Algumas flores são necessárias para reconstruir um coração despedaçado

Eu não consegui apagar todas as mensagens. Na realidade elas continuam todas lá, arquivadas no aplicativo como quando se guarda algo no fundo da gaveta e não quer mais ver. Só que tudo isso é tortura pura, daqueles que fazem nosso peito doer e os olhos arderem. Por que eu não posso simplesmente apagar tudo? Por que sempre guardamos algo no fundo da gaveta quando simplesmente podemos jogar no lixo? Talvez seja uma forma de auto tortura que estamos programados a fazer. 
Sempre nos dizem que é só mais uma fase, só mais uma crise. E quando não for? E se agora o fim for real? Realmente precisamos nos machucar tanto para perceber que aquilo não dá certo mais? Ouvi de tantos que isso ia passar, que essa dor que você causou no meu peito e essa eterna solidão ia ir embora quando eu menos esperasse, mas como eu vou apagar todos os nossos caminhos se nem consigo apagar as nossas mensagens no WhatsApp. Mensagens essas que demostram o tamanho da solidão que eu me propus. Você era puramente indiferente a todas as minhas mensagens e respondia dois dias depois como se todo aquele tempo online não fosse nada.
O meu problema era achar que estava tudo bem. "Ele é assim", pensava eu. Tentando justificar todo aquele descaso com mentiras inventadas pela minha própria cabeça, às vezes me acusando de errar. Mas não é errado se interessar. Não é errado responder rápido, nem nada disso. Todo esse descaso que pregam na internet, com módulos para "fazer ele se apaixonar" é uma grande piada. Onde anda o fato de se está apaixonada e não ter medo disso? Isso não é um jogo, onde temos que pensar estrategicamente como será o próximo passo. Talvez por toda essa intensidade e sonhos mirabolantes que o "eu" que continua se machucando sou eu. É difícil está de madrugada, onde tudo parece silencioso demais, e pensar em como ele deve dormir tranquilo, enquanto a cama parece muito desconfortável para mim, quando os pensamentos são tão confusos que é necessário uma ducha fria para desembaralha-los. Então eu fico andando no quarto pequeno e pensando no que estou fazendo comigo. Existe uma hora que finalmente consigo dormir, e finalmente quando acordo determinada a te esquecer, a agir finalmente como unicamente e simplesmente sua amiga, pego o meu celular e tem uma mensagem engraçadinha sua e tudo em mim se desfaz.
Continuo dizendo para mim todos os dias para não ser tola, para me amar antes de tudo isso. Talvez só não tivesse compreendido como tudo isso seria difícil. O problema maior é que continuo me botando de escanteio, como aquela bola que o zagueiro tem que empurrar para a linha de fundo para que ela nunca chegue no gol. Parece que de uma forma ou outra estou errada. E sei que isso tudo é conversa de uma cabeça que precisa enxergar novas alternativas além de se achar insuficiente. Não tem problema no meu jeito atrapalhado ou zangado, ou a minha aparência, pois sou bonita por ser eu, e estou cansada de me pôr para baixo por causa de terceiros. Sinceramente, quero sim que alguém me ame, mas que todo esse sentimento seja verdadeiro, que tenha empatia pelo o que sinto e trate isso como uma relação e não um jogo.


Nota: Fazia tempo que eu não fazia um texto e acho que quase me esqueci da sensação libertadora que é escrever. Esse texto diz muito sobre o que acho dos relacionamentos atuais, principalmente com essa onda de redes sociais e como as pessoas parecem sempre está querendo se mostrar indiferente sobre algo ou alguém. Não tenham medo do seus sentimentos e não se doem para aqueles que aparentemente não lhe dão valor. Recomendo também um texto maravilhoso que li hoje, que é: Mesmo doendo, chega uma hora que é preciso passar um trico na porta, que também fala sobre como devemos nos amar. 


                                                                              

                          

     Autor(a): Jennifer E. Smith
 Editora: Galera 
Número de Páginas: 224
 Narração: 3º Pessoa 
                                                             

Sinopse: 

Com uma certa atmosfera de Um dia, mas voltado para o público jovem adulto, A probabilidade estatística do amor à primeira vista é uma história romântica, capaz de conquistar fãs de todas as idades. Quem imaginaria que quatro minutos poderiam poderiam mudar a vidar de alguém? Mas é exatamente o que acontece com Hadley. Presa no aeroporto em Nova York, esperando outro outro voo depois de perder o seu, ela conhece Oliver. Um britânico fofo, que se senta ao seu lado na viagem para Londres. Enquanto conversam sobre tudo, eles provam que o tempo é, sim, muito, muito relativo. Passada em apenas 24 horas, a história de Oliver e Hadley mostra que o amor, diferentemente das bagagens, jamais se extravia. 


