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Autor(a): Barbará Sá, Bruna Catarina, Cínthia Zagatto, Jariane Ribeiro, Jéssica Anitelli, Laura Cossete, Vallen Lee
Editora: P.S.: Edições 
Narração: 1ª e 3ª pessoa
Nº de páginas:142

A primeira antalogia da P.S.: Edições é uma coletânea de 7 contos de autoras nacionais, sendo que 2 foram convidadas, uma foi a organizadora e 4 participaram de um concurso promovido pela editora. O tema central do livro é o amor. O sentimento que atravessa décadas, cruzando de 1950 a 2010, representado de diversas maneiras, desde o amor que sofre e encara a realidade de um mundo cruel à aquele fofo e engraçado de quem precisa se libertar um no outro.
Os contos são curtinhos, com personagens cativantes e de todos os tipos, o que o torna super representativo e consegue atingir mulheres brancas, negras, baixas, altas, héteros, bi, lésbicas, mas principalmente aquela mulher que deseja conquistar os seus sonhos, e não falo de amor aqui. Sonho de se descobrirem como são, de liberdade, de luta de causas e de além de tudo se aceitarem.
São histórias diferentes, mas todas falam sobre ser mulher, amor (e suas consequências) e de como temos que batalhar para sermos aceitas independente se estamos nos anos 50 ou em 2020.

1950
A Trapezista de Brilhantina, Valen Lee

Sinopse: A cidade de Diamantes atribuiu a palavra tragédia à definição do circo. Vera Lúcia nunca viu um de perto, mas isso nunca impediu que desejasse voar em um trapézio. Agora que pode acontecer, ela irá até contra a família para não perder a chance.

O conto que abre o livro fala sobre muitas coisas em poucas páginas e ainda consegue transmitir uma mensagem importante para o leitor. No primeiro conto da dupla intitulada Valen Lee, as duas me mostraram confiança e uma harmonia praticamente perfeita (é sério, não fazia ideia de que eram duas autoras).
O propósito de todos os contos era a luta de mulheres pelo o amor. E no primeiro contato com o livro, foi interessante ver como essa luta por amor não está apenas ligada a um relacionamento amoroso, pois apesar de Vera Lúcia encontrar a personificação do amor em um homem, a verdadeira luta dela é pelo sonho de ser trapezista, pelo o que realmente ama.
Foi uma leitura super rapidinha e agradável, mas pelo fato das autoras terem pouco espaço para desenvolver algo tão drámatico, com grandes desdobramentos, fez com que a história terminasse no seu clímax, realmente me impactando, mas que fez com que sentisse falta de algo a mais.
     
     

1960
Encontro ao nascer do sol, Bruta Catarina

Sinopse: Após se casar e ser uma esposa obediente e respeitosa, como a mãe lhe ensinou, Francisca conhece a filha do vizinho, que acaba de voltar da cidade grande. E de repente conversar com ela é muito melhor do que estar na companhia do marido.

É sempre uma satisfação ver mulheres que falam sobre livros tomarem o lugar de protagonistas e escreverem suas próprias histórias. E é um privilégio falar sobre a história escrita pela Bruna. Enfim, Francisca tem um boy lixo dentro de casa (o que apesar de se tratar da década de 60 não se difere de diversas realidades de casais de 2020), e não conhece o amor. Tudo o que ela conhece é o ciúme e o mau humor de seu marido.
Tocar no ponto do machismo é algo que automaticamente a leitura se identifica, afinal, infelizmente, todas as mulheres são vítimas de machismo. E por mais que seja um assunto tão discutido, é algo que a gente sempre precisa está gritando por aí enquanto formos obrigadas a ouvir tantas atrocidades diariamente. Sobre o amor, gosto como as coisas entre as duas personagens é natural. Os sentimentos surgem espontanemente e nem elas sabem explicar direito o que estava acontecendo entre si. Por fim, só senti falta de um pouco mais de espaço para o casal.


1970
Julgando amor, Barbará Sá

Sinopse: Estagiar naquele escritório de advocacia já vai contra seus princípios, e Isabel ainda tem que se esconder do presidente. É culpa de Antônio que seus pais estejam em "viagem" para fora do país. E é melhor que nem descubra que namora o filho dele.

Barbará já é bem conhecida no mundo dos livros (bem digital influencer rica) e creio eu que já tenha alguns contos na Amazon (não tenho certeza). No seu conto da década de 70, temos praticamente um conflito de classes e ideologias. Eu particularmente adoro! E me revolta muito saber que existem pessoas hoje que acham 'ok' toda a opressão que ocorreu nesse período (não sei porque ainda me surpreendo com a humanidade). E aqui temos um problema, porque Isabel gosta do filho rebelde do dono da empresa de advocacia que trabalha e este nem imagina que a "comunista" é estagiaria da sua empresa. Esse foi o primeiro conto que os personagens não se apaixonaram, mas que já estavam apaixonados, e foi legal ver como a autora escreveu sobre um casal que já tinha construído uma história. Gosto muito de conflitos políticos e históricos, e ela soube representar isso bem, só esperava um conflito mais "papoco" nas últimas páginas.


1980
O sol sempre nasce por volta das seis, Jéssica Anitelli 

Sinopse: Poderia ser uma noite como todas as outras para aqueles que enfrentam a ditadura, mas a sede de um jornal da resistência foi descoberta. Amora conseguiu fugir, e agora Dandara precisa encontrá-la antes que seja capturada por um torturador. 

