"Não é ótimo quando descobrimos que não somos exatamente o que pensávamos ser?" (pág. 55)

Os Segredos de Colin Bridgerton

Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Ano de publicação: 2002 (tradução: 2014)
Número de páginas: 328
Narração: 3ª pessoa
Título original: Romancing Mister Bridgerton
Sinopse: Há muitos anos, Penelope Featherington frequenta a casa dos Bridgertons. E há muitos anos alimenta uma paixão secreta por Colin, irmão de sua melhor amiga e um dos solteiros mais encantadores e arredios de Londres.
Quando ele retorna de uma de suas longas viagens ao exterior, Penelope descobre seu maior segredo por acaso e chega à conclusão de que tudo o que pensava sobre seu objeto de desejo talvez não seja verdade. 
Ele, por sua vez, também tem uma surpresa: Penelope se transformou, de uma jovem sem graça ignorada por toda a alta sociedade, numa mulher dona de um senso de humor afiado e de uma beleza incomum. 
Ao deparar com tamanha mudança, Colin, que sempre a enxergara apenas como uma divertida companhia ocasional, começa a querer passar cada vez mais tempo a seu lado. Quando os dois trocam o primeiro beijo, ele não entende como nunca pôde ver o que sempre esteve bem à sua frente. 
No entanto, quando fica sabendo que ela guarda um segredo ainda maior que o seu, precisa decidir se Penelope é sua maior ameaça ou a promessa de um final feliz.
Em Os Segredos de Colin Bridgerton, quarto livro da série Os Bridgertons, que já vendeu mais de 3,5 milhões de exemplares, Julia Quinn constrói uma linda história que prova que de uma longa amizade pode nascer o amor mais profundo.

Acho que já deixei bastante claro na resenha anterior o quanto eu sou grata ao livro 3 da série Os Bridgertons por me permitir chegar a este. Todas as expectativas que eu trouxe até aqui foram atendidas e supridas pelo meu mais novo casal favorito: o bem humorado Colin Bridgerton e a brilhante Penelope Featherington.
Eu não sei nem por onde começar a falar sobre um livro que me deixou tão apaixonadinha durante a leitura. Então, vamos por partes.
As grandes estrelas desse romance são, como deveria ser, o casal que protagoniza. Comecemos por ele: Colin é, até agora, o meu Bridgerton homem favorito. Veremos se Gregory poderá superar isso, mas o irmão número 3 é muito querido por mim. Eu adoro seu humor e adoro sua sagacidade, tudo nele atendeu a tudo o que eu esperava.
"Jamais lhe ocorrera que escrever fosse algo prazeroso para ele. Era algo que simplesmente fazia. Fazia-o porque não conseguia se imaginar sem aquilo. Como viajar para terras estrangeiras e não manter um registro do que via, do que vivenciava e, talvez o mais importante, do que sentia?" (página 89)
No entanto, eu vou arranjar uma briga com alguém que disser que esse livro não é sobre a Penelope. Para mim, ela é a estrela mais luminosa desse livro. É tudo sobre ela, tudo. Se tornou a minha "mocinha" favorita. Forte, inteligente, perspicaz... Muito autêntica, mesmo que quase ninguém enxergasse isso nela. 
Os diálogos deles dois eram tudo o que eu ficava esperando no livro. São envolventes, inteligentes, exprimem o melhor dos dois. Eu amo que até os segredos deles se conversam e fazem com que eles se encaixem tão bem, assim como o conceito que cada um tinha sobre "realização de vida". Em determinado momento, a sensação que eu tinha era de que o ideal de vida de sucesso para Penelope era o que Colin tinha e, para ele, o contrário. Isso adiciona uma camada de profundidade na história deles que vai além da quebra de expectativas da sociedade em ver uma Featherington (e justo aquela) casada com um Bridgerton (e justo aquele). 
"- Eu te amo mais do que tudo. - Ele se inclinou para frente e a beijou suavemente nos lábios. - Pelos filhos que teremos, pelos anos que passaremos juntos. Por cada um dos meus sorrisos e mais ainda pelos teus." (página 299)
A cereja do bolo, para mim, foi a relação de Penelope com Lady Danbury, essa que só criei mais afeição desde que assisti à série. 
Sou muito suspeita para fazer essa resenha. Enquanto na anterior eu praticamente só fui críticas negativas, aqui eu sou apenas elogios. Fugindo dos spoilers, devo dizer bem por cima também que amei o desfecho. Estou apaixonada pelos dois. Leria muito mais. 
Foi ótimo para finalizar essa primeira metade da série, satisfeita com a forma como Julia Quinn traça os caminhos de seus personagens tão independes e, ao mesmo tempo, tão bem costurados. É normal já estar sofrendo com o fim daqui a alguns livros?

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo

Autora: Taylor Jenkins Reid
Editora: Paralela
Ano de publicação: 2017 (tradução: 2019)
Nº de páginas: 360
Narração: 1ª pessoa
Título original: The Seven Husbands of Evelyn Hugo
Sinopse: Lendária estrela de Hollywood, Evelyn Hugo sempre esteve sob os holofotes – seja estrelando uma produção vencedora do Oscar, protagonizando algum escândalo ou aparecendo com um novo marido... pela sétima vez. Agora, prestes a completar oitenta anos e reclusa em seu apartamento no Upper East Side, a famigerada atriz decide contar a própria história – ou sua "verdadeira história" –, mas com uma condição: que Monique Grant, jornalista iniciante e até então desconhecida, seja a entrevistadora. Ao embarcar nessa misteriosa empreitada, a jovem repórter começa a se dar conta de que nada é por acaso – e que suas trajetórias podem estar profunda e irreversivelmente conectadas.

