1. Eu só quero um xodó - Dominguinhos
2. Esperando na Janela - Gilberto Gil
3. Ai Que Saudade D'Ocê - Geraldo Azevedo
4. Xote das Meninas - Luiz Gonzaga
5. Destá - Dorgival Dantas


"A pressão a ser capaz de lidar com ela não era a questão; importa-se era a questão - e eu, literalmente, não podia me importar menos - com nada. Enquanto antes ficava arrasada com um e-mail esquecido, um início tardio ou um nome com erro de ortografia, depois eu me esforçava para lembrar por que quaisquer dessas coisas tinham alguma importância." Capítulo 2
"Não deve ser tão dura consigo mesma, não deve perder tempo com o que já passou e desapareceu." Capítulo 8
"Os sentimentos, disse a mim mesma, os próprios e os de todas as outras, deviam ser reconhecidos, avaliados e compreendidos, e não ser algo no qual alguém tropeçava, como uma raiz de árvore inesperada no escuro, ou contra os quais as pessoas se chocavam, como uma parede construída às pressas no meio de uma das pistas da rodovia M4." Capítulo 30
"Florença é o lugar perfeito para se apaixonar, o que significa que é o pior lugar do mundo para ficar de coração partido." (Capítulo 15)
"E se minha mãe, minha avó e a psicóloga estivessem erradas? E se eu fosse continuar sofrendo assim pelo resto da vida? E se a cada segundo de cada dia eu sentisse menos o que tinha e mais o que perdera?" (Capítulo 24)
"Eu estava percorrendo a Itália na tentativa de solucionar o mistério do diário, tentando entender tudo o que ela fizera, mas na verdade só estava procurando por ela. E não ia encontrá-la. Nunca mais." (Capítulo 24)
"Eu não ia deixar de sentir saudades dela. Nunca. Dali em diante a vida seria assim, e por mais pesado que isso fosse, seria algo do qual eu jamais me livraria, mas não significava que eu não conseguiria me reerguer." (Capítulo 24)
"Saí da casa e fui embora sem olhar para trás. Tive medo de que ele visse o sorriso radiante estampado no meu rosto." (Capítulo 5)
"- Sabe, as pessoas vêm para a Itália por vários motivos, mas, quando ficam aqui, é só por dois. [...] Amor e gelato." (Capítulo 23)
Hoje, faz cinco anos que eu decidi esquecer você. Não parece
ser o tipo de coisa que se tem controle, embora eu quisesse acreditar que sim
quando tomei essa decisão. Ainda mais depois de passar tanto tempo nutrindo
aquele sentimento por você. Era tão incoerente alimentar algo que não me
alimentava da mesma maneira... Se eu me arrependo? Bom, não. É, é a verdade.
Depois desse tempo todo, finalmente percebi que não vai me doer admitir que
talvez – e só talvez – eu não sinta raiva de todas aquelas declarações de amor.
Nem mesmo vergonha.
Aquele momento foi um daqueles divisores de água. Eu posso
delimitar a pessoa que eu era antes e depois do instante em que tomei minha decisão. E sem
toda aquela baboseira de ser grata pela experiência vivida... Não. Estou
falando de mim mesma.
Alguns anos atrás, eu falaria de você. Falaria das coisas
que eu gostava em você, dos nossos assuntos preferidos, do que eu queria que fizéssemos
no futuro. Falaria do porquê do meu pai aprovar nós dois, falaria sobre a minha
mãe nos apoiar e até que a minha irmã adoraria te ter como cunhado, mesmo que
eu não soubesse da veracidade de nenhuma dessas coisas. Isso porque eu gostava
de sonhar com você. Gostava de imaginar que podia ser real de qualquer forma.
Mas não era.
Foi só quando eu percebi – quando eu realmente percebi que
você não era para mim, foi que eu virei a página. Sabe quando foi? Quando eu
ouvi aquela música, aquela que eu chorava tantas vezes escutando e lembrando de
você, e não senti nada. Te escrevi uma penca de cartas que você nunca vai
receber. Chorei o que tinha que chorar. Contei para as minhas amigas que tinha
te esquecido, para você ver como era um marco e tanto. Tinha uma parte de mim
que chegou até a pensar que era só fingimento, que uma hora ou outra eu acabaria
caindo por você de novo. Só que eu já não era a mesma pessoa um pouco depois
disso.
Quando você me mandou aquela mensagem hoje cedo me desejando
um feliz aniversário, passou tanta coisa pela minha cabeça. Fiquei o dia
inteiro indo e voltando nas suas palavras. Antigamente, teria sido como abrir
uma portinha para novas borboletas ainda mais vorazes atingirem todas as partes
do meu estômago. Hoje, só me causou um riso. Um riso um tanto sarcástico, na
verdade. Um riso de quem entende que já não é mais sobre você, embora um dia
tenha sido.
