Resultado de imagem para um milhão de finais felizes
(via Amazon)

Um milhão de finais felizes

Autor: Vitor Martins
Editora: Globo Alt
Páginas: 352
Lançamento: 26/06/2018

Sinopse: Jonas não sabe muito bem o que fazer da vida. Entre suas leituras e ideias para livros anotadas em um caderninho de bolso, ele precisa dar conta de seus turnos no Rocket Café e ainda lidar com o conservadorismo de seus pais. Sua mãe alimenta a esperança de que ele volte a frequentar a igreja, e seu pai não faz muito por ele além de trazer problemas.
Mas é quando conhece Arthur, um belo garoto de barba ruiva, que Jonas passa a questionar por quanto tempo conseguirá viver sob as expectativas de seus pais, fingindo ser uma pessoa diferente de quem é de verdade. Buscando conforto em seus amigos (e na sua história sobre dois piradas bonitões que se parecem muito com ele e Arthur), Jonas entenderá o verdadeiro significado de família e amizade, e descobrirá o poder de uma boa história.

Comecei 2019 lendo Um milhão de finais felizes como parte do meu projeto de ler mais neste ano. É verdade que eu achei que leria muito mais depois que entrasse na faculdade, mas é ainda mais verdade que eu fico atolada de coisas da faculdade para ler e não consigo ler coisas mais leves. Este é o meu segundo livro de janeiro, só que o outro não me instigou a escrever uma resenha; mas, esse, sim.
Vitor Martins é um youtuber ao qual eu assisti pouquíssimas vezes; contudo, vi muitos falarem sobre os livros e quis saber do que se tratava. Porém, a princípio, eu sabia que ele é gay e que gosta de ler/escrever sobre o tema - e eu sei que isso é o "sobre o autor" mais superficial que vocês já viram, mas eu preciso ser sincera sobre o que eu sabia.
Aí, já na sinopse do livro, comecei a ter as primeiras impressões. Tive a experiência que relatei aqui de, em Os Dois Mundos de Astrid Jones, me deparar com aquele processo em que o adolescente descobre/questiona a sua sexualidade e tem toda aquela fase de ter o primeiro beijo com alguém de quem realmente gosta, contar para os pais, lidar com os preconceitos e os obstáculos de ser fora do padrão. Eu confesso que tenho certa preguiça de livro que segue essa linha; acho que a comunidade LGBTQ+ tem muito mais coisa para falar do que só essa transição de "sair do armário" como eixo principal, sabe? Agora, imagine você tamanha foi a minha surpresa e alívio ao perceber que o livro em questão não se tratava disso. (Um adendo - ou mais que isso: Talvez Os Dois Mundos de Astrid Jones não seja apenas sobre essas descobertas de Astrid e eu apenas não tenha me conectado com o livro da forma que poderia; cada um com suas impressões. No post sobre a história de Astrid, eu disse que não entendia a necessidade de se assumir não-hétero, porque ninguém precisa se assumir hétero, nem é julgado por isso - hoje, eu já vejo de uma outra forma, como se o ato de assumir seja também uma forma de ser resistência e já considero como algo muito importante, para que se empodere e procure por mais visibilidade dentro da diversidade. Então é isso. Vamos para a resenha:)
Jonas é um garoto saindo da adolescência, que se vê perdido na vida por diversos motivos. O primeiro, ele não entrou para uma faculdade logo que saiu da escola, nem mesmo sabe se é isso o que ele quer para a vida. Segundo, sua família não é o seu porto seguro; o pai é conservador e instável emocionalmente; a mãe é religiosa, daquelas que vive pela igreja e pela sua família, sobretudo para "servir" ao marido. Em terceiro, vive um conflito com sua fé, sem saber ao certo o que "Deus" significa para si mesmo, tentando não se prender aos dogmas da igreja, em especial porque foi sob esta atmosfera de restrição em que ele cresceu. Assim, ele vive em um dilema entre fazer os pais felizes, o que significaria a sua infelicidade, e a própria felicidade de Jonas, que provavelmente significaria a infelicidade de sua família - e que também iria representar o "desapontamento de Deus". 
"Algumas pessoas na rua começam a tirar os guarda-chuvas de suas bolsas, mas ninguém abre ainda porque a chuva ainda não começou. É assim que eu me sinto por dentro. Eu sei que a tempestade vai começar a qualquer momento, mas ainda é cedo para me proteger. Não tem uma gosta sequer caindo, mas o céu não me engana. Eu sei que vai chover a qualquer instante. É só esperar."
Contrapondo-se ao cenário confuso em casa, Jonas tem seus amigos. Este é um ponto importantíssimo da história, pelo qual também fiquei encantada. Seria o bastante dizer que é uma história sobre amizade, se eu precisasse defini-la em uma palavra. Nós, leitores, somos espectadores de amigos que se tornam família e abraçam como a família deveria fazer. Abraçam, ajudam, amam e protegem. Amigos que amparam. E, até onde eu sei, isso é uma característica muito frequente para a comunidade LGBTQ+: a família que se escolhe diante de tantos casos em que a família biológica acaba rejeitando a pessoa somente por ela ser quem é.  
"– O que eu quero dizer é – Karina continua. – A felicidade não dura para sempre. Você precisa aproveitar enquanto ela está aqui."
 Jonas também nos conta sobre o seu primeiro relacionamento de verdade. Foi quando eu me vi em uma das únicas experiências literárias em que o clímax não se trata de um conflito entre o casal. O relacionamento deles é saudável, sem intrigas, por exemplo, devido a ciúmes ou problemas que muitas vezes não fazem sentido na minha cabeça. Jonas e Arthur são um casal real, com problemas e momentos reais, que se amam e só querem fazer dar certo. Preciso destacar os diálogos que sempre me deixavam querendo mais e me fazendo querer ser amiga deles também. É linda a forma como eles se abraçam e podem gritar que se amam porque, independentemente da conjuntura que vivemos no Brasil, da onda de conservadorismo e de homofobia, eles podem ser resistência juntos. Jonas irá lidar com o início do namoro, com encontros divertidos e repletos de expectativa (até mesmo da nossa parte), com a primeira vez que disse "eu te amo" amorosamente e outros tipos de "primeiras vezes"; são, certamente, um dos meus casais favoritos da ficção.
"Meu rosto fica vermelho, mas eu não sinto vergonha porque ele está sorrindo para mim. O que sinto é novo. É uma vontade esquisita de ficar aqui. Os lanches e a batata acabam, mas eu não quero ir embora. É como se todas as letras de músicas de amor fizessem sentido de repente."
 Duas coisas me fizeram abraçar ainda mais o livro: 1. Ele é ambientado em São Paulo, em torno da Avenida Paulista - e isso me deixa feliz, porque eu queria ler mais coisas com o Brasil de cenário e tudo fica ainda mais divertido quando se passa em lugares que você conhece e sente que aqueles personagens são ainda mais reais; 2. Jonas é aspirante a escritor e dificilmente ele consegue levar uma história adiante, mas quando Arthur surge na sua vida, ele consegue ir além com uma história sobre piratas gays, e nós podemos ler seus capítulos ao longo de Um milhão de finais felizes. Então, além de querer saber mais sobre os relacionamentos de Jonas, eu também queria saber como andava a história dos piratas. Foi um aspecto divertido.
Este livro me deixou surpresa e com o coração quentinho em momentos notáveis. Nada que fosse surreal, distante de uma história que pudesse realmente ter acontecido e recheado de coincidências e obras do destino. É uma história simples que nos encanta por tratar de coisas reais. Nos agradecimentos, Vitor diz que espera que a leitura tenha sido especial, principalmente se você se identifica com o personagem principal. Devo confessar que eu não me identifico com a problemática central, mas a história foi muito especial e certamente me fez acreditar que, na vida real, as coisas ficam bem, mesmo que pareça que tudo está perdido, porque nós podemos dar o final que queremos à nossa história.
"Eu te amo e tenho certeza de que, mesmo passando por tanta coisa ruim na vida, você ainda guarda um milhão de finais felizes aí dentro."
Pretendo ler o outro livro do Vitor, Quinze Dias, e digo com convicção que Um milhão de finais felizes não se tratou apenas da história em si, mas foi uma oportunidade, para mim, de saber que Vitor não é apenas um youtuber que fala sobre livros e escreve algumas histórias com uma temática que gosta. Ele realmente se preocupa com a mensagem que está passando e eu me senti envolvida por cada parte disso em sua obra.





