Olá! Estou no meio de um jogo perigoso na Ilha de los Sueños, vestindo trajes maravilhosos e sem poder confiar em ninguém - mas recebi um chamado que não podia recusar. Hoje, vou falar um pouco sobre os clichês que mais chamam a minha atenção nas histórias fantásticas. Não necessariamente aquele clichês que te faz revirar os olhos, mas aqueles que fazem com que nos identifiquemos mais rápido com aquela jornada.

Clichês fantásticos


1. Profecias: Substantivo feminino que significa "predição divina por meio dos profetas; presságio anunciado por pessoa que supostamente interpreta o futuro. Eu tenho certeza de que você já leu ou assistiu a alguma coisa em que o protagonista estava a mercê de alguma profecia. Ainda mais comum que isso é quando se trata de uma situação de vida ou morte, em que a nossa heroína (ou o nosso herói) precisa cumprir o seu destino profetizado ou morrerá. 
2. Resíduos medievais: É quase automático imaginarmos castelos, cavalheiros e monarquias quando imaginamos uma história fantástica. A literatura tem o papel fundamental de apresentar os cenários e as situações de determinada época - em se tratando de Idade Média, os contos apresentam-se dessa maneira, trazendo um exercício de imaginação de seus autores para representar os contextos histórico-sociais do período. Esses registros perduram até os dias de hoje e, por isso, vemos as histórias fantásticas atuais aplicando aspectos, elementos medievais em suas principais características.    

3. Herói/heroína: É óbvio que esse é o elemento mais comum. Mesmo nas histórias não-fantásticas, encontramos a personagem que salvará tudo no final. Nos maiores clichês, o herói é aquele dotado de virtudes, sábio e o maior capaz de tomar as melhores decisões. Em histórias mais modernas, pode ser que essa figura surja mais "humanizada", apresentando defeitos e enfrentando barreiras mais éticas do que físicas. No entanto, como todos bem sabem, ele salvará tudo no final...
4. Escola/mentor: Muitas vezes, o herói surge considerando-se uma "pessoa normal". Diante do seu chamado, nessas situações, ele precisará de um tutor, alguém que possa ensiná-lo a controlar seus poderes, dando os recursos necessários para conhecer-se e enfrentar seus desafios. Também é bem comum que, antes desse ponto, nos deparemos com uma recusa - o herói tenta fugir dessa orientação por não querer encarar o próprio destino.


5. Ressurreição: A melhor coisa das histórias fantásticas é não saber quais são os limites para a imaginação. Podemos sempre ir mais além, nada é impossível ou sem saída. É por isso que vemos, tantas e tantas vezes, o mais poderoso dos vilões sendo derrotado por uma magia iniciante ou a mais perigosa aventura deixar seus bem-aventurados saírem ilesos (ou mesmo que apenas vivos). Também é por isso  que a ressurreição é um grande clichê. Um momento crucial em que o inimigo ressurge ainda mais forte e o nosso herói precisa passar por uma provação, uma superação, que pode significar a sua morte - figurativa ou literal. E, como uma fênix, ressurgir transformado.

Tem algum outro clichê que esqueci de mencionar e que é muito presente? Agora terei de partir. O jogo está cada vez mais emocionante e preciso cumprir a minha missão dada pela anciã. Até mais! 




Autor(a): Holly Black
Editora: Galera Record 
Nº de páginas: 322
Narração: 1ª Pessoa 

Sinopse:

Jude tinha 7 anos quando seus pais foram assassinados e foi forçada a viver no Reino das Fadas. Dez anos depois, tudo o que ela quer é ser como eles - lindos e imortais - e realmente pertencer ao Reino das Fadas, apesar de sua mortalidade. Mas muitos do povo das Fadas desprezam os humanos. Especialmente o Príncipe Cardan, o filho mais jovem, mais bonito e mais cruel do Grande Rei. Para ganhar um lugar na Alta Corte, ela deve desafiá-lo...e enfrentar as consequências. Envolvida em intrigas e traições do palácio, Jude descobre sua própria capacidade para truques e derramamento de sangue. Mas, com a ameaça de uma guerra civil e o Reino das Fadas por um fio, Jude precisará arriscar sua vida em uma perigosa aliança para salvar suas irmãs, e o próprio Reino. Com personagens único, reviravoltas inesperadas, e uma traição de tirar o fôlego, este livro vai deixar o leitor pedindo bis - querendo mergulhar de cabeça na continuação deste universo. 

