Também já encontrei defeitos em mim,
Já olhei no espelho e fiquei extremamente insatisfeita com o tanto de imperfeições que estavam no meu rosto, no tamanho do meu nariz ou como minhas sobrancelhas sempre parecem precisar de uma ida ao salão. Os meus dois dentes da frente são separados e tenho um freio enorme, preciso até fazer cirurgia. Quando tô de biquíni ou lingerie e vejo minhas estrias tenho vontade de enterrar minha cabeça na areia. Então eu paro, respiro e digo: "eu sou é muito é gostosa". Tudo bem que não é em todas as vezes.
Mas existe o tipo de pessoa que só se bota para baixo, deixa de aproveitar muita coisa por causa do outro. Se você é assim, se ame mais. Olhe que beleza é algo tão relativo e às vezes nem tão importante. O que adiantar o menino ser o maior gostoso, mas ser um babaca? A menina ter o cabelo igual de uma propaganda de shampoo, mas ser puramente fútil? Nos apaixonamos pelo que a pessoa é, não apenas a casca, mesmo que exista toda a questão da atração.
Não precisamos necessariamente nos achar a última coca-cola do deserto. Mas precisamos estar confortáveis conosco, nem que seja preciso ir para a academia de segunda a sexta e estar no salão toda semana. As pessoas falam demais, inclusive nós, julgando sempre o nosso vizinho, mas isso não quer dizer que você é menos. Passe aquele batom vermelho, vista aquele vestido que você tanto gosta. Coloque aquela blusa com uma estampa bem louca e talvez até uma gravata. Coloque aquela música que faz os seus quadris balançarem e a sua voz acabar. Olhe no espelho e veja as infinitas possibilidades que temos de encontrar a felicidade.
Não se preocupe com os filtros nas fotos, ou o retoque no nariz. Como uma professora minha disse uma vez: "Nós nascemos para ser reais, não perfeitos." Mas você também deve olhar ao seu redor e observar. Será que as pessoas que pessoas que estão a sua volta, realmente te fazem bem? Você está sendo você mesmo? Repense sobre isso e veja que talvez o problema não seja você. As pessoas sabem estragar as outras.
Encontre o seu lugar, o que te faz. Seja em um grupo de natação ou em um de pokémon. Seja você e independente de tudo, se ame.


                                                                                    


Foi basicamente por este tweet (e por outro que a Editora Seguinte dizia que elas sairiam em turnê por outras cidade do Brasil) que eu corri loucamente à procura do livro Por Lugares Incríveis. Cartas de Amor aos Mortos eu já li, já fiz resenha e já chorei várias vezes relendo o livro (ou aquele finalzinho dele maravilhoso). 
Quando eu descobri sobre a vinda das duas, fiquei louca procurando o livro de Jennifer Niven, do qual eu já havia ouvido vários elogios de amigos que leram e consideram essa a sua melhor experiência literária. Resolvi experimentá-lo e eu preciso dizer que comigo não foi muito diferente. Estou completamente apaixonada por este livro.

Por Lugares Incríveis

Autora: Jennifer Niven
Editora: Seguinte
Número de páginas: 400
Narração: 1ª pessoa com alternância de eu-lírico
Título original: All The Bright Places

 Dois jovens prestes a escolher a morte despertam um no outro a vontade de viver.

Sinopse

"Violet Markey tinha uma vida perfeita, mas todos os seus planos deixam de fazer sentido quando ela e a irmã sofrem um acidente de carro e apenas Violet sobrevive. Sentindo-se culpada pelo que aconteceu, Violet se afasta de todos e tenta descobrir como seguir em frente. Theodore Finch é o esquisito da escola, perseguido pelos valentões e obrigado a lidar com logos períodos de depressão, o pai violento e a apatia do resto da família.
Enquanto Violet conta os dias para o fim das aulas, quando poderá ir embora da cidadezinha onde mora, Finch pesquisa diferentes métodos de suicídio e imagina se conseguiria levar algum deles adiante. Em uma dessas tentativas, ele vai parar no alto da torre da escola e, para sua surpresa, encontra Violet, também prestes a pular. Um ajuda o outro a sair dali, e essa dupla improvável se une para fazer um trabalho de geografia: visitar lugares incríveis do estado onde moram. Nessas andanças, Finch encontra em Violet alguém com quem finalmente pode ser ele mesmo, e a garota para de contar os dias e passa a vivê-los."