Autor(a): Sophie Kinsella
Editora: Record
N° de páginas: 384
Narração: 1° pessoa 

Sinopse: 

Em "O segredo de Emma Corrigan", Sophie Kinsella segue a receita que fez da série Os delírios de consumo de Becky Bloom sucesso de público  foram mais de 35 mil exemplares vendidos só no Brasil — e crítica. Com humor e muito charme, ela nos apresenta a Emma, uma inglesa perto dos 30 anos, mas longe de uma definição de vida. Na memória ela guarda situações ultraconfidenciais: como perdeu a virgindade enquanto os pais assistiam Ben-Hur na sala de TV, o que pensa sobre o namorado, as peças que prega nos colegas de escritório, seu peso real. 

Sinceramente, acho que estou me encontrando em um novo gênero, assim como sou simplesmente apaixonada por romances históricos, estou literalmente caindo de amores por chick-lits. O livro todo é maravilhoso, com ótimos diálogos e personagens que nos conquistam nas primeiras páginas. Sophie Kinsella pega em um ponto bem específico quando se propõe a falar sobre segredos, daqueles que todo mundo tem, mesmo que você jure ser a pessoa mais sincera do mundo. Todas as pessoas, escondem algo, mesmo que seja quando você quebrou o copo do liquidificador e tentou juntar os pedaços e fingiu que nada tinha acontecido (desculpa, mãe).
Essa foi a minha primeira experiência de fato com a escrita de Sophie, só tinha assistido o filme de "Os delírios de consumo de Becky Bloom" e sabemos que nunca vai ser a mesma coisa que um livro. O que mais chama atenção e envolve o leitor é porque a escrita é simples (e isso é um elogio), se tornando muito dinâmica e verdadeira. Acho que "verdadeiro" é a palavra que descreve esse livro, com todo o fracasso que a vida adulta pode gerar, com todas as nossas inseguranças e em como nos prendemos em situações constantemente porque simplesmente não sabemos que caminho ir, e assim, nos deixamos influenciar por ambientes tóxicos, onde um grande números de pessoas apenas deseja a sua derrota.
Emma é uma garota comum, e isso nada de mal tem, pelo contrário, acho fantástico. Ela fala pelos cotovelos e está constantemente pensando em coisas malucas, tem um namorado legal, mas ele é meio sem graça, e está insegura sobre muitas coisas, principalmente por ter sido deixada de lado pelos pais e sempre está de alguma forma sendo diminuída pela prima e o seu marido, que rir das suas diversas carreiras e faz piada com a sua vida.
"— Claro que disseram! — Posso ouvir a histeria na minha voz. — Eles não diriam exatamente: "Certo, pessoal, é isso aí, vocês todos vão para o beleléu!" — O avião dá outro salto aterrorizantes e eu me pego agarrando a mão do sujeito, em pânico. — A gente não vai sobreviver. É isso. Estou com 25 anos, pelo amor de Deus. Não estou pronta. Não realizei nada. Não tive filhos. Nunca salvei uma vida...— Meu olhar cai aleatoriamente na matéria sobre "30 coisas antes de fazer 30 anos".— Eu ainda não escalei uma montanha, não fiz tatuagens, eu nem sei se tenho um ponto G..."
Todas as inseguranças que ela carrega foram muito bem compreendidas por mim, principalmente na parte que ela fica nervosa para ter um encontro e sai em disparada para depilar as pernas. É desse tipo de normalidade que sinto falta nos livros de hoje. Outro ponto muito importante para mim é que Jack é um cara sensacional, o mesmo cara que ela contou todos os seus segredos no avião, e que por acaso é podre de rico e seu chefe, tem um toque de diversão e uma vontade de ver o real das pessoas que instiga muito. Ele, com seu puro charme e tom que desbanca qualquer modelo, é totalmente diferente do que vários livros pregam por aí, com o CEO da empresa sendo uma máquina de músculos, com tom arrogante que até dói e uma coleção de carros. Se bem que ele tem uma coleção de carros, mas não acontece aquele fetiche todo, onde a personagem principal fica: "Oh meu Deus, como ele é rico e poderoso". Ele só é um cara muito legal, que instiga toda a verdade em Emma.
Acredito que desde a sinopse dê pra perceber que os dois uma hora ou outra vão acabar se envolvendo, e é uma relação muito bonita, porque enquanto muitos tratavam Emma com desprezo e falsidade (inclusive sua prima), ele gostou dela exatamente daquele jeito, sabendo todos os seus segredos, e de como ela é, toda maluca e engraçada.
 "— Segunda, 7 da manhã. — Ele lê em voz alta. — Corrida rápida ao quarteirão. Hora do almoço: aula de yoga. Tarde: fita de pilates. Sessenta abdominais. — Ele toma um gole de uísque. — Muito impressionante. Você faz tudo isso? — Bem — Digo depois de uma pausa. — Não consigo exatamente fazer todos...quero dizer, eu fui muito ambiciosa...você sabe...é...pois é!"
Porém, o livro não se trata só disso. A obra em si fala muito sobre como somos falhos, isso em relação a amigos, parentes, namorados, etc. E às vezes escondemos tantas coisas apenas para agrandar ao outro, e isso muitas vezes acaba dando aquela "torta de climão" no natal, onde todo mundo é um pouco falso. Apesar de Emma ser uma garota comum, daquelas que mentem até o próprio peso, ela não deixa de ser uma mulher forte, que sabe que deve ser valorizada, mesmo com todas as suas inseguranças, pois mesmo em diversas situações, nós temos a terrível mania de sempre pôr o peso da culpa nos nossos ombros. Acredito que temos muito com o que aprender com Emma Corrigan, com Jack Harper, e todas as amigas malucas (uma inclusive que não é amiga de ninguém) de Emma, e que não devemos ter vergonha de quem somos, pois isso é o que nos faz reais e únicos.
Por fim, fiquei muito feliz em saber que em breve terá uma adaptação para o cinema, produzido e protagonizado por Alexandra Daddario (que mulher maravilhosa) e que poderemos desfrutar dessa maravilha na telona.
O segredo de Emma Corrigan entrou para a lista dos meus livros favoritos e me deu a certeza que todos escondemos alguma coisa de alguém.


