Se tornou o caos.
Era ilusão demais.
Olhares perdidos.
No fim, não era nada.

Tudo estava inabitável,
meio vazio,
mas feliz.

Tu causaste uma tremenda bagunça,
agora sou eu que tenho que catar os destroços.

Deixei que apenas uma pequena partezinha do meu coração estivesse disponível,
você quase se fixou.
Fui tola demais.

Mas em meio a esse tremendo caos,
me aconchegarei em um canto e aos poucos tudo voltará ao seu devido lugar.

                                                                               


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Sinopse:
Os órfãos Baudelaire são três irmãos muito inteligentes; Violet é a mais velha, Klaus é o irmão do meio e Sunny é a mais nova, com três anos. Quando seus pais morrem, eles passam a morar com diferentes tutores, e o primeiro é Conde Olaf, que irá tentar roubar a enorme herança deixada pelos pais.

A série é baseada na série de livros "Desventuras em Série" de Lemony Snicket (pseudônimo para Daniel Handler) que contêm 13 livros.

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A série da Netflix adapta os 4 primeiros livros em 8 episódios. Sendo 2 episódios focados em adaptar um livro.
O primeiro é "Mau Começo", onde somos apresentados a Violet, Klaus e Sunny, e a sua trágica história. Onde o narrador começa nos apresentando e falando que é melhor não continuar assistindo, - um ótimo artificio para aguçar a nossa curiosidade - então somos inseridos a história dos Baudelaire desde que seus pais morrem e eles tem que entrar para o sistema de adoção, caindo nos braços do malvado Conde Olaf. 
O narrador entra em cena em várias ocasiões, despejando ironia e sarcasmo, principalmente pela "burrice" dos personagens adultos. O autor que é roteirista da série trabalha muito bem nesse ambiente e também construindo uma crítica social, como claramente podemos ver em "Mau Começo" como o sistema de adoção e o conselho tutelar são falhos, principalmente representado na figura do Sr. Poe, facilmente enganado além de pensar somente em uma promoção e não no destino das crianças. Toda a "burrice" dos personagens, acaba sendo a representação de como nós somos egoístas e preferimos não enxergar o que está errado para não ter que nos preocupar. 
Basicamente nesses 2 primeiros episódios somos apresentados ao mundo da série e ao Conde Olaf, que faz de tudo para conseguir por a mão na fortuna dos Baudelaire até mesmo organizar um casamento verdadeiro em meio a uma peça teatral.


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Outro ponto da série é o seu visual, diferente do filme ele é mais colorido, o que dá um sobretom legal quando somos apresentados ao vilão e a alguns ambientes mais sombrios. Vi muitas pessoas até compararem com o tipo de visual presente nos filmes do diretor Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste, O Fantástico Sr.Raposo, Moonrise Kigndom etc).
Mas algo que me incomodou e não posso deixar de passar foi os efeitos especiais muitas vezes exagerado, e como claramente em várias cenas a Sunny era um boneco. Mas até isso dá para levar em consideração visto o tom da série.
Os dois episódios seguintes: "A sala dos repteis, Part 1 e Part 2" já vemos os órfãos longe das garras de Conde Olaf - não por muito tempo - e conhecendo o Tio Monty que é herpetologista e nos apresenta a incrível sala dos repteis, onde conhecemos a fofa Víbora Incrivelmente Mortífera que apesar do nome é super inofensiva - apesar de eu ter pavor a cobra.
A relação dos quatro é maravilhoso até que conde Olaf aparece com o seu primeiro de muitos desfaces: Stephano. E o que torna o público tão dentro da história é perceber que ninguém percebe que conde Olaf é o Stephano (entre outros desfaces), e isso faz com que fiquemos revoltados junto com os Baudelaire. 
Além disso somos aprofundados nesse mistério de o que significa o simbolo do olho, sempre presente, assim como a luneta. 

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Os episódios 5 e 6 são baseados em "O Lago das Sanguessugas" onde conhecemos a medrosa Tia Josephine e a sua sempre tão perfeita gramatica. E isso me leva a uma das melhores coisas da série: a inteligência. As crianças são extremamente inteligentes e espertas, assim como narrador e claro o autor, que brinca com vários tipos de gêneros, produzindo parodias e dentro desse ambiente sarcástico de Desventuras fazendo ótimas críticas sociais, o que torna série - tanto livro, quanto filme - altamente produtiva para quem assisti/ler pois faz pensar e até mesmo instigar a procura do real significado das palavras do autor.
Os episódios 7 e 8 já mudam completamente de tom ao adaptar "Serraria Baixo-Astral", que causam uma reviravolta na trama e nos sentimos verdadeiros trouxas. Mas o que mais me chamou atenção nos episódios foi a crítica ao trabalho de certa forma escravo e como há uma grande alienação nessa área, além de claro, nos proporcionar bons momentos de diversão e aflição na trágica história de Violet, Klaus e Sunny, onde eles são frenquentemente botados a prova e se provam mais inteligentes que todos os adultos que vivem presos em seu próprio mundinho.
Não quis falar muito sobre os episódios para não dá spoiler e permitir vocês se deliciarem com essa série que já tem um lugar guardado no meu coração pela sua genialidade, ironia e permitir ao telespectador pensar além da série.