Eu não sei como começar dizendo isso, mas apesar dos dois encontrarem em si mesmos o sentido da vida, em diversas partes do livro eu me peguei tendo sérias crises existenciais. O livro traz dúvidas como: o que estou fazendo com a minha vida? Morrer é realmente a única saída? Por que é tão difícil outras pessoas entenderem a nossa cabeça?
Finch é um garoto claramente problemático, mas infinitamente enigmático. Logo de início você percebe que ele tem problemas, do tipo "problemas mentais que as pessoas apenas usam para rotulá-lo como esquisito". E em diversas partes do livro eu me identifiquei com ele. Eu não tenho nenhum distúrbio mental, mas entendia quando os outros não o compreendiam, quando suas decisões tomadas não eram entendidas e aceitas pelos outros. 
Este livro me fez querer viver. Fez-me querer visitar lugares incríveis e ter alguém para viver isso comigo. Ultravioleta Markante (como Finch chama Violet) encontra no garoto um recomeço, como se sua nova vida se iniciasse ali.

"Amo: o jeito que os olhos dela brilham quando conversamos ou quado ela me conta alguma coisa, o jeito que ela fala as palavras pra si mesma quando lê concentrada, o jeito que olha pra mim como se só eu existisse, como se visse através da carne e dos ossos e de tudo que não importa e enxergasse só o eu que está ali, aquele que nem eu mesmo vejo." (página 226)

Diversas coisas me encantam. Um dos motivos para gostar de Cidades de Papel, por exemplo, são as andanças dos personagens, e isso é o que não falta neste livro.  Se tem duas coisas que eu amo são livros e viagens, e livros que me trazem viagens dentro deles são os meus favoritos, certamente.
Uma das coisas que eu mais gostei é que é simplesmente a vida de dois jovens com muitos problemas e de antemão, tentando não dar spoilers, eu não julgo Finch por suas decisões. Às vezes, nós simplesmente não temos o poder de escolha - os outros podem até achar que sim, mas somente nós sabemos o que se passa dentro de nós mesmos.

"Olho para ela longamente. Conheço a vida bem o suficiente pra saber que não podemos acreditar que as coisas vão ser sempre iguais, não importa o quanto a gente queira. Não podemos impedir que as pessoas morram. Não podemos impedi-las de ir embora. Não podemos impedir nós mesmos de ir embora. Me conheço bem o suficiente pra saber que ninguém consegue me manter acordado ou me impedir de dormir. Tenho que fazer isso sozinho. Mas, cara, como gosto dessa garota." (página 121)

Eu amei este livro. Ele aborda a morte - e principalmente o suicídio - de uma maneira diferente, de maneira que eu nunca havia pensado antes, que nunca nem passou pela minha cabeça. Não é só um romance adolescente. Não são apenas dois jovens que se amam e se salvam. É algo muito mais profundo do que isso e foi o que me apaixonou. E, além de tudo, ele é repleto de citações incríveis e referências lá no fim sobre o início da história. Foi muito difícil escolher esses trechinhos para colocar aqui, mas certamente foram os meus favoritos. Fez-me chorar, rir, sofrer e ter existencialismos que jamais tive. Vai para a lista de favoritos e para a lista de "todos devem ler isto antes de morrer".
A melhor parte ainda vem: li uns meses atrás no Beco Literário que o filme de Por Lugares Incríveis foi confirmado! De acordo com o site, ainda não existem certezas a respeito da produção, mas Elle Fanning foi escalada para interpretar Violet e tais informações foram divulgadas pela própria editora do livro aqui no Brasil. Estou muito ansiosa e ainda mais apaixonada, se é que é possível.
"E se a vida pudesse ser assim? Só as partes felizes, nada das horríveis, nem mesmo as minimamente desagradáveis. E se a gente pudesse simplesmente cortar o ruim e ficar só com o bom? É isso que quero fazer com Violet - dar a ela só o bom, manter o ruim longe, para que o bom seja sempre tudo o que temos à nossa volta." (página 145)


Desde que assisti How To Get Away With Murder e tantas outras séries de temática de advocacia, a Netflix me indica Scandal. Então, eu decidi dar uma chance. Confesso que, desta forma, tenho bastante coisa para falar sobre. 

Scandal

A série, que está em sua 5ª temporada, foi criada por Shonda Rhimes, que também produziu Grey's Anatomy e How To Get Away With Murder - o que nos faz querer que a série seja muito, muito boa. A primeira temporada, que conta com 7 episódios, eu devo dizer que não me prendeu 100%. Continuei assistindo e a segunda é, de fato, bem melhor. 

