Namorado de Aluguel

Autora: Kasie West
Editora: Verus
Número de páginas: 252
Narração: 1ª pessoa
Título original: The Fill-In Boyfriend

Eu li este livro em dois dias e decidi que não ia fazer uma resenha sobre, pois eu estava convicta de que ele não havia feito nenhum efeito na minha vida. Mas no primeiro dia após lê-lo, eu não conseguia tirá-lo da cabeça. Os pensamentos que ele me provocara pós-leitura foram suficientes para me convencer a escrever sobre.
Li no Kindle (e encontrei-o enquanto passeava pelas páginas do LeLivros) e foi uma leitura leve e feliz. Depois de ler a sinopse, esperava algo meio The Wedding Date (ou "Muito Bem Acompanhada"), um dos meus filmes favoritos, em que a mulher viaja para o casamento da irmã e decide contratar um cara (por sinal, muito lindo) para se passar por seu namorado, desejando fazer ciúmes ao ex-namorado e provar para a família que não é tão encalhada assim. E o livro em questão realmente tem um pouco disso, provar para as pessoas algo que a personagem queria que as pessoas pensassem dela.
Mas esteja certo: ele transborda drama adolescente. A leitura é rápida, como se fosse um digno Paula Pimenta ou Thalita Rebouças. As coisas vão fluindo e rapidamente vão acontecendo. Ele me influencia a escrever centenas de crônicas, pois milhões de metáforas me vieram à cabeça enquanto eu o lia.

Sinopse

"Quando Bradley, o namorado de Gia Montgomery, termina com ela no estacionamento do baile de formatura, ela precisa pensar rápido. Afinal, ela vem  falando dele para suas amigas há meses. Esta era para ser a noite em que ela provaria que ele não é uma invenção de sua cabeça. Então, quando vê um garoto esperando pela irmã no estacionamento do baile, Gia o recruta para ajudá-la. A tarefa é simples: passar por namorado dela - apenas duas horas, nenhum compromisso, algumas mentirinhas. Depois disso, ela pode tentar reconquistar o verdadeiro Bradley.
O problema é que, alguns dias depois do baile, não é em Bradley que Gia está pensando, mas no substituto. Aquele cujo nome ela nem sabe. Mas localizá-lo não significa que o relacionamento de mentira deles acabou. Gia deve um favor a esse cara, e a irmã dele tem a solução perfeita: a festa de formatura da ex-namorada dele - apenas três horas, nenhum compromisso, algumas mentirinhas. 
E, justamente quando Gia começa a se perguntar se pode transformar seu namorado falso em real, Bradley reaparece, expondo sua farsa e ameaçando destruir suas amizades e seu novo relacionamento. 
Inteligente e maravilhosamente romântico, Namorado de aluguel retrata a jornada inesperada de uma garota para encontrar o amor - e possivelmente até a si mesma."

Gia é uma menina comum. Está no auge da adolescência, com todos os conflitos interno e existencialismos acontecendo ao mesmo tempo depois do estopim: o verdadeiro Bradley termina com ela antes de entrarem no baile e antes que ela pudesse provar para todas as amigas que, sim, ela tinha um namorado e, sim, ele era um cara lindo e que já estava na faculdade. Foi ali que ela se viu em desespero. E como resultado de seu desespero, ela acaba convencendo um cara totalmente desconhecido a ser um dublê de Bradley só por aquela noite, que ela até pagaria por isso. Ia tudo bem, até aquela noite chegar ao fim e pelos próximos dias ela não conseguir tirar o dublê da cabeça.
Milhões de dúvidas surgem em sua cabeça, uma confusão de identidade, um mergulho em mentiras com as quais a protagonista se viu obrigada a lidar devido, principalmente, a uma de suas "melhores" amigas, Jules - uma garota que buscava incessantemente tirar Gia de seu caminho.
Dentre descobertas sobre si mesma, Gia começa a questionar também o modo como sua família age, a forma como sua mãe está sempre impecável e como seus pais sempre aceitam e perdoam os erros dos filhos sem fazer muito alarde quanto a isso; ela questiona o fato da família sempre aparentar ser perfeita, mas por dentro, ter suas falhas. Até então, a sua futilidade não alertava para esse tipo de coisa, mas passou a conhecer pessoas que abriram seus olhos para isso.

"Tudo e todos têm uma história, Gia. Quando você aprende essas histórias, você aprende experiências que te preenchem, que expandem seu conhecimento. Você adiciona camadas à sua alma."

No decorrer da história, você percebe a busca incessante da personagem por tirar de si a superficialidade na qual ela viveu por tantos anos. Há um querer por si conhecer e mostrar realmente aos outros quem ela é, pois percebe que nem sua amiga mais próxima a conhece de verdade. Tem a pressão da superficialidade de outras pessoas em cima dela e a sua vontade de se libertar disso. Ela não quer que se passem 10 anos e ela seja lembrada simplesmente por ser lembrada; quer ser lembrada por ter feito algo importante, por significar de fato algo na vida das pessoas, por ter a sua própria e incrível história. 
Apesar de que eu jamais ficaria desesperada para provar para alguém quaisquer coisas, eu identifico na Gia todos os conflitos que eu também tenho em mim. Eu também me preocupo com que história eu vou deixar, também me preocupo com o que eu reflito na vida dos outros. E eu também sei mais do que ninguém que as pessoas certas não estão onde procuramos; elas apenas aparecem no momento certo e nos lugares mais importunos. 
Essa não foi uma experiência literária que mudou minha vida, mas ela pôs em palavras boa parte do que eu sinto por ser adolescente. Não é forçado, não é muito longe daquilo que realmente vivemos. É a nossa cabeça, nossos medos e inseguranças, nossos conflitos. Somos nós. 

" - Isso não faz parte da adolescência? Descobrir quem somos? Quem queremos ser?"



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