Autor(a): Daniel Keyes 

Editora: Aleph

Nª de Páginas: 288

Narração: 1ª pessoa 

Sinopse:

Uma cirurgia revolucionária promete aumentar o QI do paciente. Charlie Gordon, um homem com deficiência intelectual severa, é selecionado para ser o primeiro humano a passar pelo procedimento. O experimento é um avanço científico sem precedentes, e a inteligência de Charlie aumenta tanto que ultrapassa a dos médicos que o planejaram. Entretanto, Charlie passa a ter novas percepções da realidade e começa a refletir sobre suas relações sociais e até o papel de sua existência.

Delicado, profundo e comovente, Flores para Algernon é um clássico da literatura norte-americana. A obra venceu o prêmio Nebula e inspirou o filme Os Dois Mundos de Charly, ganhador do Oscar de Melhor Ator, um musical na Broadway e homenagens e referências em diversas mídias.


Já me sentei diversas vezes na frente do computador, olhando para uma tela em branco ou mesmo com o lápis em mão e simplesmente não consegui escrever nada que me agradasse. Como poderia botar em palavras tudo o que foi a leitura de Flores para Algernon? Por onde começar? Como desenvolver? Como terminar? Não sei. 

Só que decidi tentar mais uma vez. 

Flores para Algernon de Daniel Keyes, publicado originalmente em 1959, é um livro sincero. A narrativa conta a história de Charlie Gordon, um homem de 32 anos, com deficiência intelectual e prestes a realizar uma cirurgia para aumentar seu QI. A história é narrada do ponto de vista de Charlie. Nos primeiros capítulos, a mente do protagonista é de uma criança, e essa criança em um corpo de adulto, apenas deseja ser inteligente para ter amigos. Escrevendo com erros, sem pontos, ou vírgulas, senti Charlie se infiltrar nas minhas veias. Escutei nele, a voz de tantos meninos e meninas que apenas querem ser abraçados e vistos como seres humanos. 

"Não mimporto muito em ser famoso. Só quero ser esperto como as outras peçoas para poder ter amigus que gostam de mim." Relatório de Progresso 6

O primeiro ponto de virada da narrativa é a cirurgia de Charlie. É devido a ela que a história de fato começa a se desenvolver. As mudanças não são automáticas e começamos a sentir os efeitos do procedimento com as alterações da escrita de Charlie. Os erros aos poucos vão sumindo e os pontos e virgulas começam a aparecer. Daniel Keyes foi muito inteligente em utilizar o texto como ferramenta narrativa, e assim, conseguiu tornar o livro mais rico ainda. 

Talvez o segundo ponto crucial no livro, seja o fato de Charlie acabar se tornando mais inteligente que os próprios médicos que realizaram sua cirurgia. Porém, ao mesmo tempo em que ele se torna mais inteligente, mais as pessoas se afastam dele. Ao enfrentar a realidade sem a névoa da mentalidade infantil, Charlie acaba confrontando um mundo diferente daquele que conhecia. Um mundo que machuca e não necessariamente é justo com todos. A busca pela compressão de tantas variáveis da humanidade, fazem Charlie questionar tudo. 

"Que estranho é o fato de pessoas de sensibilidade e sentimentos honestos, que não tirariam vantagem de um homem que nasceu braços ou pernas ou olhos, não verem problema em maltratar um homem com pouca inteligência." Relatório de Progresso 14

Apesar de ser um livro curto, tentei fazer a leitura em pequenas doses, como se fosse um remédio que se toma todo dia. E mesmo assim não fui imune a todos os sentimentos que me envolveram ao longo da narrativa. Acompanhar Charlie me tirou o fôlego. Na realidade, a história do homem que apenas queria ter amigos e ser feliz me pega até hoje e me fez escrever toda essa resenha chorando. 

Nas últimas páginas, com a visão já porrada, tive certeza que estava lendo um dos melhores livros da minha vida. No fim (como Letícia bem disse), só queria deixar flores para Algernon. 

              

             




 Autor(a): Brittainy C. Cherry 

Editora: Record 

Nº de páginas: 406

Narração: 1ª pessoa 

 Avaliação: 5 🌙💛

Sinopse: 

Eleanor & Grey é um livro sobre amizade, família, perdas e, acima de tudo, amor. Amor de todas as formas. 

"É impossível não amar as histórias criadas por Brittainy C. Cherry!" - Carina Rissi 

Eleanor é uma adolescente introvertida que prefere a companha de seus amados livros - e cardigãs com libélulas - a interagir socialmente, sobretudo com os colegas da escola. Quando a prima a arrasta para uma festa, Ellie se surpreende ao ser abordada pelo astro do time de basquete; afinal de contas os dois não tem absolutamente nada em comum. Ou pelo menos era o que ela pensava. Com o tempo, a amizade entre eles surge de forma natural; uma ligação tão forte, tão intensa, que logo se transforma em outro sentimento. Algo que Ellie nunca havia experimentado. 

Mas aquele sonho se transforma em pesadelo de uma hora para outra. Uma terrível notícia faz o mundo de Eleanor desabar. A única coisa ainda de pé é Greyson, incansavelmente ao seu lado. Mas nem sempre a força do amor é o bastante para deter o curso da vida: Ellie e Grey se veem forçados a se separar. 

Anos mais tarde, Eleanor pensa ter deixado seu primeiro amor no passado, mas o caminho dos dois volta a se cruzar. Só que, dessa vez, quem precisa de ajuda é Greyson. O problema é que ele já não é mais o garoto doce de suas lembranças. Grey se tornou um homem frio, insensível, e o elo especial que um dia partilharam parece ter se rompido para sempre. 

Eleanor & Grey é um delicioso romance de tirar o fôlego que agradará fãs de Jojo Moyer, John Green, Nicholas Sparks, Carina Rissi, Sophie Kinsela e Marian Keyes. É impossível não se apaixonar por essa história de amor e amizade escrita pela autora que já encantou incontáveis fãs com seus livros. 


Desde que li a última página de Eleanor & Grey e desliguei o Kindle, não consegui parar de pensar na história que havia acabado de ler. Também pensei muito sobre como escreveria essa resenha e faria jus ao livro de Brittainy. Fiquei pensando por dias e tentei desenhar as palavras na minha mente, até finalmente conseguir sentar e escrever. 

Isso porque a Brittainy escreveu esse livro com muita delicadeza. A história simplesmente flui, é fácil de ler, de se apegar e de se deixar envolver. De um primeiro encontro debaixo de uma escada, Eleanor com Harry Potter e a Ordem da Fênix nas mãos e Grey, curioso com aquela menina de cardigã de libélulas, até corpos e rostos adultos, Eleanor e Grey transbordam companheirismo. 

Ainda adolescentes, Eleanor e Grey se conheceram no pior momento da vida dela. Talvez não por acaso, pois foi nele que ela se segurou quando tudo se tornou difícil de suportar. A relação dos dois não era sobre desejo, ou uma paixão avassaladora, era sobre apoiar um ao outro e estar presente. 

"Sabe aqueles primeiros minutos depois que você termina um livro incrível? 

Aqueles instantes em que você não sabe exatamente o que fazer?

Você fica ali, olhando para últimas palavras, sem saber ao certo como seguir sua vida .