Sinopse

Uma ex-consultora de mídia do Presidente, Olivia Pope (Kerry Washington) dedica sua vida a proteger e defender as imagens públicas da elite americana, resolvendo problemas antes que o mundo saiba que eles já existiram. Depois de deixar a Casa Branca, ela abre sua própria empresa, na esperança de iniciar um novo capítulo - tanto profissionalmente como pessoalmente -, mas ela parece não conseguir cortar completamente laços com seu passado. 
Olivia é a chefe da equipe formada por Harrison Wright (Columbus Short), Quinn Perkins (Katie Lowes), Stephen Finch (Henry Ian Cusick), Abby Whelan (Darby Stanchfield) e Huck (Guilhermo Diaz).
Desse modo, a trama apresenta um grupo disfuncional que tem a função de mediar as crises empresariais e políticas de seus clientes. A Olivia Pope & Associates é uma firma composta por advogados e investigadores chamados para resolver situações que precisam ficar longe da mídia e da curiosidade do público, antes que cause um escândalo.



[Alerta spoiler!] A questão que implica em diversos problemas na série é que durante a campanha eleitoral do presidente, ele e Olivia engataram em um caso amoroso. Isso traz à série um drama que vez ou outra me dá vontade de abandoná-la. Isso também faz com que o próprio presidente seja um canalha milhões de vezes com a própria esposa, justificando que Olivia é o amor de sua vida. Queria encontrar com o personagem e dizer "querido, me poupe!". [Fim do spoiler]
Outra questão que me intriga é que diversas vezes durante a série, Olivia é apresentada como uma mulher forte, segura de si, cheia de segurança e desimpedida, quando, na verdade, chora o tempo todo e sofre por um amor não resolvido. Às vezes, deixa de agir racionalmente para agir com os sentimentos. Eu digo isso porque meu exemplo de mulher poderosa em casos assim seria a grande Annalise Keating (de HTGAWM). Tento não comparar as duas, mas é inevitável, levando em consideração o papel das duas em suas respectivas séries. As duas são símbolos de força, de poder, advogadas com muitos contatos e que sempre acabam tendo que recorrer para o trabalho sujo. Mas ao contrário de Olivia, Annalise passa por cima de tudo e de todos para o seu sucesso. 



De qualquer maneira, a série tem os seus pontos que me prendem à ela. Gosto da trama na Casa Branca, de como até mesmo o político mais limpo possui corrupção por baixo dos panos. E talvez isto represente alguma coisa em relação à minha personalidade, mas eu sempre gosto dos personagens mais esquisitos e misteriosos: o meu favorito de Scandal é o Huck, o que faz o trabalho sujo. É o meu favorito e talvez o único que eu goste de fato, além do Harrison e Stephen, que até tenho um certo afeto. O restante, nem mesmo fazendo 10 coisas boas anulam 1 coisa ruim que tenham feito; todo mundo é sujo nessa série.


"Huck, você tem que parar de matar pessoas.
- Por quê?"

Mas talvez isso seja exatamente uma coisa boa para a história. Não há ninguém perfeito, não tem um bonzinho neste meio. Todos são vilões, mesmo que façam coisas "boas", passam por cima de qualquer um para conseguirem o que querem. E esse "passar por cima" vai de tomar um cargo importante à realização de um assassinato. 
Os fãs vão me odiar, mas eu não tive um "feeling" enorme pela série. São só pequenos aspectos que me fazem continuar assistindo, mas só até aparecer outra que chame um pouquinho minha curiosidade, e eu mudo. Mas uma coisa é certa: a série apresentou um crescimento admirável e a melhora é nítida. Que continue assim!



"Eu quero ser um gladiador em um terno."


Essa semana, enquanto assistia uma das minhas séries favoritas do momento, percebi que eu nunca havia feito um post sobre ela. E é uma série que me intriga bastante, mas é como Suits e White Collar - sobre as quais eu já falei aqui: a cada episódio, um novo caso, mas uma "temática" para cada temporada. 

Elementary 

Li que a série fora renovada para sua quarta temporada em 2015 e fiquei muitíssimo feliz, pois assisti às 3 primeiras e estava nervosa para saber se estava muito atrasada. A série iniciou em 2012 e mostra uma versão contemporânea de Sherlock Holmes, famoso personagem criado por Arthur Conan Doyle, mas, no caso da série, são histórias que se passam em Nova Iorque (outro motivo para amar). 