"Mas nós sempre almejamos coisas idiotas. Isso não quer dizer que devemos obtê-las" Capítulo 19

Estou saindo do Reino das Fadas, os pés descalços, os cabelos desgrenhado. Ainda estou em choque com tudo o que presenciei, com todo o sangue que sujou minhas vestes. O Reino das Fadas é um lugar traiçoeiro, com suas próprias regras e marcado por violência e vinhos cor de ouro. Tudo é absolutamente mágico e até as flores, aparentemente tão inofensivas, podem ser venenosas. 
Nessa corte tão perigosa, a rosa com espinhos é Jude Duarte, a menina sequestrada do mundo mortal com suas irmãs quando havia apenas 7 anos. Ela parece inofensiva, mortal demais aos olhos feéricos, mas vejo nela o maior perigo de todos. Existe ódio e fome de poder. Era como se ao longo dos dias, eu visse sobre seus olhos o desmonte da antiga Jude e o que ela estava se tornando com cada pequena ação. O que ela estava se permitindo ser. E é engraçado que ela mesmo diz isso. 
Em meio a um jogo por entre as sombras e festas glamourosas, uma trama era formada e entrelaçada e no pião da rainha estava Jude, calculando seus passos minuciosamente. E eu não estava preparada para tudo o que presenciei, para os corpos atravessados por espadas e pela crueldade que não se fazia presente em um único corpo. 


"— Você sabe o que significa a palavra mortal? Significa nascido para morrer. Significa merecedor da morte. É o que você é, o que define você: mortal [...]" Capítulo 9
Entrelaçados nessa trama estão a realeza do Reino das Fadas, e lógico, Cardan, o conhecido príncipe cruel. O interessante foi analisar, enquanto me escondia nos bailes, que ele estava longe de ser o pior de todos. Na realidade, criei muita afeição a ele. Mas ele tem muito a ser mostrar ainda e estou ansiosa para isso, por mais surpresa que eu possa ficar. 
Em vários momentos me vi passando os dias e noites ainda em choque, sem saber em quem confiar (e não confiando em ninguém) e presa a uma mente que estava mudando muito rápido. Não existe preto no branco aqui, muito menos o que é necessariamente errado e certo. Alguns sacrifícios serão necessários para a realização dos objetivos e para isso, muitas pessoas sairão feridas e marcadas para sempre. 
Enfim, enquanto ando a procura do meu destino, sentindo as raízes das árvores sob meus pés, eu sei que em breve voltarei para cá, e que esse lugar mudará drasticamente e uma nova história começará. Por mais medo, choque e desconforto que eu tenha sentido, o Reino das Fadas encanta tanto quanto incomoda e ele é irresistível, como o doce que sabemos que faz mal mas mesmo assim comemos. 

           






50% de O Príncipe Cruel

Tá, vou ter que falar bem rápido porque muita coisas estão acontecendo por aqui. Para quem não sabe, faz pouco tempo que minha missão em Adarlan terminou e eu atravessei o portal espelhado para o Reino das Fadas. Sinceramente, estou assustada. 

Quando cheguei aqui não sabia tanta coisa, além de que provavelmente as fads não seriam muito legais. Mas eu não esperava tanto. Tive que me encantar e me personificar em feérica para conseguir passar mais despercebida (ainda não sei se foi uma boa escolha), mas em todo momento ando assustada, com medo de comer algo envenenado ou ter que me revelar para me proteger.

