Eu nunca senti isso por outra pessoa. É, essa coisa louca que eu sinto por você. A ligação que a gente tem que não consigo ter por mais ninguém. É maluco o efeito que você tem em mim. E mais doido ainda é como eu quero ter você por perto o tempo inteiro, quero contar sobre tudo o que acontece no meu dia e quero saber do seu também. Quero fazer parte da sua vida, quero visitar sua mãe e conhecer sua família inteira. Quero brigar com você só para podermos conversar e nos resolver, fazendo as pazes com milhões de beijos. Eu quero carinho de dedo, ficar horas em silêncio só contemplando o seu rosto. Quero ouvir as suas músicas favoritas e quero indicar algumas que eu ouço e que me fazem lembrar de nós dois. Eu quero contar pra todo mundo que eu me apaixonei por um coração enorme, com espaço para me caber inteira. E, ao mesmo tempo, eu quero guardar em segredo todo o nosso amor, de forma que ninguém possa invejar ou se meter nisso que é nosso. 
Quero beijar você no fim do dia quando chegar em casa, cansados do trabalho. Quero abraçá-lo quando os momentos ruins chegarem. Quero falar de você quando o assunto for amor e quero que a saudade seja só um prelúdio para fazê-lo uma surpresa. Eu quero ter certeza de que você é o amor da minha vida e quando nós brigarmos, eu quero que você me lembre disso. Eu quero acordar cedo e ver você do lado. 
Mais à frente, quero discutir o nome dos nossos filhos - e se decidirmos não tê-los, dos nossos cachorros. Quero maratonar séries e tomar banho de 1h junto. Quero aprender novos pratos só para agradar você e sua fome infinita. Quero me amar, exatamente como você faz, para poder amá-lo ainda mais. Quero você rindo dos meus dramas ou até alimentando-os e sendo dramático comigo. Quero dizer "sim" a você no altar. Quero dizer "sim" a você para a nossa vida. Quero você para ser feliz como nenhuma outra pessoa consegue me fazer, porque ninguém pode ser que nem você ou como nós somos juntos.
Só há uma coisa que não quero com você: perdê-lo. De forma alguma, sem exceções ou objeções. De resto, vem comigo que juntinho a gente vai bem. Queira-me também.




fascina-me tua boca
que me deixa louca
à distância curta

fascina-me teu cheiro
que me recorda o desejo
de então te beijar

fascina-me mais, amor
com teus braços a me enlaçar
e o nosso amor a consolidar

prende-me e equaliza
o desejo que me anestesia
ao te ver passar
toca-me e eletriza
fala-me das tuas sinas
não há hora para voltar

junta-me e purifica
minha pele nua e comedida
diante do teu tocar

abriga-me em teu peito
perdoando meus defeitos
ali onde eu sempre quis morar

beija-me e não me quantifica
ama-me e vê se fica
anseio dia e noite por te amar



Se fosse outra pessoa, eu já saberia.
Mas foi você que cruzou a rua naquele dia em que meus olhos seguiram seu andar, curiosos. Foi você que chegou atrasado no segundo dia de aula e mais uma vez meu olhar estava em você, assim como o do restante da turma. Foi você que perguntou meu nome na fila da lanchonete e também sobre as provas e os professores; eu respondi e não nos falamos mais depois dali.
Foi você que me procurou meses depois para dizer que gostou da minha crônica que foi publicada no jornal da escola; e fui eu que passei todos esses meses fitando você do outro lado da sala. Foi você que perguntou se eu já tinha dupla pro trabalho de História e eu pedi para minha amiga para que ela fizesse com outra pessoa com a desculpa de que eu queria ajudar você, por ser o novato e tudo mais. Fui eu que chamei você para a festa na casa da minha amiga no final de semana seguinte. Você foi. Nós passamos a festa inteira na varanda, conversando e rindo dos que ficaram bêbados. Depois daquele dia, não ficamos um sequer sem nos falar Foi você que fez minha família lhe gostar e minha casa ter a sua marca e o seu cheiro.
E foi você que me beijou de forma tão singular depois de uma crise de ciúmes que você fez daquele menino com quem eu fiquei, mas já era passado e não tinha motivo maior. Fui eu que retribuí o beijo e desejei que o outro dia chegasse para que eu pudesse o beijar de novo. Foi você que fez tudo aquilo combinado com minha mãe, me deixando amá-lo da forma que eu queria. Foi você que passou a madrugada inteira comigo quando eu briguei com meu pai e quis sumir - você não deixou.
Apesar de tudo (brigas, discussões, ciúmes bobos, meus momentos de drama e birra e a sua lerdeza), foi você; não o cara que me comprou flores no meu aniversário ou o cara que passou meses conquistando minha mãe para me conquistar; mas, sim, você.
Se fosse pra ser outra pessoa, eu com certeza já saberia.