Como assim o livro acabou?" Capítulo 4

Só que com o tempo as dores de Eleanor foram se curando, mesmo que as cicatrizes fossem fortes, e ela acabou se perdendo de Grey. Como duas libélulas que se encontram em um jardim e o vento as separa.  

O mesmo vento que os separou, os uniu novamente 16 anos depois. Ambos não mas adolescentes, e sim adultos. Agora era Grey que passava pelo pior momento de sua vida. E Eleanor, despida de seu cardigã de libélulas, encontrou um homem diferente do menino de suas memórias. A vida aconteceu para Grey e ela não foi muito boa. 

"— Você nunca ficou num lugar lotado sentindo que ninguém sabe nada sobre você? — questionou ele. — As pessoas falam de você de um jeito falso. Tudo o que sabem sobre você são mentiras aleatórias que inventaram na própria cabeça, mas ninguém te conhece de verdade. As pessoas só conhecem o personagem fictício que criaram. Isso é que é solidão: viver em um mundo onde ninguém te vê de verdade." Capítulo 5

Agora Eleanor está ali com ele, presente. Sendo primeiro de tudo sua amiga e mostrando que ainda existe muita beleza na vida e que vale a pena sorrir. São por esses motivos e por toda a delicadeza da narrativa, que Eleanor & Grey conseguiu mexer tanto comigo. O amor que transborda nas páginas do livro é tão puro, tão cuidadoso e realmente belo, que não existe outro caminho a não ser se envolver inteiramente nele.  

Então, se alguém me perguntasse do que se trata Eleanor & Grey, responderia apenas com uma palavrinha: empatia. É sobre entrelaçar os dedos e enfrentar uma batalha que não é sua, mas que mesmo assim vale a pena. 

"A tristeza não se mostra com palavras; ela atravessa o corpo da pessoa. Flutua em seus olhos. Ela se reflete nas rugas da testa. Empurra os ombros para baixo e se acomoda meio sem jeito nos cantos dos lábios. Nenhum ser humano precisa falar de sua tristeza para que ela seja vista. É preciso apenas um tempo para se observar a pessoa e enxergar a tristeza nela." Capítulo 22


 

 


Autor(a): Holly Black

Editora: Galera Record 

Nº de páginas: 294

Narração: 1º pessoa

Sinopse: 

A rainha do nada é o aguardado final da trilogia O Povo do Ar, best-seller #1 do New York Times. Ele será a destruição e da coroa e a ruína do trono. O poder é mais fácil de adquirir do que de manter. Jude aprendeu a lição mais difícil de sua vida quando abdicou do controle do Rei Cardan em troca de um poder imensurável. Agora, ela carrega o outrora impensável título de Grande Rainha de Elfame, mas as condições são longe ser ideias. Exilada por Cardan no mundo mortal, Jude se encontra impotente e frustrada enquanto planeja reivindicar tudo o que Cardan tomou dela. A oportunidade surge com sua irmã gêmea, cuja vida está em perigo. Para salvá-la de uma situação tenebrosa envolvendo Locke, Jude decide voltar ao Reino das Fadas se passando por Taryn. Antes disso, porém, ela precisa confrontar os próprios sentimentos contraditórios pelo rei que a traiu. No entanto, ao voltar de Elfhame, Jude constata que tudo mudou. A guerra está prestes a eclodir, e ela caminha próximo a seus inimigos. Será que ela vai ser capaz de resgatar a Coroa e o amor incondicional de Cardan, ao mesmo tempo que destrói os planos de seus inimigos? Ou será que tudo está perdido para sempre? A rainha do nada é o épico desfecho da trilogia O Povo do Ar, da renomada autora Holly Black. Com intrigas palacianas, reviravoltas inesquecíveis e uma construção de um universo ao mesmo tempo complexa e crível, Holly Black se consagra mais uma vez como a rainha do Reino das Fadas e um dos nomes mais icônicos da fantasia para jovens adultos.


Finalizar um livro é complicado. Colocar o ponto final em uma história que vem sendo construída há um tempo é difícil. Você precisa olhar lá para o começo, pro meio, pelas entrelinhas e ver o que ainda precisa (ou não) ser concluído. Agora quando falamos de uma série, saga ou trilogia, esse trabalho consegue ser muito pior. Afinal, existiu toda uma construção para a chegada daquele ponto final. Precisa haver consequências e conclusões, e as expectativas tendem a ser bem altas. 

"Um pânico repentino toma conta de mim. Preciso me afastar dele. Tento pular do galho, mas não caio no chão. Só caio e caio e caio pelo ar, como Alice no buraco do coelho." Página 55

Sendo assim, reafirmo a inteligência de Holly Black. Ela entende seus personagens e com isso compreende o que precisa ser feito. Em "O Príncipe Cruel" conhecemos Jude, uma humana vivendo no mundo das fadas e sofrendo as consequências de viver em um mundo tão cruel. Pudemos ver toda a sua transformação na busca do poder e até onde ela chegaria. Ao mesmo tempo olhávamos com desconfiança para Cardan e descobrimos que ele não era bem o que parecia. Em "O Rei Perverso" o poder tão difícil de ser conquistado escorrega de suas mãos e Cardan mostra que o trono é seu, ao passo que seus sentimentos se confundem e as raízes do amor começam a afundar em seus corpos. 


Então, o que teríamos em "A Rainha do Nada"? Diria que um recomeço. É daqueles momentos que a chave irá mudar em um click rápido e as decisões precisarão ser tomadas. Exilada no mundo mortal, a humana criada em volta das cruéis fadas não se sente em casa. Criada em meio a brutalidade, ela será brutal e sangue derramará. Só que o coração de Jude pulsa pelo Reino das Fadas e na primeira oportunidade, ela retornará. 

Como será encarar Cardan? Jude não é mais a menina em busca de poder e vingança, ou mesmo aquela que tenta manter para si. Ela é a rainha. E a rainha está atrelada ao rei, de uma forma tão forte que ela não consegue entender. Logo ela entenderá que Cardan já não é o mesmo e que ela se tornou algo muito maior, de um jeito que nunca imaginou. Ele não será o problema. O inimigo será o mesmo que causou toda a sua mudança ainda quando era apenas uma menina que havia acabado de ver os pais sendo mortos. Origens violentas simplesmente não se perderam e finalmente Jude perceberá que não está mais sozinha. 

"Se você enfiar uma espada aquecida em óleo, qualquer pequena falha vira uma rachadura. Mas, banhadas em sangue como vocês foram, nenhuma se partiu. Vocês só ficaram mais duras." Página 143

Mas se lembram que falei de um recomeço, não é? Ele de fato virá, junto com uma coroa quebrada, uma serpente rastejante e decisões que deverão ser feitas. Não se trata de quanto sangue será derramado, se trata de entender a crueldade e a maneira peculiar que as fadas se movem e respeitam a terra que é mais forte que tudo. 

É certo que queria só mais algumas páginas de Jude e Cardan para aproveitar e suspirar a química absurda que ambos possuem, mas dona Holly Black não facilitou meu coração de romântica e shipper. O que no fim posso dizer é que O Povo do Ar se tornou uma das minhas séries preferidas e me entregou personagens apaixonantes com suas próprias distorções e crueldades e um universo que conseguiu transbordar magia pelas páginas amareladas. 