Já fazia um tempo que tinha uma certa curiosidade sobre esse livro, e agora no meu tempo livre onde queria ler algo leve e não ficar chorando por aí decidi ler-lo. Posso dizer que foi puro engano a parte onde eu disse que não ia chorar. 
"A probabilidade estática do amor à primeira vista" se passa em apenas 24 horas e é muito mais forte do que muitos livros que se passam em anos e se propõem a algo grandioso. O livro é simples e intenso, e acompanha bem os sentimentos dos personagens, desde a sensação de se apaixonar à tristeza de várias formas. O livro se tornou muito pessoal para mim quando começou a transcorrer sobre a relação de Hadley e seu pai, e cada palavra que ela ali transcorria eu conseguia sentir, desde o distanciamento cada vez mais presente do seu pai e como às vezes parecia que a relação de pai e filha não existia mais por causa da mágoa. Acho que todo mundo que teve ou tem problema na família, sabe como é muito doloroso, muito pior do que levar um pé na bunda da sua paixonite da escola, por que é um tipo totalmente diferente de amor e um que parece que nunca vai passar. 

"- Já sabe o que quer? - Se eu já sei o que quero? Hadley pensa sobre a pergunta. Ela quer ir para casa. Quer que seu lar volte a ser o que era. Quer ir para qualquer lugar, menos para o casamento do pai dela. Quer estar em qualquer lugar que não seja esse aeroporto. Quer saber o nome dele. Depois de certo tempo, olha para ele. - Não sei o que quero. - responde. - Ainda estou decidindo."


A relação dela com o Oliver é muito bem construída, apesar de se passar em apenas um dia. Mas é possível ver como os dois conseguem se abrir um com outro de uma forma natural, porém, a tensão entre eles é visível desde o momento que se conheceram. Os diálogos são engraçadinhos e dizem muito sobre as personagens. 
O livro em si fala muito sobre se apaixonar, seja na relação dela com Oliver, do pai dela com Charlotte - a nova madrasta -, a de sua mãe com um novo amor, e como a nossa trajetória nos transforma. Falar sobre sentimentos é muito difícil e mais difícil ainda é conseguir transmitir-los e consegui sentir tudo isso em uma estória aparentemente despretensiosa. Mas não dizem que as coisas mais simples são as mais importantes? 
Não quero dar maiores spoilers e espero que se permitam ler este livro e fiquem tão felizes quanto eu depois de ler algo tão bem escrito e singelo. Afinal, as coisas podem mudar muito em apenas 24 horas, inclusive nós. 

"Ela fica sem saber o que saber com tanta alegria no olhar dele, com seu sorriso profundo. Ela congela, fica dilacerada. Parece que estão torcendo seu coração como se fosse uma toalha molhada. Sua vontade é ir embora para casa."

                

                                                                           