"É sobre você. É a sua cara!", disse uma amiga depois de ler. Não posso discordar.


                        

Se tornou o caos.
Era ilusão demais.
Olhares perdidos.
No fim, não era nada.

Tudo estava inabitável,
meio vazio,
mas feliz.

Tu causaste uma tremenda bagunça,
agora sou eu que tenho que catar os destroços.

Deixei que apenas uma pequena partezinha do meu coração estivesse disponível,
você quase se fixou.
Fui tola demais.

Mas em meio a esse tremendo caos,
me aconchegarei em um canto e aos poucos tudo voltará ao seu devido lugar.

                                                                               


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Sinopse:
Os órfãos Baudelaire são três irmãos muito inteligentes; Violet é a mais velha, Klaus é o irmão do meio e Sunny é a mais nova, com três anos. Quando seus pais morrem, eles passam a morar com diferentes tutores, e o primeiro é Conde Olaf, que irá tentar roubar a enorme herança deixada pelos pais.

A série é baseada na série de livros "Desventuras em Série" de Lemony Snicket (pseudônimo para Daniel Handler) que contêm 13 livros.

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A série da Netflix adapta os 4 primeiros livros em 8 episódios. Sendo 2 episódios focados em adaptar um livro.
O primeiro é "Mau Começo", onde somos apresentados a Violet, Klaus e Sunny, e a sua trágica história. Onde o narrador começa nos apresentando e falando que é melhor não continuar assistindo, - um ótimo artificio para aguçar a nossa curiosidade - então somos inseridos a história dos Baudelaire desde que seus pais morrem e eles tem que entrar para o sistema de adoção, caindo nos braços do malvado Conde Olaf. 
O narrador entra em cena em várias ocasiões, despejando ironia e sarcasmo, principalmente pela "burrice" dos personagens adultos. O autor que é roteirista da série trabalha muito bem nesse ambiente e também construindo uma crítica social, como claramente podemos ver em "Mau Começo" como o sistema de adoção e o conselho tutelar são falhos, principalmente representado na figura do Sr. Poe, facilmente enganado além de pensar somente em uma promoção e não no destino das crianças. Toda a "burrice" dos personagens, acaba sendo a representação de como nós somos egoístas e preferimos não enxergar o que está errado para não ter que nos preocupar. 
Basicamente nesses 2 primeiros episódios somos apresentados ao mundo da série e ao Conde Olaf, que faz de tudo para conseguir por a mão na fortuna dos Baudelaire até mesmo organizar um casamento verdadeiro em meio a uma peça teatral.


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Outro ponto da série é o seu visual, diferente do filme ele é mais colorido, o que dá um sobretom legal quando somos apresentados ao vilão e a alguns ambientes mais sombrios. Vi muitas pessoas até compararem com o tipo de visual presente nos filmes do diretor Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste, O Fantástico Sr.Raposo, Moonrise Kigndom etc).
Mas algo que me incomodou e não posso deixar de passar foi os efeitos especiais muitas vezes exagerado, e como claramente em várias cenas a Sunny era um boneco. Mas até isso dá para levar em consideração visto o tom da série.
Os dois episódios seguintes: "A sala dos repteis, Part 1 e Part 2" já vemos os órfãos longe das garras de Conde Olaf - não por muito tempo - e conhecendo o Tio Monty que é herpetologista e nos apresenta a incrível sala dos repteis, onde conhecemos a fofa Víbora Incrivelmente Mortífera que apesar do nome é super inofensiva - apesar de eu ter pavor a cobra.
A relação dos quatro é maravilhoso até que conde Olaf aparece com o seu primeiro de muitos desfaces: Stephano. E o que torna o público tão dentro da história é perceber que ninguém percebe que conde Olaf é o Stephano (entre outros desfaces), e isso faz com que fiquemos revoltados junto com os Baudelaire. 
Além disso somos aprofundados nesse mistério de o que significa o simbolo do olho, sempre presente, assim como a luneta. 