          

Nota: O blog fez 5 ANOS! Já faz uns dias desde a data (dia 7/12), e acabou que eu e a Letícia nos esquecemos totalmente. Só queria dizer que apesar de tantos problemas, o blog tem sido uma das coisas por quais eu mais me orgulho e é incrível ver em como mudamos de tantas formas, e melhoramos, ainda bem. No fim, recomendo que não leiam os textos do primeiro ano do blog, eles são bem vergonhosos!
                                                          




My body, my fucking rules.



Quando disseram que você não era capaz porque era apenas uma menina. Quando disseram que você não podia brincar com carros e bola, pois era frágil e se machucaria. Quando reclamaram que você não estava usando brincos e toda menina usa. Quando brigaram com você por ter falado uma palavra “feia” e não disseram nada quando seu irmão disse a mesma coisa (e ainda pior!). Quando compraram sua primeira sandália alta e você, mesmo sem gostar, usava, porque te disseram que meninas fazem isso, obedecem. Quando te deram de presente acessórios de cozinha de brinquedo, como panelinhas, pratos e vinha até com uma pia, mas a sua relação com a cozinha era mais sobre você poder comer tudo o que tivesse vontade.
Quando seu pai disse que você só namoraria aos 18 anos, mas encorajava seu irmão a beijar as “menininhas” da escola. Quando sua mãe falou para você usar mais vestidos, porque precisava parecer mais “mocinha”. Quando você tinha a primeira festa de 15 anos para ir e quiseram alisar seu cabelo – doía, mas você ouviu que “para ser bonita, precisa sofrer” e se contentou com aqueles puxões e deixou que queimassem seus cachos. Quando você começou a desenvolver seu corpo e tinha vergonha de mostra-lo porque alguém disse que você já tinha o corpo de uma mulher formada. Quando disseram que você precisava fazer academia, para ter a cintura de Barbie – mesmo que ninguém tenha perguntado se você queria a tal cintura.
Quando você surtou porque seu irmão podia ir para a festa, mesmo sendo mais novo que você, e você não pôde porque alegaram que não é coisa de menina. E quando disseram, depois desse surto, que você não arranjaria namorado nenhum com aquelas crises.
Quando você teve o seu primeiro beijo e o menino espalhou para a escola inteira que você deixou que ele tocasse em você, mesmo que fosse mentira, e todos julgaram-na de puta – mas ele foi vangloriado. Quando você começou a namorar e o cara era ciumento, possessivo, não queria nem que você tivesse o contato de amigos homens no telefone e você não percebeu, mas ele falava mal das suas amigas para que você não acreditasse nelas quando elas dissessem que esse relacionamento era péssimo para você.
Quando seu pai traiu sua mãe e todos na família disseram que ela devia ter "segurado" ele melhor. Quando você e seu namorado tiveram a primeira vez de vocês e ele achou que você tinha amado, mas na verdade, ele tinha te tratado como um mero objeto. Quando você descobriu que ele não te amava, só queria sexo e sumir na manhã seguinte.
Quando você foi chamada de puta mais uma vez, mas pelo seu pai, que descobriu que você transou antes do casamento, debaixo do teto dele, mesmo que o seu bendito irmão levasse uma menina nova toda semana para casa.
Foram todas as vezes em que você se moldou, se sacrificou e foi apedrejada por ser mulher. Foram as vezes em que tentaram jogar em você padrões e tradições que criaram para nos controlar, nos deixar de fora desta coisa toda de comandar o mundo. Acontece que você pôde perceber, depois, que você nunca precisou ter a cintura de Barbie, que você tinha mais caráter do que o seu irmão, que sua mãe merecia ser tratada como toda mulher merece, que você queria ter prazer ao fazer sexo, que queria estar em um relacionamento e se sentir livre e respeitada (o mínimo, é claro), e que seu corpo, assim como a sua mente – o que, depois, também vimos que são uma coisa só – merecem ser contemplados, valorizados, preservados como preciosidades.
Você jogou fora todas as saias que tinha no armário, parou de usar brincos e engordou alguns quilos. Abriu mão dos números. Conheceu pessoas legais, que só te chamavam de “amor” e coisas assim. Arranjou vários namorados e namoradas, mesmo que ainda surtasse vez ou outra. Machucou os joelhos várias vezes quando descobriu que amava jogar futebol, mas caía sempre, pois nunca deixou de ser desastrada e aquilo já não era mais um problema. Abraçou mais as causas de suas amigas e de outras mulheres, entendendo que todas elas, em algum momento da vida, sofreram e sofreriam de pressões sociais pelo simples fato de serem mulheres; e muitas vezes, não podem nadar contra a maré, como você fez. Nunca mais deixou que encostassem uma prancha no seu cabelo, os cachos pareciam ser uma metáfora sobre a sua vontade (e o cumprimento dela) de ser livre.
Você ainda tinha várias questões consigo mesma, inseguranças e paranoias que seriam difíceis de cicatrizar e renderiam longas sessões com o seu terapeuta. Mas foi quando você se soltou das algemas que te prendiam em um ideal de mulher perfeita, depois de muita luta e muita dor, que você se tornou a mulher mais feliz e a única dona do seu mundo.