  1. A internet extinguiu nossa coragem.

Os relacionamentos à distância se tornarem mais fáceis por meio dela, mas tornou todos os tipos de relacionamentos mais distantes. As pessoas pedem o olho no olho mas esquecem de olhar, pedem "mais amor, por favor" mas há cada vez mais ódio impresso nos discursos de rostos anônimos - que, sabemos, não são tão anônimos assim. Estas faces representam o que nós somos em essência. Somos criados para espalhar o ódio, a intolerância com o que não concordamos ou admitimos. É muito mais fácil odiar por apenas um motivo e sustentar o sentimento do que amar e suportar as pedras jogadas pelos outros. Amar é um ato de coragem.
É preciso coragem principalmente porque, hoje, os relacionamentos não são tão levados a sério. Não se engane, tá todo mundo meio envenenado pelas redes sociais. A fachada é bonita, mas por dentro é um caos. E nas minhas mais recentes concepções, isso se equivale a nada. Não me adianta ter um texto perfeitamente estruturado sobre como a gordofobia ainda se disfarça de "brincadeira", por mais cruel que ela ainda seja, se eu continuar odiando o meu corpo e baixando a cabeça para a instituição do padrão. Não me apetece decorar dados e estatísticas escancaradas sobre como o machismo mata pessoas, em sua forte maioria mulheres, todos os dias, se eu ainda sinto medo de me posicionar como feminista enquanto eu ainda não me desconstruí acerca de muitos conservadorismos - e eu tenho tentado, já vi grandes avanços. Eu preciso de coragem para amar a mim mesma em um mundo que me criou para me odiar e procurar a perfeição, que é de conhecimento inato de todo mundo, ainda que no inconsciente, que não existe. 
Eu preciso de coragem para assumir que o meu amor, que é por mim mesma, pode sair de mim e alcançar outras pessoas. Pode sair e fazer a minha irmã, de 11 anos, entender que ela não precisa ter a barriga seca e o cabelo liso para ser bonita. Pode sair e fazer com que meu namorado não coloque relevância em conselhos não solicitados sobre a sua aparência e personalidade. Deve sair para ensinar a todo mundo o que eu venho martelando a algum tempo: a autoestima vem de dentro. Pode sair para me fazer entender que a minha bolha é bastante confortável para mim, mas eu preciso sair dela se eu quiser mudar o mundo de alguma forma. 
O mundo anda muito preocupado com as vivências dos outros. E é ainda mais preocupante, ao meu ver, que andemos condicionados neste reality show das redes sociais. É preciso coragem para se expor na internet e receber todo tipo de ódio gratuito por ser quem você é - são poucos os que se aventuram e aguentam a porrada. 
Eu não sou tão corajosa. 
Guardo o que eu tenho de bom fora desta rede infinita de falsa felicidade. Mas eu não preciso de coragem para ensinar para a minha irmã que se o garoto a maltrata na escola, não significa que ele gosta dele. Significa que ela deve se afastar dele, no mínimo. Não preciso de coragem para fortalecer a autoestima do meu namorado da forma que eu puder, mostrando o quanto ele é forte, incrível e suficiente. Não preciso de coragem para fazer coisas que farão me sentir bem sem que eu precise mudar minha estética ou até mesmo a minha personalidade. Eu só preciso me distanciar de tudo que é tóxico, envenenado, odioso. Eu preciso me distanciar dessas pessoas que cultivam o corpo padrão e mantém a estrutura de uma sociedade preconceituosa em todos os parâmetros. 
No fim das contas, talvez eu precise de um pouco de coragem para fazer tudo isso. Mas eu preciso muito mais de respeito por mim mesma para entender que não são os outros que ditarão a minha história. Eu decido como contá-la. 

Eu estou passando por uma "fase", se é que posso chamar assim, em que a vontade de sair de todas as redes sociais tem me consumido dia após dia. Excluir contas de Facebook, Instagram, Twitter e tudo mais, porque eu me sinto frequentemente entoxicada por todas elas. Mas ao mesmo tempo, me sinto hipócrita demais usando a internet para desabafar assim. É por isso, talvez, que eu não consiga me desvencilhar. Sigamos na luta.




Autor: Heloísa Bernadelli 
Número de Páginas: 211
Narração: 3º Pessoa 

Sinopse: 


Irina tem vinte e quatro anos e um acúmulo de decisões que não lembra de ter feito, planos que vem deixando para depois e uma rotina da qual não abre não. Trabalha em uma empresa de fotocópias, mas seu verdadeiro sonho é a carreira de botânica - que besteira! Justo Nina, que nunca faz nada de diferente e evita o novo sempre que possível, desde a preparação de seu café da manhã até as grandes escolhas. Agora vai se casar com André, e sua melhor amiga a convence de que é um bom momento para ir visitá-la na Irlanda. Viajar para outro país, tão longe de casa, pode despertar seu medo do desconhecido, mas talvez seja o que ela precisa para se lembrar, entre outras coisas, de quem costumava ser.