                                                                           



Tem um negócio em você que nunca deixou de me encantar. Desde o primeiro instante, desde que olhei pra tua cara, vi aquele olho bem apertadinho, a barba bagunçada tal qual o cabelo, e aquele sorriso... ah, que sorriso. Eu sabia que aquilo era cilada. É, eu sabia. Você não me enganou um só segundo. Só que você me encantou em todos eles. Você me descompassou como ninguém nunca nem tentou fazer e isso é loucura porque eu nunca fui alguém gostável. Mas você veio, né? Você me lançou o olhar mais irresistível possível e me beijou como se a vida acabasse logo ali, em segundos.
A vida acabou em segundos depois que você me deixou. Foi ir ao céu e perder o chão no dia seguinte quando você me fez sentir a mais amada do mundo e depois decidir ir embora. Foi perder a cabeça, nunca mais me encontrar, procurar em todo lugar não a mim, mas o teu cheiro, abraço e amor em outras pessoas. Procurei até no passado, em outros amores e histórias, pra saber se fiz certo ao me apaixonar por você. Nem sei se teria como não me apaixonar.
E eu nem faço ideia se você se apaixonou de verdade por mim. Aqueles beijos foram bons pra você? Algum dia você realmente sentiu amor por mim? E aquele toque, aquele contato cálido, os sorrisos às 6:40 da manhã de todo dia, significaram alguma coisa, nem que seja pouca? E agora, depois de tanto tempo, ainda quero saber como foi apagar tudo da memória. Se foi fácil, se foi só apertar um botão e pronto, resolvido. E mesmo que isso fique, no mais fundo da memória, como eu faço pra não sentir mais nada? Pra parar finalmente de doer?
Ficou um vazio impossível de solucionar. Mas esse vazio tem me preenchido de tal maneira que não cabe mais nada em mim. Você me ensinou a amar e eu não sei como fazer pra sentir isso de novo por outra pessoa - e eu confesso que já tentei. Eu queria que você fosse embora logo pra eu poder respirar. Quem sabe um dia você não me dá esse sossego e eu consigo, finalmente, sair de fininho e me desligar de você?


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Sinopse: Claire Randall (Caitriona Balfe) é uma enfermeira em combate em 1945. Ela é misteriosamente transportada através do tempo e mandada para 1743, e sua vida passa a correr riscos que ela desconhece. Forçada a se casar com Jamie Fraser (Sam Heughan), um cortês e nobre guerreiro escocês. Um relacionamento apaixonado se acende, e deixa o coração de Claire dividido em dois homens completamente diferentes, em duas vidas que não podem ser conciliadas.

CONTÉM SPOILERS

Outlander foi uma maravilhosa surpresa. Já havia escutado sobre a série em canais de cultura pop e até lido sobre, em uma história no wattpad. A questão é que não pensei que fosse tão incrível.
O primeiro episódio basicamente nos apresenta Clarie Randall e Frank Randall (Tobias Menzies), nos fazendo criar afeição pelo casal a partir do momento que somos inseridos em sua intimidade, além de tudo é  apresentado o começo da mitologia da série, o que dá uma base para o público.
No segundo episódio já somos apresentados a Escócia de 1743, que tem uma ambientação maravilhosa. Os fatos históricos também são bem apresentados, principalmente quando mostra a importância da igreja católica naquela época e a perseguição as bruxas, onde podemos ver claramente um ambiente onde a mulher por si só era considerada perversa e se por acaso dominasse hoje o que chamamos de medicina, ela provavelmente seria queimada depois de passar por um tribunal, o que vemos perfeitamente em um episódio da série.
Mas voltando, um grande baque para o público é descobrir que o mesmo ator que interpreta Frank Randall também atua como Black Jack Randall, o vilão dessa 1ª temporada, e assim como Claire fiquei extremamente confusa sobre o meu sentimento em relação aos personagens assim que Black Jack Randall começou a cometer suas atrocidades. E isso leva-nos a outro dilema, Claire deve ou não voltar para casa? Será que ela e nós conseguiremos olhar Frank de uma forma que não sentíssemos nojo?
Esses questionamentos são mais reforçados quando conhecemos Jamie Fraser, um guerreiro escocês diferente de todos que nos cativa desde o primeiro segundo que aparece na tela, e aparentemente Claire também se encanta por ele. O personagem interpretado por Sam Heughan é maravilhoso, possuindo várias camadas que descobrimos mais a cada episódio. Mas antes disso, somos conquistados por seu jeito gentil, conquistando o meu total afeto e garanto que o seu também, por isso se torna tão sofrido quando descobrimos mais sobre o seu passado e quando vemos o seu futuro. Mas mesmo Jamie sendo maravilhoso e não posso negar, lindo, Claire demora para ceder aos seus encantos.
Agora preciso falar sobre Black Jack Randall, um dos piores violões que já vi em uma série, ou mesmo livro - já que a série é baseada no mesmo - com um personagem sem qualquer escrúpulos, violento e digo até nojento, tanto por as inúmeras tentativas de estupro, com uma concretizada, quanto pela violência explicita que é jogada em nossa cara, principalmente na cena em que Jamie recebe chicotadas.
Mas não quero dá mais spoilers. Assistam e se deliciem com o ambiente e a história - real e fictícia - que com certeza vão te fazer maratonar e se apaixonar, assim como eu.


        




                   


                                                                   




                       