              


National Geographic Traveler 2012
(via Pinterest)

Hoje tomei banho de chuva.
Foi engraçado porque já fazia muito tempo que eu não deixava de abrir o guarda-chuva. Tomei por livre e espontânea vontade, em um impulso, completamente diferente de quando eu era criança e era regra me molhar se começasse a chover – sabe como é, né, cidade do Nordeste...
A questão é que eu estava ali, deixando a água cair em mim, pensando como era louco o fato de que parecia chover muito mais do que de fato caía água na minha pele. Mas ali, olhando para o céu, eu também pensava como era ainda mais louco que eu estivesse achando incrível demais que seja possível cair água do céu, ainda que eu saiba das explicações científicas e tudo mais. Eu, que rio da cara de criacionistas (com todo respeito) com meus polegares opositores, estava ali, admirando a água que cai do céu, gelada, abundante.
Os fenômenos naturais sempre me alcançaram de formas diferentes. Nunca foi apenas chuva, nem apenas estrelas cadentes e arco-íris. Parecem ser mais que isso.
Quando me reencontro com gotas de chuva, meu queixo batendo de frio, eu penso que reencontro meus sonhos que deixei para trás, na última vez que tomei banho de chuva. É incrível me perceber diferente hoje, com o cabelo mais indeciso, a pele passando por várias mudanças, uma tatuagem, a cabeça com várias novas ideias e algumas reconfiguradas, posso dialogar facilmente sobre autoestima e relação com o corpo, defendo causas que antigamente me pareciam distantes... Talvez só as unhas mantiveram-se pintadas de preto. Provavelmente, isso será a última coisa que mudarei em mim.
Eu me sinto ótima em saber que não preciso de muito para me colocar no eixo. Sem falar na felicidade que tenho em vestir a roupa quentinha depois, pegar no cabelo molhado e ter a certeza de que, se eu me perder, virão outros dias de chuva. Mesmo que demorem e que fique muito quente antes de finalmente esfriar, a água vai cair. Vou sentir tudo de novo.

                                

Autor(a): Carol Sabar 
Editora: Jangada 
Nº de páginas: 368
Narração: 1° Pessoa

Sinopse:

Parada num engarrafamento no Rio de Janeiro, Bia está pensando em sua vida azarada. O motorista do carro ao lado, tenta se comunicar com ela, mas Bia não o reconhece. Então, ele sai do carro, mas não tem tempo de se explicar, pois começa um violento tiroteio e eles se jogam lado a lado no asfalto. Certa de que está prestes a morrer, Bia entra em desespero e se prepara para dizer suas últimas palavras, na esperança de que seu suposto desconhecido possa levar um recado a Guga, seu amor da adolescência, sem perceber que é ele próprio que está ali, ouvindo a inesperada declaração de amor! Os dois escapam juntos do tiroteio e, a partir daí, começam a se envolver, dia após dia. Guga, sem coragem de assumir sua verdadeira identidade, e Bia, feliz consigo mesma por finalmente estar se apaixonando por alguém que não é o Guga. Nunca uma maré de azar foi tão engraçada!

"Azar o Seu!", foi uma maravilhosa surpresa para mim. Nunca havia entrado em contato com os livros da Carol Sabar, e foi muito bom saber que temos esse potencial brasileiros para livros chicklit. Acredito que por "n" motivos criamos um certo distanciamento da literatura brasileira em geral, e fora a Paula Pimenta e outras autoras que estão na grande mídia, é difícil ver estórias assim em destaque nas livrarias, o que ocasiona no total desconhecimento dos leitores por essas obras.
Efim, se você gosta de Sophie Kinsella, com certeza vai adorar esse livro. A estória em si é muito divertida, com a personagem principal, Bia, fazendo ótimas tiradas e e rindo da própria desgraça. O que diverte e causa reconhecimento com o leitor, principalmente por ser uma leitura de certa forma mais madura, encarando uma vida cheia de tropeços e não com uma visão pura de como a vida adulta é, e sim a encarando com as marcas que ela pode causar. Como o fato da personagem está em situação de desemprego, com dívidas e mais dívidas e ainda ter que aguentar uma entrevista de emprego com um assediador.
A relação dela com o Guga, é de certa forma muito juvenil, surgindo naqueles amores que nos deixam nervosas e ansiosas para a próxima mensagem. Foi uma grande sacada da autora o fato dele não se revelar como Guga e cria um ambiente de expectativa para o momento da revelação ao leitor. 
Uma das coisas que não sentimos diretamente quando lemos um livro estrangeiro, é a identificação com o local e as piadas, e mesmo os jogos infantis. Para mim foi muito acolhedor quando a personagem citou um jogo de criança que era aquele de escolher três futuros maridos, a cidade na qual você vai morar, se será rica, milionária, pobre, a quantidade de filhos, etc. Esse era o tipo de brincadeira que fazia com as minhas amigas quando tinha onze anos, então ver aquilo escrito na página do livro me fez ter um quentinho no peito. Fora as referências ao Faustão e toda a nosso sistema de televisão que são maravilhosas. 
Jura? Eu me emocionei e, com a voz fraquinha, até me empolguei: Então encontre ele! Encontre o Guga! Entre nos pensamentos dele, na alma dele. Fala para ele que morri pensando naquele beijo e que, no fundo do meu coração, por mais que ele tenha feito questão de me esquecer...ele nunca me ligou, nunca parei de me perguntar por que ele nunca quis saber de mim...Sempre tive um sonho secreto em que ele voltava para o Brasil e me mostrava a explosão sexual do prazer."
O que mais me atraiu no livro na realidade, é a verdade que ele trás. Estou cansada de ler livros em que as personagens principais são no estilo modelo da Victoria's Secrets e não tem um furinho na bunda. A Bia, o seu pai, Joana, Raíssa, são todos reais, inclusive a mãe plastificada de Guga e Raíssa, eles são os típicos personagens que a gente pode encontrar e até conhecer. Bia, sendo aquela amiga engraçada e azarada; o seu pai, o senhorzinho legal que todo mundo adora; Joana, aquela mulher forte e decidida super simpática; Raíssa, a colega de classe rica, que apesar de sempre ter tido tudo, é muito legal e a mãe plastificada que só liga para o novo preenchimento labial que saiu e uma nova cirurgia plástica que dê uma empinada na bunda. Nós estamos muito acostumados a ler sobre a garota perfeita e o cara mais perfeito ainda, e a realidade é importante, principalmente porque não vamos enxergar essa perfeição nos olhares que cruzarem com o nosso na rua, as pessoas são falhas. Estamos muito vidrados no caminho da perfeição, onde a barriga é durinha e não tem nenhuma dobra, a virilha é muito bonita e não tem uma marca, e que acordamos a 7 da manhã, com uma lingerie sensacional e os cabelos que acabaram de sair de uma propaganda. Isso é pura idiotice! 
Mas voltando, a estória em si, apesar de ser engraçada, vai falar como deixamos ir muitas coisas por pura insegurança, seja amores, oportunidade etc. Exatamente porque duvidamos tanto de nós, que travamos e pensamos que não somos bons o suficiente, e isso é lindamento expresso em toda a confusão sentimental que passa pela vida de Bia. 
Agora vamos falar de Guga, eu adoro que ele seja músico, porque enfim, amo músicos e eles sempre têm um charme a mais e o fato de que na adolescência, ele fosse cheio de espinhas. Certo que ele agora está lindo e maravilhoso, e todos os adjetivos que podem usar para caracterizar um cara gato. O bom, é que além de lindo e super irresistível, ele tem um ótimo senso de humor, não se tornando aquele cara cheio de músculos (o que ele não é) que só pensa com a cabeça de baixo. O bom é que ele também erra, personagens masculinos perfeitos demais me irritam, porque o que mundo tá vendendo é bem diferente disso. Porém, os erros são perdoáveis e todos amarram a narrativa lindamente.
"A gente nasce, cresce, se ilude, se reproduz, se ilude de novo, quebra a cara. Depois a gente morre. Muitos de nós, inclusive, morrem sem se reproduzir. Sem se iludir ou quebrar a cara? Jamais."
"Azar o Seu!" é um livro que recomendo para todo mundo que quer se voltar para a leitura nacional e quer fugir dos clássicos, além de esquecer todo o drama das milhares de outras estórias e se permitir passar um tempo gostoso, na companhia de Guga e Bia. Garanto que vai te render boas risadas. Leiam mais livros nacionais, gente! E vamos apoiar esses autores que fazem um trabalho maravilhoso e infelizmente não são tão divulgados quanto merecem. A Carol Sabar, tem mais algumas obras e espero está de volta em breve com mais uma resenha desta autora para vocês. 

