baixo, as paredes mais estreitas, um calor inexplicável e a necessidade de sair daqui.

Não, não sair para qualquer lugar. Não obstante tanto tempo, ainda me reservo no direito de ser um pouco exigente. Eu queria ver gente. Queria ver gente andando, falando, rindo alto de uma maneira que não fosse por meio de uma tela. Queria não ser interrompida por uma conexão ruim. Queria não ter que encarar a frieza das mensagens por WhatsApp.

Sei que não é à toa que o momento roubou o nosso riso e tirou o brilho dos nossos olhos. São pessoas partindo todos os dias. Milhares delas. Todos os dias. E estamos, mais do que nunca, nas mãos de um maluco genocida. É demais querer que alguém esteja sorrindo nesse momento. 

Mas a saudade é inevitável. Uma saudade que não vem com data de validade, porque sequer imaginamos quando sairemos disso. Assim, vamos vivendo dia após dia, esperando o momento em que poderemos passar pela porta e reviver a liberdade. E me dirijo até mesmo àqueles que estão preferindo se expor e se colocar em risco, porque, cá entre nós, isso não é a verdadeira liberdade. Mesmo que em graus diferentes, essa onda caótica atinge a todos nós e me dói saber que alguns não se importam com isso. Desses, também sentirei certa saudade.

Digo isso porque, sim, essas pessoas já não podem estar mais aqui (nesse lugar que criei para proteger os meus). Sendo bem sincera, não sei até que ponto essa situação toda vai nos ensinar em termos de humanidade. Admiro quem consiga ser tão esperançoso assim. Mas é fato que me ensinou muito sobre quem eu quero comigo e sobre quem se mostrou egoísta, mesquinho e ignorante. Vou sentir saudade da ideia que eu tinha antes sobre essas pessoas.

A saudade de agora, como eu ia dizendo, não se direciona completamente a indivíduos específicos. Ela me fala sobre aquele tempo em que eu ia para a faculdade em um ônibus lotado, sozinha com o céu cheio de nuvens que é a minha cabeça com tanto pensamento atropelado. Saudade de tomar café com meus amigos na barraquinha que fica na esquina da faculdade. Saudade de encontrar minhas amigas da escola e recontar as mesmas histórias que lembramos sempre que estamos juntas - e rimos da mesma maneira. Saudade de fazer planos com data de realização, sabe? Coisas concretas. É isso. Tudo hoje parece que está flutuando na nossa frente. Uma onda de incertezas com a qual não sei lidar e me inunda todos os dias.

Tem uma frase dita pelo Emicida que me toca sempre que essa saudade me invade, sempre que penso como antes o abraço era fácil, sempre que me dói pensar em todas as vidas perdidas. "É no encontro que a nossa existência faz sentido". Como, então, encontrar sentido nesses tempos de tantos desencontros? 

Se o abraço falta, se o toque não é permitido, se existem tantas barreiras nos impedindo de viver - e tantas coisas nos ameaçando de perder a vida... Eu só espero que possamos continuar cuidando dos nossos, mesmo que aos trancos e barrancos. Lamentando a perda de muitos, torcendo para que não hajam tantas a mais. Estou morrendo de medo, sabe? Mas tentando lembrar da frase do Emicida para que, quando puder encontrar todo mundo, as coisas voltem a fazer sentido.



Eu sempre tive mania de organização e sempre gostei de anotar coisas. Mas, como se fosse uma fuga total da minha personalidade, até ano passado eu não anotava os meus livros lidos do ano. Talvez se deva ao fato, também, de que 2020 foi o ano que mais li - devido ao tempo ocioso no começo da quarentena - e ficava mais difícil de lembrar. Aí eu encontrei essas alternativas que complexavam um pouco mais as anotações que eu fazia no meu próprio caderno (que consistia em uma lista com os títulos, as datas de leitura e uma avaliação atribuída por mim). 
Achei válido trazer essa listinha para falar um pouco sobre cada um deles e divulgar o meu perfil e da Isabelle também (visto que em 2021 consegui trazer ela pra esse mundinho também). 

1. Goodreads

Acredito que seja o aplicativo mais utilizado nesse sentido, em termos mundiais. Foi lançado em 2007 e comprado em 2013 pela Amazon - o que permite que você faça integração com o seu Kindle. Nele, você consegue registrar suas leituras, participar de fóruns de discussão sobre os livros e gerar listas das suas leituras. Agora, o aplicativo para celular tem algumas "partes" traduzidas para a língua portuguesa (antes era só inglês e no site ainda tem opção para outras línguas, mas não português), embora algumas seções ainda venham na língua inglesa. Como é o aplicativo mais usado, tem muitas discussões e muitos registros, o que pode ser ideal para você que não tem o impedimento da língua estrangeira. A maior desvantagem para mim é que não acho o aplicativo tão intuitivo, o que torna o uso mais complicado e inacessível.

2. Skoob

Rede social brasileira para brasileiros, lançada em 2009. O usuário pode registrar os livros, separando por etiquetas e tags. É possível escrever resenhas e interagir com outros usuários; sendo tudo em português, o aplicativo inteiro é acessível para nós. Ele também é muito intuitivo, além de que as muitas maneiras de catalogar me satisfazem (uma vez que sou a louca da organização). Tem sido, de longe, um dos meus aplicativos favoritos. E como ninguém é perfeito, às vezes ele tem alguns probleminhas como ficar fora do ar e demorar um tempinho para voltar; as estantes podem parecer trabalhosas de organizar (eu, no entanto, adoro) e algumas pessoas não gostam da aba "Geral", onde você tem acesso às publicações de pessoas que você nem mesmo segue.
Ah, e segue a gente lá: Letícia Lobo e Isabelle Maciel.

