Sinopse: 

Para Henry Chinaski - protagonista dessa obra -, o que pode ser pior do crescer nos Estados Unidos da recessão pós -1929 e ser pobre, de origem alemã, ter muitas espinhas, um pai autoritário beirando a psicopatia, uma mãe passiva e ignorante, nenhuma namorada e, pela frente, apenas a perspectiva de servir de mão de obra barata em um mundo cada vez menos propício às pessoas sensíveis e problemáticas,


Resenha:

Misto-quente foi a primeira obra que li de Bukowski, apesar de já ter degustado de trechos de sua
autoria no Tumblr. Já escutei que se você não leu Misto-Quente, você não leu Bukowski, ao ponto
de que uns dizem o contrário. Já faz um bom tempo que li o livro e ainda existe tudo aquilo na
minha cabeça, o que com outra história não aconteceria. Mas acredito que isso seja por Misto-Quente 
ser uma história muito mais de reflexão do que narrativa em si, não tem como explicar o livro sem
refletir o que Bukoswki escreveu. Dando uma pesquisada sobre Bukowski para um trabalho, descobri 
que Henry Chinaski nada mais é que o seu alter ego. Foi chocante para mim ler um pouco sobre a 
vida dele, e saber que praticamente tudo o que estava imprimido na páginas de Misto-Quente era uma 
história real. Saber que cada surra que o Henry havia levado, Charles Bukowski havia sentido, como 
cada cigarro fumado, as cervejas bebidas, e os inúmeros "foder" e "cagar" que era expelidos da
 boca de Henry, também haviam saído da de Bukowski.


Acredito que eu nunca havia lido algo que lançasse tanto uma verdade na cara e em como eu poderia refletir aquilo nos tempos de hoje. E aceitar que o homem pode ser eternamente infeliz, quando não se tem fé nele nem no mundo. Pois para Henry, o mundo era apenas algo de "foder", "cagar", "beber" e "fumar", pois para ele o mesmo não significava nada, pois sua pele tinha cicatrizes demais do problema seríssimo que teve com acne e no qual se viu tornar uma cobaia para agulhas e experimentos, por que ele achava as pessoas repugnantes e tudo era meio sujo e nojento. O quanto a ideia do sexo pode ser sublime e repulsante, seja por não significar nada, ou por ver mulheres cansadas da vida abrirem as pernas para ele. 
Então ele descobriu a bebida, o cigarro, e ali, encontrou seus melhores amigos, pois bêbado e fumando ele poderia ver a vida um pouco menos cinza e inserir socos, derramando filetes de sangue, com mais facilidade. 
Vemos desde o começo como a vida de Henry era miserável, com um pai brutal e uma mãe que só sabia fazer o que os outros mandavam. Misto-Quente além de tudo, mostra a banalização do sexo, com meninas pequenas perguntando a um pequeno Henry, se ele queria ver a calcinha dela, e o quanto aquilo parecia tão normal.
Foi bem chocante para mim quando eu li as primeiras páginas, principalmente por esta entrando no mundo de um homem que é totalmente o oposto do meu. E foi chocante terminar e ter a conclusão que eu tive: Aquilo seria um eterno ciclo vicioso, dele vivendo miseravelmente, sem encontrar motivo na vida e por achar que não adiantava puxar um gatilho e estourar seus miolos. Ele apenas permaneceria escrevendo do seu modo sujo, tentando entender o ser humano, tentando observar se nós não seriamos apenas "Milhares de peixes mar adentro, devorando uns aos outros. Infinitas bocas e infinitos cus, engolindo e cagando. A terra inteira não era nada além de bocas e cus engolindo e cagando e fodendo". 






Primeiro, isso claramente não é uma resenha, por isso vou deixar apenas as minhas reflexões sobre o livro até agora e como é ler Bukowski pela primeira vez. Esperem a resenha onde me aprofundarei na história.
Esse é meu primeiro livro do Charles Bukowski, mas já conhecia ele pelos milhares de quotes que tem no tumblr. E desde então percebi que ele era um autor autodepreciativo, falando sem pudor e naturalmente de coisas que são tabus. Ao ler as primeiras páginas de Misto-Quente, você naturalmente se choca, ao ver como o personagem principal, Henry, vive, e como viver no EUA da recessão pós-1929 é difícil. Acredito que para as mulheres o livro consiga ser mais chocante ainda, pois por ter uma narração masculina, nós acabamos entrando no universo dos homens. Apesar do livro se passar em uma época totalmente diferente da dos dias atuais, vemos como os meninos são inseridos na vida sexual cedo, e até mesmo como as meninas eram inseridas nesse meio.
Diferente de outros autores, Bukowski conta a história de uma forma extremamente realista, com claros momentos autobiográficos. Desse modo, não somos poupados de nada. Da violência daquela época, da ignorância das pessoas e como a infância e adolescência constrói o futuro adulto.
A história questiona a todo momento a índole do ser humano, e mostra como a vida às vezes por decorrências pode não ser exatamente feliz.
E, eu tenho muitas outras coisas para falar, dá exemplos e me aprofundar, mas isso, somente na resenha! Espero que tenham gostado desse post pequenininho, que fala sobre um autor incrível que definitivamente precisa ser lido e relido. Com toda certeza no final da história eu vou ter um aprendizado e uma visão nova sobre a vida. E antes, uma dica: se você for ler Misto-Quente, leia ele sem saber de nada, depois você volta e ler a futura resenha que entrará aqui no blog.