(Reprodução: Netflix)

Sinopse: 

Na Índia rural, onde o estigma da menstruação persiste, mulheres produzem absorventes de baixo custo em uma nova máquina e caminham para a independência financeira.


O documentário em curta-metragem de apenas 26 minutos, ganhou muita notoriedade após ganhar o Oscar de melhor documentário em curta no último domingo (24). Foi o primeiro Oscar da diretora Rayka Zehtabi, e foi patrocinado por vários estudantes e assusta ao falar que a menstruação continua sendo um tabu. 
Estamos em pleno século 21 e essas mulheres nunca haviam usado um absorvente! Alguns homens entrevistados achavam que o período menstrual era uma doença que atingia as mulheres! Isso além de falta de informação é negligenciar todo um povo.
A personagem central desse documentário quer ser uma policial e começa a produção de absorventes na sua própria casa, empregando mulheres, dando um pouco que seja de independência a elas, e além disso, oferecendo um produto bom e barato para meninas que mal conseguem falar sobre menstruação.
Acompanhar a jornada dessas mulheres por apenas 26 minutos foi tão profundo quanto um filme de 2 horas. A história é simples e impactante.

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                                                            (Reprodução: Netflix)

Por fim, é importante que todas nós, mulheres, apoiem e falem sobre esse curta-metragem e sobre a questão menstrual, não deixando a vergonha nos abater. Menstruar é normal! Eu, como mulher que cresci rodeada de mulheres, sempre foi uma questão tranquila e a minha primeira menstruação, ou a conhecida menarca, foi um momento que eu sabia que iria acontecer e não me assustei em nada. Agora, existem centenas de meninas e mulheres por aí, que veem isso como uma maldição, como algo sujo e ruim e que muitas vezes enxergam o sangramento como morte. 
Menstruação faz parte do que a mulher é. Não tenha medo da sua feminilidade! Continue apoiando essas causas e dê visibilidade para trabalhos assim, pois assim estaremos ajudando a causa e educando mais pessoas. Um Oscar não significa somente um prêmio, mas sim dar importância, destaque e incentiva mais trabalhos assim no meio da indústria cinematográfica. 
Por fim, vou deixar o link para o site, o The Pad Project, que é uma ONG que disponibiliza algumas dessas máquinas apresentadas no curta, para país e regiões onde a mulher ainda é vandalizada nesse sentindo e que precisam de acesso a um produto higiênico e que lhe dê liberdade. 

                       

                           
                                                              


                                 

Autor(a): Lauren Layne 
Editora: Paralela
N° de páginas: 176
Narração: 1° Pessoa 

Sinopse:

Nessa recontagem moderna de A Bela e a Fera, Lauren Layne nos traz uma história irresistível de perdão, cura, e, acima de tudo, amor. Aos 22 anos, Olivia Middleton tem Nova York aos seus pés. Por fora, ela é a garota perfeita  linda, inteligente e caridosa. Mas por dentro ela guarda um segredo terrível: um erro que a afastou das duas únicas pessoas que realmente importavam na sua vida. Determinada a esquecer o passado, ela deixa Manhattan e vai trabalhar como cuidadora de um soldado recém-chegado da guerra. Mas o que ela não esperava era que seu paciente fosse um jovem enigmático de 24 anos tão amargurado quanto cativante. Paul Landon está furioso   com o mundo, com a vida, com o seu pai e, acima de tudo, consigo mesmo. Depois de sofrer na pele os horrores da guerra do Afeganistão, a última coisa que ele quer é a companhia de uma princesa nova-iorquina linda, mimada e irritante. A presença de Olivia parece tóxica para Paul, mas ele não consegue afastá-la, mesmo tentando muito. Por mais que lutem contra uma atração intoxicante, Paul e Olivia não conseguem se manter distantes. Agora, precisam decidir: eles vão ajudar um ao outro a curar as feridas do passado ou vão se manter, para sempre, em pedaços?


Uma versão de A Bela e a Fera proibidão. De certa forma, quando eu li a sinopse eu esperava bem mais desse livro, mas bem mais mesmo. Devo dizer a todos que foi uma grande decepção. Eu realmente me forcei a acabar o livro e agradeci a Deus por ter finalmente chegado ao fim. Talvez eu esteja sendo dramática demais, mas faltou desenvolvimento na história toda. Tudo meio que acontece atropelado e várias ocasiões que poderiam se desencadear em bons conflitos são deixadas de lado e simplesmente não acontece nada. 
O problema de tudo é porque eu gosto de me apaixonar pelos personagens logo de cara, e tanto Olivia quanto Paul não geram essa simpatia no leitor. Até mesmo eles como casal não geram isso, porque a autora não soube criar uma tensão em volta dos dois e foi tudo muito direto. Diria que cabia mais umas 100 páginas para realmente desenvolver as personagens. Tanto que em muitos livros a gente acaba se apaixonando pelos personagens secundários e neste eles não tem  nem espaço.
Esse terrível segredo que a Olívia guarda não é nada de terrível assim, é uma história que todo mundo conhece e deve ter até visto no Caso de Famílias. A narrativa do Paul é mais complicada e tem tudo a ver com estresse pós-traumático e como a vida dele mudou depois da guerra e como obviamente ela deixou marcas visíveis e invisíveis, só que repito, não é bem trabalhada.
E já que estou sendo crítica além do normal, tenho que dizer que a capa do livro pode até ser bem bonito, e nós entendemos o quão importante é que a capa seja atrativa e instigue o leitor, mas também é importante que essa capa conte uma história e essa diz basicamente: somos dois jovens bonitos e ricos que querem se pegar. E realmente eles são dois jovens ricos e bonitos (apesar das cicatrizes do Paul) mas se você quer passar a mensagem para o leitor que aquela história fala sobre duas pessoas em pedaços e que elas precisam se reconstruir essa capa não fez sentido nenhum. A editora falhou miseravelmente nesse sentido. Apesar de eu não gostar muito das capas dos romances eróticos porque acho que reduzem muito a história a um tanquinho, pelo menos faz sentindo!
Agora, como em todo livro existem lados positivos e este está entrelaçado a como a escrita da autora flui bem, é uma escrita bem simples e isso gera uma boa comunicação com o leitor, mas o problema, foi que ela deixou tão simples, com capítulos tão pequenos que acabou não gerando um pingo de simpatia em mim. Os capítulos também são alternados nos pontos de vista de Olivia e Paul e isso é bom para gente ter uma ideia completa da obra.
Eu sinceramente não gosto de falar mal de livros, pois gosto de me apaixonar pelas histórias e quando não acontece eu fico realmente chateada.
Mas e você, já leu alguma coisa da Lauren Layne? Vale a pena ler os outros livros dela? Me diz aí nos comentários e também pode recomendar outros livros para futuras resenhas.