Antes de falar sobre "Estive em Dublin e Lembrei de Você", preciso explicar o que é o "Clube P.S.:". O "Clube P.S.:" é um clube de assinatura literária completamente nacional. Que leva para seus assinantes um time de autoras da internet, com histórias novas, mimos exclusivos e uma experiência personalizada de leitura. Se quiser saber mais sobre o clube é só acessar o site: P.S.:
Sendo assim, infelizmente vocês não vão poder encontrar esse livro nas livrarias físicas e online. Mas acho super valido trazer essa obra aqui para o blog pela importância do que o "Clube P.S.:" está fazendo, ao dar a oportunidade à essas autoras da internet de terem o seu livro físico, principalmente porque eu leio todo dia estórias da internet e até me arrisco a escrever algumas, então entendo o quanto isso é mágico.
"Estive em Dublin e Lembrei de Você" é a terceira estória da Helô que eu leio, sendo as duas primeiras em plataformas virtuais e acredito que esta seja a sua estória mais madura. Assuntos importantes como relacionamentos abusivos e amor próprio são tratados belissimamente neste romance.
Irina, uma jovem brasileira de 24 anos, que se pôs em uma situação cômoda com medo de seguir seus sonhos e descobrir que mesmo no que gostava não era boa. Ela tem uma relação de sete anos conturbada com André, que agora botou um anel em seu dedo. Mas as coisas mudam quando ela viaja para Dublin, conhece novos amigos através de sua melhor amiga Camille e descobre que ela poderia está sendo muito mais feliz. 

"As pessoas sempre vinham por algum motivo e sempre iam por algum outro. Mas se enquanto estavam, era só o que importava no fim das contas." Pág 127

Entre cervejas e madrugadas andando sobre as ruas frias de Dublin, Irina é frequentemente bombardeada com mensagens e ameças de André, o que claramente demostra esse lado do relacionamento abusivo que a personagem passa, e vemos isso em suas reações, em como ela se sente cada vez mais acuada e se diminui frequentemente por se achar culpada das acusações do noivo. Ao longo do livro também conhecemos outras histórias abusivas e de preconceito que nos ligam aos personagens de uma forma natural, pois infelizmente é fácil de se identificar, porque acredito que todo mundo já viveu ou presenciou esse tipo de violência. Infelizmente, vivemos em uma época que cada vez mais esses abusos e violências acontecem, então você que por acaso está lendo esse post e se vê sendo agredida por ameaças, que se sente frequentemente culpada(o) e triste pelas palavras do seu parceiro(a), saiba que isso não é amor. Quando se ama, espera-se que o relacionamento não seja só de uma metade do casal, e que ambas as partes se sintam valorizados e acima de tudo, se respeitem. 

"Um dia André não a encontrou lá, onde costumava mantê-la, escondida sob uma pilha desleixada de indiferença. Passeou por aí à procura de uma nova Irina, e foi quando a descobriu insubstituível. Não de um jeito romântico. Oh, quem dera fosse de um jeito romântico. Não era por amá-la demais que não podia deixá-la. Era justamente porque ela era a única que continuava a oferecer muito, mesmo quando recebia tão pouco de volta. Não podia deixá-la, porque só Irina estava disposta a ser amada pela metade." Página 77 

Voltando ao livro, também não posso esquecer de uns de meus personagens preferidos, Fionn, que é o interesse amoroso de Irina, e ele é obviamente a antítese de tudo o que o André representa. Pois ele sim é um homem de verdade, com uma capa fofa que me fez ficar totalmente apaixonada em poucas páginas. É lindo ver o quanto ele quer que Irina brilhe, e que conquiste o seu sonho, sempre falando que não quer se impor de forma alguma para ela. E isso para mim é um relacionamento de verdade, independente se é amoroso, familiar ou entre amigos. 
Além disso, preciso falar sobre a ambientação do livro. Os ambientes são descritos detalhadamente e de uma forma que acaba sendo "didática" para o leitor e nos botam dentro de Dublin e nos dão aquele ar estrangeiro que eu particularmente desconheço. 



Desse modo, não poderia deixar de dá 5 luas para esse livro fantástico e desejar tudo de bom para a Helô e que ela continue escrevendo tão maravilhosamente, mesmo que eu sempre morra de chorar.
                                                                                                                                                                   
            

Agora para quem quer ler alguma das obras da Helô (super recomendo), segue o link maroto: Betting Her (primeira estória da autora, que ela escreveu há alguns anos e você pode ler como fanfic interativa), Friendzone (Original, no Wattpad) e Segredos Inabitáveis (Original, no Wattpad). 