                





Autor(a): Lyssa Ray Adams 

Editora: Arqueiro 

Nº de páginas: 320

Narração: 3º pessoa

Sinopse:

A primeira regra do clube do livro é: não fale sobre o clube do livro. 


Gavin Scott é um astro de beisebol, devotado ao esporte. No auge de sua carreira, ele descobre um segredo humilhante: a esposa, Thea, sempre fingiu ter prazer na cama. Magoado, Gavin para de falar com e ela e acaba piorando o relacionamento, que já vinha se deteriorando. Quando Thea pede o divórcio, ele percebe que o orgulho e o medo podem fazê-lo perder tudo. 


Bem-vindos ao Clube do Livro dos Homens 


Desesperado, Gavin encontra ajuda onde menos espera: um clube secreto de romances, composto por alguns dos seus colegas de time. Para salvar seu casamento, eles recorrem à leitura de uma sensual trama de época, Cortejando a condessa. Só que vais ser preciso muito mais do que palavras floreadas e gestos grandiosos para que Gavin recupere a confiança da esposa.


Eu poderia fazer essa resenha de diversas formas: falar sobre a narrativa equilibrada do livro, da importância que a história dar aos romances, ou mesmo sobre casamentos. Mas decidi ir pelo caminho em que tenho que me abrir com vocês. 

Nas primeiras páginas do "Clube do Livro dos Homens" conhecemos Gavin Scott, não como o famoso jogador de beisebol, mas como um bêbado chorando as mágoas de um casamento fracassado. Sua esposa, Thea, pediu o divórcio após informar ao marido que não sentia mais prazer com ele. Na tentativa de entender o que precisava para salvar seu casamento, Gavin entra em um clube secreto de romances, formado por colegas de time e alguns conhecidos da cidade. Para surpresa de Gavin, ele enxerga o reflexo de sua própria história nas páginas de uma trama de época e descobre que tem muito a aprender sobre o casamento e si mesmo. 

"— Palavras não importam, Gavin — explicou Mack, estranhamento sóbrio. — São as ações que contam. E, se ela aprendeu a desconfiar do amor na infância, não importa quantas vezes você se declare. Você a fez duvidar do amor quando foi embora." Capítulo 8

É exatamente esse reflexo que Gavin enxerga que me fez enxergar o meu próprio. Isso porque a narrativa de Lyssa Kay Adams é divertida, bem construída, inteligente e com críticas diretas a visão que os homens e a sociedade têm dos romances, mas sim porque ela não enxerga seus personagens como uma simples página. Eles são um livro todo. Existe Thea antes de Gavin e Gavin antes de Thea, e todas as feridas que foram abertas no passado e mal suturadas decidiram romper todos os pontos agora. E assim como Gavin, eu tenho problemas na fala. Falo rápido demais, me atropelo, às vezes gaguejo e sei como é doloroso o olhar do outro quando é algo que você não faz porque quer. 

"Ele estava fingindo. Estava fingindo havia meses antes daquela noite. Fingindo que tudo estava bem entre os dois quando claramente não estava, porque era mais fácil fingir do que enfrentar a verdade: estavam se afastando, ele a estava perdendo." Capítulo 20

Um dos pontos centrais da narrativa é a família. Thea e Gavin se casaram às presas quando ela engravidou de gêmeas. Ele, vindo de uma família aparentemente perfeita, não se sente confortável em assumir que o casamento não está indo tão bem. Ela, por sua vez, vinda de uma família partida, sente que está repetindo as falhas dos pais e se perdendo. Dessa forma, mesmo com as tentativas de Gavin de reatar o casamento, Thea não consegue se entregar. Os machucados de seu passados continuam doendo, sangrando e ela acredita que Gavin será mais um a abandoná-la. 

Talvez quem não tenha uma história frustrada com o pai, ou mesmo com alguém muito importante que tenha te machucado muito, Thea pode parecer "complicadinha" demais, mas não é. Eu a entendo. A sensação de abandono fica para sempre na gente, principalmente quando vem de alguém que deveria ser o nosso porto seguro. Lembro como se fosse hoje, mesmo que na época tivesse 5 anos, do meu pai indo embora. Lembro de ir me perdendo dele ao longo dos anos, da gente olhando um para o outro, sabendo que ali existe amor, mas não reconhecimento. E essas dores, assim como outras, me fizeram ser uma pessoa fechada para relacionamentos com homens, para confiar neles em geral. 

E assim como Thea, eu fingia. Fingir que tá tudo bem é mais fácil, só que uma hora a gente cansa e vê que existe uma bagunça enorme para ser consertada. Por esses motivos, o "Clube do Livro dos Homens" foi tão importante pra mim. Ele abriu meus olhos para o que eu não queria ver e mostrou porque era importante que eu passasse a enxergar. 

O "Clube do Livros Homens" fala sobre casamento, amor, amizade, romance, mas, sobretudo, da importância de curarmos as dores antigas para que possamos desfrutar do presente e construir um futuro sem mágoas.


         




 

Autor(a): Holly Black

Editora: Galera Record

Narração: 1ª pessoa

Nº de páginas: 307

Sinopse:

A intrigante e sangrenta continuação do best-seller do New York Times, O príncipe cruel. Vencedor do Goodread Choice Awards 2019. Para sobreviver do Reino das Fadas, Jude Duarte precisou aprender muitas lições. A mais importante delas veio de seu padrasto: o poder é bem mais fácil de adquirir do que de manter. Ela achou que, depois de enganar Cardan para que ele jurasse obedecê-la por um ano e um dia, sua vida se tornaria mais fácil. Mas ter qualquer influência sobre O Grande Rei de Elfhame parece uma tarefa impossível, principalmente quando ele faz de tudo em seu poder para humilhá-la e prejudicá-la, mesmo que seu fascínio pela garota humana permaneça intacto. Agora, com as ondas ameaçando engolir a terra e um alerta de traição iminente, Jude precisa lutar para salvar a própria vida e a daqueles que ama, além de lutar contra seus sentimentos conflituosos por Cardan no meio-tempo. Em um mundo imortal, um ano e um dia não são nada...


Ao deslizar os olhos pelas primeiras palavras de Holly Black em "O Rei Perverso", já somos preparados para o que vai acontecer na jornada de Jude Duarte no Reino das Fadas. Se em "O Príncipe Cruel", vemos a jovem mortal se transformar em uma nova versão de si mesma na busca pelo poder, em "O Rei Perverso", permanecer com o poder é a grande questão.  Nas palavras de Mardoc: O poder é bem mais fácil de adquirir do que de manter (página 13). 

Além de ser um livro de fantasia, "O Rei Perverso" é uma narrativa política. Movimentos são feitos, desfeitos e ninguém é confiável. Parece que a todo momento algo irá acontecer, alguém mudará de lado ou mesmo se revelará em outro alguém. No passo que Jude parecia uma personagem inconstante em "O Príncipe Cruel", sempre surpreendendo o leitor e a si mesma, nesse é ela que olha com desconfiança para todos os lados, medindo milimetricamente o que irá fazer. Se antes ela havia transformado o medo em ódio e com isso conquistando o poder, agora ela segura com tanta força que ele simplesmente desliza por seus dedos.

Antes ela era apenas uma mortal, brincar com ela e a machucar alimentava os desejos cruéis dos feéricos, mas em sua posição atual, Jude pôs um grande alvo em suas costas e fazer parte do jogo de guerra do Reino da Fadas pode não ser tão divertido. 