                                                                  


                                                       


Autor(a): Sophie Kinsella 
Editora: Record 
Número de Páginas: 378
Narração: 1° Pessoa 

Sinopse: 

De uma forma divertida, Sophie Kinsella nos mostra que as pessoas que mais conhecemos são aquelas que também mais podem nos surpreender. Juntos há dez anos, Sylvie e Dan compartilham todas as características de uma vida feliz: uma bela casa, bons empregos, duas filhas lindas, além de um relacionamento tão simbiótico que eles nem chegam a completar suas frases  um sempre termina a fala do outro. No entanto, quando os dois vão ao médico um dia, ouvem que sua saúde é tão boa que provavelmente vão viver mais uns 68 anos juntos...e é aí que o pânico se instala. Eles nunca imaginaram que o "até a morte nos separe" pudesse significar sete décadas de convivência. Em nome da sobrevivência do casamento, eles rapidamente bolam um plano para manter acesa a chama da paixão: de um jeito criativo e dinâmico, passam a fazer pequenas surpresas mútuas, a fim de que seus anos (extras) juntos nunca se tornem um tédio. Porém, assim que o Projeto Surpresa é colocado em prática, contratempos acontecem e segredos vêm à tona, o que ameaça sua relação aparentemente inabalável. Quando um escândalo do passado é revelado e algumas importantes verdades não ditas são questionadas, os dois  –  que antes tinhas certeza de se conhecerem melhor do que ninguém  – começam a se perguntar: Quem é essa pessoa de verdade?...". Um livro espirituoso e emocionante que esmiúça os meandros do casamento e que demonstra como aqueles que amamos e achamos que conhecemos muito bem são os que mais podem nos surpreender. 

            "  — Se amar é fácil, então você não está amando direito. (Capítulo 13)"

O título original dessa obra é "Surprise Me" que seria em tradução livre: Me Surpreenda, e acho que é exatamente esse o espírito de todo o livro. Dan e Sylvie, um casal que já estão juntos há 10 anos e descobrem, após o resultado de um check-up anual que provavelmente vão ficar mais 68 anos juntos. É claro que os dois dão uma surtada e se perguntam como passarão por esses longos anos.
É um livro definitivamente sobre casamento e isso foi uma experiência muito legal para mim, que nunca havia entrado em contato com um livro que tratasse diretamente sobre o assunto. Sylvie tenta procurar de várias formas as melhores alternativas para passarem esses anos e os dois acabam no "Projeto Me Surpreenda", onde os dois preparam pequenas surpresas um para o outro, para manter a chama do casamento acessa.
É óbvio que nem todas dão certo, e até uma cobra é envolvida no meio. Entre ensaios sensuais e lembranças do passado estava claro que algo ia dar errado.
Mas observando por um contexto geral, o livro nos primeiros capítulos não me prendeu tanto, mas depois eu simplesmente não conseguia parar de ler e se tornou o melhor livro que li em janeiro. Ao longo dos capítulos, aqueles personagens que achávamos que já conhecíamos de cara, desabrocham para o leitor e a cada página se torna mais fascinante. No começo do livro eu não havia percebido, que além da obra obviamente falar sobre casamento, ele fala sobre amadurecimento e mesmo sobre empoderamento feminino. Sylvie tem uma crescente enorme ao longo da história e um livro que de certa forma era para ser engraçadinha, no final estava me fazendo refletir e conter as lágrimas.

"— Acho que um relacionamento é como duas histórias — Digo, por fim, abrindo caminho com cautela em meio aos meus pensamentos. — Como...dois livros abertos, pressionados um contra o outro, com todas as palavras se misturando em uma grande e épica história. Mas, se pararem de se misturar...— Ergo a cabeça para dar ênfase. — Então voltam a ser duas histórias independentes. E é ai que acabou. — Junto as mãos, derramando champanhe.  — Os livros se fecham. Fim." (Capítulo 10)

Dan é um amor e gerou muitos conflitos no meu coração, até eu perceber que ele era uma estrela que brilhava lindamente em toda aquela bagunça de palavras. As personagens secundárias são muito importantes, desde os vizinhos, Tilda e seu filho Toby e o professor Russel, eles demostram outra parte da vida, de suas próprias experiências e de seu amores. O local que Sylvie também trabalha é uma graça e pude jurar que no começo pensei que Robert, o sobrinho da dona, poderia ser um problema (vocês vão entender quando ler).
Então existe um ponto delicado, este que todo mundo consegue se identificar, que é a família. Sylvie perdeu o pai há alguns anos e era praticamente Deus no céu e ele na terra. Um homem simplesmente endeusado por todos — menos por Dan. — e que adorava os longos fios louros de Sylvie. A mãe dela sofre por uma visão perfeita de seu falecido marido e como gosta de enxergar as coisas da sua maneira. As gêmeas do casal são uma fofura a parte e torna todo o casamento de Dan e Sylvie mais sério ainda. 