                             
                                                                           






           E não chega!
                                                                     (Via Pinterest)

É engraçado como há 5 anos eu achava que te conhecia, descobri que estava tremendamente enganada. Acredito que talvez até saibamos a nossa essência, mas o nosso "eu" sempre será um total desconhecido. Mesmo assim não escapamos de decepções ou grandes surpresas.
Você, com a carinha inchada e  um sorriso gentil era a face do mulherengo quando nos conhecemos no ensino médio, sempre dando um jeito de roubar um beijinho de alguém. Apesar de o coração ser vagabundo, nunca te quis colado na minha boca, te quis colado na minha vida como bom amigo que tu é. Então se passaram os anos e nós mudamos tanto. O seu sorriso já estava recheados de história e meus olhares te diziam tanta coisa.
Te acolhi de peito aberto em noites tempestuosas, onde não sabíamos como seguir. Você, me consolou e deu cafuné quando minha mente já não era mais minha. Houveram outros amores e paixões, canções e suspiros desperdiçados. Mas desde o inicio era você, aquele que tiraria meu chão como um terremoto e me embebedaria de sentimentos antes nunca descobertos. Foi a nossa conversa mansa sobre estrelas e mundos paralelos que levaram a colisão dos nossos lábios, afogados um num outro como se sentissem sede por nós. O nosso corpo entrelaçado em lençóis amarrotados de um jeito tão colado que nunca imaginei que seriamos. Nos perguntamos que porcaria tinha acontecido e rimos sem parar, mas decidimos que tinha sido bom, como uma loucura de melhores amigos que precisava ser escrita. O problema é que não foi só uma noite. A nossa loucura acabou se tornando uma grande confusão e todas as saídas com amigos se tornaram desculpas para beijos intermináveis e um ciúme que nunca pensei em ter de ti, nem você de mim.
Então brigamos feitos idiotas, discutimos sobre tantas coisas e acabamos não resolvendo nada, foi nesse período que descobri que não conhecia você, não conhecia seu lado amante que adorava meu corpo e todas as pintas que nele existem, não conhecia tua insegurança ou em como ficava fofo quando pedia um beijo meu. Nesse período aprendi que existia outra face minha, uma que imaginei que nunca teria, pois sempre ria dos meus amigos apaixonados e cheios de apelidos. Por isso, tudo isso é muito engraçado. Minha vida deu um loop de 360 graus e me encontrei nos braços daquele que nunca imaginaria está.


Nota: Fazia um tempo que não tínhamos um texto tão romântico, mas o romance bateu na minha porta e resolvi escrever esse texto. Espero que tenham gostado. 
                                                              


  

                        
                                                                     (Via Pinterest)


Posso dizer que já me decepcionei muitas vezes, mas não vou dizer que sempre estive preparada para cada uma delas, porque não estava. A gente nunca espera que as pessoas mudem de uma hora para outra, somos acostumados com a lentidão da nossa própria vida, construindo as coisas de pouquinho em pouquinho. 
Então é sempre um baque quando de repente alguém muda, se transforma em outra pessoa e não sabemos lidar com aquilo. Digo isso, meu caro leitor, de peito aberto. Pois nos últimos dias tive uma grande decepção, e uma onda de tristeza mascarada pela raiva me invadiu. Hoje, escrevo aqui sobre um amigo, no qual nunca achei que fosse escrever, pelos menos não sem serem coisas recheadas de bom humor e amor. 
Durante os últimos anos, você foi uma das pessoas que eu mais confiei, para tudo. Quando paro para olhar a minha galeria de fotos, você estava presente em quase todos os momento, junto com tantos outros amigos nossos. Mas não serei hipócrita e simplesmente fingirei que todos aqueles momentos não foram bons para mim, que não foram recheados de alegria e riso. Não irei me arrepender de ter vivido todos aqueles dias e de ter derramado toda a alegria e tristeza pelos meus poros. É uma pena que não irei poder contar com você nos próximos anos. O meu grande erro nas outras vezes que me machucaram foi não ter me valorizado como eu deveria, posso dizer que agora está sendo diferente.
É estranho dizer que você foi o primeiro garoto que me machucou de verdade, porém, essa é a verdade. Não foi nenhum menino que eu estivesse apaixonada ou um paquera que apenas quisesse me usar, foi você. Aquele que se apresentava tão integro, preocupado com o nosso bem estar e sempre disposto a ajudar. Só que tenho que te dizer: não conseguimos fugir dos nossos erros, ou agir como super-heróis que salvam o mundo em um estalar de dedos. Ninguém nesse mundo é perfeito e o seu erro foi tentar ser alguém que na realidade não é. Tu, com essa capa de invencível nos mostrou que Edna Moda estava certa sobre capas, você caiu na sua própria, se enrolando e tropeçando nas suas próprias mentiras. 
O problema não foi suas falhas, pois eu também estou recheada delas, mas a sua negligência com a nossa amizade e as suas mentiras que tentaram cobrir a sua verdade. No fim, acabo sentindo pena de ti, pois viver assim não é viver. E queria dizer com toda a consideração que tenho por aquela pessoa que aparentemente não existiu, que você fique bem e seja feliz. As coisa ainda vão mudar e muitas pessoas vão sair e entrar na sua vida, e não vai adiantar de nada que tu seja o substantivo que todos amem qualificar se no final a sua caracterização for rica de decepção. 
E eu, permaneço aqui. Mudei meus cabelos tantas vezes, ri de diversas formas, mas sempre procurei ser o mais verdadeira possível em todas as minhas facetas e xingamentos. Que pena que você é uma mentira. 