Sinopse

"Elementary trata-se de uma adaptação de Robert Doherty para a obra de Arthur Conan Doyle, que traz os personagens Sherlock Holmes e Dr. Watson para o tempo presente vivendo em Nova Iorque. Na série, Watson foi transformado em mulher, interpretada por Lucy Liu.
Sherlock (Jonny Lee Miller) é um ex-consultor da Scotland Yard que chega em Nova Iorque após passar um período em um centro de reabilitação. Forçado por seu abastado pai a dividir seu apartamento com a Dra. Joan Watson, uma cirurgiã que perdeu a licença há três anos quando um de seus pacientes morreu, ele precisa se manter sóbrio e longe das drogas. Assim, Watson pasa a acompanhá-lo em seu trabalho como consultor da polícia de Nova Iorque."


Eu posso ficar horas falando sobre o quanto Sherlock é incrível. Sherlock é incrível. Mas isso não é novidade para quem já conhece o personagem original. Mas mesmo que esse tenha outros aspectos comportamentais, ele continua sendo incrível. Mostra-se humano, mesmo que certos momentos de frieza faça com que quem assista não consiga criar um afeto por ele. Contudo, para mim foi inevitável. Você vê que ele tem sentimentos, tem um lado que poucos têm o privilégio de conhecer e me apaixonei pelo personagem.
Watson também é incrível. Achei uma particularidade fantástica o fato dela ser mulher, pois é uma outra abordagem que acontece na série. [Pequeno spoiler] No início, o pai de Holmes pagava para que Joan fosse sua acompanhante, mas depois de um tempo, dispensa seu trabalho. Watson não quer se desvencilhar de Holmes, então continua trabalhando com ele, mesmo sem receber seu salário. Quando Sherlock descobre, oferece a ela a posição de aprendiz de detetive, alegando que com ela, ele se concentra melhor. [/Pequeno spoiler] 
E uma das coisas que eu mais gosto na série é da relação dos dois. Sherlock não deixa nada claro, não fala sobre emoções literalmente. Mas Joan desperta nele esse lado humano, esse lado que se abre para a conversa. Assim como em Suits há a relação de Mike e Harvey e em White Collar, a relação de Neal e Peter, em Elementary, a relação de Joan e Sherlock é do tipo que há confiança acima de tudo. Sherlock confia nela, pois sabe do bem que Watson o faz e Joan confia em Holmes porque consegue ver o lado bom dele. 


A cada caso, vejo o trabalho sublime de Holmes e o avanço de Watson. E a cada novo episódio, não só o crescimento pessoal, mas do conjunto, da parceira de ambos. Há muitos segredos na série, dúvidas que só nos são apresentadas um pouco antes de serem respondidas. Você se pega tentando suspeitar dos mais bonzinhos e julgando cada caso. O lado investigativo, policial e essencial a cada episódio te prende à série e faz querer mais e mais. 
Vez ou outra, dou um tempo da série. Apesar de ser maravilhosa, são mais de 20 episódios por temporada e às vezes torna-se cansativo. A temática abordada ou os elementos colocados para mexer um pouco com a série - como personagens novos e vilões diferentes a cada temporada - é o que me faz voltar. Até agora, a minha temporada favorita é a segunda e só me resta torcer para que a série continue exatamente daquele jeitinho que eu gosto: Sherlock e Watson com diversos problemas pessoais, mas resolvendo-se a cada caso e mostrando o quão incríveis são juntos, a junção perfeita.