"Então você simplesmente decidiu isso? Achei que não funcionava assim. Sempre pensei que o amor acontecesse quando você menos esperasse, como uma dor de cabeça" Capítulo 5

Por aqui conheci Jude, Taryn e Vivi, garotas trazidas do mundo humano quando ainda eram muito meninas e já presenciei muitas crueldades realizadas com as duas humanas (afinal, Vivi também é feérica). Mas Jude, munida de raiva e um ódio crescente vem se preparando para um jogo extremamente cruel. A única certeza é que não será bonito de se ver. 

— Porque você é com uma história que ainda não aconteceu. Porque quero ver o que vai fazer. Quero ser parte do desenrolar da história." Capítulo 11

Cardan, o tal príncipe cruel, tem algum "que" de mistério e admito que estou muito curiosa para encarrar sua real fase. 

Por fim, aqui é um ambiente totalmente mágico, tudo parece ter vida. mas admito que não estava preparada para sapos gigantes servindo como transporte. Agora vou me calar e realmente espero está bem para o fim dessa jornada louca.

Relato de Isabelle, a bruxa, disfarçada de feérica. 

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Feéricos e suas peculiaridades 

Olá, se você ainda não me conhece, sou Isabelle, a bruxa (sempre importante frisar) e hoje fui enviada pela anciã para falar sobre os feéricos. Na definição encontrada nas pesquisas no Edla Search, encontramos a seguinte coisa: fe.é.ri.co: 1. Relativo ou pertencente ao mundo do imaginário, do que não tem ligação com a realidade concreta e factual; fabuloso, fantástico, mágico. 2. Que diz respeito as fadas. Além disso, a palavra feérico vem do termo "feérique", que, por sua vez, vem do substantivo "fee", que significa "fada". Ou seja, é tudo fada. 

Mitologia 

Mas diferente da percepção apresentada a vocês, humanos, os feéricos não necessariamente são aqueles seres minúsculos com asas transparentes, passadas nos contos de fadas. A mitologia do povo feérico, deriva da mitologia celta, nela, eles acreditavam nesse povo que vivia no "Outro mundo". Mas o que seria esse "outro mundo"? Na visão dos antigos povos celtas a vida era concebida como existindo três níveis distintos, integrados em cada ser. Os três níveis eram: físico, metal e espiritual. E as pessoas só alcançariam a visão do espírito, se encontrassem o equilíbrio entre esses 3 níveis e lá, nesse outro mundo, viveriam os feéricos. 

Mas também existe a versão que o "Outro Mundo" seria as pequenas colinas ou terra onde vive os feéricos ou "povo de sídhe" (que seria o povo das colinas), e isso teria acontecido pois eles seriam o povo da deusa Danu, que abandonaram a Irlanda para viver no Outro Mundo depois de derrotados pelos milésios (o atual povo irlandês). E nisso, como sinal de rendição, os Tuatha Danuann (povo da deusa Danu), concordaram em viver no subsolo, em síde, as pequenas colinas. Caso você queira saber mais sobre o povo sidhe, clica aqui que existem mais informações, e aqui para descobrir sobre a mitologia celta e como teria sido a formação do povo feérico. 

Na Literatura 

E como elas começaram a serem representadas na literatura? Além de claro, estarem presentes nos folclores, as fadas encontraram seu espaço na literatura de entretenimento nós séculos XII-XIII. Isso aconteceu com o despontar da literatura narrativa de Corte nas segunda metade do século XII, utilizando os temas como "a fada que se deixa surpreender pelo cavaleiro por quem se apaixona, etc", se tornando constante nos lais e romances de cavalaria franceses do final do século XII em diante. (MORÁS, Antônio P.V.). 

Literatura feérica na antiguidade


E para vocês entenderem que as fadas estão com gente há muito tempo, separei 3 figurinhas que fizeram muito sucesso nos séculos passados e ainda fazem até hoje.

A Rainha das Fadas: Personagem de um poema épico do inglês Edmund Spencer e se passa no mundo mítico do Rei Arthur. (Datado de 1715). Poema original aqui.