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Os episódios 5 e 6 são baseados em "O Lago das Sanguessugas" onde conhecemos a medrosa Tia Josephine e a sua sempre tão perfeita gramatica. E isso me leva a uma das melhores coisas da série: a inteligência. As crianças são extremamente inteligentes e espertas, assim como narrador e claro o autor, que brinca com vários tipos de gêneros, produzindo parodias e dentro desse ambiente sarcástico de Desventuras fazendo ótimas críticas sociais, o que torna série - tanto livro, quanto filme - altamente produtiva para quem assisti/ler pois faz pensar e até mesmo instigar a procura do real significado das palavras do autor.
Os episódios 7 e 8 já mudam completamente de tom ao adaptar "Serraria Baixo-Astral", que causam uma reviravolta na trama e nos sentimos verdadeiros trouxas. Mas o que mais me chamou atenção nos episódios foi a crítica ao trabalho de certa forma escravo e como há uma grande alienação nessa área, além de claro, nos proporcionar bons momentos de diversão e aflição na trágica história de Violet, Klaus e Sunny, onde eles são frenquentemente botados a prova e se provam mais inteligentes que todos os adultos que vivem presos em seu próprio mundinho.
Não quis falar muito sobre os episódios para não dá spoiler e permitir vocês se deliciarem com essa série que já tem um lugar guardado no meu coração pela sua genialidade, ironia e permitir ao telespectador pensar além da série.




                                                                           



Tem um negócio em você que nunca deixou de me encantar. Desde o primeiro instante, desde que olhei pra tua cara, vi aquele olho bem apertadinho, a barba bagunçada tal qual o cabelo, e aquele sorriso... ah, que sorriso. Eu sabia que aquilo era cilada. É, eu sabia. Você não me enganou um só segundo. Só que você me encantou em todos eles. Você me descompassou como ninguém nunca nem tentou fazer e isso é loucura porque eu nunca fui alguém gostável. Mas você veio, né? Você me lançou o olhar mais irresistível possível e me beijou como se a vida acabasse logo ali, em segundos.
A vida acabou em segundos depois que você me deixou. Foi ir ao céu e perder o chão no dia seguinte quando você me fez sentir a mais amada do mundo e depois decidir ir embora. Foi perder a cabeça, nunca mais me encontrar, procurar em todo lugar não a mim, mas o teu cheiro, abraço e amor em outras pessoas. Procurei até no passado, em outros amores e histórias, pra saber se fiz certo ao me apaixonar por você. Nem sei se teria como não me apaixonar.
E eu nem faço ideia se você se apaixonou de verdade por mim. Aqueles beijos foram bons pra você? Algum dia você realmente sentiu amor por mim? E aquele toque, aquele contato cálido, os sorrisos às 6:40 da manhã de todo dia, significaram alguma coisa, nem que seja pouca? E agora, depois de tanto tempo, ainda quero saber como foi apagar tudo da memória. Se foi fácil, se foi só apertar um botão e pronto, resolvido. E mesmo que isso fique, no mais fundo da memória, como eu faço pra não sentir mais nada? Pra parar finalmente de doer?
Ficou um vazio impossível de solucionar. Mas esse vazio tem me preenchido de tal maneira que não cabe mais nada em mim. Você me ensinou a amar e eu não sei como fazer pra sentir isso de novo por outra pessoa - e eu confesso que já tentei. Eu queria que você fosse embora logo pra eu poder respirar. Quem sabe um dia você não me dá esse sossego e eu consigo, finalmente, sair de fininho e me desligar de você?


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Sinopse: Claire Randall (Caitriona Balfe) é uma enfermeira em combate em 1945. Ela é misteriosamente transportada através do tempo e mandada para 1743, e sua vida passa a correr riscos que ela desconhece. Forçada a se casar com Jamie Fraser (Sam Heughan), um cortês e nobre guerreiro escocês. Um relacionamento apaixonado se acende, e deixa o coração de Claire dividido em dois homens completamente diferentes, em duas vidas que não podem ser conciliadas.