É extremamente vazio. Não sei se irei me acostumar. Acordei as 7 horas, bati a mão do outro lado da cama e lembrei: "Você se foi". As lágrimas brotavam tímidas em meus olhos e lembrei de sorrir, começar um novo dia sem me martirizar. Então, ia escovar os dentes, a sua escova ainda se encontra enroscada a minha, todos os cremes de barbear dispostos sobre a bancada da pia assim como seu colírio. As mãos tremiam e sorri novamente, afundei-me no jato rápido do chuveiro, todas as lembranças consumiram-me. Você é tão lindo, com um sorriso tão gentil e aquela covinha funda bem no meio da sua bochecha. Incontáveis vezes tu sorriu para mim nesse mesmo box do banheiro pequeno, mas tão nosso, onde jogava água sobre os meus cabelos e lavava minhas costas e eu lavava as suas, como um perfeito casal de velhos.
Fechei o chuveiro e ao invés de pegar a minha toalha, enrolei-me na sua, sentindo o tecido felpudo que lhe envolveu por tanto tempo. Abri as portas do closet e vi todos os seus ternos e blusas com estampas de HQs e Star Wars em uma bagunça organizada como sempre gostou de dizer. Ao invés de por minha roupa para trabalhar, acabei caçando uma blusa sua com disseres matemáticos que nunca entendi, mas era sempre assim: você com seus cálculos, eu com a poesia. Você é minha poesia favorita, com cada pedacinho seu como pequenos versos, com um tom calmo e ao mesmo tempo muito risonho. Você é todo risonho, exagerado demais, enchendo o sorriso com todos os dentes mesmo que fosse algo singelo. Você nunca foi aquele que sorria com a boca colada uma na hora, essa sempre fui eu, afinal, demorei um tempo para corrigir os meus dentes, já os seus eram perfeitos desde sempre, talvez tenha sido ele que me conquistou quando nos conhecemos no meio de uma festa da faculdade, onde tu foi a salvação dentre todos aqueles bêbados.
Passei a mão por sua coleção de relógios e agarrei seu perfume favorito, preenchendo a casa e a mim com o seu cheiro.
Joguei-me na cama com o notebook sobre as penas, olhando as notícias do dia e já começando a escrever minha crônica. Olhar para o lado foi inevitável, você sempre estava lá dando palpites desnecessários. Sorri, até eles faziam falta.
Balancei a cabeça, permitindo meu coração se afogar de saudade tua e a mente chorar de descontamento, sentindo falta de montar frases sarcásticas para sua incansável curiosidade.
No fundo, o que fazia real falta era de como todos os dias me sentia bonita e especial a cada vez que o teu olhar batia com o meu, ou te encontrava apreciando alguma curva minha. Para alguém que não se amava antes, tu deu todos os caminhos certos. Nos esbarramos nele, nos ajustamos nele, encontrado o real bonito em nosso desajuste. Sem querer me tornei depende da tua voz, e não sabia seguir sem teu direcionamento, sempre me perdi sem ti.


Nota: Bem, fiz esse texto a pedido da Letícia Vieira, espero que a senhorita goste, e claro, todos os leitores também. O texto ficou meio meloso? Ficou. Mas isso acontece quando começo do zero e a minha cabeça parece um balão cheio de gás. Espero voltar em breve com mais conteúdo para vocês. Desculpem qualquer erro. Beijos


                                                                              




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Antes de mais nada, é um livro necessário. Sim, ele é. Preciso dizer que não o amei, mas achei necessário falar sobre isso, o que eu senti lendo, toda a percepção que eu tive a respeito. Ah, gente, e olha... Essa capa é a coisa mais linda comparada à original, só a título de curiosidade. Vem pra mais uma resenha que eu tô lendo que nem louca nesse janeiro!

Os Dois Mundos de Astrid Jones

Autora: A. S. King
Editora: Gutenberg
Número de páginas: 288
Narração: 1ª pessoa
Título original: Ask The Passengers

O movimento é impossível... Até que ponto?

Sinopse

""O movimento é impossível." É o que Astrid Jones, 17 anos, aprendeu na sua aula de filosofia. E, vivendo na pequena cidade em que mora, ela começa a acreditar que isso é mesmo verdade. São sempre as mesmas pessoas, as mesmas fofocas, a mesma visão de mundo limitada, como se estivessem todos presos em uma caverna, nunca enxergando nada além. Nesse ambiente, ela não tem com quem desabafar suas angústias, e por isso deita-se em seu jardim, olha os aviões no céu, e expõe suas dúvidas mais secretas aos passageiros, já que eles nunca irão julgá-la. Em seu conflito solitário, ela se vê dividida entre dois mundos - um em que é livre para ser quem é de verdade e dar vazão ao que vai em seu íntimo, e outro em que precisa se enquadrar desconfortavelmente em convenções sociais."

Eu queria começar a resenha falando um pouco sobre a história, sobre como ela começa, mas o enredo tem uma lentidão, uma mansidão de acontecimentos, que eu posso acabar falando de algo que aconteceu no meio ao invés do início, por conta da mesmice. Eu demorei muito para ler o livro - e nem foi por causa da linguagem ou porque é longo; a forma como o livro me pareceu permanecer o mesmo por muito tempo me fez ficar estagnada em sua leitura. 
Astrid Jones é uma menina de 17 anos cuja família consiste em sua mãe, uma mulher que aparentemente é mente aberta, típica mulher de cidade grande, com aquele discursinho de "nada contra gays, até tenho amigos...", mas que tem um tratamento que ao meu ver é ridículo para com a filha mais velha; seu pai, que é um cara meio sem rumo, pau mandado da mulher, vez ou outra chapado demais para lidar com os problemas da família; e sua irmã mais nova, Ellis, que é jogadora de hóquei e queridinha de sua mãe. A família se mudou de Nova Iorque para Unity Valley e agora precisa lidar com todos os problemas de cidade pequena, incluindo principalmente a fofoca. Todo esse cenário é diversas vezes abordado pelo eu-lírico, que frisa muito a coisa toda, o que acabou tornando a leitura meio extensa demais. Haviam momentos que eu mesma conversava com Astrid; "tá, já entendi que essa galera é um porre... pula pra parte legal". 
Mas, por outro lado, vi pontos importantíssimos neste livro que precisam ser debatidos, por isso me dei ao trabalho de falar sobre. Separei por tópicos para facilitar as coisas:

1. Aspectos bons

a) Temática diferente: Comparado aos livros que leio, este foi um dos únicos voltados para a temática LGBT. Não porque eu por escolha decido ler apenas romances heterossexuais - até parei pra pensar nisso, no tanto de livro que tem por aí com essa mesma temática, mas eu nunca tinha lido simplesmente porque eles não tinham espaço uns anos atrás e só agora estão conseguindo "aparecer"; e não vou mentir: adoro. Gostei da forma como a autora apresentou esse universo, que não deveria ser distinto de qualquer outro (acrescente muitas aspas aqui) "comum". Infelizmente ainda é um assunto muito cheio de tabu, em que as pessoas ainda depositam muito preconceito. Mas eu adorei esse lado, como são apresentadas as angústias, os medos. Astrid ainda está descobrindo a sua sexualidade, assim como ainda está se descobrindo no mundo, e foi interessante para mim saber de que forma ela soube lidar com tudo isso, com o contar para os pais e se assumir publicamente - outra coisa que eu acho que é um absurdo, pleno século XXI as pessoas terem que se assumirem gays; ninguém sai por aí se assumindo hétero, né? Mas isso é assunto para um outro post. 