"— Costumo acordar cedo. — Diz ele, por fim. — Então vejo Owen despertar todas as manhãs. E cada manhã revela algo novo. A luz captura seu rosto de uma determinada forma, ele tem um pensamento novo, ele compartilha uma lembrança. Amar é achar uma pesssoa infinitivamente fascinante. — John parece perde-se novamente em pensamentos...e então retorna. — E portanto não é uma conquista, minha querida. — Ele me oferece um sorriso suave e bondoso. — É, sim, um privilégio." (Capítulo 16)
Por fim, assim como o título original, o livro surpreende, de uma forma que eu não imaginaria o qual profundo ele foi. Definitivamente, Sophie Kinsella é uma deusa e esse livro já está entre os melhores que li na vida. Pois além de tudo, entre loucuras e tiradas engraçadas, ele é verdadeiro e eu sempre vou adorar quando uma história citar uma estria ou outra, pois isso gera representatividade e realidade no que autora apresenta.






                                           



(Via pinterest)

O caminho para o amor próprio está mais para uma grande escalada. E acho que ela está equiparada a subir o Evereste. Eu com certeza não atingi o topo e provavelmente vai demorar um bom tempo para que isso aconteça. Falar e escrever é muito fácil, inclusive esse texto é uma fichinha para o que é isso de verdade. 
O começo é porque estamos condicionadas a procurar falhas, em nós mesmas e nos outros. Procurar falhas parece ser um grande hobby da maioria das pessoas. A gente olha nossa bunda no espelho e pensa: puxa, a bunda daquela modelo não tinha uma estriazinha! Nem mesmo um furinho de leve. E a barriga pode estar de qualquer jeito, mas sempre vai ter a gordurinha aqui e ali. Os seios poderiam estar um pouquinho mais empinados e o nariz facilmente poderia ser igual a de tantas mulheres que fizeram rinoplastia. A verdade é que é difícil se enxergar no espelho e se sentir maravilhosa, linda para caralho. Mas sinceramente, o pior não chega a ser isso. O pior é nos rebaixarmos porque simplesmente achamos que não existe amor para nós, que de toda forma nada vai dar certo, e que somos insuficientes e chatas demais. 
Esses são pensamentos que já me inundaram muitas vezes, principalmente quando você gosta de alguém e esse alguém não gosta de você. Simplesmente parece que é difícil admitir que às vezes as pessoas não gostam das outras e que não temos culpa nenhuma nisso. Já me culpei demais por não ser amada, e o meu maior erro foi não perceber que antes de qualquer dessas coisas eu precisa unicamente e precisamente de mim. Saber que não existe nada de errado em ser eu e que mesmo os defeitos me fazem ser assim. Lógico que não estou falando para você não mudar. Devemos mudar e isso naturalmente vai acontecendo ao longo dos anos, e essa é a graça da coisa: nos reinventarmos cada dia, descobrir uma nova pessoa ao longo das décadas. 
Não é errado ter dias ruins ou simplesmente não gostar de nenhuma foto entre mil selfies. O amor é uma construção e estamos no caminho desse amor desde que nascemos. Não é fácil estar com alguém 24 horas por dia, com todos os pensamentos e incertezas, então é claro que uma hora ou outra a gente queira ser outra pessoa, com outra vida e outros desafios. Somos reais! E é complicado não viver na imagem fabricada da internet, aonde a felicidade é infinita, as brigas políticas são recheadas de palavrões e paisagens e mulheres são todas iguais. O que nos faz bonitas e únicas são as nossas pequenas particularidades, como as cicatrizes de acne que contam uma adolescência espinhenta, os seios caídos de tanto amamentar, ou como as unhas do dedão do pé são diferentes porque uma caiu na infância. Nossas marcas, sinais e diferenças contam a nossa história, se revelando bela em cada curva.
No fim, essa é uma jornada que acabou de começar e ainda restam muitos quilômetros para serem percorridos. Chorar agora e até o nosso fim faz parte, o que não deve fazer parte é nos encarramos como problema, quando no fim, somos solução. O amor cura, e chegaremos no dia em que seremos o nosso próprio antidoto. 
                                                                                                                                                                   
                                                             

                               

Autor(a): Julia Quinn
Editora: Arqueiro 
N° de páginas: 272
Narração: 3° pessoa 

Sinopse:

Considerada a "rainha dos romances de época" pela Goodreads, Julia Quinn já atingiu a marca de 10 milhões de livros vendidos. Mais lindo que a lua, primeiro livro da série Irmãs Lyndon, é uma história irresistível sobre reencontros e desafios, romantismo e perseverança. Foi amor à primeira vista. Mas Victoria Lyndon era a filha do vigário, e Robert Kemble, o elegante conde de Macclesfield. Foi o que bastou bastou para os pais dos dois serem contra a união. Assim, quando o plano de fuga dos jovens deu errado, todos acreditaram que foi melhor assim. Sete anos depois, quando Robert encontra Victoria por acaso, não consegue acreditar no que acontece: a garota que um dia destruiu seus sonhos ainda o deixa sem fôlego. E Victoria também logo vê que continua impossível resistir aos encantos dele . Mas como ela poderia dar uma segunda chance ao homem que lhe prometeu casamento e depois despedaçou suas esperanças? Então, quando Robert lhe oferece um emprego um tanto incomum – ser sua amante , Victoria não aceita, incapaz de sacrificar a dignidade, mesmo por ele. Depois de tantas mágoas, será que esses dois corações maltratados algum dia serão capazes de perdoar e permitir que o amor cure suas feridas? 