3. Cabeceira

Aplicativo desenvolvido pela TAG Livros com o intuito de organizar as leituras dos usuários. Possui um escaneador dos livros na aba de busca e (uma das coisas que acho mais legal) um cronômetro que calcula o seu tempo de leitura segundo o seu próprio ritmo. Você pode avaliar os livros e registrar o seu progresso de leitura, bem como a data de término. A única coisa que não curto tanto é que, ao contrário dos anteriores, esse não tem a mesma estrutura de rede social (o "quase isso" do título se refere a ele), ou seja, você não consegue interagir com outras pessoas, assim como também não tem como acessá-lo pelo computador. Além disso, alguns livros de lançamento independente e de outros tipos não aparecem no catálogo. Mas a interface do aplicativo ganha muitos pontos comigo, além da minha parte favorita: ele tem uma aba de metas e conquistas que, para mim, funciona muito bem como um motivador para as minhas leituras.

Hoje em dia, usamos outras redes sociais para falar das nossas leituras - Twitter e, principalmente, o Instagram. O nicho de leitores é muito grande nessas redes sociais, mas confesso que me encanta a proposta de mídias focadas especificamente na leitura. Desde que comecei a usar, eu só quis ler mais e mais e mais, além de que sou muito viciada em ficar organizando e mexendo neles. Você usa algum deles? Acha que esqueci de algum? Até a próxima!


 

"Sophie fitou o relógio mais uma vez. Duas horas. Duas horas que ela teria que fazer durar a vida inteira." (página 32)

Um Perfeito Cavalheiro

Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Ano de publicação: 2001 (tradução: 2014)
Número de páginas: 295
Narração: 3ª pessoa
Título original: An offer from a gentleman
Sinopse: Sophie sempre quis ir a um evento da sociedade londrina. Mas esse parece um sonho impossível. Apesar de ser filha de um conde, ela é fruto de uma relação ilegítima e foi relegada ao papel de criada pela madrasta assim que o pai morreu.
Uma noite, porém, ela consegue entrar às escondidas no aguardado baile de máscaras de Lady Bridgerton. Lá, conhece o charmoso Benedict, filho da anfitriã, e se sente parte da realeza. No mesmo instante, uma faísca se acende entre eles. 
Infelizmente, o encantamento tem hora para acabar. À meia-noite, Sophie tem que sair correndo da festa e não revela sua identidade a Benedict. No dia seguinte, enquanto ele procura sua dama misteriosa por toda a cidade, Sophie é expulsa de casa pela madrasta e precisa deixar Londres. 
O destino faz com que os dois só se reencontrem três anos depois. Benedict a salva das garras de um bêbado violento, mas, para decepção de Sophie, não a reconhece nos trajes de criada. No entanto, logo se apaixona por ela de novo. Como é inaceitável que um homem de sua posição se case com uma serviçal, ele lhe propõe que seja sua amante, o que para Sophie é inconcebível.
Agora, os dois precisarão lutar contra o que sentem um pelo outro ou reconsiderar as próprias crenças para terem chance de viver um amor de conto de fadas. Nesta deliciosa releitura de Cinderela, Julia Quinn comprova mais uma vez seu talento como escritora romântica. 

Desde que a primeira temporada de Bridgerton foi lançada na Netflix, as autoras deste humilde blog estão com suas estruturas abaladas. Não teve jeito, a empolgação foi muito grande. Não é segredo que a Isabelle é apaixonada pela série de livros e isso já tem algum tempo. Mas foi só em 2020 que a paixão dela - e o anúncio de que teríamos a série - me influenciou a ler os livros. Li os dois primeiros (que, inclusive, temos resenhas aqui no blog) e gostei. Gostei bastante. Era diferente, visto que foi o meu primeiro contato com esse gênero e foi mesmo uma ótima porta de entrada.
No entanto, quando cheguei ao livro 3, a minha relação com a Julia Quinn ficou um pouco balançada. Ainda ano passado, dei início à leitura e estagnei logo nas primeiras páginas. Não consegui sair do canto. A história do casal não me prendeu. 
Passaram-se meses e quando assisti à temporada, o Benedict me encantou. Somado a isso, eu tinha aquela vontade de dar prosseguimento à leitura, então, na virada do ano, quem me procurasse me veria com a cara enfiada nas páginas de Um Perfeito Cavalheiro.
A releitura de Cinderela realmente nos chama atenção, sobretudo porque temos aqui uma gata borralheira que sofre muito (mas muito mesmo) nas mãos da madrasta. Sophie é uma mulher muito forte e aguentou muita coisa sozinha. Tornou-se uma das "mocinhas" mais admiráveis na minha percepção.
"Imaginava que havia mulheres capazes de abrir mão disso por paixão e amor. Parte dela desejava ser uma dessas mulheres. Mas não era. O amor não podia vencer tudo. Pelo menos não para ela." (página 219)
Mas, cá entre nós... Não vi nada de cavalheiro no Benedict, coisa que o título me prometia. E eu nem estou falando da parte das chantagens, propostas inadequadas e, ainda por cima, de se aproveitar de alguém tão vulnerável quanto Sophie estava. Estou falando do mínimo que ele poderia ter feito para se mostrar um cavalheiro. Se eu me baseasse nas coisas que ele diz, talvez até pudesse considerá-lo um cavalheiro apaixonado - suas atitudes que me incomodam. Não darei spoilers, porém acho que no momento de maior necessidade, que ele devia ter se mostrado esse tal cavalheiro, foi a mãe dele que apareceu para resolver tudo.
E ainda bem! A Violet foi o meu respiro nesse livro, assim como todos os momentos em que a Sophie interagia com as mulheres Bridgertons. Quanto a esse Benedict, passe mais tarde.
Sobre o relacionamento dos dois, é um amor avassalador e praticamente à primeira vista (mesmo que depois o bobão aí tivesse precisado olhar várias vezes para se dar conta de que era ela). Eu só queria que eles tivessem sido sinceros um com o outro desde o primeiro momento.
"Ótimo - murmurou Benedict. - Agora eu vou embora. E você tem apenas uma tarefa enquanto isso: vai ficar bem aqui e continuar sorrindo. Porque me parte o coração ver qualquer outra expressão em seu rosto." (página 189)
Eu realmente amei o Benedict da série. Adoro o arco em que ele se insere, descobrindo que pode ir além com a sua paixão pela arte e pelo desenho. Queria que isso tivesse sido mais desenvolvido em seu livro. Vou me prender a ele com toda a força, porque o da literatura é um chato (e me desculpem por isso).