CONTÉM SPOILERS

Outlander foi uma maravilhosa surpresa. Já havia escutado sobre a série em canais de cultura pop e até lido sobre, em uma história no wattpad. A questão é que não pensei que fosse tão incrível.
O primeiro episódio basicamente nos apresenta Clarie Randall e Frank Randall (Tobias Menzies), nos fazendo criar afeição pelo casal a partir do momento que somos inseridos em sua intimidade, além de tudo é  apresentado o começo da mitologia da série, o que dá uma base para o público.
No segundo episódio já somos apresentados a Escócia de 1743, que tem uma ambientação maravilhosa. Os fatos históricos também são bem apresentados, principalmente quando mostra a importância da igreja católica naquela época e a perseguição as bruxas, onde podemos ver claramente um ambiente onde a mulher por si só era considerada perversa e se por acaso dominasse hoje o que chamamos de medicina, ela provavelmente seria queimada depois de passar por um tribunal, o que vemos perfeitamente em um episódio da série.
Mas voltando, um grande baque para o público é descobrir que o mesmo ator que interpreta Frank Randall também atua como Black Jack Randall, o vilão dessa 1ª temporada, e assim como Claire fiquei extremamente confusa sobre o meu sentimento em relação aos personagens assim que Black Jack Randall começou a cometer suas atrocidades. E isso leva-nos a outro dilema, Claire deve ou não voltar para casa? Será que ela e nós conseguiremos olhar Frank de uma forma que não sentíssemos nojo?
Esses questionamentos são mais reforçados quando conhecemos Jamie Fraser, um guerreiro escocês diferente de todos que nos cativa desde o primeiro segundo que aparece na tela, e aparentemente Claire também se encanta por ele. O personagem interpretado por Sam Heughan é maravilhoso, possuindo várias camadas que descobrimos mais a cada episódio. Mas antes disso, somos conquistados por seu jeito gentil, conquistando o meu total afeto e garanto que o seu também, por isso se torna tão sofrido quando descobrimos mais sobre o seu passado e quando vemos o seu futuro. Mas mesmo Jamie sendo maravilhoso e não posso negar, lindo, Claire demora para ceder aos seus encantos.
Agora preciso falar sobre Black Jack Randall, um dos piores violões que já vi em uma série, ou mesmo livro - já que a série é baseada no mesmo - com um personagem sem qualquer escrúpulos, violento e digo até nojento, tanto por as inúmeras tentativas de estupro, com uma concretizada, quanto pela violência explicita que é jogada em nossa cara, principalmente na cena em que Jamie recebe chicotadas.
Mas não quero dá mais spoilers. Assistam e se deliciem com o ambiente e a história - real e fictícia - que com certeza vão te fazer maratonar e se apaixonar, assim como eu.


        




                   


                                                                   




                       