"— Sorry, moço! — Levantei o braço quando o motorista buzinou irritado. — Eu sou da roça!"


         




 




Niguém solta a mão de ninguém. arte da Tereza Nardelli

Às vezes, parece que não aconteceu; eu volto para aqueles dias em que estávamos entre os dois turnos e o clima ainda permite uma esperança viver. Isto nunca foi tão real: ela é a última que morre. Sua morte trouxe más notícias; ele ganhou. E eu acredito que a esta altura, você saiba sobre quem estamos falando. Sim, ele, a vitória de quem não foi feliz para as pessoas sensatas. Desde o resultado, eu não consegui desejar boas coisas para os próximos anos. Não consigo torcer para que ele, pelo menos, não faça coisas tão ruins. Eu só sinto medo e é por isso que eu demorei tanto tempo para conseguir escrever.
Sinto medo por mim, pelos meus amigos, pelo meu namorado, pelas minhas irmãs, parte da minha família... Muitas pessoas ao meu redor sofrem por conta do preconceito e do ódio que ele prega. Eu ensaiei vários discursos sobre o que eu sou (envolvendo a formação de professora e o ser mulher) e sobre o que eu acredito, coisas que justificassem o fato de eu ser contra tudo o que ele diz, mas agora eu sei que nada disso é necessário. Basta que eu seja humana e defenda os direitos de todos, eu já não posso concordar com metade do que ele representa, assim como eu não podia me dar ao luxo de lavar as mãos e tratar esta eleição como "tanto faz".
Foi decisivo saber quem votou nele. Mostrou a verdadeira face de alguns que eu não fazia ideia de quem eram. Tornou irreversível alguns conflitos e, sinceramente, não me arrependo. Pelo menos não por enquanto, que ainda estou ferida por tanta bobagem que ouvi, vi e li. Talvez, daqui alguns anos, eu até queira voltar a falar. E será por dois motivos - apenas por eles: para dizer que eu estava errada, que ele não foi tão horrível quanto sinto agora que será; ou para dizer que eu estive do outro lado e, assim, certa pela minha decisão. Na verdade, uma correção: nas duas situações, eu sinto orgulho do lado que escolhi. Sinto orgulho dos movimentos, da resistência, da corrente que foi criada e eu espero de todo coração que não se quebre por qualquer circunstância. É agora que precisamos apertar mais a mão, fortalecer mais os pulsos. Nós precisamos apoiar os que estão mais desamparados, mas precisamos nos deixar chorar também. São tempos muito difíceis para todos nós que sentimos por isso. Os que não sentem ainda, não sabem, mas sentirão também. Pode não parecer no princípio, mas o ódio machuca tanto o destinatário quanto o remetente.
Estou tentando pensar um pouco como Dumbledore, que em uma de suas primeiras falas já nos encoraja a chamar o nosso medo pelo nome que lhe foi dado. Talvez seja a hora de encarar e pensar em outras formas de resistir a estes tempos. Nós somos #EleNão. Lutaremos para que Bolsonaro não tire nossa voz.

               As ilustrações simplificadas e sensíveis, em preto e branco, de Anna Macht #ilustração #gif #annamacht #feminism




Amar é verbo e verbo é uma ação. Isso é português básico, mas acredito que haja uma variável grande em relação a essa palavra e muitas outras. Elas estão deixando de ser verbo e partindo para o substantivo, aquele que é só nome e nada faz. Eu já quis demais, me apaixonei por muito tempo, e isso tudo ficou guardadinho dentro do meu peito, tornando todas as palavras e sentimentos que requeriam ação, se tornarem simples nomes. 
E eu fiquei parada e temo dizer que talvez ainda esteja assim. Desejando ele, querendo ele e me apaixonando novamente, porém, calando todos esses sentimentos, como se lançasse um feitiço e eles tivessem que permanecer parados, presos dentro de mim e nunca de fato alcançando o seu objetivo. Provavelmente é medo. Medo de tornar isso tudo real e perceber que não é nada igual aos meus sonhos e imaginação, e que talvez meu coração fique em pedacinhos. Nessas horas é engraçado, pois me pergunto: De alguma forma ele já não está em pedaços? E eu digo que provavelmente é melhor assim, com um coração quebrado, ações em pausa e uma dignidade intacta. 
Não é como se eu quisesse um amor de cinema, onde tudo é perfeito e até o sol fica na temperatura correta para um dia com um encontro ideal. Sinceramente, eu simplesmente quero não querer, não quero deixar essas palavras guardadinhas, quero que elas parem de existir por um tempo no meu vocabulário. Não quero mais está apaixonada por ele, porque sei que continuarei parada e não vou fazer nada para que tudo o que eu imagino se torne realidade, e no fim, estou cansada, levando um peso em meu coração que parece pesar toneladas. Talvez isso venha do fato de mesmo ele não querendo me machucar, tenha feito isso demais e por eu ser puro exagero, ter triplicado todo esse sentimento. As mensagens não respondidas, o descaso com alguém que é pura molecagem, e gosta de gostar das pessoas. No fim, fico triste e despedaçada por ter caído nessa novamente, em uma história sem sal de dois adolescentes que simplesmente não fazem nada, que o "ele" e o "eu" não conjugam verbo algum. O meu "eu" não foi por falta de querer, quis tanto que no final se tornou nada. E ele, acredito que nunca nem pensou em conjugar esse verbo comigo.