Gif do Tumblr Bridgertonian

Espero não magoar ninguém (ainda mais), mas o maior valor desse livro para mim foi dar continuidade à série. Há muitos romances que quero conhecer ainda (sobretudo o próximo, Os Bridgertons #4), então isso foi bom. E, embora não tenha amado o livro, tenho ótimas expectativas para esse romance na série e como ele poderá se desenrolar. 
"Eu posso viver com você me odiando - disse ele em direção à porta fechada. - Só não posso viver sem você." (página 157)


"Na maior parte das vezes, a mocinha precisa se salvar sozinha." (Capítulo 1)

Um Casamento Conveniente

Autora: Tessa Dare
Editora: Gutenberg
Ano de publicação: 2017 (versão brasileira: 2019)
Número de páginas: 256
Narração: 3ª pessoa
Título original: The Duchess Deal
Sinopse: Com metade do rosto marcado e desfigurado pela guerra, não foi só a aparência do Duque de Ashbury que sofreu mudanças: a rejeição e o olhar de desprezo das pessoas mutilaram também o seu interior. E, já que precisava viver às sombras da sociedade, ele decide que passará seus dias perambulando por Londres durante a noite para assustar todos que cruzarem seu caminho.
Mas o tempo passa, e em posse de um grande título, o duque sabe que precisará cumprir o dever de conseguir um herdeiro para seu ducado. Para isso, só existe uma regra: encontrar uma mulher que aceite um casamento de conveniência, lhe dê um herdeiro e desapareça de sua vida. 
Quando Emma Gladstone, uma costureira, aparece na casa de Ashbury para exigir o pagamento de uma dívida, ele vê ali uma grande oportunidade de acordo e lhe faz a proposta de casamento. Mas o duque deixa claro que, assim que Emma engravidar, ela deverá partir para o interior e sumir para sempre. 
Ele precisa de um herdeiro. Ela precisa de um bom casamento. Os dois estão dispostos a tudo, desde que não envolva seus corações. Mas será que o amor cabe nas entrelinhas de um contrato?

Querida Isabelle,

Entendi o entusiasmo das pessoas, principalmente você, quando se trata desta cidade. Londres sempre me surpreende - e é uma surpresa, sobretudo, que eu ainda não tenha me acostumado com isso. Desta vez, contudo, foi no sentido bom e ruim. Eu mal cheguei à cidade e presenciei uma tentativa de assalto! A vida no meio urbano é realmente mais agitada e um tanto quanto perigosa. Mas é claro que tem suas partes boas...
O casal que acompanhei enfrentava o maior dos perigos quando se tem medo, a possibilidade à qual todos nós estamos sujeitos: o amor. 
Emma e Ash me receberam muito bem. É certo que isso teve muito mais parte da Emma do que do duque, mas, com o tempo, eu e as outras meninas pudemos perceber que ele só precisava de um sinal de confiança. 
"O homem era cínico, insensível, desdenhoso e grosseiro. E ela iria, com certeza, se casar com ele." (Capítulo 3)
As cicatrizes que mais doem em Ash já não são mais as físicas; com essas ele aprendeu a lidar. As emocionais foram tão profundamente marcadas que ele faz de tudo para esconder-se, acredito eu faça isso buscando esconder de si mesmo a própria dor. 
Mas esse acúmulo de dores faz com que ele se torne alguém amargurado. De tanto repetirem que ele possui uma aparência repulsiva, ele tomou como verdade e se colocou em uma zona onde o amor não consegue se infiltrar. Não quando ele é franco. 
Ver Emma aparecer na vida dele foi como colorir um desenho em preto e branco. Vi aquele homem mudar da água para o vinho! E mesmo que Emma estivesse ali para dizê-lo o quanto é bonito e atraente independentemente do que os outros dizem, acho que o grande trabalho dela foi ajudá-lo a ver o quanto de beleza ele tinha por dentro, permitindo que nós pudéssemos ver também.
"Olhe para mim. Olhe para mim. Porque você é a única que olha. Provavelmente será a única que irá me olhar." (Capítulo 24)
O que, talvez, pouca gente sabe é que a relação que nasceu ali não foi um ponto de virada apenas para a personalidade do duque. A própria Emma pôde e teve que encarar a dura realidade da mágoa, do abandono, do preconceito em si; para ela, que sentiu tantas vezes a dor da rejeição, de tantas maneiras e de tantas fontes diferentes, um amor como o de Ashbury, buscando ser livre de amarras de preconceitos da sociedade, era o que ela mais precisava. Emma ainda me presenteou com a ilustre companhia de seu gato, Calças, com quem tive ótimos momentos. Além dos criados de Ash, que, mesmo que fossem escolhidos a dedo, não seriam tão maravilhosos. 
Querida amiga, foram longas semanas acompanhando casais feito gato e rato, que mais se bicavam do que se beijavam, mas devo confessar que Emma e Ash vieram tomar um lugar especial e cativo no meu coração. Vi nascer e florescer uma relação com muita cumplicidade, proteção, cuidado, carinho, superação e... amor. Sempre amor. Nos momentos finais, é sempre com o amor que contamos. 
Logos nos vemos e reunimos tudo o que foi visto. Chegou a hora de revelar aos nossos leitores cada detalhe, cada mínima coisa que pensaram mesmo que não iríamos reparar. Não vejo a hora de contar tudo! Até breve.
Cordialmente,
Lady Letticia.
"'Que Deus me ajude'. Não. Isso não era necessário, ela decidiu. Não seria Deus quem ajudaria. Ela tinha aprendido essa lição há muito tempo. Na maioria das vezes, uma garota precisa ajudar a si mesma." (Capítulo 31)