"Porque eles são só maridos. A Evelyn Hugo sou eu."
É isso o que acontece quando começamos um livro com muitas expectativas e ele vai nos surpreendendo a cada novo capítulo? É normal sentir que alguma coisa que ele trouxe nos mudou? Foi essa a impressão deixada em mim por esse livro. 
De cara, confesso que não simpatizei muito com ele. Começa com a voz de Monique Grant, uma jornalista que aparenta ter uma vida nada extraordinária. Está tentando subir na carreira e rapidamente é possível perceber como isso é algo importante para ela – pelo que entendemos logo nos primeiros capítulos, ela acabou de se divorciar numa daquelas bifurcações "escolher o marido" x "escolher a carreira". Embora seja convicta pelo caminho da sua carreira, ela ainda sofre um pouco pelo término, ocorrido há poucas semanas. 
"Precisa encontrar um trabalho que faça seu coração bater mais forte, e não um que deixe seu peito apertado."
É logo no começo que Monique é procurada pela assessoria de Evelyn Hugo para realizar uma suposta entrevista. Após anos reclusa, Evelyn há muito tempo não faz tantas aparições públicas e as entrevistas, então, foram extintas. Mas agora, com quase 80 anos, tendo uma das vidas mais conturbadas, polêmicas e – por que não? – bem vividas de Hollywood, ela está organizando um leilão de seus lendários vestidos e todas as revistas estão atiçadas para conseguir o máximo de informação sobre isso.
Quando Monique e Evelyn se conhecem, fica evidente que existe algo por trás do motivo para Evelyn chamá-la, especificando que se não fosse a jornalista em questão, não seria mais ninguém. Mas o motivo não é revelado a princípio e, cá entre nós, não é a busca por ele que faz com que o leitor fique preso a esse livro. O grande e inabalável motivo tem nome, sobrenome, carisma e talento invejáveis: Evelyn Hugo.
A proposta de Evelyn, então, é que Monique escreva uma biografia autorizada da atriz, que só poderá ser publicada após a sua morte. À medida em que Evelyn conta a sua história, falando sobre toda a sua carreira e tudo o que nunca foi contado sobre seus sete maridos, rapidamente descobrimos que a história dela vai muito além disso. 
"O que fica na minha cabeça no fim de semana – da sexta à noite ao domingo de manhã no parque – não é "como meu casamento foi por água abaixo?", e sim "quem diabos foi o grande amor da vida de Evelyn Hugo?""
Quantas mulheres não foram reduzidas a seus relacionamentos amorosos? Quantas mulheres não foram rotuladas de acordo com seus corpos, deixando de lado quem elas realmente eram/são? Evelyn nos faz pensar sobre como a nossa sociedade ainda tem muito o que aprender, mesmo que a história que ela está contando, em grande parte, tenha se passado no século passado. 
Evelyn é uma das personagens mais difíceis de descrever, tal como seu livro. A única coisa que posso afirmar com certeza é que fui muito cativada por ela, assim como Monique se sentiu durante todo o período em que estiveram juntas. Devido aos sentimentos conflitantes, nesse livro todo tipo de sentimento pelas personagens é permitido, sobretudo perceber seus erros. Durante a leitura, nós somos chamados a ponderar suas escolhas e atitudes porque, afinal, é uma história que evoca muito a nossa capacidade de ser empático. Você não precisa achar se é certo ou errado, só precisa entender que houveram motivações e, sobretudo, não há arrependimento em Evelyn por ter sido quem foi e por ter feito o que fez.
"Desconfie de homens que precisam muito provar alguma coisa."
Eu vou indicar esse livro para todo mundo, porque é incrível. O símbolo feminino representado por Evelyn e toda a discussão que o livro pode trazer sobre sexualidade tornam essa história tão necessária! E se você for se aventurar por ela, fique ciente de que são pouquíssimos os homens que prestam nessa história – eu avisei que é bem próxima da realidade... E que ela não é mesmo sobre eles. Além disso, aborda temas tão relevantes que, mais do que nunca, resgatam essa história fictícia para a nossa atual realidade.



Foto: Acervo pessoal | Frase do rapper Emicida reproduzida no documentário "AmarElo" (Netflix).

Hoje, há quase um ano vivendo de perto esse caos que meses antes chegou por aqui na Terra, tive um daqueles baixos dentre tantos altos que persisto em viver apesar de tudo. Aqueles baixos em que o meu quarto, que geralmente é confortável e me abriga bem, começou a parecer pequeno - o teto mais baixo, as paredes mais estreitas, um calor inexplicável e a necessidade de sair daqui.

Não, não sair para qualquer lugar. Não obstante tanto tempo, ainda me reservo no direito de ser um pouco exigente. Eu queria ver gente. Queria ver gente andando, falando, rindo alto de uma maneira que não fosse por meio de uma tela. Queria não ser interrompida por uma conexão ruim. Queria não ter que encarar a frieza das mensagens por WhatsApp.

Sei que não é à toa que o momento roubou o nosso riso e tirou o brilho dos nossos olhos. São pessoas partindo todos os dias. Milhares delas. Todos os dias. E estamos, mais do que nunca, nas mãos de um maluco genocida. É demais querer que alguém esteja sorrindo nesse momento. 

Mas a saudade é inevitável. Uma saudade que não vem com data de validade, porque sequer imaginamos quando sairemos disso. Assim, vamos vivendo dia após dia, esperando o momento em que poderemos passar pela porta e reviver a liberdade. E me dirijo até mesmo àqueles que estão preferindo se expor e se colocar em risco, porque, cá entre nós, isso não é a verdadeira liberdade. Mesmo que em graus diferentes, essa onda caótica atinge a todos nós e me dói saber que alguns não se importam com isso. Desses, também sentirei certa saudade.

Digo isso porque, sim, essas pessoas já não podem estar mais aqui (nesse lugar que criei para proteger os meus). Sendo bem sincera, não sei até que ponto essa situação toda vai nos ensinar em termos de humanidade. Admiro quem consiga ser tão esperançoso assim. Mas é fato que me ensinou muito sobre quem eu quero comigo e sobre quem se mostrou egoísta, mesquinho e ignorante. Vou sentir saudade da ideia que eu tinha antes sobre essas pessoas.

A saudade de agora, como eu ia dizendo, não se direciona completamente a indivíduos específicos. Ela me fala sobre aquele tempo em que eu ia para a faculdade em um ônibus lotado, sozinha com o céu cheio de nuvens que é a minha cabeça com tanto pensamento atropelado. Saudade de tomar café com meus amigos na barraquinha que fica na esquina da faculdade. Saudade de encontrar minhas amigas da escola e recontar as mesmas histórias que lembramos sempre que estamos juntas - e rimos da mesma maneira. Saudade de fazer planos com data de realização, sabe? Coisas concretas. É isso. Tudo hoje parece que está flutuando na nossa frente. Uma onda de incertezas com a qual não sei lidar e me inunda todos os dias.