                                                     


Resultado de imagem para agora e para sempre lara jean livro
(via Pinterest)

"Você não pode protegê-lo de se magoar, querida, não importa o que faça. Ser vulnerável, deixar pessoas se aproximarem, se magoar... Tudo isso é parte de estar apaixonado." 

Agora e para sempre, Lara Jean

Autora: Jenny Han
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 304
Título original: Always and Forever, Lara Jean

Sinopse: Em Para todos os garotos que já amei, as cartas mais secretas de Lara Jeans - aquelas em que se declara às suas paixonites platônicas para conseguir superá-las - foram enviadas aos destinatários sem explicação, e em P.S.: Ainda amo você, Lara Jean descobriu os altos e baixos de estar em um relacionamento que não é de faz de conta.
Na surpreendente e emocionante conclusão da série, o último ano de Lara Jean no colégio não podia estar melhor: ela está apaixonadíssima pelo namorado, Peter; seu pai vai se casar em breve com a vizinha, a sra. Rothschild; e sua irmã mais velha, Margot, vai passar o verão em casa. Mas, por mais que esteja se divertindo muito - organizando o casamento do pai e fazendo planos para passeios de turma e para o baile de formatura -, Lara Jean não pode ignorar as grandes decisões que precisar tomar, e a principal delas envolve a universidade na qual vai estudar. A menina viu Margot passar pelos mesmos questionamentos, e agora é ela quem precisar decidir se vai deixar sua família - e, quem sabe, o amor de sua vida - para trás.
Quando o coração e a razão apontam para direções diferentes, qual deles se deve ouvir?

São 3h09 da manhã e eu acabei de terminar de ler a última página do fim da trilogia que me provocou risos e lágrimas em uma história pela qual eu não daria tanto pela capa - então, Netflix, obrigada pelo filme. Esta resenha está um pouco distante das outras porque a faculdade não me permite ler tanto livros sem ser voltados para ela quanto eu gostaria, mas vez ou outra eu me permito tirar um tempo para mim. E decidi por essa semana, que estou sem aulas e me bateu saudade de um dos meus casais favoritos da ficção - e um pouquinho a mais de Peter Kavinsky.
Neste livro, nos deparamos com uma Lara Jean diante de grandes decisões. É chegado aquele momento entre o ensino médio e a faculdade, em que estamos apreensivos com as admissões e com o que queremos para a vida, ao mesmo passo em que estamos nostálgicos, com aquela sensação de "é agora que a vida começa" (apesar de que acredito realmente que ela já começou bem antes disso), em que todos os seus amigos estão tomando o rumo de suas vidas e você só queria ficar mais alguns instantes com eles.

"Já ouvi gente falando que você conhece seus melhores amigos na faculdade, e que são esses que ficam ao seu lado a vida toda, mas tenho certeza de que eu e Chris permaneceremos próximas a vida toda também. Sou uma pessoa que guarda coisas. Vou estar com ela para sempre."

Estamos juntos de LJ quando ela tem uma grande quebra de expectativa, fazendo uma enorme curva no caminho para o futuro que ela já havia planejado junto de Peter. Mas, mais tarde, percebemos como esse obstáculo foi importante para o amadurecimento não somente dela, mas do relacionamento deles. Uma outra questão neste livro é a expectativa para a primeira vez da protagonista, que está se equilibrando na linha tênue entre fazer para encerrar um ciclo e fazer porque ama Peter. E, Jenny Han, você toma meu coração quando resolve essas questões como se estivesse vivendo na cabeça de uma adolescente e, simultâneo a isso, na cabeça de uma adulta. 
Encontramos uma Lara Jean mais madura, com uma cabeça menos confusa do que no segundo livro - ainda que não seja totalmente decidida. Bom, pelo menos do meio para o final, eu mesma senti orgulho de vê-la tomando suas decisões e sabendo escolher exatamente o que seria melhor para ela e para Peter, sem que precisassem abdicar de seus sonhos, nem um do outro.
Kitty também está mais madura, mas continua sendo aquela menina implicante que ora odiamos, ora amamos. Confesso que a amei muito neste livro. E Margot... Bem, Margot também segue sendo um pouco chata (prevalecem os momentos em que não gosto tanto dela), mas ela se mostra mais vulnerável, assumindo sentimentos que eu não imaginei que a personagem pudesse algum dia. Peter está... Ainda mais Peter. Lindo, charmoso, amável, como Lara Jean nos desenha o seu namorado. É impossível não nos apegarmos ainda mais a ele, que também demonstra um pouco de suas fraquezas e se encontra ainda mais apaixonado por Lara Jean.
Se no primeiro livro eu me identifiquei com Lara Jean, no terceiro eu quis abraçá-la como uma forma de cumplicidade. Ela está ansiosa e com muitas questões, as quais eu mesma vivenciei e algumas estou aprendendo a lidar até hoje, no segundo semestre da faculdade. 

"É assim que acontece? Você se apaixona e nada mais parece assustador, e a vida é apenas uma grande possibilidade?"

Acho importante ressaltar também como os três livros desenham bem a trajetória de um relacionamento, ainda que o deles tenha começado como uma mentira. A primeira fase, da paixão; a segunda, de conhecer melhor e mais profundamente o outro (que pode gerar conflitos); e a terceira, de amadurecer, juntos e individualmente. Não quer dizer que a terceira é a última, mas ela é crucial e tão importante quanto as outras. 
Posso me arrepender do equívoco a seguir, mas eu me apresso em dizer que este é o meu favorito dos três - apesar de que amo o clima do primeiro, com as cartas e o início da paixão. Eu gosto como Peter está presente e o enxergamos melhor. Conseguimos entender o porquê de Lara Jean ser apaixonada por ele. Conseguimos também ver o lado dele, as dificuldades que ele está enfrentando, os limites que ele pretende ultrapassar - se forem precisos - para fazer tudo por ela, mesmo que ele tenha o próprio jeito de declarar isso, sem colocar todas as cartas na mesa de uma vez só. E eu não estou dizendo que todos nós precisamos fazer o possível e o impossível por quem amamos, vai de cada um a melhor forma de agir; mas é boa a sensação de ver a mudança do Peter do primeiro livro para o último. Confiamos, assim como Lara Jean, muito mais nele agora. E só sabemos torcer para que tudo dê certo entre eles. 
Afinal, o terceiro livro é sobre acreditar no amor. Por mais que tentemos, é difícil planejar uma vida inteira. E mais difícil ainda é ser resiliente quando a nossa zona de conforto é totalmente retirada de nós (imagine só quando somos nós que decidimos sair dela). E é sobre acreditar no amor porque, no fim, é ele o significado de tudo. É por amor que fazemos, é por amor que mudamos. Seja por outra pessoa, por nós mesmos, o que for. 