Morgana Le Fay: Faz parte das lendas Arthurianas, sendo a sacerdotista na Ilha de Avalon, na Bretanha e meia-irmã de Arthur. As lendas Arthurianas tiveram inicio desde o idade média e faz sucesso até hoje. 

Titânia: Rainha das fadas na obra Sonho de uma noite de verão (1605) de William Shakespeare 

Literatura feérica na atualidade 

E no século atual, mais e mais livros se utilizam da mitologia feérica, trazendo histórias com mundos incríveis e personagens maravilhosos. Inclusive já visitei algumas dessas terras e foram experiências únicas. 


Referências: Dicionário Michaelis; Wiktionary; A tradição feérica e o povo das fadas; Das representações míticas à cultura clerical: as Fadas da Literatura Medieval; WikiFandom; Fada Morgana; Rei Arthur; 10 das principais fadas da literatura; Folha d.São Paulo (COTIDIANO).



 

A Linguagem era sua liberdade. (Capítulo 22)

A Biblioteca Invisível

Autora: Genevieve Cogman
Editora: Morro Branco
Ano de publicação: 2014
Número de páginas: 368
Narração: 3ª pessoa

Sinopse: Irene é uma espiã profissional da misteriosa Biblioteca, uma organização que existe fora do tempo e espaço e que coleciona livros e manuscritos de diferentes realidades. Junto com seu enigmático assistente Kai, ela é enviada para uma Londres alternativa com a missão de recuperar um perigoso livros. Mas quando chegam, ele já foi roubado.
As principais facções do submundo londrino estão prontas para lutar até a morte para achá-lo, e a missão de Irene é dificultada pelo fato de que o mundo está infestado pelo Caos - as leis da natureza foram distorcidas para permitir a existência de criaturas sobrenaturais e mágicas imprevisíveis. 
Enquanto seu novo assistente guarda seus próprios segredos, Irene logo se vê envolvida em uma aventura repleta de ladrões, assassinos e sociedades secretas, onde a própria realidade está em perigo e falhar não é uma opção.


Acabo de passar pelo portal e deixar a Biblioteca para trás, depois de todas as aventuras que vivi no alternativo de uma Londres invadida pelo Caos, frequentada por magia feérica, vampiros, lobisomens e diversas outras criaturas. Desde o primeiro capítulo, perdi o fôlego várias vezes com tanta rapidez e quantidade de ação que essa jornada me proporcionou. 
A anciã realmente não havia me informado sobre todas as surpresas que eu encontraria. Irene, a Bibliotecária que acompanhamos, é uma mulher esperta, espirituosa, forte, muito centrada - mas é falha. E esse é uma das suas melhores qualidades. Irene é, diferente da maioria dos que estavam à sua volta, essencialmente humana. Tão humana que as suas emoções - sobretudo a confiança e as suas crenças - foram postas à prova nesta nossa aventura.
Embora muitas coisas tenham acontecido, a nossa busca pelo manuscrito original dos Irmãos Grimm, de 1812, durou em torno de 5 ou 6 dias. Por vezes, tive a sensação de que já haviam passado vários dias - mas ainda estávamos nas mesmas 24h e já havia enfrentado lobisomens, feéricos e viajado em zepelins. 
A aventura também se superou quando tivemos que ativar o nosso modo detetive, com a ajuda do Sr. Vale (alguém muito próximo de Sherlock Holmes deste alternativo), para encontrar o livro - mesmo que só fôssemos descobrir no final o motivo para a Biblioteca desejá-lo. Mas Irene é leal. E faria o que fosse preciso para conseguir o livro, mesmo que tenhamos nos deparado com outros Bibliotecários tentando interceptar a sua missão e diversas outras criaturas tentando roubar o desejado livro.
Mas não lhe darei minha missão, não lhe darei meu aprendiz; e, se eu fosse o tipo de pessoa que tem ratos como animais de estimação, não daria a você nem mesmo o meu rato. Entendido? (Capítulo 3)

A Linguagem - o poder dos Bibliotecários - é muito surpreendente. Eu, como uma bruxa que já passei por vários mundos e tive contato com diversos tipos de magia, foi a primeira vez que presenciei uma manifestação tão específica e tão complexa quanto esse poder. Mas, de certa forma, estar perto de Irene fazia com que eu e os outros nos sentíssemos seguros. 