Tem uma frase dita pelo Emicida que me toca sempre que essa saudade me invade, sempre que penso como antes o abraço era fácil, sempre que me dói pensar em todas as vidas perdidas. "É no encontro que a nossa existência faz sentido". Como, então, encontrar sentido nesses tempos de tantos desencontros? 

Se o abraço falta, se o toque não é permitido, se existem tantas barreiras nos impedindo de viver - e tantas coisas nos ameaçando de perder a vida... Eu só espero que possamos continuar cuidando dos nossos, mesmo que aos trancos e barrancos. Lamentando a perda de muitos, torcendo para que não hajam tantas a mais. Estou morrendo de medo, sabe? Mas tentando lembrar da frase do Emicida para que, quando puder encontrar todo mundo, as coisas voltem a fazer sentido.



Autor(a): Lyssa Ray Adams 

Editora: Arqueiro 

Nº de páginas: 320

Narração: 3º pessoa

Sinopse:

A primeira regra do clube do livro é: não fale sobre o clube do livro. 


Gavin Scott é um astro de beisebol, devotado ao esporte. No auge de sua carreira, ele descobre um segredo humilhante: a esposa, Thea, sempre fingiu ter prazer na cama. Magoado, Gavin para de falar com e ela e acaba piorando o relacionamento, que já vinha se deteriorando. Quando Thea pede o divórcio, ele percebe que o orgulho e o medo podem fazê-lo perder tudo. 


Bem-vindos ao Clube do Livro dos Homens 


Desesperado, Gavin encontra ajuda onde menos espera: um clube secreto de romances, composto por alguns dos seus colegas de time. Para salvar seu casamento, eles recorrem à leitura de uma sensual trama de época, Cortejando a condessa. Só que vais ser preciso muito mais do que palavras floreadas e gestos grandiosos para que Gavin recupere a confiança da esposa.


Eu poderia fazer essa resenha de diversas formas: falar sobre a narrativa equilibrada do livro, da importância que a história dar aos romances, ou mesmo sobre casamentos. Mas decidi ir pelo caminho em que tenho que me abrir com vocês. 

Nas primeiras páginas do "Clube do Livro dos Homens" conhecemos Gavin Scott, não como o famoso jogador de beisebol, mas como um bêbado chorando as mágoas de um casamento fracassado. Sua esposa, Thea, pediu o divórcio após informar ao marido que não sentia mais prazer com ele. Na tentativa de entender o que precisava para salvar seu casamento, Gavin entra em um clube secreto de romances, formado por colegas de time e alguns conhecidos da cidade. Para surpresa de Gavin, ele enxerga o reflexo de sua própria história nas páginas de uma trama de época e descobre que tem muito a aprender sobre o casamento e si mesmo. 

"— Palavras não importam, Gavin — explicou Mack, estranhamento sóbrio. — São as ações que contam. E, se ela aprendeu a desconfiar do amor na infância, não importa quantas vezes você se declare. Você a fez duvidar do amor quando foi embora." Capítulo 8

É exatamente esse reflexo que Gavin enxerga que me fez enxergar o meu próprio. Isso porque a narrativa de Lyssa Kay Adams é divertida, bem construída, inteligente e com críticas diretas a visão que os homens e a sociedade têm dos romances, mas sim porque ela não enxerga seus personagens como uma simples página. Eles são um livro todo. Existe Thea antes de Gavin e Gavin antes de Thea, e todas as feridas que foram abertas no passado e mal suturadas decidiram romper todos os pontos agora. E assim como Gavin, eu tenho problemas na fala. Falo rápido demais, me atropelo, às vezes gaguejo e sei como é doloroso o olhar do outro quando é algo que você não faz porque quer. 

"Ele estava fingindo. Estava fingindo havia meses antes daquela noite. Fingindo que tudo estava bem entre os dois quando claramente não estava, porque era mais fácil fingir do que enfrentar a verdade: estavam se afastando, ele a estava perdendo." Capítulo 20

Um dos pontos centrais da narrativa é a família. Thea e Gavin se casaram às presas quando ela engravidou de gêmeas. Ele, vindo de uma família aparentemente perfeita, não se sente confortável em assumir que o casamento não está indo tão bem. Ela, por sua vez, vinda de uma família partida, sente que está repetindo as falhas dos pais e se perdendo. Dessa forma, mesmo com as tentativas de Gavin de reatar o casamento, Thea não consegue se entregar. Os machucados de seu passados continuam doendo, sangrando e ela acredita que Gavin será mais um a abandoná-la. 

Talvez quem não tenha uma história frustrada com o pai, ou mesmo com alguém muito importante que tenha te machucado muito, Thea pode parecer "complicadinha" demais, mas não é. Eu a entendo. A sensação de abandono fica para sempre na gente, principalmente quando vem de alguém que deveria ser o nosso porto seguro. Lembro como se fosse hoje, mesmo que na época tivesse 5 anos, do meu pai indo embora. Lembro de ir me perdendo dele ao longo dos anos, da gente olhando um para o outro, sabendo que ali existe amor, mas não reconhecimento. E essas dores, assim como outras, me fizeram ser uma pessoa fechada para relacionamentos com homens, para confiar neles em geral. 

E assim como Thea, eu fingia. Fingir que tá tudo bem é mais fácil, só que uma hora a gente cansa e vê que existe uma bagunça enorme para ser consertada. Por esses motivos, o "Clube do Livro dos Homens" foi tão importante pra mim. Ele abriu meus olhos para o que eu não queria ver e mostrou porque era importante que eu passasse a enxergar. 

O "Clube do Livros Homens" fala sobre casamento, amor, amizade, romance, mas, sobretudo, da importância de curarmos as dores antigas para que possamos desfrutar do presente e construir um futuro sem mágoas.


         




 

Autor(a): Holly Black

Editora: Galera Record

Narração: 1ª pessoa

Nº de páginas: 307

Sinopse:

A intrigante e sangrenta continuação do best-seller do New York Times, O príncipe cruel. Vencedor do Goodread Choice Awards 2019. Para sobreviver do Reino das Fadas, Jude Duarte precisou aprender muitas lições. A mais importante delas veio de seu padrasto: o poder é bem mais fácil de adquirir do que de manter. Ela achou que, depois de enganar Cardan para que ele jurasse obedecê-la por um ano e um dia, sua vida se tornaria mais fácil. Mas ter qualquer influência sobre O Grande Rei de Elfhame parece uma tarefa impossível, principalmente quando ele faz de tudo em seu poder para humilhá-la e prejudicá-la, mesmo que seu fascínio pela garota humana permaneça intacto. Agora, com as ondas ameaçando engolir a terra e um alerta de traição iminente, Jude precisa lutar para salvar a própria vida e a daqueles que ama, além de lutar contra seus sentimentos conflituosos por Cardan no meio-tempo. Em um mundo imortal, um ano e um dia não são nada...