"A dor fortalece, disse Madoc uma vez, me fazendo erguer uma espada repetidas vezes. Acostume-se com seu peso." Página 171

 

É incrível como Holly nos apresenta um mundo completamente mágico, muito parecido com nossas fantasias infantis, em que todas as possibilidades são possíveis e até as árvores têm vida, mas resolve mostrar o outro lado da moeda. No Reino das Fadas os humanos podem sim ser "felizes", embebidos em uma névoa bonita e enxergar a mais pura beleza, mas nesse meio tempo estão sendo manipulados, sugados e cada dia mais se transformando em cinzas, até que não existam mais. 

Por isso é tão interessante ver uma mortal entrando como peão no jogo de xadrez do Reino das Fadas, querendo se transformar em cavalo, para fazer parte da tropa, e de uma hora para outra se vê como o bispo, a conselheira da realeza, preparada para fazer todas as jogadas e defender o seu rei. Qual seria seu próximo passo?

Só que as coisas se tornam turbulentas e Jude de repente se vê afundando, sem ar, sem forças, se afogando completamente. Assim, deixando o poder deslizar de suas mãos, por mais que as aperte com força o suficiente para tirar o próprio sangue. Então o bispo sai da jogada. As outras peças estão jogando. E o rei, antes o príncipe displicente, se ver desprotegido e tendo que virar a peça mais importante do jogo. Cardan, que antes deixava a coroa pender em sua testa, rindo quase bêbado, a organiza em sua cabeça e se levanta. É a sua hora de jogar.


"— Me beija de novo — pede ele, bêbado e tolo. — Me beija até eu ficar cansado do seu beijo." Página 64

 

É muito claro que mesmo que os títulos dos dois primeiros livros se tratem de Cardan, a protagonista da história é Jude. Ela é a dona da narrativa. A história de Cardan é desenvolvida durante as brechas, como se estivesse rodeando, se preparando, prestes a ser contada. Mas agora suponho que ele terá uma voz tão forte quanto de Jude e que certamente ele irá nos surpreender. Aliás, o que falar da relações deles? É palpável o desejo de ambos um pelo outro e de como a luxúria pode vir agarrada ao ódio. 

Para finalizar, havia dito que o bispo havia saído da jogada, não é? Só que a rainha é a peça mais poderosa de todo o tabuleiro. Ela é capaz de fazer tudo.


             

                                                                                        


 Autor(a): Beth O'Leary 

Editora: Intrínseca

Narração: 1ª pessoa

Nº de páginas: 400

Sinopse:

Eles dividem um apartamento com uma cama só. Ele dorme de dia, ela, à noite. Os dois nunca se encontraram, mas estão prestes a descobrir que, para se sentir em casa, às vezes é preciso jogar as regras pela janela.

Três meses após o término do seu relacionamento, Tiffy finalmente sai do apartamento do ex-namorado. Agora ela precisa para ontem de um lugar barato para morar. Contrariando os amigos, ela topa um acordo bastante inusitado. 

Leon está enrolado em questões financeiras e tem uma ideia pouco convencional para arranjar dinheiro rápido: sublocar seu apartamento, onde fica apenas no período da manhã e da tarde nos dias úteis; já que passa os finais de semanas com a namorada e trabalha como enfermeiro no turno da noite. Só que tem um detalhe importante: o lugar tem apenas uma cama. 

Sem nunca terem se encontrado pessoalmente, Leon e Tiffy fecham um contrato de seis meses e passam a resolver as trivialidades do dia a dis por Post-its espalhados pela casa. Mas será que essa solução aparentemente perfeita resiste a um ex-namorado obsessivo, uma namorada ciumenta, um irmão encrencado, dois empregos exigentes e alguns amigos superprotetores?



Não sei se vocês entendem de crochê, mas do pouco que entendo sei que para se começar uma peça é necessário dar a laçada inicial e fazer a conhecida correntinha. Essa é a base do crochê. O problema é que a correntinha é fácil de fazer mas se não for dado um nó bem feito no final, logo se torna apenas um fio. Por que estou dizendo isso? Bem, Tiffy está tentando construir essa bendita corrente. 


Ela dar o seu primeiro ponto quando decide sair da casa que divide com o ex-namorado, Justin. Não é um movimento fácil, pelo contrário, mas é necessário. É daqui que as coisas vão começar a mudar para ela. Com pouco dinheiro e tendo que pagar para Justin o dinheiro do aluguel dos meses que passou em sua casa, a decisão mais viável é dividir uma cama com um desconhecido. Não bem dividir. O plano é que eles realmente nem se vejam, estando cada um em turnos diferentes na casa. A comunicação de ambos se resumem a bilhetinhos em Post-its, o que poderia ser silencioso e monótono, mas se torna barulhenta e instigante. 


Deixando um pouco a Tiffy e sua correntinha, quero falar sobre Leon. Leon é em enfermeiro de cuidados paliativos e passa a noite e a madrugada em uma casa de repouso trabalhando e precisa muito de dinheiro, por isso a ideia de botar sua cama para "alugar". Só que assim como Tiffy, Leon está passando por um momento complicado, daqueles que decisões bruscas são necessárias. Isso porque seu irmão está preso injustamente. 


Então aqui temos duas pessoas tentando seguir em frente de alguma forma, elas estão lutando para isso. Esse é o primeiro ponto que os amarra. Mas eles são diferentes entre si, é importante frisar. Tiffy é mega colorida, ama um bazar e é super tagarela, já Leon não se importa muito com as cores e nem é de falar muito, é bem mais na dele e tudo bem. Essa inclusive é uma marca que vemos nos bilhetes trocados entre eles. 


"Oi, Leon 


    Não sei. Na verdade, nunca pensei nisso por esse ângulo. Minha reação inicial é: "Sim, ele é bom para mim." Mas não sei. A gente brigava muito, um daqueles casais sobre quem todo mundo gosta de fofocar (a gente já se separou e voltou algumas vezes). É fácil lembrar os momentos felizes - e a gente teve uma porção e foram incríveis -, mas acho que, desde que a gente se separou, só consigo me lembrar disso. Então sei que estar com ele era divertido. Mas será que era bom pra mim? Arg. Não sei.


    Por isso o pão de ló com geleia caseira.


    Bjos, 


    Tify." Página 70


Mas voltando para a correntinha: Tiffy e Leon continuam dando formas a uma simples linha, só que em certos momentos Tiffy trava e desfaz alguns pontos. Isso porque ela está tentando escapar das amarras de um relacionamento abusivo sem ao menos entender que ele a faz mal. Justin frequentemente brinca com seus sentimentos, seu psicológico e a faz duvidar de si mesma, das suas próprias ações e decisões. Então, quando ela está bem, sorrindo e conquistando coisas, já quase solta de sua influência, ele aparece, como um fantasma. É um jogo psicológico e Tiffy está cansada de não entender o que ele quer. Existem momentos que ele a trata bem, diz que a ama, no outro tá com outra mulher, a cobrando por um aluguel. Mas além disso, é que ele a faz duvidar do que ela pensa, do que é melhor para ela. Então ele poda sua autoestima, seus gostos, suas amizades e até mesmo manipula suas decisões, fazendo a acreditar que disse uma coisa quando na realidade disse outra. Por isso que é tão difícil para Tiffy continuar construindo sua correntinha: porque de hora para outra vem uma mão segurando a sua e desfaz todos os pontos construídos com tanto suor. Simplesmente por ele achar que sabe o que é melhor para ela. 