É extremamente vazio. Não sei se irei me acostumar. Acordei as 7 horas, bati a mão do outro lado da cama e lembrei: "Você se foi". As lágrimas brotavam tímidas em meus olhos e lembrei de sorrir, começar um novo dia sem me martirizar. Então, ia escovar os dentes, a sua escova ainda se encontra enroscada a minha, todos os cremes de barbear dispostos sobre a bancada da pia assim como seu colírio. As mãos tremiam e sorri novamente, afundei-me no jato rápido do chuveiro, todas as lembranças consumiram-me. Você é tão lindo, com um sorriso tão gentil e aquela covinha funda bem no meio da sua bochecha. Incontáveis vezes tu sorriu para mim nesse mesmo box do banheiro pequeno, mas tão nosso, onde jogava água sobre os meus cabelos e lavava minhas costas e eu lavava as suas, como um perfeito casal de velhos.
Fechei o chuveiro e ao invés de pegar a minha toalha, enrolei-me na sua, sentindo o tecido felpudo que lhe envolveu por tanto tempo. Abri as portas do closet e vi todos os seus ternos e blusas com estampas de HQs e Star Wars em uma bagunça organizada como sempre gostou de dizer. Ao invés de por minha roupa para trabalhar, acabei caçando uma blusa sua com disseres matemáticos que nunca entendi, mas era sempre assim: você com seus cálculos, eu com a poesia. Você é minha poesia favorita, com cada pedacinho seu como pequenos versos, com um tom calmo e ao mesmo tempo muito risonho. Você é todo risonho, exagerado demais, enchendo o sorriso com todos os dentes mesmo que fosse algo singelo. Você nunca foi aquele que sorria com a boca colada uma na hora, essa sempre fui eu, afinal, demorei um tempo para corrigir os meus dentes, já os seus eram perfeitos desde sempre, talvez tenha sido ele que me conquistou quando nos conhecemos no meio de uma festa da faculdade, onde tu foi a salvação dentre todos aqueles bêbados.
Passei a mão por sua coleção de relógios e agarrei seu perfume favorito, preenchendo a casa e a mim com o seu cheiro.
Joguei-me na cama com o notebook sobre as penas, olhando as notícias do dia e já começando a escrever minha crônica. Olhar para o lado foi inevitável, você sempre estava lá dando palpites desnecessários. Sorri, até eles faziam falta.
Balancei a cabeça, permitindo meu coração se afogar de saudade tua e a mente chorar de descontamento, sentindo falta de montar frases sarcásticas para sua incansável curiosidade.
No fundo, o que fazia real falta era de como todos os dias me sentia bonita e especial a cada vez que o teu olhar batia com o meu, ou te encontrava apreciando alguma curva minha. Para alguém que não se amava antes, tu deu todos os caminhos certos. Nos esbarramos nele, nos ajustamos nele, encontrado o real bonito em nosso desajuste. Sem querer me tornei depende da tua voz, e não sabia seguir sem teu direcionamento, sempre me perdi sem ti.


Nota: Bem, fiz esse texto a pedido da Letícia Vieira, espero que a senhorita goste, e claro, todos os leitores também. O texto ficou meio meloso? Ficou. Mas isso acontece quando começo do zero e a minha cabeça parece um balão cheio de gás. Espero voltar em breve com mais conteúdo para vocês. Desculpem qualquer erro. Beijos


                                                                              




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Antes de mais nada, é um livro necessário. Sim, ele é. Preciso dizer que não o amei, mas achei necessário falar sobre isso, o que eu senti lendo, toda a percepção que eu tive a respeito. Ah, gente, e olha... Essa capa é a coisa mais linda comparada à original, só a título de curiosidade. Vem pra mais uma resenha que eu tô lendo que nem louca nesse janeiro!

Os Dois Mundos de Astrid Jones

Autora: A. S. King
Editora: Gutenberg
Número de páginas: 288
Narração: 1ª pessoa
Título original: Ask The Passengers

O movimento é impossível... Até que ponto?

Sinopse

""O movimento é impossível." É o que Astrid Jones, 17 anos, aprendeu na sua aula de filosofia. E, vivendo na pequena cidade em que mora, ela começa a acreditar que isso é mesmo verdade. São sempre as mesmas pessoas, as mesmas fofocas, a mesma visão de mundo limitada, como se estivessem todos presos em uma caverna, nunca enxergando nada além. Nesse ambiente, ela não tem com quem desabafar suas angústias, e por isso deita-se em seu jardim, olha os aviões no céu, e expõe suas dúvidas mais secretas aos passageiros, já que eles nunca irão julgá-la. Em seu conflito solitário, ela se vê dividida entre dois mundos - um em que é livre para ser quem é de verdade e dar vazão ao que vai em seu íntimo, e outro em que precisa se enquadrar desconfortavelmente em convenções sociais."