Para a menina com quem conversei na livraria do shopping perto de casa,
Você me inspirou a escrever sobre o amor depois de me contar do seu primeiro namoro. Não aquele amor banal, sacal, que está na boca de todo mundo hoje em dia. Mas o amor virgem, inocente, sublime e esquecido por muitos. Eu falo do primeiro amor e que, por sorte, foi correspondido. Aquele que nós não sabemos ainda se é, mas mexe com a gente de um jeito esquisito. É aquele amor que aconteceu no seu tempo de colégio ou só na faculdade e você não tinha ideia da imensidão deste sentimento por alguém que não fosse parente ou amigo. É quando você descobre que não pode controlar a própria mente ou coração e que ambos não trabalham juntos; seu racional diz que não, e seu coração, que sim, em todas as línguas e formas possíveis. Ele obriga teu cérebro a trabalhar junto, a não desgrudar o pensamento daquela pessoa. E você tenta se convencer: é uma paixãozinha boba, nada mais que isso. Mas você se pega preocupado com aquela pessoa e o ciúme toma conta do seu corpo de um jeito que você nunca imaginou. 
Vocês, juntos, passam por todo aquele início gostoso, no qual vocês vão se conhecendo. Apresentam suas preferências, mostram suas músicas favoritas, indicam filmes, chamam para sair. Acontece o pedido de namoro; ou nem acontece, vocês simplesmente aceitam que já estão juntos. E vocês se apresentam para seus pais. Você compreende que não pode dedicar sua vida cem por cento para o outro, mas dedica cem por cento de si mesmo quando vocês estão juntos. E vocês sonham juntos. Vocês aprendem juntos, coisa essencial para seu relacionamento. Vocês descobrem todo dia mais e mais o que é amar. Você reconhece os defeitos do outro, tem até raiva de alguns deles, mas esquece tudo quando ele vem com aquele jeito só dele, aquela voz única e inesquecível, aquele beijo que é só teu e te faz esquecer do resto do mundo. Vocês vão se amando e se conhecendo, vão construindo uma história juntos. A história a dois de vocês vai sendo moldada pelo tempo e pelas suas próprias mãos, e você vai amando mais e mais. Você quer que dure, que seja eterno. É o seu primeiro amor real, pois você se dá conta de que todos os anteriores não foram amor. Foram quase isso.
A vida se mostra mais fácil e bonita. O outro te faz ser par quanto o mundo te fazia ímpar. O primeiro amor é isso; descobrir o outro e se descobrir, descobrir o que é o amor e querer saber mais. E ele não é como dizem por aí... Ele aceita erros. Aceita que o outro vez ou outra possa vacilar, pois nada há de ser perfeito, e juntos vocês vão se consertar. Não se engane; o amor não veio para ferir ninguém. Ele veio para nos curar. E ele não vai acabar. Vocês podem brigar e terminar, e podem vir vários outros... Mas esse teu primeiro amor vai ser referência para a tua vida inteira, pois graças a ele você descobriu que pode amar, e amadureceu no primeiro relacionamento que teve. Aprendeu coisas que fazem parte de uma boa junção, descobriu o seu espaço e quem sabe até descobriu que o amor pode acontecer da maneira que você achar melhor. Faz desse primeiro amor uma lembrança boa e nunca se esqueça: ele veio para curar.

Nota: Conversei com uma menina triste que conheci por amigos em comum, que relatou-me sobre seu primeiro relacionamento que estava prestes a chegar ao fim. Quero que ela saiba que por mais que não pareça por haver um ponto final, ele foi o seu primeiro amor. 




Olhei para o céu hoje e vi lua cheia; automaticamente, meu pensamento voou até você. Já faz tanto tempo... Mas eu ainda lembro de todas as nossas conversas de madrugada, até o sol nascer, em que nós planejávamos um futuro juntos. Lembro do nosso primeiro beijo como se fosse ontem, de como aqueles instantes antes foram os mais nervosos da minha vida, e de como só de encostar em teus lábios toda a calmaria tomou conta de mim. Em todos os meus sonhos, eu visualizava uma lua cheia iluminando o nosso cantinho, aquele com o qual sonhávamos em construir em um futuro. Eu sonhava com nossos sábados de madrugada, nossos domingo indo almoçar com nossa família na cidade, com o dia que íamos formar a nossa própria família. Nós fizemos planos, vários deles, até simplesmente acabar tudo. 
Foi o tempo? Você se cansou de mim, simplesmente? Ou ambos se cansaram? Nós ficamos tanto tempo juntos. Nosso relacionamento passou por idas e vindas; idas que eu achei que fossem permanentes e vindas que juramos "para sempre". Mas nunca conseguimos durar. Nós nunca fomos capazes de manter um relacionamento estável, tranquilo e feliz. Sempre foi aquela coisa conturbada. Eu sempre morria de ciúmes de você, você sempre sentia raiva dos meus ciúmes, nós sempre brigávamos. Quem tinha razão? E isso importa agora? Hoje eu penso no quanto tempo a gente perdeu brigando, enquanto podíamos simplesmente dar o braço a torcer e deixar o orgulho de lado. Mas não. Nós insistíamos, ficávamos forçando aquilo. E queríamos que desse certo. Mas talvez não fizéssemos de tudo para que desse certo e foi por isso que nossas vidas tomaram rumos diferentes. Por mais clichê que isto possa soar, estávamos vivendo momentos diferentes e eu sei que não foi simplesmente por falta de amor. Tinha amor até demais e por isso doeu tanto. 
Eu descobri nesse tempo que amor não resolve tudo. Precisávamos de uma dosezinha de querer, um pouco mais de paciência, um pouco mais de atenção. Precisávamos de reciprocidade. Eu sei que queríamos que desse certo, mas não fazíamos por onde. E agora eu olho para trás e sinto falta dos momentos bons - daqueles em que não estávamos brigando nem mergulhando no nosso próprio orgulho. Eu sinto falta dos sábados no cinema, dos dias em que passamos a tarde na praia, das nossas conversas infinitas e cheias de esperança, do nosso abraço apertado depois de muito tempo sem se ver.
Eu sinto falta de você. É isso. E eu me pego pensando que eu não recusaria tentar de novo. Pode me chamar de louca ou o que for, mas por mais que tenha doído, eu tentaria de novo. E de novo e de novo. Eu faria tudo novamente com você, porque mesmo com todas as brigas, todas as vezes em que eu quis matar você, todas as reconciliações me fizeram amá-lo cada vez mais. E mesmo que o amor não seja tudo, é por ele que estou aqui agora, às 3:24 da manhã, escrevendo em um papel que arranjei no banco de trás do carro, decidindo se vou ou não deixá-lo na sua caixinha do correio. Se quiser, pode me procurar, podemos conversar. Algo em mim diz que o meu coração está cansado de buscar em outros lugares aquilo que ele só encontrou com você.
Com saudade,
Lua.