Estimados leitores,

O fim do noivado de um certo duque o colocou em uma situação delicada (sabe-se que nobres precisam de herdeiros...) até que seu caminho foi cruzado com o de uma jovem e bela costureira.

É claro que esse encontro não se deu ao acaso. Pode ter um pouco de destino na encomenda de um vestido a uma costureira promissora, a quem não se pode negar a atribuição de uma personalidade forte e uma vida, digamos, difícil. Mas onde o destino se encaixa quando nos deparamos com a dita costureira trajando um vestido de noiva e batendo à porta de um duque extremamente reservado? É impossível ver uma cena dessa e não querer saber o que a justifica. 

Foi assim que nos vimos no meio de um casamento por conveniência, em que um duque, sem esperanças de um eminente casamento e beirando o desespero para garantir um herdeiro, oferece a ascensão social e econômica à nossa jovem costureira. Para a nossa grande alegria, ainda pudemos encontrar um amigo felino pelo caminho.

Quem chega perto do recém-casal, tende a se encantar pelos diálogos inteligentes e pelo amor que vem crescendo entre eles, para além de aparências e preconceitos da sociedade. Não, isso não é o mais importante. O romance que estamos acompanhando é um tapa certeiro no rosto daqueles que não enxergam a pureza de um sentimento como o amor, preferindo destacar as mazelas de pessoas interesseiras e maliciosas. 

Não que seja novidade - alguns jornais estão noticiando isto há semanas -, mas paralelo ao tal casamento, também tem chamando a atenção de toda Londres a ação de um tal de "Monstro de Mayfair". A ele foram atribuídas ações boas - como salvar crianças e mulheres de situações perigosas - e ruins - como agressões, sequestros, sendo até mesmo acusado de assassinato! A verdade sobre esse caso... Vocês saberão em breve. 

Por ora, seremos os olhos e os ouvidos em torno do tal casal misterioso. 

Cordialmente,

Lady Letticia de Sleey.



Uma dama fora dos padrões

Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Ano de publicação: 2016 (versão brasileira: 2018)
Número de páginas: 270
Narração: 3ª pessoa
Título original: Because of Miss Bridgerton
Sinopse: Às vezes você encontra o amor nos lugares mais inesperados...
Esta não é uma dessas vezes.
Todos esperam que Billie Bridgerton se case com um dos irmãos Rokesbys. As duas famílias são vizinhas há séculos e, quando criança, a levada Billie adorava brincar com Edward e Andrew. Qualquer um deles seria um marido perfeito... algum dia.
Às vezes você se apaixona exatamente pela pessoa que acha que deveria...
Ou não. 
Há apenas um irmão Rokesby que Billie não suporta: George. Ele até pode ser o mais velho e herdeiro do condado, mas é arrogante e irritante. Billie tem certeza de que ele também não gosta nem um pouco dela, o que é perfeitamente conveniente.
Mas às vezes o destino tem um senso de humor perverso...
Porque quando Billie e George são obrigados a ficar juntos num lugar inusitado, um novo tipo de centelha começa a surgir. E no momento em que esses adversários da vida inteira finalmente se beijam, descobrem que a pessoa que detestam talvez seja a mesma sem a qual não conseguem viver.