Isso é um relacionamento abusivo. O abusador não precisar gritar, espernear, bater, mas ele machuca tanto e fere seu psicológico que você simplesmente se torna dependente dele, para cuidar e chutar na hora que quiser. 


"Meu pai gosta de dizer que "a vida nunca é simples". É uma de sus frases favoritas


    Na verdade, não concordo. A vida costuma ser simples, mas a gente não nota até que ela se torna absurdamente complicada, tipo quando só se fica feliz por estar bem quando se fica doente, ou quando só se fica feliz com sua gaveta de meias-calças quando se rasga um par e não tem nenhum sobrando." Página 178


Só que entre os post-its engraçadinhos e comidas deixadas um para o outro, Tiffy e Leon criam um laço forte. Ambos se importam verdadeiramente um com o outro. Tiffy se mostra um grande apoio para Leon e toda a situação que ele está passando, dando para ele a pontinha de esperança que tanto precisava. 


Tiffy precisava de alguém que a enxergasse, a valorizasse e fizesse seu sorriso ser mais fácil, que não fosse alguém para apagar o seu brilho e não comemorar suas conquistas. Esse é alguém é Leon. Dessa forma, a relação deles começa na mais pura forma de apoio e empatia. Ambos são gentis um com o outro e era isso que eles precisavam. 


Importante frisar que nessa jornada eles não estavam sozinhos, Gerty, Mo, Richie, Rachel e tantos outros personagens constroem a ponte para que eles se fortalezam individualmente e juntos. 


Quando enfim li a última página e fechei o livro, fiquei muito feliz em ver que a correntinha estava completa e que um nó apertado havia sido feito em seu final. O caminho jamais seria desfeito novamente. 

 


                   




 


Autor(a): Mariana Zapata

Editora: Charme 

Nº de páginas: 480

Narração: 1ª Pessoa

Sinopse: 

Se alguém perguntasse a Jasmine Santos como ela descreveria os últimos anos de sua vida em uma única palavra, ela, definitivamente, usaria uma com quatro letras. Depois de dezessete anos e incontáveis promessas e ossos quebrados, ela sabe que as portas para competir na patinação artística estão começando a se fechar. Mas a oferta mais incrível de sua vida surge por meio de um cara arrogante e idiota que ela passou a última década desejando poder lançar na direção de um ônibus em movimento. Então, Jasmine compreende que precisará reconsiderar tudo. Inclusive Ivan Lukov.

Fazia um tempo que eu não enlouquecia com uma leitura, sabe? Não gritava e surtava com um casal a ponto de me deixar sem sono e xingando para as paredes. E as minhas últimas leituras haviam sido assim: muito boas, mas nada havia realmente mexido comigo e me feito dar pulinhos pela casa. De Lukov, com amor, fez isso. 

A história tem uma premissa simples: Jasmine é uma patinadora maravilhosa, mas não enxerga um futuro bom em sua carreira desde que seu parceiro de patinação a abandonou e agora luta para continuar seguindo seu sonho. Do outro lado temos Ivan, a grande estrela da patinação em dupla, e que agora, precisa de uma parceira nova. E quem seria essa parceira? Jasmine. O problema, claro, é que eles se odeiam. 

Se for comparar a leitura de "De Lukov, com amor" com uma montanha russa de sentimentos, os primeiros que encontramos são a frustração e a decepção. Jasmine deixa bem claro isso quando diz: 

"Preocupar-me em ser um fracasso e uma decepção não eram coisas que se podia consertar. Eles estavam lá. O tempo todo. E se havia uma maneira de trabalhar neles, eu ainda não havia aprendido." Capítulo 3

Ela não é uma personagem boazinha, que sorri para a vida e para todos a sua volta. Ela está cansada, saturada, machucada e quer mandar todo mundo se foder mesmo. Mas ela é dura na queda, forte, e não permite desistir, porque ela a patinação é tudo que tem e é. 

É como se Jasmine fosse uma árvore antiga, de raízes profundas, mas que vem sendo podada durante muito tempo. Parece que ela não consegue crescer, florescer e que quando suas flores começaram a se abrir para sentir o sol, alguém vem e a corta. A chance dela é a agora e ela vai encarar, mesmo que seja com o cara que ela chama de Satã. 

Sobre o Ivan, aí, cara. Enquanto escrevo isso tô igual uma boba sorrindo, porque eu me apaixonei por ele, de verdade. Chego a ficar toda arrepiada! Mas é isso, desde a sua primeira aparição, com seu jeitinho debochado e briguento, eu sabia que ia amar ele, sabia! Se a Jasmine é essa força da natureza, explosiva e sem medo de ser quem ela é, Ivan é um mar calmo, poderoso em sua essência, misterioso, mas um ponto de equilíbrio no meio do furacão. Talvez seja por isso que ambos sejam tão bons juntos. Eles possuem ritmo, sincronia e aprendem a confiar um no outro na marra. Porém, eu realmente acho que o coração de Ivanzinho já batia de um jeito diferente em relação a Jasmine e acho que ele também sabia disso. 

A narrativa é um slown burn, que significa literalmente "chama lenta", ou seja, o casal demora, mais demora, e como demora, pra se pegar. Mas quando se pega, meu amor, não há bombeiro que apague essa chama! Só que essa chama lenta é muito gostosa de acompanhar, porque a autora não tem pressa de desenvolver eles, tanto individualmente como juntos, então vemos como ambos aprendem a ter confiança entre si, como se tornam amigos e se inserem no cotidiano um do outro.  E apesar da Jasmine ter uma família enorme e extremamente carinhosa, é lindo ela se sentir a pessoa favorita de alguém, sentir que alguém confia nela e estar ao seu lado para tudo. 

Voltando para a montanha russa de sentimentos, o momento que me balançou de um lado para o outro e me fez ter um encontro com minhas próprias dores, é a relação machucada de Jasmine com seu pai. "Você pode ter todo o talento do mundo e ainda assim, não valer nada [...]" (Capítulo 11) é essa bendita frase que seu pai disse e a atormenta, mas o que me machucou de verdade foi encontrar a minha dor com a dela, no seguinte trecho:

"Por que era fácil esquecer que o amor era complicado. Que alguém podia te amar e querer o melhor para você e, ao mesmo tempo, parti-la ao meio. Havia algo muito peculiar em amar alguém da maneira errada. Era possível amar demais alguém. Com muita força" Capítulo 17 

Jasmine abre seu coração ao leitor e prova que o amor pode doer muito, principalmente quando você simplesmente não consegue parar de amar aquela pessoa. Eu sinto esse amor que dói desde pequeninha em relação ao meu próprio pai e escrevo tudo isso com lágrimas nos olhos, porque dona Mariana Zapata conseguiu mexer demais comigo e atingiu pontos fortes dentro de mim.