N/A: Eu também estava com saudade... Mas era de escrever sobre esses dois, então decidi voltar. A última carta foi em janeiro de 2015, então muita coisa aconteceu desde então. Eles haviam se reconciliado, mas já terminaram tudo de novo, há alguns meses. A partir daí, vou escrevendo alternando a voz de ambos, como já fazia antes. Até a próxima!



Stranger Things


Não é segredo para ninguém que a Netflix está se saindo muito bem no quesito "séries originais": Sense8, Orange Is The New Black, Unbrekable Kimmy Schmidt, House of Cards, dentre incontáveis outras. São um sucesso todas elas e a mais nova não podia ser diferente: Stranger Things estreou dia 15 de julho e antes disso eu já havia assistido ao trailer e estive convicta de que não iria assistir. Não ia de jeito nenhum, pois vi que era sobrenatural demais para mim, com um suspense que talvez não me deixasse dormir à noite de tanto medo. Sim, medo mesmo. A série tem um lado sombrio que eu temi desde antes de ser lançada.
Mas aí um amigo meu, cujo gosto para séries é muito semelhante ao meu, disse que eu devia tentar assistir. Que talvez eu realmente fosse sentir medo, mas que valia a pena. Eu caí na tentação e não consegui parar, pra variar...



"E você não deve gostar das coisas porque as pessoas te dizem para gostar."

Sinopse

"Ambientada em Montauk, Long Island, conta a história de um garoto que desaparece misteriosamente. Enquanto a polícia, a família e os amigos procuram respostas, eles acabam mergulhando em um extraordinário mistério, envolvendo um experimento secreto do governo, forças sobrenaturais e uma garotinha muito, muito estranha."



Eu vi o trailer, vi que a série havia sido lançada. Vi amigos comentando, o Facebook enlouquecendo, até no Snapchat eu vi amigos falando sobre. Não custava nada tentar. À princípio, não tive coragem de assisti-la durante a noite - que é o tempo que eu tenho ficado acordada nestas maravilhosas férias. Não é que dê medo, mas de vez em quando rolam um sustinhos que eu não sei se ficaria bem para assistir de madrugada. Comecei a vê-la durante a tarde e vi os oito episódios direto, sem nem dar tempo de pensar em sair de perto do computador. Já era noite e a minha paranoia já havia diminuído.
Não consigo falar muito sem dar spoilers, mas de uma coisa estejam certos: essa série me prendeu de uma forma que eu não acharia que fosse. Por um momento, achei que seria ficção demais para mim, que eu não gostaria de verdade. Mas o suspense e as dúvidas que se formam na sua cabeça te fazem ficar ali, vidrado, prestando atenção em cada detalhe, querendo mais e mais.