"Ela sussurrou o nome dele. Ele inclinou a cabeça de lado de maneira indagadora, e ela percebeu que não tinha ideia de por que o tinha chamado, só que parecia muito certo estar ali com ele e que, quando ele a olhava daquele jeito, como se a achasse extraordinária, ela se sentia extraordinária." (p. 161)

Querida Isabelle,

As suas saudações foram dadas à senhorita Billie Bridgerton, que agora já posso chamar de nossa amiga, a quem talvez já não possa mais chamar de senhorita, muito menos de Bridgerton - embora, ela tenha me dito, em seu coração sempre será uma Bridgerton.
De fato, as minhas expectativas foram atendidas e tive excelentes dias em Kent. Billie não nos deixou parar um segundo, mesmo com o pé machucado. Logo que cheguei, flagrei um incidente envolvendo uma árvore, um telhado, um gato e Billie tentando bancar a heroína sem nem mesmo gostar do felino. As coisas não saíram como o planejado e quem apareceu para salvá-la foi o nosso - agora muito querido - visconde de Kennard, ou George, para os mais íntimos. 
Eu aprendi muito bem com você a identificar um casal promissor ao menor sinal de amor. Ou melhor, no caso deles, com todos aqueles sinais de ódio e repulsa. Foram assim nos primeiros encontros: sempre esperava pela tensão, pelos diálogos afiados e ácidos, pelos olhares desafiadores. Mas com o tempo, é claro, tudo foi ficando mais leve e toda aquela raiva dando lugar à paixão. Por vezes, eu quis dizer a eles que precisam se permitir. Eu deveria ter sussurrado, enviado um bilhete, ter feito um dos criados dar sinais... Qualquer coisa. No entanto, confesso que era a minha ansiedade falando mais alto e uma parte de mim sabia que eles precisam de um tempo para perceber que o amor estava nascendo ali. E foi lindo, lindo de se ver. Mesmo que às vezes me parecesse que George queria que Billie se mostrasse sendo algo que não era - exprimindo feminilidade, por exemplo -, poderia ser que ele só quisesse ver um lado que ninguém mais via. E não é que conseguiu? Ela também não ficou atrás nesse quesito.
"Ele a queria. A queria como nunca quisera nada. Queria o sorriso dela, e o queria só para si. Ele a queria em seus braços, sob seu corpo... porque de alguma forma sabia que, na cama dele, ela seria misteriosa e feminina." (p. 153)
É claro que não foi uma grande surpresa quando, lá para as tantas, tive que me deslocar novamente para Londres. Decididamente, é aí que tudo acontece. Não sei o porquê de estar resistindo tanto, mas definitivamente terei de aceitar o meu destino agora. Mas vou sentir uma certa saudade de Kent. Foram bons dias, além de que conhecer um pouco mais dos Bridgertons e ser apresentada aos queridos Rokesbys foram momentos fantásticos. Estou ansiosíssima para saber mais deles no futuro. 
Neste momento, no entanto, estou ansiosa para encontrar você e finalizar esta nossa recolha de informações. Agora que estou em Londres, preciso que você me atualize sobre tudo o que eu perdi enquanto estive fora. Quais são as últimas novidades?
Cordialmente,
Lady Letticia






Estimados leitores,

Por mais surpreendente que a vida seja, nada nos prepara para a inusitada atitude desta dama. Nenhum cidadão de Kent estava minimamente esperando, no entanto, que aquele seria o seu herói.
Essa surpresa se dá à relação que esta lady e este lorde levam há anos. Desde antes mesmo de nascerem, suas famílias constroem um laço que nem mesmo as diferenças de ambos poderiam desfazer. E é claro que o que estamos esperando é que essa relação acabe por... Fortalecer ainda mais. Talvez até selar essa união de vez. 
Depois do incidente com o gato na árvore - e da tentativa de salvação da nossa querida dama, a quem o improvável visconde teve que salvar -, as coisas não estavam tão agitadas até que uma das famílias decidiu dar uma festa, convidando grandes nomes da sociedade, todos reunidos em sua casa, com a óbvia expectativa de arranjar casamentos aos jovens disponíveis, querendo eles ou não.
Tem sido dias divertidos, leves, inusitados. Pudemos observar as fagulhas surgindo entre o nosso casal. A recepção organizada por uma das famílias está sendo uma ótima oportunidade para observá-los bem de perto. Quem sabe até conseguir furos de notícias sobre outros possíveis casais...
Teremos mais um romance nascendo de um conflito? É provável que sim. Mas, cá entre nós, esse casal, especialmente, tem sido bastante agradável de acompanhar seus breves momentos. São inteligentes e intensos como gostamos de ver. Estamos atentas para qualquer mínimo sinal que desvie do conflito, do desentendimento, da frustração... E que essas águas fluam em direção ao amor. 
Cordialmente,
Lady Letticia


 


As coisas andam agitadas pela redação, mas fizemos uma seleção especial para o editorial de hoje: romances de época de autoras brasileiras!

Não vamos negar o valor dos muitos romances estrangeiros, amamos muitos deles; no entanto, é inegável que há também muito a ser notado por aqui que, na maioria das vezes, nem nos damos ao mínimo trabalho de valorizar! É uma seleção que servirá para nós mesmas ter mais contato com essas produções, que são por vezes esquecidas.


Lady Audácia
 compõe a série Damas de Aço, sendo o primeiro deles, escritos por Karina Heid, que estudou Comunicação e Psicologia, e é brasileira nascida no Espírito Santo. A obra é ambientada na Alemanha, precisamente no Reino de Württemberg, em 1871. Um duque do tal reino está fugindo, incansavelmente de casamentos, como alguém foge de tiros na guerra, assim como quer manter distância dos bailes e grandes salões. Emma Thiessen é a filha do meio do maior industrial do aço, criada sob rígidos cuidados. Por trás da aparente vulnerabilidade, é inteligente e determinada. O destino coloca os dois personagens um à frente do outro e uma dança - apenas uma dança - parece mexer com os dois a ponto de deixar as estruturas do coração instáveis e confusas. 