Ao deslizar os olhos pelas primeiras palavras de Holly Black em "O Rei Perverso", já somos preparados para o que vai acontecer na jornada de Jude Duarte no Reino das Fadas. Se em "O Príncipe Cruel", vemos a jovem mortal se transformar em uma nova versão de si mesma na busca pelo poder, em "O Rei Perverso", permanecer com o poder é a grande questão.  Nas palavras de Mardoc: O poder é bem mais fácil de adquirir do que de manter (página 13). 

Além de ser um livro de fantasia, "O Rei Perverso" é uma narrativa política. Movimentos são feitos, desfeitos e ninguém é confiável. Parece que a todo momento algo irá acontecer, alguém mudará de lado ou mesmo se revelará em outro alguém. No passo que Jude parecia uma personagem inconstante em "O Príncipe Cruel", sempre surpreendendo o leitor e a si mesma, nesse é ela que olha com desconfiança para todos os lados, medindo milimetricamente o que irá fazer. Se antes ela havia transformado o medo em ódio e com isso conquistando o poder, agora ela segura com tanta força que ele simplesmente desliza por seus dedos.

Antes ela era apenas uma mortal, brincar com ela e a machucar alimentava os desejos cruéis dos feéricos, mas em sua posição atual, Jude pôs um grande alvo em suas costas e fazer parte do jogo de guerra do Reino da Fadas pode não ser tão divertido. 


"A dor fortalece, disse Madoc uma vez, me fazendo erguer uma espada repetidas vezes. Acostume-se com seu peso." Página 171

 

É incrível como Holly nos apresenta um mundo completamente mágico, muito parecido com nossas fantasias infantis, em que todas as possibilidades são possíveis e até as árvores têm vida, mas resolve mostrar o outro lado da moeda. No Reino das Fadas os humanos podem sim ser "felizes", embebidos em uma névoa bonita e enxergar a mais pura beleza, mas nesse meio tempo estão sendo manipulados, sugados e cada dia mais se transformando em cinzas, até que não existam mais. 

Por isso é tão interessante ver uma mortal entrando como peão no jogo de xadrez do Reino das Fadas, querendo se transformar em cavalo, para fazer parte da tropa, e de uma hora para outra se vê como o bispo, a conselheira da realeza, preparada para fazer todas as jogadas e defender o seu rei. Qual seria seu próximo passo?

Só que as coisas se tornam turbulentas e Jude de repente se vê afundando, sem ar, sem forças, se afogando completamente. Assim, deixando o poder deslizar de suas mãos, por mais que as aperte com força o suficiente para tirar o próprio sangue. Então o bispo sai da jogada. As outras peças estão jogando. E o rei, antes o príncipe displicente, se ver desprotegido e tendo que virar a peça mais importante do jogo. Cardan, que antes deixava a coroa pender em sua testa, rindo quase bêbado, a organiza em sua cabeça e se levanta. É a sua hora de jogar.


"— Me beija de novo — pede ele, bêbado e tolo. — Me beija até eu ficar cansado do seu beijo." Página 64

 

É muito claro que mesmo que os títulos dos dois primeiros livros se tratem de Cardan, a protagonista da história é Jude. Ela é a dona da narrativa. A história de Cardan é desenvolvida durante as brechas, como se estivesse rodeando, se preparando, prestes a ser contada. Mas agora suponho que ele terá uma voz tão forte quanto de Jude e que certamente ele irá nos surpreender. Aliás, o que falar da relações deles? É palpável o desejo de ambos um pelo outro e de como a luxúria pode vir agarrada ao ódio. 

Para finalizar, havia dito que o bispo havia saído da jogada, não é? Só que a rainha é a peça mais poderosa de todo o tabuleiro. Ela é capaz de fazer tudo.


             

                                                                                        


 Autor(a): Beth O'Leary 

Editora: Intrínseca

Narração: 1ª pessoa

Nº de páginas: 400

Sinopse:

Eles dividem um apartamento com uma cama só. Ele dorme de dia, ela, à noite. Os dois nunca se encontraram, mas estão prestes a descobrir que, para se sentir em casa, às vezes é preciso jogar as regras pela janela.

Três meses após o término do seu relacionamento, Tiffy finalmente sai do apartamento do ex-namorado. Agora ela precisa para ontem de um lugar barato para morar. Contrariando os amigos, ela topa um acordo bastante inusitado. 

Leon está enrolado em questões financeiras e tem uma ideia pouco convencional para arranjar dinheiro rápido: sublocar seu apartamento, onde fica apenas no período da manhã e da tarde nos dias úteis; já que passa os finais de semanas com a namorada e trabalha como enfermeiro no turno da noite. Só que tem um detalhe importante: o lugar tem apenas uma cama. 

Sem nunca terem se encontrado pessoalmente, Leon e Tiffy fecham um contrato de seis meses e passam a resolver as trivialidades do dia a dis por Post-its espalhados pela casa. Mas será que essa solução aparentemente perfeita resiste a um ex-namorado obsessivo, uma namorada ciumenta, um irmão encrencado, dois empregos exigentes e alguns amigos superprotetores?



Não sei se vocês entendem de crochê, mas do pouco que entendo sei que para se começar uma peça é necessário dar a laçada inicial e fazer a conhecida correntinha. Essa é a base do crochê. O problema é que a correntinha é fácil de fazer mas se não for dado um nó bem feito no final, logo se torna apenas um fio. Por que estou dizendo isso? Bem, Tiffy está tentando construir essa bendita corrente. 


Ela dar o seu primeiro ponto quando decide sair da casa que divide com o ex-namorado, Justin. Não é um movimento fácil, pelo contrário, mas é necessário. É daqui que as coisas vão começar a mudar para ela. Com pouco dinheiro e tendo que pagar para Justin o dinheiro do aluguel dos meses que passou em sua casa, a decisão mais viável é dividir uma cama com um desconhecido. Não bem dividir. O plano é que eles realmente nem se vejam, estando cada um em turnos diferentes na casa. A comunicação de ambos se resumem a bilhetinhos em Post-its, o que poderia ser silencioso e monótono, mas se torna barulhenta e instigante. 