Eu já li 16 livros da Julia Quinn, contando com esse, e ela é simplesmente minha rainha, mas esse livro foi uma decepção. Posso tentar explicar dizendo que esse foi um dos primeiros livros dela e é antes de 2000 e dos Bridgertons, mas mesmo assim o livro iria continuar não sendo bom. O grande problema no livro são os personagens, tanto Victoria quando Robert não conquistam o leitor ao longo da história. No começo eles geram uma simpatia, mas depois de todos os acontecimentos e quando eles se encontram mais velhos, não existe mais esse toque especial. 
Mas a questão em si é como o relacionamento de Victoria e Robert se torna quase abusivo, com ele não respeitando nenhuma de suas decisões. Simplesmente, me mostrou o que os homens eram naquela época: mandões, arrogantes e que não aceitavam um não (O que infelizmente parece ser o mesmo reflexo de hoje). Ao longo do livro fui me incomodando muito com essas atitudes e chega ao ridículo quando ele simplesmente a sequestra! Tá legal, ela podia até continuar amando ele e blá blá blá, mas isso não dar direito nenhum dele sobre ela.
Apesar de achar Victoria meio chatinha, entendo todas as suas dúvidas. Ela havia sido muito machucada pela vida, enfrentando empregos terríveis e inclusive muito assédio. O que é claro é que ela está cansada e tem medo de se frustar novamente, por isso prefere seguir por um caminho sem grandes aventuras mas que a dê tranquilidade.
"— Você me deu a lua, Robert. Não, fez mais do que isso. Você me pegou e me levou até ela. — Após uma longa pausa, continuou: — E então eu caí. E doeu demais quando aterrissei. Não quero isso de novo" 
Lógico que existem pontos positivos na narrativa, e isso se dá muito pela forma que a Julia escreve. A leitura não é pesada e os capítulos transcorrem rapidamente, e além de que conseguimos nos mergulhar na história e sentir que realmente estamos na Inglaterra de séculos atrás.
Por fim, esse é o primeiro livro da duologia das "Irmãs Lyndon" e posso dizer que já li o segundo e que ele é ma-ra-vi-lho-so! 


                                                              

Nota: Olá! Esse é o meu primeiro post de 2019 de um livro que li ainda em 2018 e espero que tenham gostado. Queria desejar um um bom ano pra todos vocês que leram essa resenha, que todos os sonhos sejam realizados e todo esse blá blá. Já comecei as minhas leituras de 2019 e quero saber o que vocês também estão lendo. Além disso, se você leu "Mais lindo que a lua" deixe aqui sua opinião também.
                                                                                                                                                                                                                           


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(via Amazon)

Um milhão de finais felizes

Autor: Vitor Martins
Editora: Globo Alt
Páginas: 352
Lançamento: 26/06/2018

Sinopse: Jonas não sabe muito bem o que fazer da vida. Entre suas leituras e ideias para livros anotadas em um caderninho de bolso, ele precisa dar conta de seus turnos no Rocket Café e ainda lidar com o conservadorismo de seus pais. Sua mãe alimenta a esperança de que ele volte a frequentar a igreja, e seu pai não faz muito por ele além de trazer problemas.
Mas é quando conhece Arthur, um belo garoto de barba ruiva, que Jonas passa a questionar por quanto tempo conseguirá viver sob as expectativas de seus pais, fingindo ser uma pessoa diferente de quem é de verdade. Buscando conforto em seus amigos (e na sua história sobre dois piradas bonitões que se parecem muito com ele e Arthur), Jonas entenderá o verdadeiro significado de família e amizade, e descobrirá o poder de uma boa história.