Sendo a mais recente obra publicada de Babi A. Sette - paulista formada em Comunicação Social e diversas vezes publicada -, Meia-noite, Evelyn nos apresenta à Evelyn Casey, uma lady que precisa garantir um casamento para não perder tudo o que tem: a sua casa, as terras onde nasceu e, sobretudo, a tutela de sua irmã, Violet. Ela corre esse risco por causa de três homens, dentre eles, Harry Montfort, o libertino e inconsequente filho de seu padrasto. Ele odeia a nobreza e a alta sociedade inglesa, mesmo que carregue o sangue azul em suas próprias veias. Estava satisfeito com a vida que levava nos Estados Unidos quando o seu título de duque é ameaçado e a própria rainha da Inglaterra o convoca, obrigando-o a voltar para sua pátria. Não bastasse a convocação feita por sua monarca, ela também exige que ele se case e, enfim, assuma as suas responsabilidades como o nobre que é. Como um simples cálculo matemático e como tantas vezes vimos por aí, um casamento de aparências parece ser a solução perfeita para os nossos dois jovens, como um mais um é igual a dois. E é claro que o único problema disso tudo seria a paixão, nascendo no coração de pelo menos um deles - e quem sabe até dos dois... 


Em O Refúgio do Marquês, temos um casal muito distinto entre si. O Marquês de Bridington é um homem rude e inapropriado, refugiado no campo há anos, fugindo de seus próprios segredos e mazelas do passado. A Baronesa de Clarington, por outro lado, é uma jovem destemida, cujo passado guarda dores, mas que recebe a missão de reformar a mansão - e talvez até o marquês. Ou, pelo menos, é o que a marquesa viúva esperava... Caroline se depara com um caso perdido, no caso, o próprio marquês. Naquele cenário de impossibilidades, eles se encontram e a paixão nasce furtivamente, algo em que os dois já haviam deixado de acreditar, revelando segredos e receios que ambos escondem. É um romance de Lucy Vargas, jornalista de formação do Rio de Janeiro, autora de romances de época e contemporâneos. Neste, primeiro livro da série Os Preston, ela fala sobre reerguer-se depois de dificuldades do passado e ultrapassar barreiras para vencer as suas próprias dores.


E por fim, mas não menos importante, listamos a obra Um Duque para Chamar de Meu, de autoria de Tatiana Mareto, professora e advogada, do Espírito Santo como a nossa primeira autora da lista. A obra dá início à série Amores em Kent, e conta a história de Elizabeth Collingworth em sua tentativa de fugir de Londres com seus dois filhos pequenos, buscando escapar de uma epidemia que assola a capital inglesa. A outra peça desse romance é o duque de Shaftesbury, que precisa de um casamento, como todo nobre da alta sociedade. E é quando o duque cruza com Elizabeth em uma situação peculiar - a lady desmaiada em seus braços... -, ela parece ser a solução de seus problemas. É o tipo de romance em que a jornada do nosso nobre trará respostas cruciais para sua vida; dentre elas, se existe o casamento por amor quando se tem sangue azul. 

Cá entre nós, leitores, eu mesma não fazia ideia da maioria deles até ter uma conversa com minha amiga, lady Isabelle, sobre isso. Uma de suas colunas, inclusive, foi de uma das obras da autora Lucy Vargas, que listamos aqui. É a nossa chance de saber mais sobre elas e conhecer melhor suas histórias. Enxergamos a oportunidade e a necessidade de valorizar essas autoras, por isso aproveitamos para compartilhar com vocês o que recolhemos. 



Um Sedutor Sem Coração

Autora: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Ano de publicação: 2015 (versão brasileira: 2018)
Número de páginas: 351
Narração: 3ª pessoa
Título original: Cold-Hearted Rake
Sinopse: Devon Ravenel, o libertino mais maliciosamente charmoso de Londres, acabou de herdar um condado. Só que a nova posição de poder traz muitas responsabilidades indesejadas - e algumas surpresas. 
A propriedade está afundada em dívidas e as três inocentes irmãs mais novas do antigo conde ainda estão ocupando a casa. Junto com elas vive Kathleen, a bela e jovem viúva, dona de uma inteligência e uma determinação que só se comparam às do próprio Devon.
Assim que o conhece, Kathleen percebe que não deve confiar em um cafajeste como ele. Mas a ardente atração que logo nasce entre os dois é impossível de negar.
Ao perceber que está sucumbindo à sedução habilmente orquestrada por Devon, ela se vê diante de um dilema: será que deve entregar o coração ao homem mais perigoso que já conheceu?

"- Mas e se as regras não servirem? E se fizerem mais mal do que bem? - Só porque o senhor não entende ou não aceita alguma coisa, não significa que falte mérito a isso." (Capítulo 2)

Querida Isabelle,

Logo que recebi sua correspondência, percebi como tem sido uma temporada agitada por Londres. Em Hampshire, no entanto, a tensão começou ainda antes da temporada. Um conde, recém-casado com Lady Kathleen, faleceu montando em um dos cavalos da propriedade. Ele deixou sua jovem esposa e suas três irmãs mais novas no Priorado Eversby, cada uma delas reservando personalidades distintas e autênticas. 

O Priorado pertence à família Ravenel há anos, então imagine só a surpresa quando o herdeiro do condado, Devon Ravenel, anunciou que venderia tudo para dar continuidade à sua vida de libertinagem. Devon é aquele tipo de lorde com o qual já nos deparamos muitas vezes nessa vida: não quer casar, não pretende ter filhos, prefere sua vida amorosa instável e agitada, pois, acima de tudo, não quer ser responsável por ninguém além de si mesmo. 