O grande diferencial desse conto pra mim é o fato dele passar durante apenas um período, da noite até o início da manhã. É como se fosse realmente um filme que começa cheio de adrenalina no meio da escuridão e termina com um sopro de esperança ao nascer do sol. É uma mensagem linda e trouxe realmente um clima da correria para a história. Já faz uns dias que li e algumas coisas ficaram gravadas na minha mente exatamente como cenas de um filme. O negócio é que essa uma noite tinha muito potencial para se desenvolver e talvez umas páginas a mais tornassem o arco mais legal ainda.


1990
Rivais?, Laura Cossete 

Sinopse: A melhor aluna e o garoto mais famoso da classe estão concorrendo ao comando do grêmio estudantil, mas algo aconteceu no porão da escola para mudar o foco da disputa. Agora eles estão mais preocupados com uma aposta do que com as eleições. 

Quando acabei de ler "Rivais?" depois de um simulado da autoescola, tava rindo igual uma boba, com aquela sensação gostosa de ter acabado de ler um bom romance. Nesse mesmo momento me perguntei porque nunca lido nada da Laura. Onde cê tinha se escondido, mulher? Ou onde eu estava? Porque você escreve de um jeito tão gostoso e que me traz tanta felicidade que quero gritar pro mundo o quanto é maravilhosa. Na história, ela conseguiu trazer tudo que gosto: muitas referências, de locadora de filme a *NSYNC, rivalidade, uma mocinha decidida e um mocinho descarado (Deus, me desculpa, mas eu amo). Consigo ver o atrevimento dele de longe e quando ela dizia que ele tava sorrindo eu tava sorrindo também! A Laura dá um show sobre como construir personagens em um piscar de olhos e nos conectar com eles na primeira página. Quero dizer que queria mais deles! Se você quiser escrever e mandar pra mim eu leio com todo o prazer, viu.

           

2000
Amor nas alturas, Jariane Ribeiro 

Sinopse: O sonho de Vivi é ter os novos sapatos de salto de All Star, mas nem mesmo com sua altura natural ela tem coragem de ficar de pé na frente de Enrico, o adorável advogado corporativo sem alma que sempre vem cortar o cabelo no salão de sua avó. 

Jariane, mulher, como tu escreve bem! Tô morrendo de amores pela Vivi e o Enrico até agora. Esse aqui foi outro conto que li na autoescola e fiquei igual uma abestada rindo pro tempo. Eu nasci em 2000, então, esse conto me amarrou no momento que ela começou a falar sobre internet discada, o Orkut, o MSN (que saudade de tremer o bate-papo do povo), a Kelly Key (e eu comecei a cantar Baba, baby igual uma doida) e toda a transformação tecnológica que houve nesse período. Além disso, ele tem que um ar jovial e Vivi falando mal do capitalismo que eu amei! Amei! E amei! Enrico ainda mais é um fofo que escreve depoimento no Orkut e quer ser defensor público. Vivi também tem problemas com sua altura (a gata é um poste e lindona), mas ela descobre o que é alguém realmente valorizar ela e mostrar que mulherão da porra que é. Enfim, amei!

           

2010
Trabalhada no amor, Cínthia Zagatto 

Sinopse: Lana precisa aceitar que a loja de cupcakes não é sua. Enfiada no trabalho exaustivo, que vem roubando todo o seu foco, ela esquece mais um encontro com Davi. Em meio a uma tempestade que parou São Paulo, é melhor correr se quiser chegar a tempo.

Cínthia é uma mulher bem sucedida e que foi obrigada a passar quase um ano aguentando meus e-mails pedindo segunda via de boleto. Tenho até vergonha, gente. Também tenho vergonha de ter e-book dela no Kindle e só ter tido o primeiro contato com sua escrita agora, mas foi lindo também. Aqui temos menina Lana vacilando com seu boy e consigo mesma. A gata fica igual um pinto molhado e pensando "Perdi meu boy, pqp" e nessa viagem de metrô e muitas reflexões, ela descobre que não tem que só que lutar pelo amor de Davi, mas por ela. Gostei de tudo, pô. Também fiquei rindo para as paredes igual uma abestada. 

                  

Espero que tenham gostado da resenha e se vocês escrevem, as meninas da P.S.: estão lançando mais um concurso da segunda antalogia delas sobre o dia dos namorados, e você pode participar pagando o preço do livro (que cê recebe independe de ganhar ou não). Pra saber mais é só clicar aqui.
                                                               
                                                                               


Autor(a): Renata Lustosa 
Editora: Lura 
Nº de Páginas: 316
Narração: 1ª Pessoa 

Sinopse: 

Melissa Belinque é uma garota planejada. Muito planejada. Apaixonada por seu melhor amigo e formada em Psicologia, ela é uma terapeuta especializada em relacionamentos, ms que nunca esteve em um. O que fazer quando, numa reviravolta do destino, Melissa descobre que uma de suas pacientes está apaixonada justo pelo mesmo homem que ela? Ela terá que correr atrás do prejuízo e impedir que o grande amor de sua vida e seus planos para o futuro sejam mandados para as cucuias. Um chick lit divertido sobre uma protagonista com problemas de ansiedade, um pouquinho acima do peso, lutando contra as armadilhas da própria mente. 