"Contrato retificado de Lara Jean e Peter (...) Peter vai amar Lara Jean com todo o coração, para sempre."

A trilogia me envolveu e eu terminei com aquele gostinho de quero mais. Não porque ficou faltando alguma coisa, mas porque eu me diverti lendo e queria ter essa sensação por mais tempo. Se você tem um tempinho e gosta de romances leves, eu sigo indicando a história de Lara Jean. Terminei o terceiro chorando - em partes porque eu choro com praticamente tudo - e não nego que vez ou outra ainda me pego assistindo mais uma vez ao filme para ter a imagem dos atores mais vívida e imaginá-los nas cenas dos livros que não foram adaptadas. Retorno a dizer que eu nunca teria lido os três se fosse olhar apenas para a capa. Então, obrigada, Lara Jean, por ter me conquistado por suas palavras e confusões que eu entendo e me identifico. Agora e para sempre.


Resultado de imagem para para todos os garotos que já amei livro


É óbvio que eu nunca conseguiria saber que existe uma continuação de "Para todos os garotos que já amei" sem procurá-la também. É outro exemplo de capa que nunca me conquistaria, mas sabendo do histórico de escrita de Jenny Han, com a leitura leve e que me prendeu por completo, com P.S.: Ainda amo você não foi diferente. Eu precisei de 1 dia apenas para tudo e o engraçado é que, para mim, o primeiro ainda foi melhor...

P.S.: Ainda amo você

Autora: Jenny Han
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 304
Título original: I still love you

Sinopse: Lara Jean sempre teve uma vida amorosa muito movimentada, pelo menos na cabeça dela. para cada garoto por quem se apaixonou e desapaixonou platonicamente, ela escreveu uma bela carta de despedida. Cartas muito dela, muito pessoais, que de repente e sem explicação foram parar nas mãos dos destinatários.
Em Para todos os garotos que já amei, Lara Jean não fazia ideia de como sair dessa enrascada, muito menos sabia que o namoro de mentirinha com Peter Kavinsky, inventado apenas para fugir do total constrangimento, se transformaria em algo mais. Agora, em P.S.: Ainda amo você, Lara Jean tem que aprender como é estar em um relacionamento que, pela primeira vez, não é de faz de conta. E quando ela parece estar conseguindo, um garoto do passado cai de paraquedas bem no meio de tudo, e os sentimentos de Lara por ele também retornam. 
Uma história delicada e comovente que vai mostrar que se apaixonar é a parte fácil: emocionante mesmo é o que vem depois. (via Livraria da Travessa)

Eu não sei como o li tão rápido. Nestas novas páginas, Lara Jean é um poço de desconfiança e insegurança total. A presença de Genevieve na vida de Peter, que agora é oficialmente e com toda a força seu namorado, a distancia de um amadurecimento considerável cada vez mais.

"Você me libertou, Peter. Me deu minha primeira história de amor."

Começamos com LJ finalmente tomando coragem de dizer a Peter o que verdadeiramente sente. Aparentemente sem medos e amarras ao seu mundinho particular de romances que não saem do papel. E Peter mostra que é recíproco, que ele realmente quer embarcar naquilo.

""Eu não sabia que você tinha um lado tão romântico." Meu tom é de brincadeira, mas estou falando sério. "Vai se acostumando", diz ele, se gabando. "Sei tratar bem uma garota.""

Mas como em toda sequência, alguma coisa tinha que acontecer para distanciar o meu mais novo casal favorito, outra vez. Não bastava a briga do primeiro livro, um dos destinatários daquelas cinco cartas precisava reaparecer. E ele precisava ser perfeito aos olhos de Lara Jean, sem ex-namoradas possessivas e todos os outros problemas que vinham no pacote Kavinsky
John Ambrose McClaren é o garoto que aparece com a carta de Lara Jean e eles começam a se corresponder. Peter, por sua vez, está envolvido ajudando a ex com problemas pessoais e isso coloca Lara Jean em uma bolha de ciúmes e desconfiança que mexe ainda mais com seu relacionamento e deixa as coisas... Incertas. John é um garoto realmente ótimo e substitui a figura de Josh, ausente neste livro, de um modo até natural. 

"Percebo agora que são as pequenas coisas, os pequenos esforços, que mantêm um relacionamento. E sei também que, de certa forma, tenho o poder de magoá-lo e também de fazê-lo se sentir melhor."

A sequência é sobre a construção - ou melhor, quase destruição - de um relacionamento que necessitava de uma base na confiança. É sobre ponderar uma paixonite antiga com um amor estruturado com veracidade. É sobre decisões maduras e suas consequências. Agora eu sei que li rápido porque eu precisava saber se eles ficariam bem, mas confesso que foi o momento de toda a história de Lara Jean que eu me senti mais distante dela, com todas as crises de ciúmes e as briguinhas desnecessárias. Foi o Muro de Berlim entre um Lara Jean e Peter Kavinsky, início de namoro e um Lara Jean e Peter Kavinsky, namoro sério. Não me identifiquei tanto com esta transição, mas foi importantíssima para ambos - principalmente LJ - para o que vinha depois. 

"Vamos fazer isso direito, Lara Jean. Vamos com tudo. Chega de contrato. Chega de rede de segurança. Pode partir meu coração. Faça o que quiser com ele."

Este livro é, literalmente, um convite para o terceiro, no sentido de "passagem" entre o que eles eram antes e o que se tornaram depois. Eu não fiquei tão alucinada com o enredo, com o rumo que as coisas tomavam. Lara Jean parece fora de si várias vezes e talvez ela estivesse mesmo. Mas, de qualquer forma, não foi de todo ruim. 
Um passo importante para a família é a decisão de Lara Jean e Kitty por encontrarem alguém para o pai, dr. Covey, ainda que Margot não fosse totalmente adepta da ideia. Isso me demonstrou um tanto de desprendimento daquela Lara Jean discípula de Margot. 
Eu sou bem suspeita para falar sobre Peter - mesmo que durante o livro várias vezes eu senti o meu coração se partindo -, mas ele está particularmente diferente (e melhor) com o passar do tempo. E mesmo que a minha experiência com o segundo não tenha sido das melhores, eu ainda não estou pronta para me despedir por completo dele e de Lara Jean.