Deixando um pouco a Tiffy e sua correntinha, quero falar sobre Leon. Leon é em enfermeiro de cuidados paliativos e passa a noite e a madrugada em uma casa de repouso trabalhando e precisa muito de dinheiro, por isso a ideia de botar sua cama para "alugar". Só que assim como Tiffy, Leon está passando por um momento complicado, daqueles que decisões bruscas são necessárias. Isso porque seu irmão está preso injustamente. 


Então aqui temos duas pessoas tentando seguir em frente de alguma forma, elas estão lutando para isso. Esse é o primeiro ponto que os amarra. Mas eles são diferentes entre si, é importante frisar. Tiffy é mega colorida, ama um bazar e é super tagarela, já Leon não se importa muito com as cores e nem é de falar muito, é bem mais na dele e tudo bem. Essa inclusive é uma marca que vemos nos bilhetes trocados entre eles. 


"Oi, Leon 


    Não sei. Na verdade, nunca pensei nisso por esse ângulo. Minha reação inicial é: "Sim, ele é bom para mim." Mas não sei. A gente brigava muito, um daqueles casais sobre quem todo mundo gosta de fofocar (a gente já se separou e voltou algumas vezes). É fácil lembrar os momentos felizes - e a gente teve uma porção e foram incríveis -, mas acho que, desde que a gente se separou, só consigo me lembrar disso. Então sei que estar com ele era divertido. Mas será que era bom pra mim? Arg. Não sei.


    Por isso o pão de ló com geleia caseira.


    Bjos, 


    Tify." Página 70


Mas voltando para a correntinha: Tiffy e Leon continuam dando formas a uma simples linha, só que em certos momentos Tiffy trava e desfaz alguns pontos. Isso porque ela está tentando escapar das amarras de um relacionamento abusivo sem ao menos entender que ele a faz mal. Justin frequentemente brinca com seus sentimentos, seu psicológico e a faz duvidar de si mesma, das suas próprias ações e decisões. Então, quando ela está bem, sorrindo e conquistando coisas, já quase solta de sua influência, ele aparece, como um fantasma. É um jogo psicológico e Tiffy está cansada de não entender o que ele quer. Existem momentos que ele a trata bem, diz que a ama, no outro tá com outra mulher, a cobrando por um aluguel. Mas além disso, é que ele a faz duvidar do que ela pensa, do que é melhor para ela. Então ele poda sua autoestima, seus gostos, suas amizades e até mesmo manipula suas decisões, fazendo a acreditar que disse uma coisa quando na realidade disse outra. Por isso que é tão difícil para Tiffy continuar construindo sua correntinha: porque de hora para outra vem uma mão segurando a sua e desfaz todos os pontos construídos com tanto suor. Simplesmente por ele achar que sabe o que é melhor para ela. 


Isso é um relacionamento abusivo. O abusador não precisar gritar, espernear, bater, mas ele machuca tanto e fere seu psicológico que você simplesmente se torna dependente dele, para cuidar e chutar na hora que quiser. 


"Meu pai gosta de dizer que "a vida nunca é simples". É uma de sus frases favoritas


    Na verdade, não concordo. A vida costuma ser simples, mas a gente não nota até que ela se torna absurdamente complicada, tipo quando só se fica feliz por estar bem quando se fica doente, ou quando só se fica feliz com sua gaveta de meias-calças quando se rasga um par e não tem nenhum sobrando." Página 178


Só que entre os post-its engraçadinhos e comidas deixadas um para o outro, Tiffy e Leon criam um laço forte. Ambos se importam verdadeiramente um com o outro. Tiffy se mostra um grande apoio para Leon e toda a situação que ele está passando, dando para ele a pontinha de esperança que tanto precisava. 


Tiffy precisava de alguém que a enxergasse, a valorizasse e fizesse seu sorriso ser mais fácil, que não fosse alguém para apagar o seu brilho e não comemorar suas conquistas. Esse é alguém é Leon. Dessa forma, a relação deles começa na mais pura forma de apoio e empatia. Ambos são gentis um com o outro e era isso que eles precisavam. 


Importante frisar que nessa jornada eles não estavam sozinhos, Gerty, Mo, Richie, Rachel e tantos outros personagens constroem a ponte para que eles se fortalezam individualmente e juntos. 


Quando enfim li a última página e fechei o livro, fiquei muito feliz em ver que a correntinha estava completa e que um nó apertado havia sido feito em seu final. O caminho jamais seria desfeito novamente. 

 


                   




 


Autor(a): Mariana Zapata

Editora: Charme 

Nº de páginas: 480

Narração: 1ª Pessoa

Sinopse: 

Se alguém perguntasse a Jasmine Santos como ela descreveria os últimos anos de sua vida em uma única palavra, ela, definitivamente, usaria uma com quatro letras. Depois de dezessete anos e incontáveis promessas e ossos quebrados, ela sabe que as portas para competir na patinação artística estão começando a se fechar. Mas a oferta mais incrível de sua vida surge por meio de um cara arrogante e idiota que ela passou a última década desejando poder lançar na direção de um ônibus em movimento. Então, Jasmine compreende que precisará reconsiderar tudo. Inclusive Ivan Lukov.

Fazia um tempo que eu não enlouquecia com uma leitura, sabe? Não gritava e surtava com um casal a ponto de me deixar sem sono e xingando para as paredes. E as minhas últimas leituras haviam sido assim: muito boas, mas nada havia realmente mexido comigo e me feito dar pulinhos pela casa. De Lukov, com amor, fez isso. 

A história tem uma premissa simples: Jasmine é uma patinadora maravilhosa, mas não enxerga um futuro bom em sua carreira desde que seu parceiro de patinação a abandonou e agora luta para continuar seguindo seu sonho. Do outro lado temos Ivan, a grande estrela da patinação em dupla, e que agora, precisa de uma parceira nova. E quem seria essa parceira? Jasmine. O problema, claro, é que eles se odeiam. 