                                                     

Nota: Quem lembra da Aquela do Cabelo Azul? Provavelmente ninguém, pois faz um tempo que essa moça não aparece por aqui. Acredito que de todos os textos que a nossa menina botou a mão na massa esse é o que ela tá mais frágil e isso lógico tem super a ver comigo. O blog é o nosso canto de refúgio e a vida não é fácil e por todos esses anos vocês nos "escutaram", então esse post e todos os outros estão abertos para vocês compartilharem o que estão sentindo com a gente. 

                                                                                                                                                                                           
                                                          


Algumas escolhas mexem conosco, não é? Mas mexem mesmo, antes até de serem tomadas. Nós apenas não conseguimos tomá-las. Foi em um súbito momento de insanidade completa - ou de pura sensatez, no fim das contas - que eu decidi que, sim, era aquilo o que eu queria, independente do que viesse dos outros depois. O meu coração diz ser o certo. Eu sei que no fundo, bem no fundo, estou feliz, mesmo que a minha pequena quase inexistente necessidade da aprovação de todos tenha me feito angustiada. Já passei daquela fase de ficar irritada com o pensamento de que 17 anos é muito pouco pra decidir por algo que mudará a minha vida. A minha playlist de músicas brasileiras tem sido útil para me deixar mais tranquila comigo mesma. 
Pessoas especiais me ajudaram a perceber que não há nada de errado em querer realizar o seu sonho, mesmo que ele não corresponda às expectativas dos outros. Também está tudo bem se não for a escolha da minha vida, a "escolha certa", porque eu posso mudar depois se tudo der certo. E eu posso reconhecer o meu erro depois. Depois, as coisas ainda podem ser consertadas. Isso só está nas minhas mãos. 
Ainda há quem eu ame aqui e estas pessoas estão tão orgulhosas de mim que eu não consigo pensar em nada que possa substituir a felicidade de tê-las por perto. Elas gostam de quando eu me reinvento e demonstro melhorar minha autoestima. Elas choram comigo quando se compadecem, mas me fazem sorrir muitas vezes mais. E eu sei que posso estar em pedacinhos, elas não sairão de perto. Elas me fazem ser mais forte e eu não sei ser mais grata por nada do que sou por isso. É como tirar o bilhete premiado mesmo sem jogar nada. Não há sorte maior que essa.




                 




Amor, estás perdido pelas vielas da vida.                            Ah meu amor, foi o fim. 
Andando sobre os paralelepípedos                                         
com seu eterno caminhar de bêbado.                                  Encontrei-o desolado, 
                                                                                              maltrapilho e sujo,
Soprando baforadas de cigarro,                                            quis o ajudar. 
intoxicando a alma,
como se tudo fosse ser perdoado.                                       Mas eu também sangrava, 
                                                                                              estava bêbada,
Desculpe, meu amor.                                                            maltrapilha e suja,
                                                                                              tropeçando nos paralelepípedos. 
Envenenara-se sozinho, 
engolindo goles de vodka,                                                    Poderíamos nos afogar mais. 
queimando seu próprio corpo.                          mas nunca sairíamos daquele beco sujo.    Transformando as normalidades em cinzas. 

Derramando filetes de sangue por onde passa.