"Começo a me ressentir. Você quer dizer que estamos no século XXI e esse cara é pago para ter conversas corretivas com alunos da escola sobre como eles não devem odiar os outros? Isso não é elementar? Não devia ser automático? Que tipo de espécie somos nós se precisamos de gente que venha falar sobre essa merda? E como, se somos idiotas assim, nós chegamos à lua e ajudamos a construir uma estação espacial?" (capítulo 39)

b) Referências filosóficas: A aula favorita de Astrid em seu último ano escolar é Filosofia, o que provoca uma série de citações a respeito de filósofos, além de teorias filosóficas, reflexões da própria personagem que transmite a nós os mesmos pensamentos, as mesmas angústias a respeito de nós mesmos. Também é interessante a forma como ela lida com as descobertas além do âmbito filosófico, mas sobre si mesma a partir disso. Ela até transforma Sócrates em seu herói, em um amigo imaginário, a quem ela até deu um primeiro nome - Frank Sócrates - e conversa com ele como se estivesse ali, presença física, à sua frente. Esse lado filosófico de Astrid também influencia na série de perguntas retóricas que ela faz em diversas partes do livro. Até me peguei tentando responder algumas delas.

"Então envio meu amor. É fácil como sempre é, e é duro também porque eu realmente não sei a resposta para esse mistério. Amor é algo que sempre estará disponível? Será sempre confinado e indigno de confiança como parece hoje? Tem o suficiente por aí? Estou desperdiçando o meu com estranhos?" (capítulo 35)

c) Astrid envia amor às pessoas: No início, isso ficou meio confuso pra mim, e acredito que fique para qualquer leitor, mas depois você entende como um diferencial da personagem. Ao longo do livro, Astrid nos apresenta o seu hábito de deitar-se para observar o céu, especificamente os aviões, e "mandar amor" aos passageiros. Sim, é exatamente isso. Ela se deita na mesa de piquenique no quintal de casa, vê um avião passando e diz: "para a mulher do assento 12A, eu te envio amor. Eu te amo, eu te amo" e a princípio você acha isso muito esquisito, mas confesso que depois de ler, eu me vi mandando amor para várias pessoas na rua. E só percebi agora o quanto isso soa estranho.

"Mas é bom amar uma coisa e não esperar nada em troca. É bom não haver discussão nem pressão alguma, ou qualquer boato de qualquer baboseira. É amor sem amarras. É o ideal." (capítulo 3)

Outro ponto da história, que eu ainda não sei no que ele reflete no livro em si, é que vez ou outra a narração de Astrid é interrompida por uma narração de um passageiro aleatório dentro de um avião que está passando ali, naquele momento. Na primeira vez em que aconteceu, eu não entendi absolutamente nada. Tive que pesquisar pra saber do que se tratava. E aparentemente, eles não influenciam em nada na história, exceto uma vez ou outra que o narrador dessas cenas nos aviões falam como se estivessem recebendo esse amor, o amor de Astrid, ou quando é o contrário, e ela recebe o amor deles. É uma parte bem louca da história, mas que pra mim acabou até soando um tanto quanto poético nas minhas tentativas de entender a finalidade disso.

2. Aspectos ruins

a) O tempo que os acontecimentos levam na história: Já mencionei antes e volto a falar sobre como as coisas são lentas neste livro. Sério. E agora que estou aqui falando sobre isso, penso que foi proposital da autora para representar a pacata Unity Valley. Mas ao longo do livro, diversas vezes eu simplesmente parei de ler porque a coisa não saía do canto. Era aquela mesmice de "você precisa contar aos seus pais", "vamos ao bar sábado", "filosofia e coisa e tal"... Pareço ser muito chata falando isso, mas realmente foi um ponto que muito me incomodou na história. Eu até conversei com outras pessoas sobre o livro e elas apontaram a mesma coisa. Apesar de saber que o foco da história é o processo de Astrid se assumir como homossexual e que isso pode ser complicado e lento para algumas pessoas, achei um tanto quanto demorado o desenrolar da história.
b) As cenas dos passageiros: Eu não achei um ponto ruim a questão literal da cenas nos aviões, é um dos diferenciais do livro. Contudo, a forma como foram inseridas no meio da história foi o que me incomodou. Não sei se foi só comigo, mas de início foi difícil entender o que aconteceu ali para de repente uma pessoa completamente diferente tomar a voz do eu-lírico. Além de que elas não têm ligação direta com a história, nem muito menos influenciam em nada.

"Talvez, se você pegar este amor, pode mantê-lo em segurança? // Olho para o avião e envio meu amor. Não se preocupe. Vou mantê-lo em segurança. Seja forte." (capítulo 44)

3. Nem bom, nem ruim

a) A mãe de Astrid: É peculiar. Não achei de um todo ruim, porque acredito que esta seja a realidade de muitas pessoas que vivem isto: uma mãe que não consegue te compreender, não te ouve, ignora totalmente a tua existência, e te cobra, liga para o que os outros acham, é um exemplo nato de hipocrisia. Por outro lado, também não achei completamente bom apresentá-la, porque a mulher é uma nojenta. De verdade. Em vários momentos eu quis entrar no livro e bater na cara dela - principalmente quando ela enaltece Ellis e parece esquecer completamente de que Astrid existe e também precisa de amor. Outro ponto em relação à mãe foi a forma como ela mudou do momento antes de Astrid assumir-se gay para o momento depois - e mudou para "melhor", ao meu ver. 