Se for comparar a leitura de "De Lukov, com amor" com uma montanha russa de sentimentos, os primeiros que encontramos são a frustração e a decepção. Jasmine deixa bem claro isso quando diz: 

"Preocupar-me em ser um fracasso e uma decepção não eram coisas que se podia consertar. Eles estavam lá. O tempo todo. E se havia uma maneira de trabalhar neles, eu ainda não havia aprendido." Capítulo 3

Ela não é uma personagem boazinha, que sorri para a vida e para todos a sua volta. Ela está cansada, saturada, machucada e quer mandar todo mundo se foder mesmo. Mas ela é dura na queda, forte, e não permite desistir, porque ela a patinação é tudo que tem e é. 

É como se Jasmine fosse uma árvore antiga, de raízes profundas, mas que vem sendo podada durante muito tempo. Parece que ela não consegue crescer, florescer e que quando suas flores começaram a se abrir para sentir o sol, alguém vem e a corta. A chance dela é a agora e ela vai encarar, mesmo que seja com o cara que ela chama de Satã. 

Sobre o Ivan, aí, cara. Enquanto escrevo isso tô igual uma boba sorrindo, porque eu me apaixonei por ele, de verdade. Chego a ficar toda arrepiada! Mas é isso, desde a sua primeira aparição, com seu jeitinho debochado e briguento, eu sabia que ia amar ele, sabia! Se a Jasmine é essa força da natureza, explosiva e sem medo de ser quem ela é, Ivan é um mar calmo, poderoso em sua essência, misterioso, mas um ponto de equilíbrio no meio do furacão. Talvez seja por isso que ambos sejam tão bons juntos. Eles possuem ritmo, sincronia e aprendem a confiar um no outro na marra. Porém, eu realmente acho que o coração de Ivanzinho já batia de um jeito diferente em relação a Jasmine e acho que ele também sabia disso. 

A narrativa é um slown burn, que significa literalmente "chama lenta", ou seja, o casal demora, mais demora, e como demora, pra se pegar. Mas quando se pega, meu amor, não há bombeiro que apague essa chama! Só que essa chama lenta é muito gostosa de acompanhar, porque a autora não tem pressa de desenvolver eles, tanto individualmente como juntos, então vemos como ambos aprendem a ter confiança entre si, como se tornam amigos e se inserem no cotidiano um do outro.  E apesar da Jasmine ter uma família enorme e extremamente carinhosa, é lindo ela se sentir a pessoa favorita de alguém, sentir que alguém confia nela e estar ao seu lado para tudo. 

Voltando para a montanha russa de sentimentos, o momento que me balançou de um lado para o outro e me fez ter um encontro com minhas próprias dores, é a relação machucada de Jasmine com seu pai. "Você pode ter todo o talento do mundo e ainda assim, não valer nada [...]" (Capítulo 11) é essa bendita frase que seu pai disse e a atormenta, mas o que me machucou de verdade foi encontrar a minha dor com a dela, no seguinte trecho:

"Por que era fácil esquecer que o amor era complicado. Que alguém podia te amar e querer o melhor para você e, ao mesmo tempo, parti-la ao meio. Havia algo muito peculiar em amar alguém da maneira errada. Era possível amar demais alguém. Com muita força" Capítulo 17 

Jasmine abre seu coração ao leitor e prova que o amor pode doer muito, principalmente quando você simplesmente não consegue parar de amar aquela pessoa. Eu sinto esse amor que dói desde pequeninha em relação ao meu próprio pai e escrevo tudo isso com lágrimas nos olhos, porque dona Mariana Zapata conseguiu mexer demais comigo e atingiu pontos fortes dentro de mim.

Ainda nesse mesma montanha russa, estamos chegando em seu final, com o coração disparado, os pulmões cansados e a garganta seca de tanto gritar. Depois da adrenalina, vem aquela calmaria e a sensação "ufa, acabou" e aí que encontramos o amor. Após essa longa jornada, com frustrações, decepções, felicidade, raiva e tantas outras coisas, o amor de Ivan e Jasmine fica cristalino. Ambos se amam e não tem como negar isso. Eles demonstram a forma mais pura de amar alguém, que é querendo a felicidade do outro e estando presente. Ambos estão ali, um para o outro, agarrados a uma corda invisível, não deixando que o outro se perca dentro de si.  

"Amor para mim era honestidade. Ser verdadeiro. Conhecer alguém em seu melhor e pior. O amor era um impulso que dizia que alguém acreditava em você quando você não acreditava em si mesmo." Capítulo 18

           

Autor(a): Helen Hoang

Editora: Paralela 

Nº de páginas: 280

Narração: 3ª Pessoa


Sinopse: 

Um romance que prova que o amor muitas vezes supera a lógica. Já passou da hora de Stella se casar e constituir família - pelo menos é isso que sua mãe acha. Mas se relacionar com o sexo oposto não é nada fácil para ela: talentosa e bem-sucedida, a econometrista é portadora de Asperger, um transtorno do espectro autista caracterizado por dificuldades nas relações sociais. Se para ela a análise de dados é uma tarefa simples, lidar com os embaraços que uma interação cara a cara pode parecer uma missão impossível. Diante desse impasse, Stella bola um plano bem inusitado: contratar um acompanhante para ensiná-la a ser uma boa namorada. Enfrentando uma pilha cada vez maior de contas, Michael Phan usa seu charme e sua aparência para conseguir um dinheiro extra. O acompanhante de luxo tem uma regra que segue à risca: nada de clientes reincidentes. Mas ele se rende à tentação de quebrá-la quando Stella entra em sua vida com uma proposta nada convencional. Quanto mais tempo passam juntos, mais Michael se encanta com a mente brilhante de Stella. E ela, pela primeira vez, vai se sentir impelida a sair de sua zona de conforto para descobrir a equação do amor. "Fazia tempo que não lia um livro assim, tão completo: é engraçado, triste, comovente e impossível de parar de ler." - Christine Feehan, autora best-seller do New York Times (CONTÉUDO ADULTO)


Antes de falar propriamente sobre o livro em si, queria dizer que já o queria ler por vários motivos: a capa bonita, a sinopse super interessante e as resenhas positivas de amigas minhas. Mas o que realmente me impulsionou a fazer a leitura foi ler primeiro "Perfeito para o papel". Como "Perfeito para o papel" também aborda a Síndrome de Asperger, fiquei muito curiosa de como seria um livro protagonizado por uma pessoa portadora, e ai finalmente fui ler a obra de Helen Hoang. 