Neste universo, a Biblioteca é a maior das autoridades - ou pelo menos se enxerga assim. E os anciãos dessa associação secreta guardam muitos segredos que fazem os seus agentes agirem, em grande parte, apenas em nome da fé e da sua lealdade em relação à Biblioteca. Algumas vezes, observando Irene, questionei se ela não tinha dúvidas sobre a lealdade da Biblioteca em relação a ela - visto que tive a sensação de que a Irene poderia dar a vida pelo livro.

[...] todos nós ligados à Biblioteca somos pessoas que escolheram essa forma de vida porque amamos livros. Nenhum de nós queria salvar mundos. (Capítulo 14)

Em nossa jornada, havia tanta incerteza, um medo que tentávamos esconder sob o propósito de cumprir o plano para a Biblioteca, que mal podíamos conseguir um tempo para respirar fundo. Foi enérgico, do início ao fim. Fiquei encantada com o fantástico deste livro, até com a Londres caótica deste alternativo.  Além disso, fiquei ansiosa para embarcar em outras buscas com Irene e Kai, por outros alternativos ainda mais maravilhosos, mas precisei deixá-los para trás. Pretendo voltar a encontrá-los um dia, mas minha próxima jornada será rumo a Caraval.

- Então qual é o objetivo da Biblioteca? - perguntou Vale. / - Salvar livros - respondeu Irene com firmeza. (Capítulo 14)



Desde que me separei de Isabelle quando atravessamos o Vale de Usib, estou explorando um dos mais inusitados lugares fantásticos em que já estive. Quando fui enviada para esta jornada, a anciã me informou que eu encontraria todo tipo de magia e criatura, além de tecnologias não catalogadas, e teria de fazer o máximo possível para me disfarçar.

Estou acompanhando a passos cuidadosos a missão de Irene, uma Bibliotecária em busca do manuscrito original dos Irmãos Grimm, volume 1 de 1812, no momento localizado em Londres, paralelo B-395. É um livro importantíssimo para a Biblioteca - um lugar com passagem para vários mundos, alternativos com muitas peculiaridades entre si. A missão a levou para um alternativo infestado pelo Caos, onde a Bibliotecária não só pode, como deve desconfiar de tudo e de todos - não há ninguém essencialmente "do bem". 

"Um alto nível de Caos significava que eles podiam esperar encontrar seres feéricos, criaturas do Caos e da magia, capazes de tomar forma e provocar desordem em um mundo tão corrompido. E isso nunca era uma coisa boa. [...] O Caos fazia os mundos agirem de forma irracional." (Capítulo 2)

Neste local, em quarentena devido ao Caos, pode-se esperar todo tipo de manifestação mágica. Até agora, nos deparamos com vampiros, feéricos, outros Bibliotecários problemáticos e houveram uma ou outra menções a lobisomens e feiticeiros, além de dragões e as grandes incertezas sobre os seus reais poderes.

Os Bibliotecários detém um poder que nenhuma outra criatura sequer tem conhecimento - a Linguagem. Até agora, mal pude entender como ela funciona, mas é um poder que exige muita precisão e bastante cuidado com as palavras. 

Desde o primeiro capítulo estamos vivendo grandes aventuras e estou farejando um romance nascendo entre Irene e seu aprendiz, Kai. No entanto, embora encontre muitos detalhes sobre os locais, as aventuras e até mesmo as aparências dos envolvidos, não sei se posso dizer que já conheço Irene tanto assim. Já presenciei grandes reviravoltas e ainda tenho metade do caminho pela frente. Que a anciã Rogéria esteja conosco! 


 

Hoje pela manhã recebi um pergaminho da anciã Rogéria, me pedindo para trazer um apanhado de alguns animais fantásticos, os quais eu, que aprecio muito a fauna encantada, estou catalogando há anos. Consultei o meu acervo e selecionei alguns dos que julgo serem os mais importantes para você, que está conhecendo o nosso universo agora.