"Você e a mamãe não precisam pensar nisso também. Podem apenas ser o casal na cidade que tem uma filha gay (...) E se algum de vocês tem algum problema com isso, então o problema é de vocês. Ser gay já é duro o suficiente sem ter de se preocupar com sua família ser esquisita com isso." (capítulo 40)

b) O clima de cidade pequena: Esse também é um ponto meio como o anterior... Não é ruim porque eu tenho certeza de que existem cidades assim - onde você dorme com um pijama de cor diferente e no dia seguinte a cidade toda está sabendo - e a forma como ela foi retratada foi exatamente como eu penso sobre cidades assim. Mas também queria entrar no livro e bater na cara de todo mundo. As pessoas não conseguem simplesmente deixar as outras pessoas viverem a vida delas? A fofoca foi um ponto que me irritou bastante. Aquela irritaçãozinha que te faz ficar intrigado, sabe? Posso dizer de como gostei do jeito com que a autora o fez.
c) As incertezas em relação aos laços de Astrid com outras pessoas: Ao longo do livro, eu não sabia em quem confiar... Dirá Astrid. Acredito também que isso seja um reflexo da própria confusão que se passa na cabeça dela em todo esse momento crucial de sua vida, mas você não sabe se a qualquer momento a mãe dela vai surtar, ou se Ellis é uma boa pessoa, mas com a mente alienada, ou se o pai é realmente apenas um cara que usa maconha mas totalmente inofensivo ou tem alguma coisa por trás disso - dúvidas assim me ocorreram com praticamente todos os personagens. Passei o livro inteiro tentando desvendar não só os mistérios de Astrid, mas de todos os outros também.

De qualquer modo, eu o achei um livro necessário. Eu gosto da ideia de haver dois mundos: um em que ela tenta não colidir com o mundo da mãe, em que tudo parece ser perfeito aos olhos dos outros, e outro em que Astrid é ela mesma, a menina que se descobriu lésbica e que tem um dom para a Filosofia sem igual. Acredito que essa mistura de diversos assuntos dentro de uma história só foi o que configurou o tema dos dois mundos e a gente acaba se perdendo no limbo entre eles enquanto lê. Se você se interessa pela temática principal e não se importa com a lentidão com que os acontecimentos ocorrem, você irá adorar este livro e vai certamente sair por aí enviando amor para as pessoas, assim como eu, exatamente como eu estou fazendo agora. Estou lhe enviando amor porque você veio até aqui e porque você, acima de tudo, merece. 💖 Até a próxima!

"Como podemos dizer que ninguém é perfeito se não há perfeito a ser comparado? A perfeição implica em haver de fato um jeito certo e um errado de ser. E que tipo de perfeição é a melhor? Perfeição moral? Estética? Psicológica? Mental?" (capítulo 42) *A melhor citação. 



Meu riso fácil engana bem. Engana porque quem me olha por fora na fila do banco acha que eu me pareço com alguém tão feliz consigo mesma e que não estava há duas horas atrás me olhando no espelho e odiando a forma como eu fico nessa calça que tô usando hoje. Engana porque não sabem que na minha cabeça se repete o que ele disse antes de ir embora, "não é você, sou eu". Engana porque eu passei a vida inteira achando que com 25 anos eu já seria feliz, já teria o amor da minha vida me esperando no fim do dia em casa; uma vida perfeita. 
Demorou muito pra ficha cair. Eu sei que não existem contos de fadas, nunca acreditei nisso. Mas sempre fui de sonhar. E sonhava demais, esquecendo de viver. A vida inteira sonhando me deu uma vida de inseguranças, um mundo de medos e indecisões. Morar sozinha também mudou muita coisa. Ser adulta mudou a minha percepção sobre as coisas. E é cada vez mais difícil descobrir quem eu sou, ainda que eu tivesse ter feito isso há anos atrás, mais ou menos na minha adolescência. Não sei se foi a falta de amor paterno, ou o desleixo da minha mãe, ou até mesmo a negação dos meus amigos da escola, por ser diferente, esquisita. 
E eu sempre fui mais no meu mundinho, confesso, mas os sonhos sempre me pareceram mais convidativos. O meu mundo sempre foi solitário, mas nunca pareceu ser um problema. Só agora que eu percebi que deveria ter saído desse mundo antes e devia ter me encaixado nesse dos adultos. Deveria ter percebido que eu e meu TOC nunca se encaixaria automaticamente nesse universo sério, sem cor. 
Por isso o meu riso frouxo é pura enganação. Eu finjo rir quando na verdade estou apavorada com o quanto as pessoas estão estranhas - julgam a roupa curta de uma mulher que passou agora, mas eu achei linda a estampa; julgam um casal de dois homens que está parado esperando ser chamado, mas eu os achei tão conectados e apaixonados; julgam o negro que é o gerente do banco, mas ele me parece ser muito responsável e bom funcionário. Eu não entendi ainda se é o meu mundo que é esquisito demais ou... é este que anda hostil. 

Dentre esses dois mundos... Eu acho que prefiro o meu.



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Até então, o meu livro favorito de 2017 não pode deixar de estar aqui de maneira alguma! Enrolei demais para ler e não há arrependimento maior do que esse dentre os que eu sinto diariamente. Nós precisamos falar sobre este livro, sobre esta mulher que tem ganhado cada vez mais o meu coração. Já fiz uma resenha no blog sobre o primeiro livro que li dela (Eleanor & Park) e não achava que este iria me surpreender tanto. Acabou se tornando o meu preferido.