A sua mensagem nesta data foi um lembrete da minha decisão. Está marcado que, neste dia, além de completar mais um ano de vida, é o dia em que decidi apagar você. Mesmo que você vez ou outra ainda tente voltar... Eu já não sou mais aquela pessoa. Eu não consigo nem fingir ser. Foi por isso que eu ri, porque ironicamente escolhi a data que me acompanhará pelo resto da vida para tomar a decisão de te esquecer. E mesmo que provavelmente eu lembre para sempre dessa escolha, nunca mais me sentirei da mesma maneira. Nunca mais sentirei o mesmo por você.
Eu tenho certo receio de escrever textos com conteúdos desse tipo porque eles não são reais. São baseados em experiências próprias, é verdade, mas estão muito distantes da realidade - hoje tampouco é meu aniversário. Só deixei que a minha imaginação fosse um pouco mais distante para realizar aquela vontadezinha de mostrar que estamos bem a quem um dia nos deixou na pior, mesmo sem intenção. Faz parte, o ser humano não é perfeito. | A imagem é uma foto minha com um trecho da música "te assusta" da Manu Gavassi. Acho que a música é mais sobre um relacionamento complicado, que está tentando se manter, mas eu assumi um outro sentido do trecho para ser coerente com o meu texto.
"Só queria estar com alguém que me permitisse descobrir quem eu queria ser. Que me visse e me aceitasse do mesmo jeito. Mas aquilo nunca ia acontecer. Porque eu era invisível." (Capítulo 14)
"Eu não me sentia à vontade na minha própria pele." (Capítulo 18)
"Não existe um céu sem estrelas, Cecília. Mesmo quando estão cobertas pelas nuvens, ainda estão lá. A gente só não consegue enxergar." (Capítulo 56)
"A falta de ar, de controle e a pressão no peito eram desoladoras. Eu perdia a noção do tempo e do espaço, não sabia quando aquilo ia parar, se é que ia. Era como me afogar em águas rasas, sem perceber que podia simplesmente colocar os pés no chão." (Capítulo 6)
"O amor é paciente. Ele é feito de respeito e apoio mútuos. Ainda tenho medo do abandono, mas procuro pensar todos os dias que aqueles que importam estarão sempre comigo. Que uns chegam e outros vão, mas que não posso aceitar menos do que eu mereço." (Epílogo)
"Descobri que minha força sempre esteve dentro de mim - eu só não dava muita atenção a ela. E, sempre que vejo um fusca azul, lembro que dentro dele cabem pessoas o suficiente para me estender a mão se um dia eu precisar. Isso é força. (Epílogo)
"A verdade é que não tem mais clima. Por isso resolvi fazer uma madrugada de maratona de Harry Potter com brigadeiro, pizza e cerveja. Desisti completamente de tomar vinho como toda garota faz nos filmes americanos porque estamos vivendo sob a bunda do Satanás e a única coisa que vai matar a minha sede nesse calor é uma cerveja bem gelada"
"..., mas entendi que era exatamente isso que eu precisava. Estar comigo. Sempre dependi muito de outras pessoas, da opinião, da presença, do incentivo. Estava na hora de tirar essa força de dentro de mim."
"— Mas eu estraguei muita coisa — ele continuou. — Descobri tarde demais que não tinha controle nenhum sobre a bebida. Quando percebi, as relações já eram frágeis demais entre vocês. Tudo havia se desgastado como papel e eu não conseguia mais recuperar [...]"
"— Mas eu não consigo parar de pensar assim. — Ele olhou para mim e prosseguiu. — Fui criado desse jeito. Desde pequeno sempre ouvi que os Seis "nascem para servir" e "não devem ser notados". A vida inteira me ensinaram a ser invisível." Capítulo 5, A Seleção
"O prefeito então falou de minhas qualidades à multidão reunida na praça, deixando passar que eu era muito bonita e inteligente para uma Cinco. Ele não parecia ser má pessoa, mas às vezes até os membros mais simpáticos das classes superiores eram esnobes." Capítulo 7, A Seleção


"Então ela riu, de nervoso, como ela sempre fazia na vida, aquela maldição de se fazer de feliz quando sangrava por dentro." Capítulo 4
"— Eu não tava aguentando a sua ausência. — ele disse, com a mesma voz doce e baixa. — Tentei forjar sua presença com o que tinha." Capítulo 11Além disso, apesar de eu não ser gorda e nunca ter enfrentado os problemas que mulheres gordas enfrentam, todas as mulheres continuam a ser questionadas pela sociedade, e já tive inúmeras dividas sobre mim e tudo o que ela falou na sua nota final me tocou demais e me fez refletir sobre o quanto somos podadas cotidianeamente.