Em "Os Números do Amor", conhecemos a história de Stella, uma mulher metódica, que trabalha em uma grande empresa como economestrista e é portadora da Síndrome de Asperger. A questão é que a sua família quer que ela encontre um namorado e comece a própria família, só que Stella tem problemas em se relacionar com o sexo oposto. Para resolver isso, ela contrata Michael Phan para ensiná-la a ser uma boa namorada e conseguir ter relações sexuais (vou ser direta aqui, mona mur). 

"Estava quase funcionando. Sua mente estava enevoada, mas de um jeito bom. Distraía sua atenção da dor de cabeça que sentia, e do fato de que estava completamente fora da rotina, o que em geral a deixaria irritada e frustrada até que as coisas voltassem ao normal." Capítulo 15

Eu tinha boas expectativas sobre esse livro, é daqueles que eu bato o olho e espero dar cinco luas, mas ele conseguiu ser tão bom que é até complicado de explicar. "Os números do amor" possui uma premissa já conhecida de outras histórias, mas com muitos elementos únicos, como o fato do Michael ser de uma família Vietnamita e essa cultura ser marcante durante toda a narrativa. 

Sobre a questão da Stella ter Asperger, é crucial em toda a história, ela não seria ela sem a síndrome, e é doloroso e ao mesmo tempo bonito entender como ela se sente, quais são suas dores, o que a incomoda e como às vezes ela deixa que os outros digam certas coisas e ajam de certas maneiras porque não quer incomodar. Acho que esse não é só um sentimento da Stella. Nós como mulheres, às vezes tão podadas e interrompidas, nos boicotamos e agirmos com medo de incomodarmos o outro. 

Tudo que ela sentiu, dentre seus medos e sua frustação, eu também pude sentir na minha pele. E a partir do momento que ela percebe que estava se apaixonando e como é gostoso se sentir amada, cuidada, essa sensação também invadiu o meu peito. Eles realmente se encontraram um no outro e exalam química por entre as páginas. O desejo que ambos sentem um pelo outro é palpável, assim como o amor, e a forma como ele quebra ela e a faz se sentir diferente, assim como ela com ele. É simplesmente lindo. Sim, me apaixonei por eles completamente, 

'"Estou obcecada por você, Michael", ela confessou. "Não quero só uma noite ou uma semana. Quero você o tempo inteiro. Gosto de você mais do que cálculo algébrico, e olha que matemática é a única coisa capaz de unir o universo. [...]' Capítulo 19

Mas além de ter me apaixonado por essa história e de tudo que ela representa, dando sexualidade, amor, sensualidade, expressões, raiva e tristeza as pessoas que tem Síndrome de Asperger ou algum grau de autismo, eu me apaixonei por Helen Hoang, Os agradecimentos dela foram tão reais e tão significativos que tornou toda aquela história que eu já tinha lido, melhor. Tô emotiva, quero chorar. 

É isso, leiam "Os números do amor" (vocês viram o conteúdo adulto na sinopse. Tá avisado!) e fiquem frustradas comigo por não terem um Michael!  E dona Paralela, a senhora não me faça de besta e publique o segundo livro, viu. Obrigada. 

              

                                                                              




Eu sempre tive mania de organização e sempre gostei de anotar coisas. Mas, como se fosse uma fuga total da minha personalidade, até ano passado eu não anotava os meus livros lidos do ano. Talvez se deva ao fato, também, de que 2020 foi o ano que mais li - devido ao tempo ocioso no começo da quarentena - e ficava mais difícil de lembrar. Aí eu encontrei essas alternativas que complexavam um pouco mais as anotações que eu fazia no meu próprio caderno (que consistia em uma lista com os títulos, as datas de leitura e uma avaliação atribuída por mim). 
Achei válido trazer essa listinha para falar um pouco sobre cada um deles e divulgar o meu perfil e da Isabelle também (visto que em 2021 consegui trazer ela pra esse mundinho também). 

1. Goodreads

Acredito que seja o aplicativo mais utilizado nesse sentido, em termos mundiais. Foi lançado em 2007 e comprado em 2013 pela Amazon - o que permite que você faça integração com o seu Kindle. Nele, você consegue registrar suas leituras, participar de fóruns de discussão sobre os livros e gerar listas das suas leituras. Agora, o aplicativo para celular tem algumas "partes" traduzidas para a língua portuguesa (antes era só inglês e no site ainda tem opção para outras línguas, mas não português), embora algumas seções ainda venham na língua inglesa. Como é o aplicativo mais usado, tem muitas discussões e muitos registros, o que pode ser ideal para você que não tem o impedimento da língua estrangeira. A maior desvantagem para mim é que não acho o aplicativo tão intuitivo, o que torna o uso mais complicado e inacessível.

2. Skoob

Rede social brasileira para brasileiros, lançada em 2009. O usuário pode registrar os livros, separando por etiquetas e tags. É possível escrever resenhas e interagir com outros usuários; sendo tudo em português, o aplicativo inteiro é acessível para nós. Ele também é muito intuitivo, além de que as muitas maneiras de catalogar me satisfazem (uma vez que sou a louca da organização). Tem sido, de longe, um dos meus aplicativos favoritos. E como ninguém é perfeito, às vezes ele tem alguns probleminhas como ficar fora do ar e demorar um tempinho para voltar; as estantes podem parecer trabalhosas de organizar (eu, no entanto, adoro) e algumas pessoas não gostam da aba "Geral", onde você tem acesso às publicações de pessoas que você nem mesmo segue.
Ah, e segue a gente lá: Letícia Lobo e Isabelle Maciel.

3. Cabeceira

Aplicativo desenvolvido pela TAG Livros com o intuito de organizar as leituras dos usuários. Possui um escaneador dos livros na aba de busca e (uma das coisas que acho mais legal) um cronômetro que calcula o seu tempo de leitura segundo o seu próprio ritmo. Você pode avaliar os livros e registrar o seu progresso de leitura, bem como a data de término. A única coisa que não curto tanto é que, ao contrário dos anteriores, esse não tem a mesma estrutura de rede social (o "quase isso" do título se refere a ele), ou seja, você não consegue interagir com outras pessoas, assim como também não tem como acessá-lo pelo computador. Além disso, alguns livros de lançamento independente e de outros tipos não aparecem no catálogo. Mas a interface do aplicativo ganha muitos pontos comigo, além da minha parte favorita: ele tem uma aba de metas e conquistas que, para mim, funciona muito bem como um motivador para as minhas leituras.