Eu queria começar a resenha falando um pouco sobre a história, sobre como ela começa, mas o enredo tem uma lentidão, uma mansidão de acontecimentos, que eu posso acabar falando de algo que aconteceu no meio ao invés do início, por conta da mesmice. Eu demorei muito para ler o livro - e nem foi por causa da linguagem ou porque é longo; a forma como o livro me pareceu permanecer o mesmo por muito tempo me fez ficar estagnada em sua leitura. 
Astrid Jones é uma menina de 17 anos cuja família consiste em sua mãe, uma mulher que aparentemente é mente aberta, típica mulher de cidade grande, com aquele discursinho de "nada contra gays, até tenho amigos...", mas que tem um tratamento que ao meu ver é ridículo para com a filha mais velha; seu pai, que é um cara meio sem rumo, pau mandado da mulher, vez ou outra chapado demais para lidar com os problemas da família; e sua irmã mais nova, Ellis, que é jogadora de hóquei e queridinha de sua mãe. A família se mudou de Nova Iorque para Unity Valley e agora precisa lidar com todos os problemas de cidade pequena, incluindo principalmente a fofoca. Todo esse cenário é diversas vezes abordado pelo eu-lírico, que frisa muito a coisa toda, o que acabou tornando a leitura meio extensa demais. Haviam momentos que eu mesma conversava com Astrid; "tá, já entendi que essa galera é um porre... pula pra parte legal"
Mas, por outro lado, vi pontos importantíssimos neste livro que precisam ser debatidos, por isso me dei ao trabalho de falar sobre. Separei por tópicos para facilitar as coisas:

1. Aspectos bons

a) Temática diferente: Comparado aos livros que leio, este foi um dos únicos voltados para a temática LGBT. Não porque eu por escolha decido ler apenas romances heterossexuais - até parei pra pensar nisso, no tanto de livro que tem por aí com essa mesma temática, mas eu nunca tinha lido simplesmente porque eles não tinham espaço uns anos atrás e só agora estão conseguindo "aparecer"; e não vou mentir: adoro. Gostei da forma como a autora apresentou esse universo, que não deveria ser distinto de qualquer outro (acrescente muitas aspas aqui) "comum". Infelizmente ainda é um assunto muito cheio de tabu, em que as pessoas ainda depositam muito preconceito. Mas eu adorei esse lado, como são apresentadas as angústias, os medos. Astrid ainda está descobrindo a sua sexualidade, assim como ainda está se descobrindo no mundo, e foi interessante para mim saber de que forma ela soube lidar com tudo isso, com o contar para os pais e se assumir publicamente - outra coisa que eu acho que é um absurdo, pleno século XXI as pessoas terem que se assumirem gays; ninguém sai por aí se assumindo hétero, né? Mas isso é assunto para um outro post. 

"Começo a me ressentir. Você quer dizer que estamos no século XXI e esse cara é pago para ter conversas corretivas com alunos da escola sobre como eles não devem odiar os outros? Isso não é elementar? Não devia ser automático? Que tipo de espécie somos nós se precisamos de gente que venha falar sobre essa merda? E como, se somos idiotas assim, nós chegamos à lua e ajudamos a construir uma estação espacial?" (capítulo 39)

b) Referências filosóficas: A aula favorita de Astrid em seu último ano escolar é Filosofia, o que provoca uma série de citações a respeito de filósofos, além de teorias filosóficas, reflexões da própria personagem que transmite a nós os mesmos pensamentos, as mesmas angústias a respeito de nós mesmos. Também é interessante a forma como ela lida com as descobertas além do âmbito filosófico, mas sobre si mesma a partir disso. Ela até transforma Sócrates em seu herói, em um amigo imaginário, a quem ela até deu um primeiro nome - Frank Sócrates - e conversa com ele como se estivesse ali, presença física, à sua frente. Esse lado filosófico de Astrid também influencia na série de perguntas retóricas que ela faz em diversas partes do livro. Até me peguei tentando responder algumas delas.

"Então envio meu amor. É fácil como sempre é, e é duro também porque eu realmente não sei a resposta para esse mistério. Amor é algo que sempre estará disponível? Será sempre confinado e indigno de confiança como parece hoje? Tem o suficiente por aí? Estou desperdiçando o meu com estranhos?" (capítulo 35)

c) Astrid envia amor às pessoas: No início, isso ficou meio confuso pra mim, e acredito que fique para qualquer leitor, mas depois você entende como um diferencial da personagem. Ao longo do livro, Astrid nos apresenta o seu hábito de deitar-se para observar o céu, especificamente os aviões, e "mandar amor" aos passageiros. Sim, é exatamente isso. Ela se deita na mesa de piquenique no quintal de casa, vê um avião passando e diz: "para a mulher do assento 12A, eu te envio amor. Eu te amo, eu te amo" e a princípio você acha isso muito esquisito, mas confesso que depois de ler, eu me vi mandando amor para várias pessoas na rua. E só percebi agora o quanto isso soa estranho.