 

Os personagens me cativaram: a menininha, Eleven, estou apaixonada por ela! A pequena Millie Bobby Brown atuou incrivelmente. Não tinha como não amá-la mais a cada segundo e gravar na mente o seu olhar único. Os meninos também são apaixonantes e infinitamente corajosos. E não só por eles estou apaixonada: Joyce, Hopper, Nancy, Jonathan... Você enlouquece junto deles, compreende as suas dores.
A série se passa na década de 80 e eu acho que algo que traz uma peculiaridade à série. Eu adoro esta década, os trajes, as suas particularidades. Isso me fez gostar também dos cenários, da fotografia da série, assim como dos efeitos especiais e de tudo o que eu conseguia ver. Se você gosta de suspense, gosta de uma série que te prenda do início ao fim e ainda entregue para você uma deixa angustiante para uma continuação, dê uma chance para esta. Não vai se arrepender.

 Por fim, depois de devorar a primeira temporada, percebi que tive a mesma sensação pós-Sense8: um desejo incondicional pela segunda temporada. Percebi também que o mesmo sentimento de "a próxima temporada precisa me explicar tudo" que eu senti depois de assistir ambas as séries é um sentimento desnecessário. Eu me perguntava sempre "por que isso acontece?", ao invés de perguntar "o que está por vir?". Não tinha parado pra pensar ainda que não devo perguntar o porquê, mas, sim, aceitar que aquilo existe (na série, é claro) e que o que vem sucessivamente é a história em si e não uma explicação do porquê de existi-la. Apesar das duas séries serem bem diferentes, percebi esta forte ligação entre elas: é um mundo de ficção introduzido no mundo real, e não o contrário, como é na maioria das séries. Eu achei isso incrível e por isso 5 luinhas para Stranger Things. E a boa notícia saiu ainda esta semana: a série já foi renovada para sua segunda temporada! Agora é só esperar para enlouquecer mais um pouco.


eu os amo e vou protegê-los.
 

 
É meio desgastante essa coisa de tentar agradar, dar o seu melhor, fazer a coisa certa e querer ser motivo de orgulho e no final só ouvir que você não faz nada direito. Dá uma vontade de fazer tudo errado de uma vez, só pra ser xingado com razão.
—  Vinícius Kretek

Para os que não acreditam em si mesmos,
Eu estive a semana inteira pensando no que lhes dizer. Eu conversei com pessoas, eu ouvi histórias. A verdade é que hoje em dia ninguém consegue parabenizar o outro por suas conquistas. As pessoas só sabem criticar, buscar seus defeitos, destacar seus erros, destilar sua inveja por todo lugar. A especialidade do mundo hoje é colocar você para baixo, dizer-lhe que você é incompetente, que não merece viver em sociedade porque não segue os padrões, porque seus sonhos são grandes demais para alguém como você. Ouvi relatos de pessoas que viveram a vida inteira ouvindo de quem considerava mais importante que elas não eram boas o suficiente. 
Tenho a obrigação de vir aqui para dizê-lo para esquecer tudo isso. Delete tudo, apague de sua memória todas as vezes em que alguém apontou o dedo para você. Esqueça de todas as vezes em que se sentiu inútil, um verdadeiro lixo. Esqueça de quando você achou que não era suficiente, quando suas perspectivas chegaram ao fim. Eu fiz o mesmo. E eu divido minha vida em "quando eu me sentia inútil" e "quando eu passei a acreditar em mim". Aconselho você a fazer o mesmo.
Todas aquelas coisas que você ouviu, todas aquelas vezes em que você chorou no quarto antes de dormir sentindo-se fracassado, devem ser esquecidas a partir de agora. Neste exato momento, se olhe no espelho e veja a pessoa incrível que você é. Veja o quão forte seu corpo é, o quanto você já suportou até aqui. Diga para si mesmo que não irá mais se martirizar por erros do passado. Olhe para frente. O futuro que te espera é tão lindo... Queira fazê-lo valer a pena, ser algo do qual você se orgulhe mais do que tudo. Não deixe que as pessoas ao seu redor digam o que você deve ser e o que deve fazer, não deixe que elas ditem o seu modo de pensar e agir. Você é capaz de tomar suas próprias decisões e elas são boas o suficiente para você.  Ame a si mesmo incondicionalmente antes de querer que alguém o ame o mínimo que for.
Nós temos universos dentro de nós e nunca sabemos o que se passa dentro do outro. Devemos nos amar e devemos compreender que não cabe a nós apontar os defeitos do outro. As nossas derrotas só dizem respeito a nós mesmos e devemos respeitar a queda do outro. Acima de tudo, devemos confiar em nós mesmos. Podemos ter milhares de amigos, uma família compreensível, um amor sincero, recíproco e para a vida inteira; mas, nos piores momentos, somente nós saberemos como lidar com a nossa própria dor. E, por isso mesmo, somente nós podemos achar que não fomos bons o suficiente - mesmo que na maioria das vezes o nosso pessimismo maquie isso. 
Acredite em si. Não tenha medo da sua capacidade. Não crie limitações para si. Creia que você pode ir longe, porque você pode, e se permita errar. Só assim podemos recomeçar e fazer do jeito certo. Você é muito melhor do que dizem e deve fazer de tudo para ser alguém melhor a cada dia. E saiba que eu torço por você.