 
Tanran, tanram, tanram...O melhor amigo de Melissa vai casar! Que felicidade, não é? Só que não. Só que não, mesmo. Afinal, para variar ela é apaixonada por ele e para piorar, a noiva é sua paciente mimada e sem um pingo de noção da realidade. E agora, quem salvará o coração de Mel? Aparentemente ela mesma em um plano maluco para impedir o casamento (mesmo que seja a madrinha) e conquistar o boy.
É bem óbvio que as coisa não dão nada certo. A nossa atrapalhada terapeuta acaba muito mais ajudando os pombinhos do que os separando, e no meio dessa jornada toda até o dia que eles dirão sim um para o outro ela acaba descobrindo muito mais coisas sobre si, Rafael (o noivo) e Leo (o seu amigo que é muito mais amigo do que o outro).
"Ouvir as palavras saindo da boca dele é como uma flechada na minha bunda. E não no coração. Porque uma flechada no coração teria me matado instantaneamente, ao passo que uma flechada na bunda não me matava, mas me causa uma dor descomunal e me obriga a conviver com isso. Além de ganhar uma cicatriz parecida com uma celulite." Sessão Nove 
O romance de estreia de Renata Lustosa é uma delícia. Nacionais são uma delícia, na realidade. Exatamente porque a identificação com os personagens é de cara, afinal a gente vive no mesmo país, temos o nosso próprio linguajar e saímos daquela bolha gringa que moram todos os chick lits.
Admito que no começo da história não senti tanta liga exatamente por pensar que a Melissa estava focando no cara errado. Sabe quando você briga com o personagem? Era claramente eu com ela. E também por ela deixar algumas coisas passarem. Creio que no fim, o último detalhe que faltou para mim foi consequências mais duras para alguns personagens bem sem noções. Afinal, apesar do amadurecimento desses personagens, eles não deixaram de ser aquelas pessoas que fizeram um pouco de mal para Mel.
Botando essas pessoas de escanteio e falando sobre os melhores amigos da iniciante em terapia de casais, Leo e Pati são realmente seus amigos, daqueles que se metem nos maiores B.Os e continuam firme e forte. Eles são super importantes no desenvolvimento da história e é interessante perceber como o amor entre amigos é retratado e também como às vezes podemos acabar magoando essas pessoas sem sequer perceber.
"— Querida, meter os pés pelas mãos de vez em quando não é uma coisa necessariamente ruim. Só quer dizer que você está tentando." Sessão trinta e cinco 
Por fim, a história para mim não foi sobre Melissa querendo destruir um casamento. Mas sim no seu amadurecimento como mulher. Parece até clichê falar isso, só que ela realmente não confiava em si e acabava se botava muito para baixo por causa de terceiros, pensando que o problema sempre era ela e que por isso não merecia ninguém. Esse é o tipo de pensamento que já passou pela minha cabeça e é incrível como alguém de fora consegue perceber o quanto aquela pessoa é maravilhosa e a gente não. E por causa disso, não apenas Mel, mas milhares de garotas (e garotos também) se inferiorizam por causa de outras pessoas. Tá mais do que na hora da gente perceber o quanto somos e podemos ser bons e felizes.
Outro detalhe que queria adicionar é sobre como o TOC é tratado, e como realmente senti todas as angústias que Melissa sentia ao não conseguir parar de arrumar uma mesa ou limpar o chão 10 vezes mesmo ele já estando limpo. O triste era que ela sabia disso tudo, queria parar e simplesmente não conseguia.
Parabéns a Renata pelo ótimo trabalho, não só na construção da história, mas na diagramação, capa e todo trabalho visual. O livro está disponível em e-book na amazon e no Kindle Unlimited, e físico no site da Re (só clicar aqui).


                                     
                                                 
                                                                                   



Série: The Witcher


Dê um trocado pro seu bruxo, ô vale abundante, ôoooooo....ou...Toss a coin to your witcher, O' Valley of Plenty, O' Valley of Plenty, O'. Começando com a música do nosso querido Jaskier, o Bardo, vamos hoje falar sobre a primeira temporada de The Witcher, lançada em 20 de dezembro de 2019 pela amiga Netflix.

THE WITCHER

Sinopse: Baseado no best-seller de fantasia, The Witcher é um conto épico sobre destino e família. Geralt de Rivia é um caçador de monstros solitário que luta para encontrar seu lugar em um mundo onde as pessoas são mais perversas do que as criaturas que ele caça. Quando o destino leva Geralt a uma poderosa feiticeira, e a uma jovem princesa com um segredo perigoso, os três devem aprender a navegar juntos pelo crescente e volátil Continente.

The Witcher é a adaptação dos dois primeiros volumes da série de livros do autor polonês Andrzej Sapkowski, que são "O Último Desejo" e "A Espada do Destino". Para quem tiver interesse, existe um prelúdio lançado posteriormente pelo autor, chamado "Tempo de Tempestade". Agora saindo do mundo dos livros e falando sobre a série: A história foi uma grata surpresa. Estava animada para o lançamento, principalmente por causa do burburinho da internet e admito, pelo Henry Cavill, mas não esperava que fosse gostar tanto dessa primeira temporada. 
Muitas pessoas já tinham conhecimento do conteúdo do programa, por causa dos games de The Witcher (que não são uma adaptação dos livros) e é interessante observar como a fantasia consegue flutuar em vários nichos, indo dos livros para games e agora para uma série. 
Bem, a série é divida em 8 episódios com aproximadamente uma hora cada e narra a história de Geralt, Yennefer, a feiticeira e Ciri, uma jovem princesa. As três histórias acontecem em linhas temporais diferentes e só no final que elas se encontram no mesmo ponto. Pode parecer confuso no começo, mas se tornou mais um atrativo do seriado. Alguns episódios possuem um ar de caso semanal, pelo menos na parte do Geralt, mas eles são necessários e não deixam de ser importantes no conjunto da obra. Exatamente porque através desses eventos os 3 personagens principais puderam se desenvolver e a mitologia da série ser expandida.