A surpresa foi maior quando o novo conde decidiu manter o Priorado. Era um desafio e tanto, já que os Ravenels que antecederam Devon não haviam cuidado da propriedade da maneira correta e, a princípio, a única expectativa era de que aquilo resultaria em grandes despesas - é claro que junto do condado, milhares de dívidas foram herdadas.

Mas Devon decidiu mantê-lo ainda assim. E mudou completamente nesse tempo. É claro que continuou carrancudo e teimoso, mas se tornou um homem responsável e digno de seu título. Eu mal consigo acreditar que tudo isso foi por causa de Lady Kathleen. Embora tenham passado um longo tempo como gato e rato, no fim das contas, já não podiam mais esconder o amor que existia entre eles. 

O conde e a jovem viúva fizeram o possível para esconder o relacionamento, mas nem se eu quisesse conseguiria deixar passar. Aliás, não precisaria nem do seu olhar aguçado para o romance: logo todos os criados já sentiam o que estava acontecendo. Sabe como é, alguém vê um coisinha ali, comenta uma coisinha acolá... Houve um acidente de trem envolvendo o conde e até na eminência da morte, ele chamava pelo nome dela! Mas Lady Kathleen seguia preocupada demais com seu status de luto e preocupada com sua reputação diante da sociedade, o que deixava Devon bastante irritado. 

Nessa minha breve viagem a Hampshire, tive o grande prazer de conhecer as irmãs do falecido conde, Helen, Pandora e Cassandra. De todos os problemas, elas pareciam ser grandes alívios naquela propriedade. Às vezes, era até melhor estar com elas do que por perto de Lady Kathleen e Lorde Devon, para evitar ser plateia de sucessivas discussões - eles me deram nos nervos! West Ravenel sabe bem do que estou falando. Além disso, fizemos um intervalo em Londres quando eu já estava perto de deixar os Ravenels para minha próxima história, situação essa em que aproveito para escrever a você. 

Adoraria ficar e acompanhar um pouco mais da família - sempre há algo novo acontecendo por aqui... -, mas a minha próxima parada é em Kent e já não posso perder mais tempo. Fico feliz por saber que você permanecerá em Londres, atenta a cada detalhe. Espero que nos encontremos em breve.

Cordialmente,

Lady Letticia.

P.S.: Em minha visita à Londres, e graças à família Ravenel, tive a oportunidade de conhecer uma grande loja com mais de oitenta departamentos. Você pode encontrar absolutamente tudo lá! Embora o dono não seja flor que se cheire... Os gêmeas Pandora e Cassandra amaram! Pude me divertir bastante com elas nesta ocasião, inclusive. Se sobrar tempo, indico a você uma visitinha. Não duvido de você encontrar alguma Ravenel por lá.

"Tempo é o que eu estou lhe dando. [...] Só há um modo de eu provar que a amarei e serei fiel a você pelo resto da vida: amando e sendo fiel a você pelo resto da vida. Mesmo se você não me quiser. Mesmo se escolher não ficar comigo. Estou lhe dando todo o tempo que me resta." (Capítulo 33)




 


Estimados leitores,

Aproveito o gancho deixado pela minha querida colega, Lady Isabelle, para construir o nosso editorial de hoje. É de extrema importância partir da definição de romance de época para realizar o nosso trabalho, mas é normal que surjam dúvidas sobre outros tipos de romances semelhantes que acabam confundido essas humildes jornalistas também. 
Por isso, considerei necessário definir os romances clássicos, históricos e de época, para podermos seguir em frente com o nosso ofício sem perigo de escorregar - embora não haja problemas em cometer deslizes. Este jornal é definitivamente livre para receber críticas construtivas e correções necessárias. Sem mais delongas, vamos às definições:

Romance Clássico

Trata-se daquele romance que, no período de produção, eram contemporâneos à época; atravessaram gerações e gerações, séculos, mantendo (e até mesmo aumentando) o seu valor literário. Jane Austen, as irmãs Brontë, o nosso José de Alencar (suas obras como A Viuvinha e Cinco Minutos)... São obras que permanecem relevantes nos dias de hoje, inseridas na contemporaneidade de suas épocas (séculos XVIII e XIX, por exemplo).

Romance Histórico

Nesse tipo de romance, a ficção é ambientada no passado, marcado pela influência de eventos históricos em seu enredo. Essa influência interfere diretamente na construção dos personagens e da própria narrativa, como também no desenvolvimento dos conflitos. Como exemplo, tem-se Guerra e Paz, de Tolstói, O Corcunda de Notre Dame, de Victor Hugo, e até mesmo Iracema, de José de Alencar. 
Aqui, vale destacar que é necessário distinguir romance histórico da ficção histórica. A segunda determina e estabelece os fatos históricos, apresentando o romance como "coadjuvante" ao fato relatado, enquanto o primeiro, como dito antes, ambienta-se utilizando o período como pano de fundo da história. 

Mas e o Romance de Época?

Como a Lady Isabelle nos apresentou anteriormente, o romance de época preocupa-se em "retratar uma realidade vivida durante o período", podendo usar os fatos históricos, mas o foco mesmo é o desenrolar do romance. Sendo assim, o romance de época não é produzido "na época", mas ambientado nela, apresentando aspectos culturais, sociais e permitindo que nós, seus leitores, possamos acessar essas características. 