                                                        




Eu quase deixei meu verdadeiro eu escondido.

Sempre me pareceu impossível gostar de quem eu via no espelho. Gostar daquelas estrias, dos quadris largos, os braços maiores do que eu gostaria que eles fossem. Mesmo na infância, quando essas coisas deviam importar muito menos - praticamente reduzidas a nada. Mas eu me importava. Importava-me com cada centímetro meu que não cabia naquela roupa que eu queria mais que tudo usar, mas que foi produzida para qualquer meninazinha mais padronizada nos quesitos de corpo perfeito para os olhos dos outros. 
Importava-me com os biquínis que eu tanto odiava, dando preferência aos maiôs que sempre eram relacionados a gente gorda. É, gente gorda, é como minha mãe dizia. Gente gorda não tem boa saúde. Gente gorda não tem qualidade de vida. Gente gorda não arranja ninguém pra casar. E, ainda: gente gorda só conhece gente gorda. Parece que ela tinha gosto de dizer essas duas palavras com escárnio. Tinha gosto de me dizer, dentro daquelas palavras, que eu viveria para sempre sozinha, mal amada, infeliz, sem sucesso nem profissional, quanto mais pessoal. A Maria Clara de 15 anos não sabia se conseguiria sair daquela situação, daquele fundo do poço, sozinha.
Fui crescendo e coisas foram até piorando. Eu não conseguia me aceitar. Não conseguia gostar de outras pessoas sem me gostar, entrar em uma faculdade por achar que era incapaz, desistir de fazer muitas coisas, usar outras e até sentir diversas delas por medo daquilo não ser pra mim. Eu diminuí a mim mesma para caber no mundo dos outros. Entrei pra academia, fiz dietas alimentares, até o meu chocolate favorito eu cortei. Aquilo me colocou em uma situação de exclusão social e não-aceitação ainda maior. Foi quando eu comecei a ler mais. Eu comecei a conversar com pessoas que passavam pela mesma que eu e, pasmem, existem várias! Em todos os cantos, gordas, magras, negras, albinas, ruivas e, claro, principalmente mulheres, que não conseguem gostar de si mesmas porque um dia alguém lhes disse que "você seria mais bonita se...".
Os fantasmas do passado me perseguiram até a vida adulta. Mas percebi sozinha que autoestima não se relaciona somente com as coisas que eu via, com a beleza ou aparência. Relaciona-se diretamente com o sentir-se ou não capaz de atingir seus objetivos, com o poder de levantar-se da cama todos os dias e dizer a si mesmo "hoje eu consigo". Dentre todas as coisas que eu tive que passar por cima pra chegar de cabeça erguida aonde estou agora, a principal foi saber desapegar do que me fazia mal. Talvez não tão de cabeça erguida assim; cheia de cicatrizes e traumas que vez ou outra ainda tendem a acabar comigo, mas percebo que sem isso eu não seria eu de hoje.
Todos os dias, agora, são motivos novos para tentar. Ainda gorda, ainda machucada, mas muito mais forte do que há 10 anos atrás. Muito mais Maria Clara. De osso e de aço. De carne - muita carne -, tão humana quanto todo mundo. Elogios não são mal-vindos, mas depreciações nem batem à porta. Sinto-me bonita, capaz. Sinto-me uma grande mulher, da forma que eu gostaria que todas as Marias-mulheres pudessem se sentir também. Não há nada no mundo que mexa com seu coração que o seu amor próprio não possa superar.

N/A: Esta Maria foi mais sucinta porque é um assunto muito difícil pra mim. Eu ainda tentei assumir a personagem, dar um "final" melhor para ela, mas ainda é complicado desenvolver quando você não sabe a maneira certa de expressar os mesmos sentimentos. E o motivo para fazer a publicação é que ela acaba sendo um prelúdio para assuntos dos quais eu pretendo falar mais por aqui. As letras do título e da frase pré-texto são de Who You Are, Jessie J. Ouvia enquanto escrevia, achei cabível. Até a próxima, Marias.



Já faz um tempinho que eu não sei o que é sofrer por amor. Mas eu sei exatamente o que é quando uma música ou outra deixa nosso serzinho em uma bad que só uma noite bem dormida e um café bem amargo - por mais que eu odeie o gosto - pra fazer passar. E o que é melhor do que isso? Se afundar de vez naquele momento - às vezes vejo filmes pra chorar; outras, escuto música para garantir minha passagem só de ida pro fundo do poço. Postagem de utilidade pública. Vamos amar um pouquinho esse povinho bonito aqui?