Anexos

Autora: Rainbow Rowell
Editora: Novo Século
Número de páginas: 219 
Narração: 3ª pessoa (capítulos completos de e-mails)

"Oi, eu sou o cara que lê seus e-mails, e, sabe, eu amo você..."

Sinopse

"Beth Fremont e Jennifer Scribner-Snyder sabem que alguém está monitorando seus e-mails de trabalho. (Todo mundo na redação sabe. É politica da empresa.) Mas elas não conseguem levar isso tão a sério, e continuam trocando e-mails intermináveis e infinitamente hilariantes, discutindo cada aspecto de suas vidas. Enquanto isso, Lincoln O'Neill não consegue acreditar que este é agora o seu trabalho - ler os e-mails de outras pessoas. Quando ele se candidatou para ser "agente de segurança da internet", se imaginou construindo firewalls e desmascarando hackers - e não escrevendo um relatório toda vez que uma mensagem esportiva vinha acompanhada de uma piada suja. Quando Lincoln se depara com as mensagens de Beth e Jennifer, ele sabe que deveria denunciá-las. Mas ele não consegue deixar de se divertir e se cativar por suas histórias. No momento em que Lincoln percebe que esta se apaixonando por Beth, é tarde demais para se apresentar. Afinal, o que ele diria...?

"- (...) Ninguém se casa com seu primeiro amor. O primeiro amor é só isso: o primeiro. Está implícito que algo vai vir depois." (capítulo 36)

Eu enrolei muito para ler (2016 inteiro, sendo específica) e não sei dizer exatamente o porquê. Mas o arrependimento eu sei justificar pelo simples fato do livro ser maravilhoso. Sério. Eu não tô nem medindo palavras pra dizer isso. Devorei o livro em um dia e meio, e só porque tive que parar para fazer outras coisas - tipo viver em sociedade. 
Basicamente, o livro tem os seus capítulos alternados entre os e-mails de Jennifer e Beth (que é o único meio pelo qual sabemos o que se passa na vida delas), jornalistas do The Courier, e capítulos narrados em terceira pessoa mostrando o lado de Lincoln, a vida dele, o apego da mãe, os poucos  e bons amigos que tem, as histórias sobre o último relacionamento que teve e todo o processo no seu trabalho, do primeiro dia até o momento em que se vê apaixonado por Beth.

"- Eu te conheceria no escuro - disse ele. - A mil quilômetros de distância. Não há nada em que você pudesse se transformar por que eu já não tivesse me apaixonado." (capítulo 36) *Lincoln sobre a ex-namorada.

O único empecilho - além do fato constrangedor de que Lincoln lê os e-mails delas há bastante tempo e nem sequer sabe como são seus rostos - é que Beth namora. E conta muito sobre ele em seus e-mails. Desde o princípio, Lincoln sempre a achou engraçada, divertida e inteligente, o que já o encantava. Até o dia em que Beth o viu pela redação e passou a chamá-lo nos e-mails como Meu Cara Fofo. É muito interessante, inclusive, a forma como isso é abordado: ela namora, é comprometida, Jennifer não a deixa esquecer disso um só segundo, mas continua o chamando de fofo e até entra em uma obsessão de o seguir às vezes pelo trabalho ou do cinema até em casa, por exemplo. 
Gosto da forma como a escritora faz dar certo o tempo em que o e-mail foi enviado e o tempo em que Lincoln o leu. O livro se passa entre 1999 e 2000, o que significa que eles passam pelo grande bug do milênio - que eu confesso que não fazia ideia do que era, já que eu nasci em 2000, então tive que dar uma pesquisada pra conseguir entender do que se tratava -, que foi basicamente o fato de que os sistemas antigos desenvolvidos no século XX guardavam e interpretavam as datas com 2 dígitos no ano, e quando o dia virasse para o primeiro de janeiro de 2000, os softwares identificariam como se fosse 1900 (devido ao 00 dos dois últimos dígitos). Por conta disso, foi necessário trocar os softwares de todas as máquinas, mas a tecnologia da época não garantia 100% que isso daria certo, então foi preocupante para todos que trabalhavam com computadores a chance de perder seus arquivos armazenados etc. E visto que Lincoln trabalha exatamente com isso no jornal, é um ponto muito lembrado durante o livro (o que eu gosto também, porque a escritora lembrou desse ponto, desse marco na história, sem ignorar a cronologia do enredo). 

"Não era atingindo o fundo do poço que você se obrigava a colocar algum juízo na cabeça? Não era o fundo do poço que te mostrava qual era o caminho para cima?" (capítulo 62)

Diferente de Eleanor & Park, o livro possui um tom que me fez rir do início ao fim, um humor inteligente por parte das personagens principais e algumas tiradas que eu achei muito, muito engraçadas. É um livro com personagens adultos, em um mundo adulto - exceto quando aparecem flashbacks de Lincoln na faculdade com sua ex-namorada -, com diálogos adultos, mas que eu recomendo para todo mundo. Também trata de situações como a decisão de se formar uma família, complexidades de uma vida que já passa dos 25 anos e angústias de quem ainda não encontrou aquele que seria o seu rumo certo pra tocar a vida.
Particularmente, achei um livro incrível, uma abordagem muito boa em torno do ser adulto e, além de tudo, muito divertido, uma leitura que te faz suspirar de amor e respirar fundo depois de rir tanto. Até me deu vontade de ler os outros da Rainbow porque eu certamente me apaixonei pela escrita e pela forma como ela consegue se diversificar nas mais variadas temáticas na construção de seus livros. Indico, e indico muito, para todas as idades. Até a próxima!