Comecei 2019 lendo Um milhão de finais felizes como parte do meu projeto de ler mais neste ano. É verdade que eu achei que leria muito mais depois que entrasse na faculdade, mas é ainda mais verdade que eu fico atolada de coisas da faculdade para ler e não consigo ler coisas mais leves. Este é o meu segundo livro de janeiro, só que o outro não me instigou a escrever uma resenha; mas, esse, sim.
Vitor Martins é um youtuber ao qual eu assisti pouquíssimas vezes; contudo, vi muitos falarem sobre os livros e quis saber do que se tratava. Porém, a princípio, eu sabia que ele é gay e que gosta de ler/escrever sobre o tema - e eu sei que isso é o "sobre o autor" mais superficial que vocês já viram, mas eu preciso ser sincera sobre o que eu sabia.
Aí, já na sinopse do livro, comecei a ter as primeiras impressões. Tive a experiência que relatei aqui de, em Os Dois Mundos de Astrid Jones, me deparar com aquele processo em que o adolescente descobre/questiona a sua sexualidade e tem toda aquela fase de ter o primeiro beijo com alguém de quem realmente gosta, contar para os pais, lidar com os preconceitos e os obstáculos de ser fora do padrão. Eu confesso que tenho certa preguiça de livro que segue essa linha; acho que a comunidade LGBTQ+ tem muito mais coisa para falar do que só essa transição de "sair do armário" como eixo principal, sabe? Agora, imagine você tamanha foi a minha surpresa e alívio ao perceber que o livro em questão não se tratava disso. (Um adendo - ou mais que isso: Talvez Os Dois Mundos de Astrid Jones não seja apenas sobre essas descobertas de Astrid e eu apenas não tenha me conectado com o livro da forma que poderia; cada um com suas impressões. No post sobre a história de Astrid, eu disse que não entendia a necessidade de se assumir não-hétero, porque ninguém precisa se assumir hétero, nem é julgado por isso - hoje, eu já vejo de uma outra forma, como se o ato de assumir seja também uma forma de ser resistência e já considero como algo muito importante, para que se empodere e procure por mais visibilidade dentro da diversidade. Então é isso. Vamos para a resenha:)
Jonas é um garoto saindo da adolescência, que se vê perdido na vida por diversos motivos. O primeiro, ele não entrou para uma faculdade logo que saiu da escola, nem mesmo sabe se é isso o que ele quer para a vida. Segundo, sua família não é o seu porto seguro; o pai é conservador e instável emocionalmente; a mãe é religiosa, daquelas que vive pela igreja e pela sua família, sobretudo para "servir" ao marido. Em terceiro, vive um conflito com sua fé, sem saber ao certo o que "Deus" significa para si mesmo, tentando não se prender aos dogmas da igreja, em especial porque foi sob esta atmosfera de restrição em que ele cresceu. Assim, ele vive em um dilema entre fazer os pais felizes, o que significaria a sua infelicidade, e a própria felicidade de Jonas, que provavelmente significaria a infelicidade de sua família - e que também iria representar o "desapontamento de Deus". 
"Algumas pessoas na rua começam a tirar os guarda-chuvas de suas bolsas, mas ninguém abre ainda porque a chuva ainda não começou. É assim que eu me sinto por dentro. Eu sei que a tempestade vai começar a qualquer momento, mas ainda é cedo para me proteger. Não tem uma gosta sequer caindo, mas o céu não me engana. Eu sei que vai chover a qualquer instante. É só esperar."
Contrapondo-se ao cenário confuso em casa, Jonas tem seus amigos. Este é um ponto importantíssimo da história, pelo qual também fiquei encantada. Seria o bastante dizer que é uma história sobre amizade, se eu precisasse defini-la em uma palavra. Nós, leitores, somos espectadores de amigos que se tornam família e abraçam como a família deveria fazer. Abraçam, ajudam, amam e protegem. Amigos que amparam. E, até onde eu sei, isso é uma característica muito frequente para a comunidade LGBTQ+: a família que se escolhe diante de tantos casos em que a família biológica acaba rejeitando a pessoa somente por ela ser quem é.  
"– O que eu quero dizer é – Karina continua. – A felicidade não dura para sempre. Você precisa aproveitar enquanto ela está aqui."
 Jonas também nos conta sobre o seu primeiro relacionamento de verdade. Foi quando eu me vi em uma das únicas experiências literárias em que o clímax não se trata de um conflito entre o casal. O relacionamento deles é saudável, sem intrigas, por exemplo, devido a ciúmes ou problemas que muitas vezes não fazem sentido na minha cabeça. Jonas e Arthur são um casal real, com problemas e momentos reais, que se amam e só querem fazer dar certo. Preciso destacar os diálogos que sempre me deixavam querendo mais e me fazendo querer ser amiga deles também. É linda a forma como eles se abraçam e podem gritar que se amam porque, independentemente da conjuntura que vivemos no Brasil, da onda de conservadorismo e de homofobia, eles podem ser resistência juntos. Jonas irá lidar com o início do namoro, com encontros divertidos e repletos de expectativa (até mesmo da nossa parte), com a primeira vez que disse "eu te amo" amorosamente e outros tipos de "primeiras vezes"; são, certamente, um dos meus casais favoritos da ficção.
"Meu rosto fica vermelho, mas eu não sinto vergonha porque ele está sorrindo para mim. O que sinto é novo. É uma vontade esquisita de ficar aqui. Os lanches e a batata acabam, mas eu não quero ir embora. É como se todas as letras de músicas de amor fizessem sentido de repente."
 Duas coisas me fizeram abraçar ainda mais o livro: 1. Ele é ambientado em São Paulo, em torno da Avenida Paulista - e isso me deixa feliz, porque eu queria ler mais coisas com o Brasil de cenário e tudo fica ainda mais divertido quando se passa em lugares que você conhece e sente que aqueles personagens são ainda mais reais; 2. Jonas é aspirante a escritor e dificilmente ele consegue levar uma história adiante, mas quando Arthur surge na sua vida, ele consegue ir além com uma história sobre piratas gays, e nós podemos ler seus capítulos ao longo de Um milhão de finais felizes. Então, além de querer saber mais sobre os relacionamentos de Jonas, eu também queria saber como andava a história dos piratas. Foi um aspecto divertido.
Este livro me deixou surpresa e com o coração quentinho em momentos notáveis. Nada que fosse surreal, distante de uma história que pudesse realmente ter acontecido e recheado de coincidências e obras do destino. É uma história simples que nos encanta por tratar de coisas reais. Nos agradecimentos, Vitor diz que espera que a leitura tenha sido especial, principalmente se você se identifica com o personagem principal. Devo confessar que eu não me identifico com a problemática central, mas a história foi muito especial e certamente me fez acreditar que, na vida real, as coisas ficam bem, mesmo que pareça que tudo está perdido, porque nós podemos dar o final que queremos à nossa história.
"Eu te amo e tenho certeza de que, mesmo passando por tanta coisa ruim na vida, você ainda guarda um milhão de finais felizes aí dentro."
Pretendo ler o outro livro do Vitor, Quinze Dias, e digo com convicção que Um milhão de finais felizes não se tratou apenas da história em si, mas foi uma oportunidade, para mim, de saber que Vitor não é apenas um youtuber que fala sobre livros e escreve algumas histórias com uma temática que gosta. Ele realmente se preocupa com a mensagem que está passando e eu me senti envolvida por cada parte disso em sua obra.





Autor(a): Sophie Kinsella
Editora: Record
N° de páginas: 384
Narração: 1° pessoa 

Sinopse: 

Em "O segredo de Emma Corrigan", Sophie Kinsella segue a receita que fez da série Os delírios de consumo de Becky Bloom sucesso de público  foram mais de 35 mil exemplares vendidos só no Brasil — e crítica. Com humor e muito charme, ela nos apresenta a Emma, uma inglesa perto dos 30 anos, mas longe de uma definição de vida. Na memória ela guarda situações ultraconfidenciais: como perdeu a virgindade enquanto os pais assistiam Ben-Hur na sala de TV, o que pensa sobre o namorado, as peças que prega nos colegas de escritório, seu peso real. 