Reprodução Netflix

Porém, é lógico que existem algumas lacunas no meio dos arcos dos personagens e algumas coisas que não ficaram bem explicadas para o telespectador. Uma coisa é saber construir um mistério ao redor de algo e fazer com que as pessoas criem teorias sobre (o que também é importante para popularizar a série), outra é fazer uma situação, ou arco, causar estranheza para quem assiste.
Por fim, a série soube realizar o mais importante que um programa pode fazer: cativar o seu público. Nós nos importamos com Geralt, com a Yennefer (que tem um dos melhores arcos da série) e até com a Ciri que não foi tão explorada como os outros personagens. Além disso, não ficamos só presos nos personagens principais e também nos sentimos ligados a personagens secundários, seja para amar ou odiar. E é dessa forma que The Witcher está construindo uma grande fan base e criando uma conexão muito legal do mundo dos livros, séries e games.
                                     "Pessoas destinadas sempre se encontram."                              
Para quem gosta de uma fantasia, com profecias, umas lutas legais, muita magia e uma menina conjurando umas palavras do nada, essa é uma série para você e te digo mais: ela veio pra ficar. 

                                    




Foto: Blog Adormecidas

Autor(a): Amanda Lovelace
Editora: Planeta 
Nº de Páginas: 208
Narração: (Não sei, tem um monte de poema com narração diferente)

Sinopse:

A sereia é conhecida por seu canto misterioso capaz de atrair marinheiros curiosos para a sua morte. No entanto, por trás desses mitos equivocados estão contos de escapismo e cura que Lovelace tece ao longo desta poderosa coletânea de poemas. Eles tentaram silenciá-la de uma vez por todas, mas a voz da sereia volta neste livro.A voz da sereia volta neste livro é o terceiro e último volume da série as mulheres têm uma espécie de magia, da autora best-seller Amanda Lovelace. O livro conta com prefácio da escritora neozelandesa Lang Leav e treze poemas de autoras que representam as principais vozes contemporâneas da poesia, como Nikita Gill e KY Robinson.

                                                                 tenho um 
                                                                           péssimo costume 
                                                                 de me 
                                                                           representar 
                                                                 mais corajosa 
                                                                         do que jamais serei,
                                                                & não sei bem
                                                                                       qual de nós 
                                                                estou tentando 
                                                                          convencer, 
                                                                eu ou 
                                                                          você.

Essa foi a primeira vez que realmente parei e me dediquei a leitura dos textos da Amanda Lovelace. Anteriormente, meu contato com sua escrita havia sido através de algum texto ou mesmo imagem que vi na internet e uma vez que fui na livraria e acabei folheando um de seus livros. 
No entanto, mesmo com o seu sucesso e saber das causas por quais ela luta (e super me identificar com elas) nunca tive expectativas altas com seus livros e de certa forma não fui surpreendida quando cheguei na última página deste.
Apesar de se tratarem de poemas diferentes e até com autoras diferentes (lá pelo final da obra), os consegui conectar durante a leitura. Dar para perceber que existe um objetivo que será alcançado com o texto, porém, acredito que ele meio que se perde próximo ao fim.
Não sei se os meus parâmetros para poesias são altos demais, mas realmente não consegui gostar da obra por um todo. Alguns poemas me impactaram, de fato, e com certeza vítimas de assédio e violência sexual se sentirão tocadas pelas palavras ditas (inclusive, existe um aviso de gatilhos no começo), por isso, mesmo não amando o texto proposto, reconheço o seu valor e o quanto a figura dele é importante no mercado editorial. O problema é que eles são facilmente esquecíveis. Sinceramente, não lembro de praticamente nada especificamente, nem de uma frase. E para mim, a grande questão de um texto bom é quando não necessariamente lembrando de cor o que está escrito, mas lembramos de sua essência 
               
                                      ela chegou à conclusão de que os caras gostam 
dela porque ela é triste & sobretudo porque ela é 
quietinha. combinação mortal que faz com que seja 
impossível para ela dizer a eles: 
                                                          - chega. / não. / não quero mais 

Outra questão é que essa foi uma das primeiras vezes (devo ter tido esse pensamento em outros livros) que senti que estava consumindo um produto. A forma que estava escrito, a diagramação dos poemas e até a falta de letras maiúsculas, torna o livro "Instagramavél", perfeito para se enquadrar em um post no Instagram ou um stories. Toda a linguagem do livro é um grande produto, feito para jovens compartilharem e recompartilharem e depois facilmente esquecerem. 
Provavelmente, o grande problema da obra por um todo é não ter me conectado com aquelas palavras, não ter me transmitido grandes sentimentos e não me proporcionar o sentimento de leitura. Parecia que eu estava em uma página do Facebook ou do Instagram com um amotando de versos que não conversavam comigo.
Por fim, apesar das crítica, reconheço a importância do trabalhado da Amanda para as mulheres e vítimas de abuso e sempre vou apoiar mulheres que lutam por nós e espero que ela alcance mais e mais sucesso.

                                                

                                                                                   


Enfim, chegamos a última parte do Natal com os Bridgertons, exatamente no dia 25, quando tá todo mundo derrotado depois de tanto comer na véspera. Hoje iremos falar sobre os 3 últimos Bridgertons e espero que tenham gostado do nosso amigo secreto sem bailes e ceias e só uma doida escrevendo besteira.

AMIGO SECRETO 

Foto: Blog Adormecidas

DAPHNE 

Achei de bom tom começar com aquela que me apresentou a família Bridgerton e praticamente ao mundo dos romances de época. Daphne é decidida e a mais velha entre as irmãs. Não tem muita paciência para seus pretendes chatos e as danças intermináveis. Gosta é de um bom desafio, na realidade. Além disso, ela luta por si e por aqueles que ama, com pressa em mudar as coisas e obviamente cometendo erros. Apesar de gostar muito dela, de seu jeito esperto e de não ter medo de expressar seus sentimentos, ela foi de longe a irmã que mais me decepcionou. Então meu presente é um semancol. Juízo, mulher! (Apesar de tudo, gosto dela, viu)

GREGORY 

Aqui temos um menino apaixonado. Disposto a tudo pelo amor. Diferente de todos os outros boys, Gregory não fica com o discursinho de: "Nunca vou me apaixonar. Sou putão." Só que exatamente como aquela música do Exaltasamba, ele se apaixonou pela pessoa errada. Tadinho, gente. Fica correndo atrás de uma que não tá nem tchum pra ele (tô musical hoje, viu) enquanto a dona da porra toda tá do seu lado! Mas perdoem o rapaz por ser meio lesadin, depois ele se toca e luta (luta mesmo) pela mulher que ama. A definição de homão. Vou dar um óculos de presente pro bixin. P.S.: La la la lucy (Ai, Gabi, só quem viveu sabe).