Ainda nesse mesma montanha russa, estamos chegando em seu final, com o coração disparado, os pulmões cansados e a garganta seca de tanto gritar. Depois da adrenalina, vem aquela calmaria e a sensação "ufa, acabou" e aí que encontramos o amor. Após essa longa jornada, com frustrações, decepções, felicidade, raiva e tantas outras coisas, o amor de Ivan e Jasmine fica cristalino. Ambos se amam e não tem como negar isso. Eles demonstram a forma mais pura de amar alguém, que é querendo a felicidade do outro e estando presente. Ambos estão ali, um para o outro, agarrados a uma corda invisível, não deixando que o outro se perca dentro de si.  

"Amor para mim era honestidade. Ser verdadeiro. Conhecer alguém em seu melhor e pior. O amor era um impulso que dizia que alguém acreditava em você quando você não acreditava em si mesmo." Capítulo 18

           

Autor(a): Helen Hoang

Editora: Paralela 

Nº de páginas: 280

Narração: 3ª Pessoa


Sinopse: 

Um romance que prova que o amor muitas vezes supera a lógica. Já passou da hora de Stella se casar e constituir família - pelo menos é isso que sua mãe acha. Mas se relacionar com o sexo oposto não é nada fácil para ela: talentosa e bem-sucedida, a econometrista é portadora de Asperger, um transtorno do espectro autista caracterizado por dificuldades nas relações sociais. Se para ela a análise de dados é uma tarefa simples, lidar com os embaraços que uma interação cara a cara pode parecer uma missão impossível. Diante desse impasse, Stella bola um plano bem inusitado: contratar um acompanhante para ensiná-la a ser uma boa namorada. Enfrentando uma pilha cada vez maior de contas, Michael Phan usa seu charme e sua aparência para conseguir um dinheiro extra. O acompanhante de luxo tem uma regra que segue à risca: nada de clientes reincidentes. Mas ele se rende à tentação de quebrá-la quando Stella entra em sua vida com uma proposta nada convencional. Quanto mais tempo passam juntos, mais Michael se encanta com a mente brilhante de Stella. E ela, pela primeira vez, vai se sentir impelida a sair de sua zona de conforto para descobrir a equação do amor. "Fazia tempo que não lia um livro assim, tão completo: é engraçado, triste, comovente e impossível de parar de ler." - Christine Feehan, autora best-seller do New York Times (CONTÉUDO ADULTO)


Antes de falar propriamente sobre o livro em si, queria dizer que já o queria ler por vários motivos: a capa bonita, a sinopse super interessante e as resenhas positivas de amigas minhas. Mas o que realmente me impulsionou a fazer a leitura foi ler primeiro "Perfeito para o papel". Como "Perfeito para o papel" também aborda a Síndrome de Asperger, fiquei muito curiosa de como seria um livro protagonizado por uma pessoa portadora, e ai finalmente fui ler a obra de Helen Hoang. 

Em "Os Números do Amor", conhecemos a história de Stella, uma mulher metódica, que trabalha em uma grande empresa como economestrista e é portadora da Síndrome de Asperger. A questão é que a sua família quer que ela encontre um namorado e comece a própria família, só que Stella tem problemas em se relacionar com o sexo oposto. Para resolver isso, ela contrata Michael Phan para ensiná-la a ser uma boa namorada e conseguir ter relações sexuais (vou ser direta aqui, mona mur). 

"Estava quase funcionando. Sua mente estava enevoada, mas de um jeito bom. Distraía sua atenção da dor de cabeça que sentia, e do fato de que estava completamente fora da rotina, o que em geral a deixaria irritada e frustrada até que as coisas voltassem ao normal." Capítulo 15

Eu tinha boas expectativas sobre esse livro, é daqueles que eu bato o olho e espero dar cinco luas, mas ele conseguiu ser tão bom que é até complicado de explicar. "Os números do amor" possui uma premissa já conhecida de outras histórias, mas com muitos elementos únicos, como o fato do Michael ser de uma família Vietnamita e essa cultura ser marcante durante toda a narrativa. 

Sobre a questão da Stella ter Asperger, é crucial em toda a história, ela não seria ela sem a síndrome, e é doloroso e ao mesmo tempo bonito entender como ela se sente, quais são suas dores, o que a incomoda e como às vezes ela deixa que os outros digam certas coisas e ajam de certas maneiras porque não quer incomodar. Acho que esse não é só um sentimento da Stella. Nós como mulheres, às vezes tão podadas e interrompidas, nos boicotamos e agirmos com medo de incomodarmos o outro. 

Tudo que ela sentiu, dentre seus medos e sua frustação, eu também pude sentir na minha pele. E a partir do momento que ela percebe que estava se apaixonando e como é gostoso se sentir amada, cuidada, essa sensação também invadiu o meu peito. Eles realmente se encontraram um no outro e exalam química por entre as páginas. O desejo que ambos sentem um pelo outro é palpável, assim como o amor, e a forma como ele quebra ela e a faz se sentir diferente, assim como ela com ele. É simplesmente lindo. Sim, me apaixonei por eles completamente, 

'"Estou obcecada por você, Michael", ela confessou. "Não quero só uma noite ou uma semana. Quero você o tempo inteiro. Gosto de você mais do que cálculo algébrico, e olha que matemática é a única coisa capaz de unir o universo. [...]' Capítulo 19

Mas além de ter me apaixonado por essa história e de tudo que ela representa, dando sexualidade, amor, sensualidade, expressões, raiva e tristeza as pessoas que tem Síndrome de Asperger ou algum grau de autismo, eu me apaixonei por Helen Hoang, Os agradecimentos dela foram tão reais e tão significativos que tornou toda aquela história que eu já tinha lido, melhor. Tô emotiva, quero chorar. 

É isso, leiam "Os números do amor" (vocês viram o conteúdo adulto na sinopse. Tá avisado!) e fiquem frustradas comigo por não terem um Michael!  E dona Paralela, a senhora não me faça de besta e publique o segundo livro, viu. Obrigada. 

              

                                                                              




POST DISCUSSÃO 

Acho que o que mais escutamos neste mundinho literário é: "é clichê, mas...", "é romance, mas...", "é isso, mas...". E pensando com meus botões quando faço qualquer coisa aleatória e observando pensamentos de algumas amigas, cheguei a conclusão (nada científica), que não é sobre o que a história se propõe a contar, mas sim como ela é contada. 

Veja bem, várias histórias são criadas e lançadas todos os dias, é muito óbvio que mais de uma pessoa terá a mesma ideia. E tudo bem, afinal, existem inúmeras histórias com a mesma premissa e que são diferentes entre si. Por exemplo, na época do lançamento de Jogos Vorazes houve um "bum" de livros distópicos, assim como na época dos livros de anjos e a grande revolução dos livros de CEO. Inclusive, o tanto de livro que tem de CEO não está escrito nesta terra! Essas premissas repetidas também estão presentes em suspenses, quando alguém é morto ou sumiu e outra pessoa vai atrás de descobrir a história e nesse meio tempo acontece uma perseguição ou algo do tipo. A fantasia vai pelo mesmo caminho. É basicamente uma pessoa que vai resolver tudo e vai se descobrir como o grande foda do babado, ai tem maldição, profecia, um objeto mágica e blá, blá, blá. Além da conhecida "Jornada do Herói" que foi usada em grandes produções como Senhor dos Anéis, Star Wars, Harry Potter a aí vai. 