É importante, para nós, delimitar essas diferenças para dar continuidade ao nosso ofício. O editorial será de grande ajuda para essas meras jornalistas, inclusive, como um material de fácil acesso sempre que for possível. Espero ter ajudado, caro leitor. Até breve!

Atenciosamente,

Lady Letticia.




"Mas não tinha previsto como a atração seria forte. Ser viciado em drogas pesadas era assim? Saber que era errado e que estava brincando com o perigo, mas sentir a necessidade implacável de ir em frente?" (p. 101)

Onde mora o amor

Autora: Jill Mansell

Editora: Arqueiro

Ano de publicação: 2013 (No Brasil: 2019)

Número de páginas: 367

Narração: 3ª pessoa

Título original: Don't Want to Miss a Thing

Sinopse: Dexter Yates adora sua vida despreocupada. Além de lindo e rico, mora em um apartamento chique de Londres e está sempre acompanhado de belas mulheres. Mas tudo se transforma da noite para o dia quando a irmã morre, deixando a pequena Delphi, de apenas 8 meses.

Sem a menor ideia de como cuidar sozinho de um bebê, ele resolve se afastar da correria da cidade grande e se muda para seu chalé em Briarwood.

Dex não está acostumado ao ambiente intimista do vilarejo, em que todo mundo se conhece e todas as histórias se entrelaçam. Os moradores o recebem de braços abertos, sobretudo sua vizinha de porta, a talentosa quadrinista Molly, que se oferece para ajudar com Delphi. Ela tem um passado amoroso catastrófico e muita cautela, mas nasce entre os dois uma inegável conexão. 

Se Dex vai conseguir se adaptar a essa nova vida e encontrar o amor verdadeiro, terá muito a aprender: sobre Molly, sobre Delphi, sobre os segredos dos outros e, principalmente, sobre si mesmo. 


Esse foi o primeiro dos Romances de Hoje que eu li, mas no blog temos resenha de vários outros: A casa dos novos começos, de Lucy Diamond; A padaria dos finais felizes e A pequena livraria dos sonhos, ambos de Jenny Colgan; e, por fim, da mesma autora do livro aqui resenhado, Desencontros à beira-mar. Todos foram lidos e resenhados pela Isabelle, quem me indicou esse selo de livros da Arqueiro. Fiquei animada, ela tinha me falado muito bem sobre, além de a proposta ser interessante e os livros, bem lindinhos. Durante a quarentena, comprei um de cada autora e Onde mora o amor foi o meu primeiro alvo.

Acho importante resgatar a resenha da Isabelle sobre o outro livro da Jill porque vi algumas semelhanças na sua forma de escrever. Não sei bem na conta de quem isso deveria cair, mas a história que me foi prometida na sinopse não se cumpre no livro. Ok, talvez um pouco, mas se eu tivesse lido a sinopse depois de ter lido o livro, saberia que está faltando alguma coisa. No entanto, como eu li antes, a sensação maior foi de terem me vendido essa história - ou melhor, essas histórias - da maneira errada. Por mais que a sinopse ainda fale por cima de um emaranhado de histórias, acho que caberia facilmente algumas linhas sobre os outros personagens apresentados.

Dito isso, volto a pensar que não ter lido a sinopse antes teria me deixado mais satisfeita com o livro do que de fato fiquei. Dex não é a pessoa que eu esperava - na minha cabeça, ao ler a sinopse, havia se formado o estereótipo de cara mulherengo, chato e metido a galanteador. Mas não me pareceu assim tão difícil que ele abrisse mão de tudo para cuidar da sobrinha. Na verdade, é uma sensação bem comum ao longo do livro: mesmo que as coisas pareçam encaminhar para um fim horrível, conseguem ser facilmente resolvidas, como se tudo fosse mais fácil simplesmente por haver amor

Molly também é uma personagem tão consistente, neutra e conformada que parece que nada é capaz de abalar essa mulher, o que às vezes chega a me irritar um pouco, devo admitir. Ela é muito boa, essencialmente boa, de coração mole e gentil. Tudo parece ser fácil de lidar para ela.

Não quero parecer amarga, mas essa facilidade aparente acaba por me perder em alguns aspectos em que eu quis um pouquinho mais de profundidade. A profusão de histórias não me incomoda. Consegui me envolver com os personagens na mesma medida, embora houvesse um apelo de atenção para os protagonistas, Dex e Molly. Todas os personagens dos outros "núcleos" estão ligados a eles dois e têm suas particularidades; pude me envolver com eles, de certa forma. Mas confesso que em alguns momentos, quando eu estava chegando a me envolver um pouquinho mais, acontecia um corte e passávamos para outro núcleo. Em alguns capítulos, talvez, a história de determinados personagens pudesse se demorar mais, para que pudéssemos ter um pouquinho mais daquilo. 

"Se a história de amor de Stefan e Hope tinha lhe ensinado alguma coisa, era que só se vive uma vez, e às vezes valia a pena correr riscos." (p. 283)

Apesar disso, é inegável que a escrita de Jill é leve, engraçada e envolvente. Mesmo tratando de assuntos mais sérios, ela não abre mão da leveza e tem seus momentos bastante divertidos também. Indicaria para as pessoas, mas não deixaria que lessem a sinopse; faria minha própria sinopse, dando espaço para os outros personagens. E alertaria: é um livro para quem acredita ou quer acreditar na força única do amor, em todos os sentidos.