"- Você acredita em amor à primeira vista? // Ele se esforçou a olhar para o rosto dela, para seus olhos bem abertos e a testa ansiosa. Para sua boca insuportavelmente doce. // - Não sei - disse ele. - Você acredita em amor antes disso?" (capítulo 88)


Saí de casa naquela mesma hora, enfurecido. Sentia raiva, frustração e todas aquelas coisas que eu sinto quando eu e ela discutimos. Não discutimos muito, mas quando acontece, é quase sempre pelo mesmo motivo. Ou eu não dei atenção suficiente para algo que ela considera ser muito importante, e ela acabou se estressando; ou ela ficou com ciúme porque eu disse que minha ex voltou a falar comigo e eu detesto ciúme, parece que ela não confia em mim. Nós pouco brigamos, mas quando isso acontece, parece que junta tudo e a briga fica imensa. 
Quando brigamos, eu preciso sair de casa para respirar. Na maioria das vezes, uma conversa é o suficiente para nos resolvermos. Só que outras vezes, geralmente quando ela tem razão, eu preciso sair pra organizar a minha cabeça. E ela me deixa ir, não porque quer que eu de fato vá embora, mas porque me conhece o bastante pra saber que eu preciso desse tempo. Ela sabe que eu não vou para sempre, mas sabe que eu vou voltar. E eu também sei disso porque só de passar pela porta eu já começo a sentir falta dela. Eu não preciso dela como quem precisa de oxigênio pra viver; mas ela me faz ser melhor. Por ela, eu tento ser melhor. E eu faço de tudo pra ser, porque ela vale a pena. E quando eu lembro disso, e lembro que cheguei nestas conclusões há muito tempo, eu esqueço todos os problemas, das brigas, do ciúme e da forma como ela sempre cuida de mim, mesmo que distante e mesmo que eu não mereça. Ela é um anjo e eu a amo muito - é geralmente nesse momento em que eu decido voltar pra casa e dizer isso a ela; sei que ela sabe, mas não posso ficar nem mais um segundo com ela distante de mim assim.
Chego em casa e ela já dorme, com certeza exausta de toda a discussão e do dia corrido que ela teve. Ela parece ainda mais com um anjo enquanto dorme, com o peito subindo e descendo em um ritmo contínuo e o rosto relaxado o suficiente para me permitir notar cada traço dela. E eu vejo que amo tudo nela - inclusive as unhas do pé pintadas de azul em um tom que eu não vejo em nenhum outro lugar, somente nela, e o cabelo cacheado que se espalha pelo travesseiro e dá ainda mais beleza à ela. Amo as poesias e fotografias que ela espalhou pelas paredes do nosso quarto logo que nos mudamos e como ela sempre se preocupa até em deixar o espaço suficiente na cama para eu voltar. 
Vê-la ali, no nosso quarto, é o suficiente para lembrar de tudo; escolhi essa mulher para ser a minha mulher - não a minha propriedade (nós odiamos essa coisa toda de posse), mas a minha esposa, mãe dos meus filhos, companheira de vida. E dentre tantas opções, ela também me escolheu. Logo eu, o cara mais improvável que tinha. Por isso nós temos nosso quarto, nossa cama, nosso apartamento, nossos sonhos, nossa vida. 
Deito-me ao seu lado e ela permite que meu braço a abrace pela cintura, talvez inconsciente, ainda dormindo. Os pés dela procuram os meus para se aquecer e eu sinto que de alguma forma, ali ela diz que está muito feliz por me ter de volta. Quero dizê-la que ela nunca me perdeu, nem nunca vai perder. Já até esqueci tudo o que nos levou a brigar e aperto o abraço como quem tem medo de perder. Antes de dormir, ainda consigo pensar no quanto eu tenho sorte por tê-la e por ela nunca, nunca desistir de nós. E muito menos de mim.
Sou o homem mais sortudo no mundo.

Meus textinhos aleatórios voltaram porque eu amo e porque eu quis. Beijox 💖

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Esta fora uma das minhas primeiras leituras de 2017, e eu tenho aproveitado bastante este mês de janeiro pra ler o máximo que posso, já que o terceiro e último ano do ensino médio começa logo, logo pra mim e eu não vou ter tempo nem de viver. Mas foco, força e fé.
Peguei Suzy e as águas-vivas porque vi várias pessoas falando sobre e eu achei o resumo da história convidativo. É notável que ultimamente os livros infanto-juvenis todos são ligados a uma criança/um adolescente problemático: ou possui alguma doença, ou a família é desestruturada, ou passou por alguma situação que a marcou para o resto da vida. Estes livros têm feito os adolescentes refletirem muito mais sobre a vida hoje, sobre os planos que têm para o agora e o depois. E sobre ter coragem, principalmente, de aceitar que algumas coisas simplesmente acontecem.

Suzy e as águas-vivas

Autora: Ali Benjamin
Editora: Versus Editora
Número de páginas: 222
Narração: 1ª pessoa
Título original: The Thing About Jellyfish

Às vezes, quando nos sentimos mais solitários, o mundo decide se abrir de formas mágicas.

Sinopse

"Suzy Swanson está quase certa do real motivo da morte de Franny Jackson. Todos dizem que não há como ter certeza, que algumas coisas simplesmente acontecem. Mas Suzy sabe que deve haver uma explicação - uma explicação científica - para que Franny tenha se afogado.
Assombrada pela perda de sua ex-melhor amiga - e pelo momento final e terrível entre elas -, Suzy se refugia no mundo silencioso de sua imaginação. Convencida de que a morte de Franny foi causada pela ferroada de uma água-viva, ela cria um plano para provar a verdade, mesmo que isso signifique viajar ao outro lado do mundo... sozinha. Enquanto se prepara, Suzy descobre coisas surpreendentes sobre o universo - e encontra amor e esperança bem mais perto do que ela imaginava.
Este romance dolorosamente sensível explora o momento crucial na vida de cada um de nós, quando percebemos pela primeira vez que nem todas as histórias têm final feliz... Mas que novas aventuras estão esperando para florescer, às vezes bem à nossa frente."