ELOISE 

A quinta Bridgerton, atiradora de Elite, fugitiva, melhor amiga da Penelope, escritora de cartas oficial da família entre tantas coisa mais se chama Eloise Bridgerton. Todo mundo acreditava que ela ia virar uma vitalina/moça velha (mulher que não se casa, como diz aqui no Ceará), porque aparentemente para a sociedade londrina 28 anos é uma idade muito avançada para uma mulher não estar casada (para um homem, não). A questão é que Eloise não está nem aí para esses babacas engomadinhos e para ela tudo bem não se casar. O negócio é que ninguém foge do amor, não é? E Eloise foge para encontrar ele como mulher decidida que é (e sofre, viu) e faz todos seus irmãos (menos o Colin) entrarem em estado de loucura. Para ela o meu presente é um kit detetive, com arma e tudo. 
Nota: E chegamos ao fim (Ahhhh)! Foi muito divertido escrever e compartilhar com vocês o amigo secreto da família Bridgerton e falar um pouco sobre esses personagens que amo. Espero realmente que tenham gostado dos posts e se interessado pelo mundo criado por Julia Quinn e fiquem esperto, porque 2020 será um ano e tanto para os fãs dos Bridgertons. 


Voltamos para a parte dois do Natal com os Bridgertons e nosso amigo secreto da alta sociedade inglesa. Para quem ainda está perdido neste rolê, clica aqui para ler a primeira parte que explico tim tim por tim tim sobre esse super evento. No post anterior tiramos Violet, Anthony e Colin, agora vamos tirar mais 3 papeizinhos e descobrir quem da família Bridgerton terá seus segredos revelados. 

AMIGO SECRETO

Foto: Blog Adormecidas


HYACINTH 

Ela é a caçula, curiosa e adora aprontar várias confusões (bem sessão da tarde, hein). Ela é perspicaz e não desiste de um desafio de jeito nenhum. O seu livro, "Um beijo inesquecível", é um dos meus favoritos. Diferente de tantas outras damas da sociedade, ela é birrenta, gosta de falar na cara das pessoas e apesar de seguir as regras não gosta nenhum pouco delas. Então, o seu atrevimento, jeito de moleca e tantas outras coisas mais que tiram o juízo de sua mãe e seus irmãos, faz com que ela seja completamente maravilhosa. Mas além de enaltecer o poder feminino, tenho que dizer que sou meio apaixonada - até demais - pelo boy dela e pelo fato dele ser apaixonado exatamente por ela ser quem é. Meu presente para a Hyacinth linda é uma caça aos tesouros, vou esconder tudo e sei que ela vai amar essa caçada. P.S.: Gareth sim ou Gareth não? GARETH MAISS.

BENEDICT 

O segundo filho e o mais alto de todos é um apaixonado e muito lesado, mas MUITO lesado. Com jeito de artista e um corpo escultural (o que é este homem saindo da água do jeito que veio ao mundo?). Apesar de seus músculos e da aura poderosa, ele possui um jeito muito doce e completamente apaixonante, só que pode ser bem vacilão também (eu não esqueço dos teus vacilo, boy). Por fim, Benedict, o artista da família, recebe de mim uma linda pintura imprensa diretamente do Pinterest.

FRANCESCA

Francesca é a filha que foge do fuzuê costumeiro de sua família. Mas retraída e pensativa, ela se faz uma caixinha de surpresa. E quando começamos a descobrir o que ela tanto guarda escondido de seu sorriso tranquilo ela se torna mais encantadora ainda. Foi nela que percebi uma profundidade que talvez não tenha sido tão trabalhada em outros personagens, talvez pela personalidade dela, ou por tudo que ela passou. Afinal, não é fácil perder um marido e um bebê tão de repente. Então, a gente já começa o livro dela, "Um Conde Enfeitiçado", com o coração completamente partido. Mas ela supera bebê e ave Maria, que superação! (Sou muito apaixonada no boy dela, muito muito muito mesmo). E para ela o meu presente é um pônei de pelúcia (Cê só vai entender a piada se ler. Tá perdendo tempo porquê?)




Nota: Gente, olha como eu tô rápida! Já temos a parte 2 do amigo secreto mais babadeira da alta sociedade londrina! Espero que tenham gostado e já a gente volta com a parte 3. Foto da mulher encontrada no Pinterest.


Passa o salpicão, o panetone, o arroz à grega, a farofa...Imagina como deve ser uma loucura o natal dos Bridgertons (e provavelmente nem farofa eles comem, afinal é em mil oitocentos e bolinha)! Então vamos adicionar muito chá nessa conversa e talvez alguns biscoitos. 
Natal com os Bridgertons foi uma ideia que surgiu depois de uma seguidora pedir no Instagram para que falassemos sobre a família mais agitada da alta sociedade. Com isso veio a ideia do amigo secreto, para que vocês pudessem conhecer os personagens um pouco mais. Além disso, serve como esquenta para a série que irá estrear próximo ano na Netflix. 