Hoje em dia, usamos outras redes sociais para falar das nossas leituras - Twitter e, principalmente, o Instagram. O nicho de leitores é muito grande nessas redes sociais, mas confesso que me encanta a proposta de mídias focadas especificamente na leitura. Desde que comecei a usar, eu só quis ler mais e mais e mais, além de que sou muito viciada em ficar organizando e mexendo neles. Você usa algum deles? Acha que esqueci de algum? Até a próxima!


 

"Sophie fitou o relógio mais uma vez. Duas horas. Duas horas que ela teria que fazer durar a vida inteira." (página 32)

Um Perfeito Cavalheiro

Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Ano de publicação: 2001 (tradução: 2014)
Número de páginas: 295
Narração: 3ª pessoa
Título original: An offer from a gentleman
Sinopse: Sophie sempre quis ir a um evento da sociedade londrina. Mas esse parece um sonho impossível. Apesar de ser filha de um conde, ela é fruto de uma relação ilegítima e foi relegada ao papel de criada pela madrasta assim que o pai morreu.
Uma noite, porém, ela consegue entrar às escondidas no aguardado baile de máscaras de Lady Bridgerton. Lá, conhece o charmoso Benedict, filho da anfitriã, e se sente parte da realeza. No mesmo instante, uma faísca se acende entre eles. 
Infelizmente, o encantamento tem hora para acabar. À meia-noite, Sophie tem que sair correndo da festa e não revela sua identidade a Benedict. No dia seguinte, enquanto ele procura sua dama misteriosa por toda a cidade, Sophie é expulsa de casa pela madrasta e precisa deixar Londres. 
O destino faz com que os dois só se reencontrem três anos depois. Benedict a salva das garras de um bêbado violento, mas, para decepção de Sophie, não a reconhece nos trajes de criada. No entanto, logo se apaixona por ela de novo. Como é inaceitável que um homem de sua posição se case com uma serviçal, ele lhe propõe que seja sua amante, o que para Sophie é inconcebível.
Agora, os dois precisarão lutar contra o que sentem um pelo outro ou reconsiderar as próprias crenças para terem chance de viver um amor de conto de fadas. Nesta deliciosa releitura de Cinderela, Julia Quinn comprova mais uma vez seu talento como escritora romântica. 

Desde que a primeira temporada de Bridgerton foi lançada na Netflix, as autoras deste humilde blog estão com suas estruturas abaladas. Não teve jeito, a empolgação foi muito grande. Não é segredo que a Isabelle é apaixonada pela série de livros e isso já tem algum tempo. Mas foi só em 2020 que a paixão dela - e o anúncio de que teríamos a série - me influenciou a ler os livros. Li os dois primeiros (que, inclusive, temos resenhas aqui no blog) e gostei. Gostei bastante. Era diferente, visto que foi o meu primeiro contato com esse gênero e foi mesmo uma ótima porta de entrada.
No entanto, quando cheguei ao livro 3, a minha relação com a Julia Quinn ficou um pouco balançada. Ainda ano passado, dei início à leitura e estagnei logo nas primeiras páginas. Não consegui sair do canto. A história do casal não me prendeu. 
Passaram-se meses e quando assisti à temporada, o Benedict me encantou. Somado a isso, eu tinha aquela vontade de dar prosseguimento à leitura, então, na virada do ano, quem me procurasse me veria com a cara enfiada nas páginas de Um Perfeito Cavalheiro.
A releitura de Cinderela realmente nos chama atenção, sobretudo porque temos aqui uma gata borralheira que sofre muito (mas muito mesmo) nas mãos da madrasta. Sophie é uma mulher muito forte e aguentou muita coisa sozinha. Tornou-se uma das "mocinhas" mais admiráveis na minha percepção.
"Imaginava que havia mulheres capazes de abrir mão disso por paixão e amor. Parte dela desejava ser uma dessas mulheres. Mas não era. O amor não podia vencer tudo. Pelo menos não para ela." (página 219)
Mas, cá entre nós... Não vi nada de cavalheiro no Benedict, coisa que o título me prometia. E eu nem estou falando da parte das chantagens, propostas inadequadas e, ainda por cima, de se aproveitar de alguém tão vulnerável quanto Sophie estava. Estou falando do mínimo que ele poderia ter feito para se mostrar um cavalheiro. Se eu me baseasse nas coisas que ele diz, talvez até pudesse considerá-lo um cavalheiro apaixonado - suas atitudes que me incomodam. Não darei spoilers, porém acho que no momento de maior necessidade, que ele devia ter se mostrado esse tal cavalheiro, foi a mãe dele que apareceu para resolver tudo.
E ainda bem! A Violet foi o meu respiro nesse livro, assim como todos os momentos em que a Sophie interagia com as mulheres Bridgertons. Quanto a esse Benedict, passe mais tarde.
Sobre o relacionamento dos dois, é um amor avassalador e praticamente à primeira vista (mesmo que depois o bobão aí tivesse precisado olhar várias vezes para se dar conta de que era ela). Eu só queria que eles tivessem sido sinceros um com o outro desde o primeiro momento.
"Ótimo - murmurou Benedict. - Agora eu vou embora. E você tem apenas uma tarefa enquanto isso: vai ficar bem aqui e continuar sorrindo. Porque me parte o coração ver qualquer outra expressão em seu rosto." (página 189)
Eu realmente amei o Benedict da série. Adoro o arco em que ele se insere, descobrindo que pode ir além com a sua paixão pela arte e pelo desenho. Queria que isso tivesse sido mais desenvolvido em seu livro. Vou me prender a ele com toda a força, porque o da literatura é um chato (e me desculpem por isso).

Gif do Tumblr Bridgertonian

Espero não magoar ninguém (ainda mais), mas o maior valor desse livro para mim foi dar continuidade à série. Há muitos romances que quero conhecer ainda (sobretudo o próximo, Os Bridgertons #4), então isso foi bom. E, embora não tenha amado o livro, tenho ótimas expectativas para esse romance na série e como ele poderá se desenrolar. 
"Eu posso viver com você me odiando - disse ele em direção à porta fechada. - Só não posso viver sem você." (página 157)