Sinceramente, acho que estou me encontrando em um novo gênero, assim como sou simplesmente apaixonada por romances históricos, estou literalmente caindo de amores por chick-lits. O livro todo é maravilhoso, com ótimos diálogos e personagens que nos conquistam nas primeiras páginas. Sophie Kinsella pega em um ponto bem específico quando se propõe a falar sobre segredos, daqueles que todo mundo tem, mesmo que você jure ser a pessoa mais sincera do mundo. Todas as pessoas, escondem algo, mesmo que seja quando você quebrou o copo do liquidificador e tentou juntar os pedaços e fingiu que nada tinha acontecido (desculpa, mãe).
Essa foi a minha primeira experiência de fato com a escrita de Sophie, só tinha assistido o filme de "Os delírios de consumo de Becky Bloom" e sabemos que nunca vai ser a mesma coisa que um livro. O que mais chama atenção e envolve o leitor é porque a escrita é simples (e isso é um elogio), se tornando muito dinâmica e verdadeira. Acho que "verdadeiro" é a palavra que descreve esse livro, com todo o fracasso que a vida adulta pode gerar, com todas as nossas inseguranças e em como nos prendemos em situações constantemente porque simplesmente não sabemos que caminho ir, e assim, nos deixamos influenciar por ambientes tóxicos, onde um grande números de pessoas apenas deseja a sua derrota.
Emma é uma garota comum, e isso nada de mal tem, pelo contrário, acho fantástico. Ela fala pelos cotovelos e está constantemente pensando em coisas malucas, tem um namorado legal, mas ele é meio sem graça, e está insegura sobre muitas coisas, principalmente por ter sido deixada de lado pelos pais e sempre está de alguma forma sendo diminuída pela prima e o seu marido, que rir das suas diversas carreiras e faz piada com a sua vida.
"— Claro que disseram! — Posso ouvir a histeria na minha voz. — Eles não diriam exatamente: "Certo, pessoal, é isso aí, vocês todos vão para o beleléu!" — O avião dá outro salto aterrorizantes e eu me pego agarrando a mão do sujeito, em pânico. — A gente não vai sobreviver. É isso. Estou com 25 anos, pelo amor de Deus. Não estou pronta. Não realizei nada. Não tive filhos. Nunca salvei uma vida...— Meu olhar cai aleatoriamente na matéria sobre "30 coisas antes de fazer 30 anos".— Eu ainda não escalei uma montanha, não fiz tatuagens, eu nem sei se tenho um ponto G..."
Todas as inseguranças que ela carrega foram muito bem compreendidas por mim, principalmente na parte que ela fica nervosa para ter um encontro e sai em disparada para depilar as pernas. É desse tipo de normalidade que sinto falta nos livros de hoje. Outro ponto muito importante para mim é que Jack é um cara sensacional, o mesmo cara que ela contou todos os seus segredos no avião, e que por acaso é podre de rico e seu chefe, tem um toque de diversão e uma vontade de ver o real das pessoas que instiga muito. Ele, com seu puro charme e tom que desbanca qualquer modelo, é totalmente diferente do que vários livros pregam por aí, com o CEO da empresa sendo uma máquina de músculos, com tom arrogante que até dói e uma coleção de carros. Se bem que ele tem uma coleção de carros, mas não acontece aquele fetiche todo, onde a personagem principal fica: "Oh meu Deus, como ele é rico e poderoso". Ele só é um cara muito legal, que instiga toda a verdade em Emma.
Acredito que desde a sinopse dê pra perceber que os dois uma hora ou outra vão acabar se envolvendo, e é uma relação muito bonita, porque enquanto muitos tratavam Emma com desprezo e falsidade (inclusive sua prima), ele gostou dela exatamente daquele jeito, sabendo todos os seus segredos, e de como ela é, toda maluca e engraçada.
 "— Segunda, 7 da manhã. — Ele lê em voz alta. — Corrida rápida ao quarteirão. Hora do almoço: aula de yoga. Tarde: fita de pilates. Sessenta abdominais. — Ele toma um gole de uísque. — Muito impressionante. Você faz tudo isso? — Bem — Digo depois de uma pausa. — Não consigo exatamente fazer todos...quero dizer, eu fui muito ambiciosa...você sabe...é...pois é!"
Porém, o livro não se trata só disso. A obra em si fala muito sobre como somos falhos, isso em relação a amigos, parentes, namorados, etc. E às vezes escondemos tantas coisas apenas para agrandar ao outro, e isso muitas vezes acaba dando aquela "torta de climão" no natal, onde todo mundo é um pouco falso. Apesar de Emma ser uma garota comum, daquelas que mentem até o próprio peso, ela não deixa de ser uma mulher forte, que sabe que deve ser valorizada, mesmo com todas as suas inseguranças, pois mesmo em diversas situações, nós temos a terrível mania de sempre pôr o peso da culpa nos nossos ombros. Acredito que temos muito com o que aprender com Emma Corrigan, com Jack Harper, e todas as amigas malucas (uma inclusive que não é amiga de ninguém) de Emma, e que não devemos ter vergonha de quem somos, pois isso é o que nos faz reais e únicos.
Por fim, fiquei muito feliz em saber que em breve terá uma adaptação para o cinema, produzido e protagonizado por Alexandra Daddario (que mulher maravilhosa) e que poderemos desfrutar dessa maravilha na telona.
O segredo de Emma Corrigan entrou para a lista dos meus livros favoritos e me deu a certeza que todos escondemos alguma coisa de alguém.


          

Nota: O blog fez 5 ANOS! Já faz uns dias desde a data (dia 7/12), e acabou que eu e a Letícia nos esquecemos totalmente. Só queria dizer que apesar de tantos problemas, o blog tem sido uma das coisas por quais eu mais me orgulho e é incrível ver em como mudamos de tantas formas, e melhoramos, ainda bem. No fim, recomendo que não leiam os textos do primeiro ano do blog, eles são bem vergonhosos!
                                                          




My body, my fucking rules.