1. Barquinho de Papel - Anavitória



Não sinto tua falta. Não sinto a falta do teu cheiro de perfume importado que exportou de mim. Não sinto falta do teu erre puxado, nem do teu beijo com gosto de dente que morde coração envenenado. Não sinto tua falta. Não sinto! Nem lembro de você, nem da tua respiração ofegante. Não sinto falta; eu sinto ânsia. Distância do teu signo-preto, do teu silêncio - o grito. Sinto ânsia e a provoco. Enfio os meus dez dedos na garganta pra ver se vomito teu ser da minha alma.
A gente não precisa nem falar muito dessas meninas. Não são tantas músicas, mas qualquer que seja a que você decidiu ouvir, vai te transferir um sentimento forte. Barquinho de Papel tem um peso emocional indescritível.

2. Quando Bate Aquela Saudade - Rubel


Não tem medo, não. Eu sei, vai dar errado. A gente fica longe e volta a namorar depois. Olha bem, mulher, eu vou te ser sincero: eu tô com uma vontade danada de te entregar todos os beijos que eu não te dei. E eu tô com uma saudade apertada de ir dormir bem cansado e de acordar do teu lado pra te dizer que eu te amo, que eu te amo demais.
Essa música já não tem um significado triste para mim. Ela se tornou algo muito significativo, especial, que no lugar de trazer a angústia que ela me trazia antes, agora me traz paz. Em algum momento antes, só a introdução já era o suficiente para colocar pra baixo. Se você procurar, Rubel, na maior parte do tempo, é só tiro no coração. 

3. A Música Mais Triste do Ano - Luiz Lins



Tua vida ainda vai ter sentido se a nossa for tudo o que te sobrou? (...) Ainda vai sorrir quando eu for teu único motivo? Ainda vai ouvir o que eu digo mesmo quando eu só quiser falar de amor? Ainda vai tentar me entender quando eu não dizer mais sentido? E ficar comigo quando tiver visto o pior lado de quem eu sou?
Fazendo justiça ao seu nome, qualquer pessoa que já pôde amar alguém sente alguma coisa com a letra dessa música. O gênero não é nem o meu preferido, mas a letra paga qualquer coisa.

4. Te Vi na Rua Ontem - Konai



Talvez um dia a gente se resolva, talvez tu seja mais uma cicatriz. Mas sempre que falam de ti, lembro da sua mão na minha. Meu Deus, o que é que eu fiz? Ainda penso muito em ti. A vida não tem sido justa... Você sabe, ainda tô aqui. Sua falta ainda me assusta.
 Eu gosto consideravelmente muito da Ana Gabriela, o clima que ela traz. O show dela inteirinho é assim e alguns covers dela eu gosto até mais do que a música original, como é esse caso.

5. Ensaio Sobre Ela - Cícero



Não se esqueça por enquanto de esquecer alguma coisa pela casa e vir buscar do nada. (...) Nem vi você chegar, foi como ser feliz de novo. Nem vi você chegar, foi bom te ver sair de novo.
Estou certa de que é unânime a necessidade de Cícero em uma playlist como essa. Essa música é uma das minhas favoritas e foi difícil escolher um trechinho pra colocar ali - eu colocaria a letra inteira facilmente. Cícero é uma expressão de um montão de sentimentos que a gente não consegue pôr pra fora. Procura as outras músicas fazendo esse favor a ti mesmo! 

Bônus: Mar Fechado - Selvagens À Procura de Lei



E mesmo que eu lhe peça desculpas o ano inteiro, não me cobre mais amor quando chegarmos em janeiro. Fica mais um pouco e sustenta o meu corpo antes mesmo d'eu cair no mar, e como era de esperar, eu vou me afogar pra nunca mais ter que te ver por aqui.
Essa eu chamei de bônus porque sai um pouco do clima das outras. Selvagens entrou recentemente no meu amplo estilo musical e não tinha como não me sentir impactada por todas as músicas, principalmente por essa letra. Também poderia colocá-la inteira aqui.

Tentei me limitar às músicas brasileiras. A gente tem um monte de coisa por aqui que não tem a visibilidade que merece. Espero que gostem! Até a próxima.