Então, para concluir meu pensamento, fica a minha reflexão de que não é porque uma história se propõe a contar a algo desde algo básico como amigos que se apaixonaram ou algo super polêmico e dramático como uma relação incestuosa, que automaticamente você vai saber se a história é boa/ruim. Acho que já provei meu ponto, né? Agora quero saber a sua opinião, me diz aí. 

                                                                              

 Autor(a): Jewel E. Ann

Editora: Allbook

Nº de páginas: 369

Narração: 1ª pessoa

Sinopse: 

Flint Hopkins encontra a inquilina perfeita para alugar o espaço sobre seu escritório de advocacia em Minneapolis. Todos os requisitos foram preenchidos na proposta de Ellen. As referências dela são boas. E ela é bonita. 

Até...

Flint descobrir que Ellen Rodgers, musicoterapeuta certificada, toca instrumentos musicais. Bongô, violão, canto - nada de Beethoven que se pudesse controlar com fones de ouvido com cancelamento de ruído. 

O advogado implacável envia um aviso de despejo para a efervescente ruiva que cantarola eternamente, que é sexy demais para o próprio bem. Mas a sorte está ao lado de Ellen, e Harrison, o filho autista de Flint, gosta dela à primeira vista. Um pai solteiro não pode competir com violões - e ratos. Sim, ela tem ratos de estimação. 

Essa mulher...

Ela é irritantemente feliz e tem uma necessidade constante de tocá-lo - ajeitar sua gravata, abotoar sua camisa, invadir seu espaço e bagunçar sua cabeça. 

Mesmo assim...

Ela precisa ir embora. 

O relacionamento de desejo e ódio progride para algo bonito e trágico. Essa sexy comédia romântica explora as coisa que queremos, as coisas que precisamos e as decisões impossíveis que pais e filhos tomam para sobreviver.


"Perfeito para o papel" começa mostrando o lado feio da história, aquele lado que vai criar cicatrizes por todo o livro. Afinal, Flint dirigiu alcoolizado para casa com sua família, e sua esposa acabou morrendo. Não foi necessário uma cena grandiosa, com detalhes realistas, para sentirmos a profundidade daquele acontecimento e da dor que ele causaria. 

É claro que esse fato transforma Flint em outra pessoa. Existe ele antes e depois desse acidente. A sua personalidade muda, seus objetivos e sua própria percepção de si mesmo. Ele não acha que deve ser feliz, não acredita nisso. Depois de muitos anos, Flint conhece alguém que mexerá com sua rotina plastificada. Ellen é bem diferente de Flint. É musicoterapeuta, vive cantarolando e tem 4 ratos com nomes enormes de músicos. É muito claro que essa combinação não daria certo, não é? Principalmente quando Harrison, o filho de Flint, se apega automaticamente a Ellen. 

"Devemos lembrar das pessoas em seus momentos mais bonitos, mas não é o que fazemos. É o sofrimento que deixa uma impressão mais duradoura." Capítulo 2

"Perfeito para o papel" foi amplamente panfletado para mim. Minhas amigas desse mundinho blog falavam "Isabelle, é maravilhoso, vai ler!", e eu então decidi que iria ler. Li e me lasquei. Esse livro é um absurdo de bom, daqueles que você acaba e fica olhando para a parede por uns bons minutos, naquela posição pensativa do Sasuke no Naruto Clássico. 

Isso porque o livro consegue ser uma montanha russa de sentimentos. Uma hora eu estava morrendo de rir e fazendo dancinhas mentalmente e na outra hora estava entrando no pronto socorro com sérios problemas de saúde. Afinal, o livro mescla vários assuntos, como autismo, perdas, traumas, luto, decepções, alcoolismo e ai vai. Você lendo isso talvez pare e pense: Meu Deus, não é muita coisa para um livro só? É, talvez. A questão é que os personagens tem essa bagagem, eles não vivem uma vida plastificada e todas essas nuances que aconteceram ao longo de sua trajetória formam o que eles são e dão certeza de suas ações e escolhas. 

"— É você é o primeiro sopro de oxigênio que entra em meus pulmões em dez anos — cochicha no meu ouvido. " Capítulo 15

Porém, acredito que o mais importante do livro por inteiro, não seja o modo como todos os fatos são dispostos sobre a mesa, mas sobre como a trama nos faz sentir, pelo menos como me fez sentir. Por fim, em uma narrativa que se propõe a falar sobre tantos temas, poderia ficar complicado entender o tema central de tudo, sobre o que a história realmente se trata. Mas para mim ficou muito claro. "Perfeito para o papel" fala sobre segundas chances. Eles estão tentando escrever uma nova página de suas vidas e percebendo que sim, merecem a felicidade que bate em sua porta. 

            

                                                                              

 



"Na maior parte das vezes, a mocinha precisa se salvar sozinha." (Capítulo 1)

Um Casamento Conveniente

Autora: Tessa Dare
Editora: Gutenberg
Ano de publicação: 2017 (versão brasileira: 2019)
Número de páginas: 256
Narração: 3ª pessoa
Título original: The Duchess Deal
Sinopse: Com metade do rosto marcado e desfigurado pela guerra, não foi só a aparência do Duque de Ashbury que sofreu mudanças: a rejeição e o olhar de desprezo das pessoas mutilaram também o seu interior. E, já que precisava viver às sombras da sociedade, ele decide que passará seus dias perambulando por Londres durante a noite para assustar todos que cruzarem seu caminho.
Mas o tempo passa, e em posse de um grande título, o duque sabe que precisará cumprir o dever de conseguir um herdeiro para seu ducado. Para isso, só existe uma regra: encontrar uma mulher que aceite um casamento de conveniência, lhe dê um herdeiro e desapareça de sua vida. 
Quando Emma Gladstone, uma costureira, aparece na casa de Ashbury para exigir o pagamento de uma dívida, ele vê ali uma grande oportunidade de acordo e lhe faz a proposta de casamento. Mas o duque deixa claro que, assim que Emma engravidar, ela deverá partir para o interior e sumir para sempre. 
Ele precisa de um herdeiro. Ela precisa de um bom casamento. Os dois estão dispostos a tudo, desde que não envolva seus corações. Mas será que o amor cabe nas entrelinhas de um contrato?