Quando disseram que você não era capaz porque era apenas uma menina. Quando disseram que você não podia brincar com carros e bola, pois era frágil e se machucaria. Quando reclamaram que você não estava usando brincos e toda menina usa. Quando brigaram com você por ter falado uma palavra “feia” e não disseram nada quando seu irmão disse a mesma coisa (e ainda pior!). Quando compraram sua primeira sandália alta e você, mesmo sem gostar, usava, porque te disseram que meninas fazem isso, obedecem. Quando te deram de presente acessórios de cozinha de brinquedo, como panelinhas, pratos e vinha até com uma pia, mas a sua relação com a cozinha era mais sobre você poder comer tudo o que tivesse vontade.
Quando seu pai disse que você só namoraria aos 18 anos, mas encorajava seu irmão a beijar as “menininhas” da escola. Quando sua mãe falou para você usar mais vestidos, porque precisava parecer mais “mocinha”. Quando você tinha a primeira festa de 15 anos para ir e quiseram alisar seu cabelo – doía, mas você ouviu que “para ser bonita, precisa sofrer” e se contentou com aqueles puxões e deixou que queimassem seus cachos. Quando você começou a desenvolver seu corpo e tinha vergonha de mostra-lo porque alguém disse que você já tinha o corpo de uma mulher formada. Quando disseram que você precisava fazer academia, para ter a cintura de Barbie – mesmo que ninguém tenha perguntado se você queria a tal cintura.
Quando você surtou porque seu irmão podia ir para a festa, mesmo sendo mais novo que você, e você não pôde porque alegaram que não é coisa de menina. E quando disseram, depois desse surto, que você não arranjaria namorado nenhum com aquelas crises.
Quando você teve o seu primeiro beijo e o menino espalhou para a escola inteira que você deixou que ele tocasse em você, mesmo que fosse mentira, e todos julgaram-na de puta – mas ele foi vangloriado. Quando você começou a namorar e o cara era ciumento, possessivo, não queria nem que você tivesse o contato de amigos homens no telefone e você não percebeu, mas ele falava mal das suas amigas para que você não acreditasse nelas quando elas dissessem que esse relacionamento era péssimo para você.
Quando seu pai traiu sua mãe e todos na família disseram que ela devia ter "segurado" ele melhor. Quando você e seu namorado tiveram a primeira vez de vocês e ele achou que você tinha amado, mas na verdade, ele tinha te tratado como um mero objeto. Quando você descobriu que ele não te amava, só queria sexo e sumir na manhã seguinte.
Quando você foi chamada de puta mais uma vez, mas pelo seu pai, que descobriu que você transou antes do casamento, debaixo do teto dele, mesmo que o seu bendito irmão levasse uma menina nova toda semana para casa.
Foram todas as vezes em que você se moldou, se sacrificou e foi apedrejada por ser mulher. Foram as vezes em que tentaram jogar em você padrões e tradições que criaram para nos controlar, nos deixar de fora desta coisa toda de comandar o mundo. Acontece que você pôde perceber, depois, que você nunca precisou ter a cintura de Barbie, que você tinha mais caráter do que o seu irmão, que sua mãe merecia ser tratada como toda mulher merece, que você queria ter prazer ao fazer sexo, que queria estar em um relacionamento e se sentir livre e respeitada (o mínimo, é claro), e que seu corpo, assim como a sua mente – o que, depois, também vimos que são uma coisa só – merecem ser contemplados, valorizados, preservados como preciosidades.
Você jogou fora todas as saias que tinha no armário, parou de usar brincos e engordou alguns quilos. Abriu mão dos números. Conheceu pessoas legais, que só te chamavam de “amor” e coisas assim. Arranjou vários namorados e namoradas, mesmo que ainda surtasse vez ou outra. Machucou os joelhos várias vezes quando descobriu que amava jogar futebol, mas caía sempre, pois nunca deixou de ser desastrada e aquilo já não era mais um problema. Abraçou mais as causas de suas amigas e de outras mulheres, entendendo que todas elas, em algum momento da vida, sofreram e sofreriam de pressões sociais pelo simples fato de serem mulheres; e muitas vezes, não podem nadar contra a maré, como você fez. Nunca mais deixou que encostassem uma prancha no seu cabelo, os cachos pareciam ser uma metáfora sobre a sua vontade (e o cumprimento dela) de ser livre.
Você ainda tinha várias questões consigo mesma, inseguranças e paranoias que seriam difíceis de cicatrizar e renderiam longas sessões com o seu terapeuta. Mas foi quando você se soltou das algemas que te prendiam em um ideal de mulher perfeita, depois de muita luta e muita dor, que você se tornou a mulher mais feliz e a única dona do seu mundo.

              


National Geographic Traveler 2012
(via Pinterest)

Hoje tomei banho de chuva.
Foi engraçado porque já fazia muito tempo que eu não deixava de abrir o guarda-chuva. Tomei por livre e espontânea vontade, em um impulso, completamente diferente de quando eu era criança e era regra me molhar se começasse a chover – sabe como é, né, cidade do Nordeste...
A questão é que eu estava ali, deixando a água cair em mim, pensando como era louco o fato de que parecia chover muito mais do que de fato caía água na minha pele. Mas ali, olhando para o céu, eu também pensava como era ainda mais louco que eu estivesse achando incrível demais que seja possível cair água do céu, ainda que eu saiba das explicações científicas e tudo mais. Eu, que rio da cara de criacionistas (com todo respeito) com meus polegares opositores, estava ali, admirando a água que cai do céu, gelada, abundante.
Os fenômenos naturais sempre me alcançaram de formas diferentes. Nunca foi apenas chuva, nem apenas estrelas cadentes e arco-íris. Parecem ser mais que isso.
Quando me reencontro com gotas de chuva, meu queixo batendo de frio, eu penso que reencontro meus sonhos que deixei para trás, na última vez que tomei banho de chuva. É incrível me perceber diferente hoje, com o cabelo mais indeciso, a pele passando por várias mudanças, uma tatuagem, a cabeça com várias novas ideias e algumas reconfiguradas, posso dialogar facilmente sobre autoestima e relação com o corpo, defendo causas que antigamente me pareciam distantes... Talvez só as unhas mantiveram-se pintadas de preto. Provavelmente, isso será a última coisa que mudarei em mim.
Eu me sinto ótima em saber que não preciso de muito para me colocar no eixo. Sem falar na felicidade que tenho em vestir a roupa quentinha depois, pegar no cabelo molhado e ter a certeza de que, se eu me perder, virão outros dias de chuva. Mesmo que demorem e que fique muito quente antes de finalmente esfriar, a água vai cair. Vou sentir tudo de novo.

                                

Autor(a): Carol Sabar 
Editora: Jangada 
Nº de páginas: 368
Narração: 1° Pessoa

Sinopse:

Parada num engarrafamento no Rio de Janeiro, Bia está pensando em sua vida azarada. O motorista do carro ao lado, tenta se comunicar com ela, mas Bia não o reconhece. Então, ele sai do carro, mas não tem tempo de se explicar, pois começa um violento tiroteio e eles se jogam lado a lado no asfalto. Certa de que está prestes a morrer, Bia entra em desespero e se prepara para dizer suas últimas palavras, na esperança de que seu suposto desconhecido possa levar um recado a Guga, seu amor da adolescência, sem perceber que é ele próprio que está ali, ouvindo a inesperada declaração de amor! Os dois escapam juntos do tiroteio e, a partir daí, começam a se envolver, dia após dia. Guga, sem coragem de assumir sua verdadeira identidade, e Bia, feliz consigo mesma por finalmente estar se apaixonando por alguém que não é o Guga. Nunca uma maré de azar foi tão engraçada!