"Mas é bom amar uma coisa e não esperar nada em troca. É bom não haver discussão nem pressão alguma, ou qualquer boato de qualquer baboseira. É amor sem amarras. É o ideal." (capítulo 3)

Outro ponto da história, que eu ainda não sei no que ele reflete no livro em si, é que vez ou outra a narração de Astrid é interrompida por uma narração de um passageiro aleatório dentro de um avião que está passando ali, naquele momento. Na primeira vez em que aconteceu, eu não entendi absolutamente nada. Tive que pesquisar pra saber do que se tratava. E aparentemente, eles não influenciam em nada na história, exceto uma vez ou outra que o narrador dessas cenas nos aviões falam como se estivessem recebendo esse amor, o amor de Astrid, ou quando é o contrário, e ela recebe o amor deles. É uma parte bem louca da história, mas que pra mim acabou até soando um tanto quanto poético nas minhas tentativas de entender a finalidade disso.

2. Aspectos ruins

a) O tempo que os acontecimentos levam na história: Já mencionei antes e volto a falar sobre como as coisas são lentas neste livro. Sério. E agora que estou aqui falando sobre isso, penso que foi proposital da autora para representar a pacata Unity Valley. Mas ao longo do livro, diversas vezes eu simplesmente parei de ler porque a coisa não saía do canto. Era aquela mesmice de "você precisa contar aos seus pais", "vamos ao bar sábado", "filosofia e coisa e tal"... Pareço ser muito chata falando isso, mas realmente foi um ponto que muito me incomodou na história. Eu até conversei com outras pessoas sobre o livro e elas apontaram a mesma coisa. Apesar de saber que o foco da história é o processo de Astrid se assumir como homossexual e que isso pode ser complicado e lento para algumas pessoas, achei um tanto quanto demorado o desenrolar da história.
b) As cenas dos passageiros: Eu não achei um ponto ruim a questão literal da cenas nos aviões, é um dos diferenciais do livro. Contudo, a forma como foram inseridas no meio da história foi o que me incomodou. Não sei se foi só comigo, mas de início foi difícil entender o que aconteceu ali para de repente uma pessoa completamente diferente tomar a voz do eu-lírico. Além de que elas não têm ligação direta com a história, nem muito menos influenciam em nada.

"Talvez, se você pegar este amor, pode mantê-lo em segurança? // Olho para o avião e envio meu amor. Não se preocupe. Vou mantê-lo em segurança. Seja forte." (capítulo 44)

3. Nem bom, nem ruim

a) A mãe de Astrid: É peculiar. Não achei de um todo ruim, porque acredito que esta seja a realidade de muitas pessoas que vivem isto: uma mãe que não consegue te compreender, não te ouve, ignora totalmente a tua existência, e te cobra, liga para o que os outros acham, é um exemplo nato de hipocrisia. Por outro lado, também não achei completamente bom apresentá-la, porque a mulher é uma nojenta. De verdade. Em vários momentos eu quis entrar no livro e bater na cara dela - principalmente quando ela enaltece Ellis e parece esquecer completamente de que Astrid existe e também precisa de amor. Outro ponto em relação à mãe foi a forma como ela mudou do momento antes de Astrid assumir-se gay para o momento depois - e mudou para "melhor", ao meu ver. 

"Você e a mamãe não precisam pensar nisso também. Podem apenas ser o casal na cidade que tem uma filha gay (...) E se algum de vocês tem algum problema com isso, então o problema é de vocês. Ser gay já é duro o suficiente sem ter de se preocupar com sua família ser esquisita com isso." (capítulo 40)