Nota: Eu sei que tu tens coisas boas aí dentro; só precisavas de alguém que te lembrasse disso.




O armário estava abarrotado de roupas. Precisava de um novo. Já estava imaginando que meus casacos de tricô devem está desfiados. Tudo havia se resumido em uma eterna bagunça.
Entre minhas calcinhas haviam cuecas. Os sapatos tiveram que dá espaço para tênis e sapatênis. Os cremes e perfumes se somaram com relógios e remédios.
Agora esvaziava uma gaveta para roupinhas azuis e com estampas de super-herói. O espaço que sempre fora grande demais para mim estava começando a ficar pequeno demais. Sempre havia sido meio sozinha, voltando para casa, fazendo a comida, escrevendo até o meio da madrugada e indo dormir. Agora tenho alguém 24 horas comigo. E outro alguém que está roncando do meu lado toda noite.
E em pensar que já pensei que seria sozinha para todo o sempre. Agora aqui, sentada no chão, no meio das minhas blusas de tricô, acabei puxando o fio de uma e descosturando um bom pedaço. Percebi que era meio que aquilo que havia acontecido na minha vida. Tinha começado com apenas uma ponta solta, fui trançando várias outras e agora estou descosturando e montando uma nova. E tudo passou em um piscar de olhos.
Observo a casa que consegui com tanto esforço e penso que tenho que deixá-la ir e adquirir um novo lar. Tenho que comprar novas roupas, um novo armário e um berço. É bom e ruim perceber que cheguei nos trinta e as responsabilidades só parecem aumentar.
Em pensar que uma das minhas metas de vida era dormir pelo menos 8 horas por dia.



Eu sei exatamente o que é estar à beira de um abismo e sentir uma linha tênue abaixo dos seus pés, prestes a se partir, deixando você cair. Eu sei porque milhões de vezes eu me ponho neste lugar, brincando com a vida como se fosse um jogo o qual eu sempre posso manipular para ganhar - mesmo sabendo que no último jogo, eu vou acabar perdendo. Estar nesta beirada é ter poder nas minhas escolhas. Eu sei porque eu estou aqui agora mesmo. Olhar lá para baixo e me sentir aqui em cima é saber o que eu quero para a minha vida. É querer mais do que tudo pular, pois metaforicamente tudo já está caindo antes de mim, mas saber que eu não posso fazer isso. 
Estar ali, também é crer em mim. É crer que eu posso me dar uma segunda chance, que aquilo pode ser um recomeço para mim, que basta o abismo dentro de mim do qual eu caio todos os dias. Eu me afasto da beirada. Não por medo da queda ou de altura. Afasto-me por medo de mim mesma. E se, em um súbito, eu decido pular? Quantas coisas eu amenizaria, quantas coisas eu mudaria aqui, dentro de mim? E o engraçado é que eu saí de casa disposta a pular. Eu saí tão confiante e certa de que o faria que eu já até me envergonho do meu medo agora. Eu queria ir, não queria? Por que simplesmente não consigo agora?
Mas eu devo confessar que, por mais estranho que pareça ser, estar na pontinha deste abismo me traz uma sensação incrível de autocontrole. Outras milhões de pessoas podem achar que estou ali pronta para pular; eu acho que estou ali tendo controle sobre o meu próprio corpo, sã de minhas atitudes, portanto, decido não pular. Sou dona dos meus próprios pés. Eu mesma decido o que fazer com eles. Entretanto, também confesso que isso tudo que eu acabei de dizer neste parágrafo é só mais uma forma de mentir para mim mesma. A quem eu quero enganar? Eu só tenho medo. Sou orgulhosa demais para admitir que tenho medo de ir, pois outros abismos dos quais pulei já me levaram à caminhos que jamais gostaria de voltar. Não sei se neste eu posso confiar, muito embora me pareça muito seguro lá embaixo. É convidativo, tem um cheiro gostoso e um abraço do qual eu nunca gostaria de sair.
O meu maior abismo é amar você.