Logo de cara, preciso confessar que a melhor parte do livro foi conhecer Suzy. Uma menina de 12 anos que me fez querer voltar pra essa idade para ter a mesma cabeça que a dela, os mesmos questionamentos, as mesmas descobertas. Suzy é diferente das demais crianças/pré-adolescentes pelo simples e ao mesmo tempo complexo fato de ter uma visão de mundo diferente até mesmo de pessoas adultas. Suzy tem uma percepção aguçada de coisas simples, um olhar curioso e inteligente que para alguns é esquisito, mas para mim, incrível é pouco pra descrever.

"Sempre que penso nesses dois dias, nesse espaço entre o dia em que você se foi para sempre e o dia em que eu fiquei sabendo, penso nas estrelas. Você sabia que a luz da estrela mais próxima de nós leva quatro anos para nos alcançar? O que significa que, quando a vemos, quando vemos qualquer estrela, na verdade estamos vendo como ela era no passado. Todas aquelas luzes cintilantes, cada estrela no céu, pode já ter se apagado anos atrás. Todo o céu noturno poderia estar vazio neste exato momento e nós nem saberíamos." (página 17)

A menina acaba de perder a melhor amiga de infância. Depois que cresceram, elas acabaram se distanciando, mas ao longo do livro, se percebe o quanto aquela amizade foi sincera e o quão Suzy é diferente de qualquer outra criança no que diz respeito àquela percepção. 
O livro começa com Suzy tendo este "estalo", a primeira vez em que ela levanta a hipótese de que Franny não morreu afogada, mas que uma água-viva causou a sua morte. A partir disso, as pesquisas começam: Suzy fica até um tanto quanto obcecada com o estudo sobre águas-vivas; estuda as espécies, estuda o crescimento quantitativo do animal, as causas e consequências da sua quantidade abundante no mar; busca por nomes importantes neste estudo, procura saber sobre pessoas que, assim como ela, possuem essa curiosidade incomum a respeito das águas-vivas que, para outras pessoas, são animais indiferentes na natureza. Suzy procura até por alguém, um especialista, com quem possa conversar e pesquisar sobre isso. Decide-se por um pesquisador australiano, Jamie Seymour, e tem a convicção de que será ele quem vai ajudá-la a comprovar sua teoria: Franny foi morta por uma água-viva. E, por isso, decide organizar sua viagem para o outro lado do mundo.

"A questão é que temos muitas poucas chances de consertar algo, de fazer as coisas ficarem certas. Quando uma dessas oportunidades aparece, não se pode ficar pensando demais. É preciso segurá-la e agarrar-se a ela com toda força, por mais paf paf* que ela possa parecer." (página 45) *parafuso solto, forma como Franny chamaria.

Isso tudo acontece ao mesmo passo em que ela pratica o não-falar, que é o ato de silenciar simplesmente por não querer praticar o falar à toa, que é uma coisa que muitos fazem. E nesse silêncio, Suzy me intriga praticamente do início ao fim do livro; não fosse a narração em primeira pessoa, talvez eu enlouqueceria.
Este não-falar complica tudo, uma vez que os pais dela estão preocupados de todas as formas com o luto da menina. E por isso, a história me fez também ter uma noção de que o luto é sentido de diferentes formas por todas as pessoas...E para Suzy, é uma visão muito clara sobre tudo. 

"É interessante como não-palavras podem ser melhores do que palavras. O silêncio pode dizer mais que o barulho, da mesma maneira que a ausência de uma pessoa pode ocupar ainda mais espaço do que sua presença ocupava." (página 181)

É um livro sobre luto, sobre esperança, aventura, e até reconhecimento sobre si mesmo e sobre o mundo em que está. Suzy nos faz acreditar em suas teorias, em seu jeito de ver o mundo, mesmo que isso nos faça embarcar na aventura e imaginação de alguém com 12 anos.  Ela é tão convicta, tão certa do que pensa e do que sabe, que acreditamos, de fato, em suas certezas e até passamos a pensar como ela - apesar de que o não-falar me incomodou muito, de verdade; se eu fosse a mãe dela, precisaria de uma psicóloga pra mim também.
O livro é bem escrito, levando em conta que o eu-lírico é um pré-adolescente, e as constatações - os pesquisadores da águas-vivas, as informações sobre o animal e os nomes mencionados como referências - são todas reais. A autora fez uma vasta pesquisa antes de escrever o livro, estava tão fascinada quanto Suzy com as águas-vivas, e depois de ter o seu artigo recusado por editores de uma revista, o livro surgiu - de acordo com a autora, "nasceu de um fracasso". E eu me apaixonei por todos os personagens: Suzy, pais de Suzy, irmão e namorado dele, os novos amigos que Suzy faz, e principalmente a professora de ciências, a sra. Turton, que certamente influenciou muito na tão brilhante mente da menina.
A narração conta com alguns flashbacks da menina, nos proporcionando entendimento em torno do conflito entre as duas amigas, e é uma leitura rápida e que preencheu meu coração de "ufa" depois de tantas angústias ao longo do livro. Amo Suzy e para sempre vou protegê-la.

"E é quando me dou conta: tudo está prestes a mudar. Tudo está prestes a ficar enrolado, da pior maneira possível. Penso em meu cabelo, nos cachos com os quais eu luto todas as manhãs. Já passei muitas horas da minha vida tentando pentear cachos embaraçados. Mas, por mais cuidado que eu tenha em separá-los, eles ficam cada vez mais entrelaçados. Eles se prendem uns aos outros da pior maneira, até ficar impossível consertá-los. Às vezes não há nada a fazer, além de pegar uma tesoura e cortar o nó. Mas como se corta um nó formado por pessoas?" (página 68)