"Azar o Seu!", foi uma maravilhosa surpresa para mim. Nunca havia entrado em contato com os livros da Carol Sabar, e foi muito bom saber que temos esse potencial brasileiros para livros chicklit. Acredito que por "n" motivos criamos um certo distanciamento da literatura brasileira em geral, e fora a Paula Pimenta e outras autoras que estão na grande mídia, é difícil ver estórias assim em destaque nas livrarias, o que ocasiona no total desconhecimento dos leitores por essas obras.
Efim, se você gosta de Sophie Kinsella, com certeza vai adorar esse livro. A estória em si é muito divertida, com a personagem principal, Bia, fazendo ótimas tiradas e e rindo da própria desgraça. O que diverte e causa reconhecimento com o leitor, principalmente por ser uma leitura de certa forma mais madura, encarando uma vida cheia de tropeços e não com uma visão pura de como a vida adulta é, e sim a encarando com as marcas que ela pode causar. Como o fato da personagem está em situação de desemprego, com dívidas e mais dívidas e ainda ter que aguentar uma entrevista de emprego com um assediador.
A relação dela com o Guga, é de certa forma muito juvenil, surgindo naqueles amores que nos deixam nervosas e ansiosas para a próxima mensagem. Foi uma grande sacada da autora o fato dele não se revelar como Guga e cria um ambiente de expectativa para o momento da revelação ao leitor. 
Uma das coisas que não sentimos diretamente quando lemos um livro estrangeiro, é a identificação com o local e as piadas, e mesmo os jogos infantis. Para mim foi muito acolhedor quando a personagem citou um jogo de criança que era aquele de escolher três futuros maridos, a cidade na qual você vai morar, se será rica, milionária, pobre, a quantidade de filhos, etc. Esse era o tipo de brincadeira que fazia com as minhas amigas quando tinha onze anos, então ver aquilo escrito na página do livro me fez ter um quentinho no peito. Fora as referências ao Faustão e toda a nosso sistema de televisão que são maravilhosas. 
Jura? Eu me emocionei e, com a voz fraquinha, até me empolguei: Então encontre ele! Encontre o Guga! Entre nos pensamentos dele, na alma dele. Fala para ele que morri pensando naquele beijo e que, no fundo do meu coração, por mais que ele tenha feito questão de me esquecer...ele nunca me ligou, nunca parei de me perguntar por que ele nunca quis saber de mim...Sempre tive um sonho secreto em que ele voltava para o Brasil e me mostrava a explosão sexual do prazer."
O que mais me atraiu no livro na realidade, é a verdade que ele trás. Estou cansada de ler livros em que as personagens principais são no estilo modelo da Victoria's Secrets e não tem um furinho na bunda. A Bia, o seu pai, Joana, Raíssa, são todos reais, inclusive a mãe plastificada de Guga e Raíssa, eles são os típicos personagens que a gente pode encontrar e até conhecer. Bia, sendo aquela amiga engraçada e azarada; o seu pai, o senhorzinho legal que todo mundo adora; Joana, aquela mulher forte e decidida super simpática; Raíssa, a colega de classe rica, que apesar de sempre ter tido tudo, é muito legal e a mãe plastificada que só liga para o novo preenchimento labial que saiu e uma nova cirurgia plástica que dê uma empinada na bunda. Nós estamos muito acostumados a ler sobre a garota perfeita e o cara mais perfeito ainda, e a realidade é importante, principalmente porque não vamos enxergar essa perfeição nos olhares que cruzarem com o nosso na rua, as pessoas são falhas. Estamos muito vidrados no caminho da perfeição, onde a barriga é durinha e não tem nenhuma dobra, a virilha é muito bonita e não tem uma marca, e que acordamos a 7 da manhã, com uma lingerie sensacional e os cabelos que acabaram de sair de uma propaganda. Isso é pura idiotice! 
Mas voltando, a estória em si, apesar de ser engraçada, vai falar como deixamos ir muitas coisas por pura insegurança, seja amores, oportunidade etc. Exatamente porque duvidamos tanto de nós, que travamos e pensamos que não somos bons o suficiente, e isso é lindamento expresso em toda a confusão sentimental que passa pela vida de Bia. 
Agora vamos falar de Guga, eu adoro que ele seja músico, porque enfim, amo músicos e eles sempre têm um charme a mais e o fato de que na adolescência, ele fosse cheio de espinhas. Certo que ele agora está lindo e maravilhoso, e todos os adjetivos que podem usar para caracterizar um cara gato. O bom, é que além de lindo e super irresistível, ele tem um ótimo senso de humor, não se tornando aquele cara cheio de músculos (o que ele não é) que só pensa com a cabeça de baixo. O bom é que ele também erra, personagens masculinos perfeitos demais me irritam, porque o que mundo tá vendendo é bem diferente disso. Porém, os erros são perdoáveis e todos amarram a narrativa lindamente.
"A gente nasce, cresce, se ilude, se reproduz, se ilude de novo, quebra a cara. Depois a gente morre. Muitos de nós, inclusive, morrem sem se reproduzir. Sem se iludir ou quebrar a cara? Jamais."
"Azar o Seu!" é um livro que recomendo para todo mundo que quer se voltar para a leitura nacional e quer fugir dos clássicos, além de esquecer todo o drama das milhares de outras estórias e se permitir passar um tempo gostoso, na companhia de Guga e Bia. Garanto que vai te render boas risadas. Leiam mais livros nacionais, gente! E vamos apoiar esses autores que fazem um trabalho maravilhoso e infelizmente não são tão divulgados quanto merecem. A Carol Sabar, tem mais algumas obras e espero está de volta em breve com mais uma resenha desta autora para vocês. 

"— Sorry, moço! — Levantei o braço quando o motorista buzinou irritado. — Eu sou da roça!"