AMIGO SECRETO 



O primeiro passo é saber que a família Bridgerton é ENORME. De filhos temos 8: Anthony, Benedict, Colin, Daphne, Eloise, Francesca, Gregory e Hyacinth (em ordem alfabética e de nascimento também). Além dos filhos, temos a matriarca e dona da porra toda: Violet Bridgerton. Para cada filho existe um livro com o adicional de um livro com segundos epílogos. Mas vamos deixar de conversar e começar o amigo secreto!

VIOLET

A minha primeira amiga secreta é exatamente quem começou toda essa história. Ela deu à luz a 8 filhos e viu seu marido morrer quando ainda não havia saído da casa dos 30. Ficou com um monte de filho pra criar enquanto ainda carregava Hyacinth na barriga. Anthony, o filho mais velho, tinha apenas 18 anos e carregou o peso de se tornar o chefe da família. Enfim, minha amiga secreta, Violet, é uma mulher forte, a verdadeira chefe dessa família e a casamenteira oficial. Para ela vou dar um conjunto de joias (bem chics). E só por sua presença quase onipresente em todos os livros você já deveria lê-los. 

COLIN

O meu próximo amigo secreto (porque tirei todos) é o terceiro filho e tem um dragão dentro da barriga. Se ele fosse brasileiro e vivesse neste século, iria se esbaldar no São João! Amo que ele interfere na maioria dos relacionamentos dos irmãos (e só pra coisa boa) e quando a briga ta pegando fogo ele tá batendo uma boquinha. Menina, o nome dele é Colin.
O mais engraçado de tudo é que quando chega no seu livro, o boy caí de quadro igual um cachorrinho por quem ele duvidava se apaixonar. O tombo foi MARAVILHOSO! Além disso, durante sua história, pudemos descobrir outras facetas dele fora a parte comilona. P.S.: De "Os segredos de Colin Bridgerton", a melhor personagem é a Penelope (e você só vai descobrir lendo, bebê), ela realmente é a joia de toda a trama. P.S.:² E meu presente séria uma cesta de café da manhã! 

ANTHONY 

O terceiro e último de hoje é o visconde libertino que todo mundo ama (eu acho, né). Esse boy, frequentemente irritado e gritando "Vou matá-lo" a todo instante gosta do babado! E ele é decidido, viu. Quando começamos a leitura do seu livro, "O Visconde que me Amava", ele bate o martelo e decidi que quer casar (mas ele vai mirar na pessoa errada. A vida não seria tão fácil assim, bebê). E é lindo ver outro macho sendo tombado pelo amor e por uma abelha! A estrela desse livro é a abelha. Obviamente não irei revelar porque ela é tão importante. E também é durante sua história de amor meio cão e gato, que temos o jogo de pall mall, e garanto que sua vida irá mudar depois de descobrir sobre o taco da morte.
Eu poderia o presentar com várias coisas, então escolhi fazer um kit: um pote de mel, um par de meias com estampa de abelha, um dorflex, advil e provavelmente um calmante.

Nota: Decidi dividir o post de amigo secreto em 3, porque provavelmente ficaria cansativo falar sobre toda a família Bridgerton em um post só e também para saber se vocês estão gostando dessa ideia. Espero que tenham se divertido. P.S.: Ilustração encontrada no blog Miss Bennet.
                                            


Foto: Blog Adormecidas
Autor(a): Heloisa Bernardelli
Editora: P.S.:
Nº de Páginas: 228
Narração: 3ª Pessoa

Sinopse:

Anna e Alex se conheceram na madrugada em que a casa da família dela foi engolida pelo fogo; queimou todinha, do começo ao fim. Pelo menos foi o que ouvi dizer. Eu ainda não estava lá. Em compensação, estive lá por muito tempo depois. Rodando por Sheffield e os acompanhando bem de perto, com meus autofalantes entoando músicas que eles chamavam de indie, mas que pareciam apenas barulhentas para uma caminhonete velha como eu. Fiz silêncio enquanto eles liam. Enquanto cochilavam. Se apaixonavam. Ah, sim, eu flagrei todos aqueles olhares de Alex, que Anna nunca viu. E todos os sorrisos dela, que por azar ele não percebeu. Ouvi as declarações que não fizeram, as discussões que engoliram, o amor que aquietaram. Até que nos mudamos para os Estados Unidos. Alex, sua infelicidade e eu. Por muito tempo, fomos só nós. Mas existem boatos de que Anna está chegando. Talvez não no melhor dos momentos, é verdade, mas quem sabe assim ele pare de meter os pés pelas mãos. E, bem, na pior das hipóteses, ainda nos reuniremos outra vez, como nos bons e velhos tempos.