"Se as duas pessoas estão destinadas a ficar juntas, elas vão encontrar o caminho uma até a outra."




Resultado de imagem para para todos os garotos que já amei livro

O filme chegou por estes dias à Netflix - não sei exatamente quanto - e caiu no meio popular como diversos outros filmes que vêm sendo lançados pela plataforma. Mas este, em específico, me colocou na palma da mãozinha quando fiquei sabendo que é a adaptação de um livro que compõe uma trilogia. E eu precisava saber um pouco mais sobre. 

Para todos os garotos que já amei

Autora: Jenny Han
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 320
Título original: To all the boys I've loved before

Sinopse: Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa azul-petróleo que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. Uma para cada garoto que amou - cinco ao todo. São cartas sinceras, sem joguinhos nem fingimentos, repletas de coisas que Lara Jean não diria a ninguém, confissões de seus sentimentos mais profundos.
Até que um dia essas cartas secretas são misteriosamente enviadas aos destinatários, e de uma hora para outra, a vida amorosa de Lara Jean sai do papel e se transforma em algo que ela não pode mais controlar. (via Livraria da Travessa)

O meu objetivo hoje não é falar sobre o filme. Acredito que muitas outras fontes, até melhores, podem ser encontradas sobre. 
Desde que a faculdade começou, eu não tido tanto tempo para ler coisas mais "leves". É artigo científico para cá, livro com léxico mais complexo para lá. Eu decidi que queria alguma válvula de escape. E no meio disso tudo, eu também estava na leitura de "Estive em Dublin e lembrei de você", emprestado pela Isabelle. Mas nada, há muito tempo, não me prendia como esta trilogia. 

Lara Jean Song Covey é uma adolescente comum à primeira vista. Apaixonada por livros, prefere ficar em casa com as irmãs e o pai a ir para uma festa como diversas garotas da sua idade. É a irmã do meio e por terem perdido a mãe muito cedo, as irmãs Song têm um quê de maturidade diferente. Margot, a mais velha, assumiu responsabilidades muito cedo e acabou sendo muito importante para a criação das irmãs. Só que agora ela vai viajar para a Escócia, fazer faculdade, e Lara Jean não sabe ao certo como será daí em diante. Margot sempre foi uma pessoa que deu a ela mais força, mais confiança em si mesma. As suas inseguranças durante o primeiro livro começaram daí. 

"Não são cartas de amor no sentido mais estrito da palavra. Minhas cartas são de quando não quero mais estar apaixonada. São cartas de despedida. Porque, depois que escrevo, aquele amor ardente para de me consumir. Posso tomar o café da manhã sem me preocupar se ele também gosta de banana com cereal; posso cantar músicas românticas sem estar cantando para ele."

Algo em Lara Jean talvez não seja normal para qualquer garota; para cada um dos garotos que já gostou na vida - cinco ao todo -, ela escreveu uma carta como espécie de despedida. Uma forma de deixar para trás aqueles sentimentos que, se trazidos para a vida real, a deixavam com medo. As cartas eram colocadas em envelopes, endereçadas, mas nunca enviadas. Guardadas dentro de uma caixa, esta escondida. Mas para a história acontecer, é claro que estas cartas deveriam parar nas mãos dos destinatários. 

"Se o amor é como uma possessão, talvez minhas cartas sejam meu exorcismo. As cartas me libertam. Ou pelo menos deveriam."

O que vem depois são as consequências destes romances que em grande parte se passaram no mundo das imaginações dela e uma das cartas até resulta em um namoro falso que é, então, o desenrolar da história. 
Lara Jean é muito apegada à família. É de crucial importância ter a aprovação de Margot, a amizade de Kitty (sua irmã mais nova) e o apoio do pai. De certa forma, a relação Margot-Lara Jean me deixou incomodada algumas vezes. Uma coisa é ter um carinho forte pela família, outra é deixar que a controlem ao ponto de a vontade deles valer mais do que a sua própria. E Margot, para mim, sempre teve um forte poder sobre Lara Jean, assim como sempre foi muito consciente disso. É algo que eu não consigo entender tão bem. 

"Irmãs deveriam brigar e fazer as pazes porque são irmãs, e irmãs sempre encontram o caminho de volta uma para a outra."

Dentre os destinatários das cartas, Josh Sanderson é ex-namorado de Margot e antigo melhor amigo de Lara Jean. A sua paixonite por ele durou até o exato ponto em que ela descobriu que Josh havia virado seu cunhado. Mas na confusão da carta, alguns sentimentos foram reacendidos. 
Mas a minha maior paixão deste livro é Peter Kavinsky, o namorado falso de Lara Jean. Tudo começa com o intuito de Peter fazer ciúmes à ex-namorada, Genevieve, e Lara Jean fazer em Josh. Porém, até mesmo isso sai do controle. Peter tem um crescimento ao longo da trilogia inteira que é o suficiente para nos apaixonarmos. E Lara Jean não foi exceção. 

"Por que é tão difícil dizer não para ele? Essa é a sensação de estar apaixonado por alguém?"

É bem possível que eu tenha gostado tanto assim porque me identifiquei com Lara Jean. Não é o tipo de livro que me chamaria pela capa, mas eu não me arrependi de ter dado uma chance. A coisa toda das cartas, da dificuldade com relacionamentos, da sua perspectiva sobre o amor; parece demais comigo. O livro é sobre como uma garota que, a princípio, morria de medo de viver um amor real, se entrega a ele como uma forma de descobrir a si mesma. É a hora do real. De falar sobre e viver coisas reais. Ela até me inspirou a fazer o mesmo, escrevendo as cartas. E é claro que eu fiz o que precisava fazer para nunca cair nas mãos de ninguém, estão seguras. Devorei o livro em dois dias - isso porque precisava ir para a faculdade, fazer trabalho e tudo mais. Realmente fiquei envolvida como sentia saudade de ficar. 
O livro é exatamente para você, que gosta de livro de romance adolescente e quer uma leitura leve e envolvente. Aconselho o filme também, se gosta do gênero. É fofíssimo e foi ainda melhor ter a imagem dos atores ao ler o livro - os personagens não são exatamente descritos fisicamente e eu amei imaginá-los como foram representados no filme. 

"O amor é assustador; ele se transforma; ele murcha. Faz parte do risco. Não quero mais ter medo."