Querida Isabelle,

Entendi o entusiasmo das pessoas, principalmente você, quando se trata desta cidade. Londres sempre me surpreende - e é uma surpresa, sobretudo, que eu ainda não tenha me acostumado com isso. Desta vez, contudo, foi no sentido bom e ruim. Eu mal cheguei à cidade e presenciei uma tentativa de assalto! A vida no meio urbano é realmente mais agitada e um tanto quanto perigosa. Mas é claro que tem suas partes boas...
O casal que acompanhei enfrentava o maior dos perigos quando se tem medo, a possibilidade à qual todos nós estamos sujeitos: o amor. 
Emma e Ash me receberam muito bem. É certo que isso teve muito mais parte da Emma do que do duque, mas, com o tempo, eu e as outras meninas pudemos perceber que ele só precisava de um sinal de confiança. 
"O homem era cínico, insensível, desdenhoso e grosseiro. E ela iria, com certeza, se casar com ele." (Capítulo 3)
As cicatrizes que mais doem em Ash já não são mais as físicas; com essas ele aprendeu a lidar. As emocionais foram tão profundamente marcadas que ele faz de tudo para esconder-se, acredito eu faça isso buscando esconder de si mesmo a própria dor. 
Mas esse acúmulo de dores faz com que ele se torne alguém amargurado. De tanto repetirem que ele possui uma aparência repulsiva, ele tomou como verdade e se colocou em uma zona onde o amor não consegue se infiltrar. Não quando ele é franco. 
Ver Emma aparecer na vida dele foi como colorir um desenho em preto e branco. Vi aquele homem mudar da água para o vinho! E mesmo que Emma estivesse ali para dizê-lo o quanto é bonito e atraente independentemente do que os outros dizem, acho que o grande trabalho dela foi ajudá-lo a ver o quanto de beleza ele tinha por dentro, permitindo que nós pudéssemos ver também.
"Olhe para mim. Olhe para mim. Porque você é a única que olha. Provavelmente será a única que irá me olhar." (Capítulo 24)
O que, talvez, pouca gente sabe é que a relação que nasceu ali não foi um ponto de virada apenas para a personalidade do duque. A própria Emma pôde e teve que encarar a dura realidade da mágoa, do abandono, do preconceito em si; para ela, que sentiu tantas vezes a dor da rejeição, de tantas maneiras e de tantas fontes diferentes, um amor como o de Ashbury, buscando ser livre de amarras de preconceitos da sociedade, era o que ela mais precisava. Emma ainda me presenteou com a ilustre companhia de seu gato, Calças, com quem tive ótimos momentos. Além dos criados de Ash, que, mesmo que fossem escolhidos a dedo, não seriam tão maravilhosos. 
Querida amiga, foram longas semanas acompanhando casais feito gato e rato, que mais se bicavam do que se beijavam, mas devo confessar que Emma e Ash vieram tomar um lugar especial e cativo no meu coração. Vi nascer e florescer uma relação com muita cumplicidade, proteção, cuidado, carinho, superação e... amor. Sempre amor. Nos momentos finais, é sempre com o amor que contamos. 
Logos nos vemos e reunimos tudo o que foi visto. Chegou a hora de revelar aos nossos leitores cada detalhe, cada mínima coisa que pensaram mesmo que não iríamos reparar. Não vejo a hora de contar tudo! Até breve.
Cordialmente,
Lady Letticia.
"'Que Deus me ajude'. Não. Isso não era necessário, ela decidiu. Não seria Deus quem ajudaria. Ela tinha aprendido essa lição há muito tempo. Na maioria das vezes, uma garota precisa ajudar a si mesma." (Capítulo 31)






Autor(a): Lorraine Heath 

Editora: Harlequin Books

Nº de páginas: 304

Narração: 3ª pessoa 

Sinopse:

Mick Trewlove é o filho bastardo do duque de Hedley, mas ninguém sabe disso. Mesmo depois de se tornar um empresário de sucesso, ele ainda busca vingança contra o homem que o abandonou. E qual a melhor forma de fazer isso do que seduzir a noiva do filho legítimo do duque? Lady Aslyn está noiva do conde Kipwick, filho único do duque de Hedley, mas se vê, inesperadamente, apaixonada pelo misterioso bilionário Mick Trewlove. Durante os passeios pelos parques de Londres, ela começa a desconfiar de que algo se esconde por trás do sorriso sedutor, mas não tem certeza. Quando os segredos são revelados, uma reviravolta inesperada surpreende Mick, que terá que escolher entre manter seu plano de vingança ou ser feliz.


Querida Letticia, 

Já estou voltando para casa, foi realmente uma longa temporada, é uma pena que passamos tão pouco tempo juntas em Londres. Mas enquanto não pudemos nos reunir e conversar sobre tudo o que aconteceu, lhe contarei uma história interessante. 

O último caso que cobri foi de Mick Trewlove, um homem sem títulos, de fato, mas dono de uma verdade avassaladora, daquelas que a sociedade não quer ouvir. Na realidade, o fato dele ser um bastardo me fez olhar para um lado da nossa vida que eu nunca tinha parado para refletir. Às vezes ficamos encantadas demais pela luxúria, as peças caras de porcelana ou o ideal de um amor verdadeiro e esquecemos que a maioria das histórias não são contadas e essas, são as feias. 

As pessoas enxergam feiura em Mick, como se ele tivesse um tipo de peste contagiosa, pelo simples fato de seus pais terem tido uma noite juntos, fora do matrimônio. E como sempre, o homem é aquele que não consegue controlar os seus desejos, ele simplesmente não pode, e a mulher, ao se deitar com ele, ou simplesmente ser abusada, é marcada como pária para a vida toda. Por isso, um homem que se forjou da fuligem das chaminés imundas de Londres, quer ser reconhecido. Ele quer ser visto como merecedor e ter acesso a tudo. 

Porém, os segredos da vida sempre tem uma segunda página, e esta se chama Lady Aslyn Hastings, uma dama enclausurada, prometida em matrimônio desde muito pequena com alguém que ela chamava de melhor amigo. Ela não teve amigas, minha cara amiga. Vivia como um passarinho dentro de uma gaiola, e agora, esta foi aberta e ela tem muito medo de voar. Tem medo de bater suas asas e nunca mais voltar. De tudo o que lhe foi mostrado e apontado, não significasse muita coisa no fim do dia. 

O caso é que uma relação que começou pelos meios errados, se tornou absolutamente verdadeira, embebida no desejo, e desejo significa profanação na nossa sociedade, e ela, bem, gera escândalos. Principalmente quando uma mulher escolhe o que quer. Com certeza você já ouviu sobre as coisas que ocorreram por aqui e duvido minha cara amiga, que parearemos de ouvir sobre os Trewlove por um bom tempo. 

Nos vemos em casa? Espero que esteja se divertindo com a Emma e o duque. 

Atenciosamente, 

Lady Isabelle

   

Caro leitor, 

O fim da temporada para mim não poderia está sendo mais interessante.  Já discutimos antes aqui sobre os podridões da sociedade e todas as coisas que são escondidas por trás dos grandes bailes e os títulos. Mas esse caso que vos falo, é um daqueles escândalos que fazem qualquer uma arregalar os olhos e mostra mais uma camada pesada de sujeira sob nossas cabeças. 

O que descobri é que o Duque de Hadley tem um bastardo. O que não é nenhuma novidade, porque ser infiel às suas esposas é de uma normalidade absurda, apesar de um filho fora do casamento ser visto como uma monstruosidade. O duque pegou o bebê recém-nascido em seus braços e o levou embora, o entregando para uma mulher para simplesmente tentar esquecer que um dia aquele bebezinho existiu. Porém, ele existe, e hoje é um homem, e este homem é conhecedor de seu passado. 

A vingança nunca é algo bonito, caros leitores, e enquanto observo as engrenagens dessa começando a girar, já prevejo uma história com momentos bem feios. Será dolorido. Mick, quer aquilo que é seu por direito e ele sabe que para avançar na escadaria da sociedade, ele precisará derrubar alguns pinos, e está disposto para isso. Já presenciou muita feiura na vida e forjou sua vida e riqueza com o próprio suor. Então, meu caro duque, ele não terá medo de batalhas. 

Porém, os caminhos nunca são lineares, e a dama na qual Mick mira sua ponte da vingança, se mostrará muito difícil de resistir, assim como ela a ele. Esperemos, meu caro leitor, esperemos. 

 Atenciosamente, 

Lady Isabelle