Nas palavras de "The Killers", "Agora estou caindo no sono/E ela está chamando um táxi/ Enquanto ele está fumando/E ela está dando uma tragada/Agora eles estão indo para a cama/ E meu estômago está embrulhado/ E está tudo na minha cabeça, mas/Ela está tocando o peito dele agora/Ele tira o vestido dela, agora, me deixe ir." Com certeza essa poderia ser a trilha sonora deste livro. Afinal, a história é uma grande tortura formatada em 228 páginas. Pois não é fácil está instalada na casa dos pais da noiva do seu melhor amigo (e por quem é apaixonada há anos) esperando o dia do casamento deles. É exatamente isso que Anna tem que suportar.
Anna e Alex são amigos desde a infância. Moldaram a vida um no outro desde então. Trocavam ligações de longa duração, silêncios duradouros, confidências, mas nunca tiveram coragem de assumirem o que sentiam de mais profundo um pelo outro. Parecia que em todos os momentos que poderia se encaixar um "mais" surgia um grande "porém". Dessa forma, a relação dos dois foi se distanciando cada vez mais, até chegar no dia que Alex vai entrar em uma igreja com uma mulher que não se chama Anna.
"Era de uma melancolia pouco familiar descobrir que até o calor da presença dele lhe causava incômodo, e, cada vez que ele se aproximava, seu coração parecia gritar, aflito para que Alex se afastasse antes que fosse tarde demais." Página 42
"Se Miss Lizzy Falasse" é uma grande viagem. Embarcamos no lado do passageiro e Miss Lizzy, uma caminhonete antiga, relata os anos de burrice de seu dono e a melhor amiga. Com o rádio ligado no último volume, tocando uma música indie/rock que certamente não conheço, ela fala que Alex viu a casa de Anna pegar fogo por inteiro quando ainda estava na casa dos 10 - ela sequer existia para os dois -, e que desde então não se largaram. Gostavam de serem dois estranhos, com gostos musicais parecidos e aversos a uma baladinha pop e romântica. O que é irônico, eu e Miss Lizzy rimos, afinal, a história dos dois se encaixa perfeitamente em "You Give me Something" do James Morrison - o que eles não gostam nenhum um pouco. Apesar da máscara de indies intoxicadores de pulmões, a vida os muda e os leva para caminhos diferentes.
Intercalando entre flashbacks do passado e dias antecessores ao casamento de Alex, o que a voz embargada de Miss Lizzy causou foi dor. Dor por ela e eu entendermos que tamanho sofrimento foi causado pelo medo e pelos vários momentos de silêncio dos dois. Silenciosamente, se reconhecendo no olhar um do outro, nas histórias e nos passos esquisitos de dança, sabem que são apaixonados um pelo outro, mas não dizem nada.
"Seu coração, o mesmo que parecia ter pego um resfriado violentíssimo pouco antes, de repente saltou de onde estava e esperneou aflito ao ver seu visitante mais assíduo bem ali, tão perto outra vez." Página 89
Talvez, e acho que a velha caminhonete concorda comigo, o pior papel nessa história seja o da Madson, a noiva. Apesar de ter chamado ela de burra incontáveis vezes, e por ela ser na teoria a personagem que separa os dois principais, deve ser muito doloroso perceber que o cara que você está prestes a se casar nunca vai te amar da mesma forma que ama a melhor amiga. Sinceramente, não entendo por que ela ainda se prestou o papel de ficar, só que ao mesmo tempo, sei que quando a gente gosta de alguém é difícil deixar a pessoa ir, mesmo sabendo ser o melhor para ela.
Nessa viagem com Miss Lizzy, atravessando anos, vendo Anna e Alex se tornarem melhores amigos, se apaixonarem, escutarem músicas até quase estourarem os tímpanos, dançarem, fumarem e beberem até demais, me tornei um misto de felicidade e tristeza. Felicidade de poder visualizar a beleza do amor do dois, como amigos e amantes. Tristeza em observar o medo, o silêncio e as tantas burradas que me fizeram praticamente gritar para as parentes e chorar igual uma louca em um sábado solitário.
"— O jeito como você olha para ela. Alex, você nunca me olhou dessa maneira, e eu não tenho certeza de que algum dia você vai." Página 145
Por fim, depois dessa montanha russa de sentimentos e praticamente uma road trip, o que tiro dessa história bonita e extremamente delicada, é que antes se nos entregarmos alguém, precisamos nos entregar para nós mesmos. Por que no fim, o "porém" que os separou por tanto tempo, se chamava Alex e Anna (Madson só tava lá pra sofrer, coitada).
Lembrando que a primeira versão da história está disponível no Wattpad, intitulada por Friendzone e vocês poderem adquirir este lindo livro no site da P.S.:.

              

                                                              

Foto: Blog Adormecidas

Autor(a):
Jenny Colgan
Editora: Arqueiro
Nº de páginas: 336
Narração: 3ª Pessoa 

Sinopse: 