b) O clima de cidade pequena: Esse também é um ponto meio como o anterior... Não é ruim porque eu tenho certeza de que existem cidades assim - onde você dorme com um pijama de cor diferente e no dia seguinte a cidade toda está sabendo - e a forma como ela foi retratada foi exatamente como eu penso sobre cidades assim. Mas também queria entrar no livro e bater na cara de todo mundo. As pessoas não conseguem simplesmente deixar as outras pessoas viverem a vida delas? A fofoca foi um ponto que me irritou bastante. Aquela irritaçãozinha que te faz ficar intrigado, sabe? Posso dizer de como gostei do jeito com que a autora o fez.
c) As incertezas em relação aos laços de Astrid com outras pessoas: Ao longo do livro, eu não sabia em quem confiar... Dirá Astrid. Acredito também que isso seja um reflexo da própria confusão que se passa na cabeça dela em todo esse momento crucial de sua vida, mas você não sabe se a qualquer momento a mãe dela vai surtar, ou se Ellis é uma boa pessoa, mas com a mente alienada, ou se o pai é realmente apenas um cara que usa maconha mas totalmente inofensivo ou tem alguma coisa por trás disso - dúvidas assim me ocorreram com praticamente todos os personagens. Passei o livro inteiro tentando desvendar não só os mistérios de Astrid, mas de todos os outros também.

De qualquer modo, eu o achei um livro necessário. Eu gosto da ideia de haver dois mundos: um em que ela tenta não colidir com o mundo da mãe, em que tudo parece ser perfeito aos olhos dos outros, e outro em que Astrid é ela mesma, a menina que se descobriu lésbica e que tem um dom para a Filosofia sem igual. Acredito que essa mistura de diversos assuntos dentro de uma história só foi o que configurou o tema dos dois mundos e a gente acaba se perdendo no limbo entre eles enquanto lê. Se você se interessa pela temática principal e não se importa com a lentidão com que os acontecimentos ocorrem, você irá adorar este livro e vai certamente sair por aí enviando amor para as pessoas, assim como eu, exatamente como eu estou fazendo agora. Estou lhe enviando amor porque você veio até aqui e porque você, acima de tudo, merece. 💖 Até a próxima!

"Como podemos dizer que ninguém é perfeito se não há perfeito a ser comparado? A perfeição implica em haver de fato um jeito certo e um errado de ser. E que tipo de perfeição é a melhor? Perfeição moral? Estética? Psicológica? Mental?" (capítulo 42) *A melhor citação. 



Meu riso fácil engana bem. Engana porque quem me olha por fora na fila do banco acha que eu me pareço com alguém tão feliz consigo mesma e que não estava há duas horas atrás me olhando no espelho e odiando a forma como eu fico nessa calça que tô usando hoje. Engana porque não sabem que na minha cabeça se repete o que ele disse antes de ir embora, "não é você, sou eu". Engana porque eu passei a vida inteira achando que com 25 anos eu já seria feliz, já teria o amor da minha vida me esperando no fim do dia em casa; uma vida perfeita. 
Demorou muito pra ficha cair. Eu sei que não existem contos de fadas, nunca acreditei nisso. Mas sempre fui de sonhar. E sonhava demais, esquecendo de viver. A vida inteira sonhando me deu uma vida de inseguranças, um mundo de medos e indecisões. Morar sozinha também mudou muita coisa. Ser adulta mudou a minha percepção sobre as coisas. E é cada vez mais difícil descobrir quem eu sou, ainda que eu tivesse ter feito isso há anos atrás, mais ou menos na minha adolescência. Não sei se foi a falta de amor paterno, ou o desleixo da minha mãe, ou até mesmo a negação dos meus amigos da escola, por ser diferente, esquisita. 
E eu sempre fui mais no meu mundinho, confesso, mas os sonhos sempre me pareceram mais convidativos. O meu mundo sempre foi solitário, mas nunca pareceu ser um problema. Só agora que eu percebi que deveria ter saído desse mundo antes e devia ter me encaixado nesse dos adultos. Deveria ter percebido que eu e meu TOC nunca se encaixaria automaticamente nesse universo sério, sem cor. 
Por isso o meu riso frouxo é pura enganação. Eu finjo rir quando na verdade estou apavorada com o quanto as pessoas estão estranhas - julgam a roupa curta de uma mulher que passou agora, mas eu achei linda a estampa; julgam um casal de dois homens que está parado esperando ser chamado, mas eu os achei tão conectados e apaixonados; julgam o negro que é o gerente do banco, mas ele me parece ser muito responsável e bom funcionário. Eu não entendi ainda se é o meu mundo que é esquisito demais ou... é este que anda hostil. 

Dentre esses dois mundos... Eu acho que prefiro o meu.