Um balneário tranquilo, uma loja abandonada, um apartamento pequeno. É isso que espera Polly Waterford quando ela chega à Cornualha, na Inglaterra, fugindo de um relacionamento tóxico.
Para manter os pensamentos longe dos problemas, Polly se dedica a seu passatempo favorito: fazer pão. Enquanto amassa, estica e esmurra a massa, extravasa todas as emoções e prepara fornadas cada vez mais gostosas.
O hobby se transforma em paixão e ela logo começa a operar sua magia adicionando frutos secos, sementes, chocolate e o mel local, cortesia de um lindo e charmoso apicultor.
A padaria dos finais felizes é a emocionante e bem-humorada história de uma mulher que aprende que tanto a felicidade quanto um delicioso pão quentinho podem ser encontrados em qualquer lugar.
"Mas agora, com o sol aquecendo as costas dela, respirou fundo e tentou focar no futuro, em vez de no passado. Sim, o futuro era um cenário assustador, mas que cenário não era?" Página 72
Desde que li "A Pequena Livraria dos Sonhos" - já resenhado aqui - me apaixonei completamente pela escrita da Jenny Colgan. Ela escreve o tipo de livro que abraça, lhe bota num cantinho e enche o seu coração de coisas boas. Isso começa logo pelas propostas dos livros da autora. O primeiro fala sobre uma livraria móvel e esse sobre uma padaria, o que significa que durante todo a trama fiquei passando fome. Era como se conseguisse sentir através das páginas o cheirinho de pão no forno e o gosto do mel na língua. 
Polly, a personagem principal, não apenas tem o nome da Polly Pocket, como tem um marido: Chris, o vacilão, e eles estão em falência. O começo da história lembrou muito o começo de "A Pequena Livraria dos Sonhos", exatamente porque ambas as personagens principais estão ferradas, desempregadas e sem saber o que fazer.
"Só por um segundo - um delicioso segundo -, o mundo inteiro congelou, e Polly percebeu que ele estava prestes a beijá-la. Durante esse longo instante, ela soube que o beijo seria tudo o que sempre sonhara, tudo o que sempre desejara; soube que, depois, a despeito do que fosse acontecer, talvez nunca mais fosse querer beijar outra pessoa." Página 259
Polly precisa arrumar um emprego e achar uma casa para morar - já que o seu apartamento chic que dividia com Chris foi devolvido ao banco, e ele não a chamou para ficar com ele na casa de sua mãe - e nisso tudo acaba se mudando para Mount Poulbearne, uma pequena ilha na Cornualha (e totalmente fictícia).
A partir do momento que Polly se muda para a cidadezinha com uma ponte que fica submersa de hora em hora, sua vida começa a mudar. Polly começa a fazer seus vários pães deliciosos e quando ver toda a cidade já ama a sua comida. Porém, só depois ela finalmente consegue ver o seu hobby como fonte de renda e começa a ganhar um dinheirinho (afinal, ela precisa).
Nesse meio tempo, Polly conhece Tarnie, um pescador bonitão e super prestativo, além de seus companheiros de tripulação (que são muito fofos também), Huckle, o gigante e loiro norte-americano que produz mel e a Sra. Manse, sua senhoria e dona da única padaria da cidade.
A história contém um romance lindo (apesar de achar que a autora se repete), mas o ponto chave é a construção de Polly. De como ao longo das páginas ela ressignificou a sua vida. Saindo da fossa e se superando, fazendo o que gosta e sendo ela de verdade.
A cidade também é uma personagem. O fato dela se manter longe e ao mesmo tempo perto da cidade grande, de se fazer como refugio, constrói toda a ambientação da história. E ela também se reconstrói com a evolução de seus habitantes. Então, saímos de uma simples cidade pesqueira para um lugar que significa "lar".
"— Minha rainha — recitou 'Fulano', em um tom grave e monótono, lendo um cartão. — Que a força esteja conosco conquanto viajamos pela galáxia da vida. Prometo nunca ceder ao lado negro..." Página 307 (Botei "Fulano" para não entregar quem é o personagem) 
Uma parte muito importante também é a importância que se dar aos pescadores e ao mar. Parece que às vezes nos automatizamos e esquecemos que o alimento que consumimos foi produzido por alguém. O caso dos pescadores é bem especifico, visto que é uma profissão super perigosa e que esquecemos constantemente de reverenciar. Não posso deixar de falar, exatamente por causa dos vazamentos de óleo nas praias do nordeste (e porque sou nordestina) de como temos que defender o mar, os animais e a profissão das pessoas que precisam trabalhar nele.
Por fim, Jenny Colgan consegue entregar mais um livro maravilhoso, que encheu o meu rosto com sorrisos intermináveis, me deu muita fome e tem receitas maravilhosas. Além disso tudo, a história tem o MELHOR casamento de todos e Neil, o papagaio-do-mar, é a grande estrela desse livro (a coisa MAIS linda desse mundo)

Esse é um papagaio-do-mar. Não é a coisa mais fofa?


                                    

                                                               


Via Pinterest

A casa silenciosa. Os raios de sol entrando de fininho por trás da cortina, invadindo o quarto pintado de branco, assim como meus olhos sonolentos e inchados de choro. Sentada sozinha no meio da cama grande, enrolada em dois lençóis, escutando apenas o barulho do primeiro noticiário, perguntava-me quando aquilo ia passar. Por que viver doía tanto? 
Os dias eram cinza, cercados por ambientes claustrofóbicos. O ônibus lotado das seis e meia da manhã; a sala pequena de iluminação amarelada que dividia com mais 3 pessoas no trabalho; as ruas cercadas de prédios altos que não permitiam a visualização perfeita do céu; o barulho constante de buzinas; a poluição que preenchia meus pulmões. Então voltava para casa, com as pernas doendo por causa do salto, comia alguma coisa processada e gelada enquanto assistia ao mesmo canal até dormir e começar tudo de novo no outro dia. Isso era viver de verdade? Dias iguais. Caminhos iguais. As mesmas pessoas.
Com esses questionamentos, arrastei os pés sobre o piso frio. Hoje poderia ser diferente. Depois do banho tomado, de deixar a água lavar as impurezas do corpo e da mente, decidi sair. Parei sentada na areia da praia, observando o azul do céu se confundir com o azul do mar. As ondas se formavam pela força dos ventos, nasciam como gente, cresciam cheias de força, querendo levar tudo, e se derramavam como se não houvesse nada para trás, perdendo a força até se encontrar sugada. Eu estava assim, sendo sugada pelo peso da existência, questionando os parâmetros e sendo jogada de um lado para o outro em uma sociedade automática. 
Afundei na água salgada, enxergando tudo azul, puxei o ar e senti o calor dos raios de sol no meu corpo, assim como o brilho que impossibilitava a visão. Aquilo era viver: sentir o calor na pele ao mesmo tempo que se sente flutuar, com o salgado ardendo nas feridas e o líquido beijando-as em perdão. Quando saí do mar, decidi que iria fazer diferente, mesmo que doesse mais do que já doía. Pelo menos queria sentir a vida novamente, como naquela manhã de domingo.

Nota: Acho que fazia um bom tempo que a gente não vinha com um texto e é sempre necessário esse momento de pausa pra botar alguma coisa pra fora. Esse texto diferente dos outros eu fiz obrigada pela faculdade, mas gostei muito dele e acho que alguém pode se identificar e perceber como viver é diferente para cada um, mas todos passamos por certas angústias e que a melhor coisa é se permitir viver e ser feliz do seu jeito.