Guia básico de animais fantásticos

1. Dragões: Os mais conhecidos seres fantásticos, estão presentes na mitologia dos mais diversos povos e civilizações. São animais enormes, geralmente com aspecto reptiliano (semelhantes a imensos lagarsos ou serpentes). Na maioria das vezes, apresentam asas, plimas, poderes mágicos e podem cuspir fogo. Em alguns mitos, são apresentados literalmente como grandes serpentes, como eram os primeiros dragões da mitologia. Dependendo da cultura e mitologia do local (podem ser encontrados no folclore chinês ou no europeu, por exemplo), os dragões assumem diferentes significados para a sua mitologia: podem ser apresentados como fontes de força e grande sabedoria (como a aciã Rogéria) ou como criaturas ferozes.  
2. Fênix:
 
É um pássaro da mitologia grega que entra em autocombustão e, depois de algum tempo de sua morte, renasce de suas próprias cinzas. Também é caracterizada pela sua força que permite a ave carregar cargas muito mais pesadas que ela mesma enquanto voa; pode se transformar em uma ave de fogo e ainda há algumas lendas em que existe o registro de poderes curativos por meio da lágrima da fênix. Suas penas podem ser brilhantes, douradas, vermelho-arroxeadas e é do tamanho (ou ainda maior, como pude conferir com meus próprios olhos em uma de minhas aventuras) que uma águia. Paradoxalmente, a longa vida da fênix e o seu renascimento representam a imortalidade e o renascimento espiritual.

3. Hipogrifo:
 
Segundo as nossas pesquisas, essa criatura lendária é filha do cruzamento de um grifo (outra criatura fabulosa, muito feroz) e uma égua. Os hipogrifos são muito raros, pois grifos desprezam cavalos como cães desprezam gatos. Por causa dessa aversão, alguns textos medievais trazem o ditado "to mate griffins with horses" ("acasalar grifos com cavalos"), que significava algo impossível de acontecer. Assim, este animal fantástico é considerado um símbolo da impossibilidade e do amor. Embora o grifo seja uma criatura difícil de domar, o hipogrifo se apresenta mais dócil, podendo ser um animal de estimação de um(a) cavaleiro(a) ou de um(a) feiticeiro(a). É um ser extremamente veloz e é onívoro, ou seja, come tanto plantas quanto carnes.

4. Lobos fantásticos:
 
Nesta categoria, precisei trazer alguns exemplos, pois é bastante abrangente a presença do "lobo" nas mais diversas mitologias. O mais conhecidos são os lobisomens (ou licantropo), ser lendário, originado na mitologia grega. Trata-se de um homem que pode se transformar em lobo ou em uma criatura com aspectos parecidos; ele assume essa forma nas noites de lua cheia e volta à sua forma normal ao amanhecer. O que poucos sabem é que, na mitologia nórdica, o lobo é uma figura muito comum. O mais conhecido é o lobo Fenrir (em nórdico antigo: "morador do poço"), que é um lobo gigantesco, filho de Loki, pressagiado para matar o deus Odin, o rei de Asgard, durante o Ragnarok. Confesso que não tive muito contato com lobos em minhas aventuras; costumo fugir deles, visto que são criaturas misteriosas e um tanto sombrias.
5. Pégaso: 
Ou Pegasus. Foi originado na mitologia grega, um cavalo alado e símbolo da imortalidade. Sua figura aparece no mito de Perseu e Medusa. Pégaso nasceu do sangue de Medusa depois de ser decapitada por Perseu, semideus filho de Zeus. Ele aparece em outros mitos gregos, como quando Belerofonte, um semideus filho de Poseidon, matou a poderosa Quimera montando em Pégaso após domá-lo com a ajuda de Atena. Também montado em Pégaso, Belerofonte tentou chegar ao Monte Olimpo, mas Zeus fez o cavalo alado derrubar o seu cavaleiro. Depois do acontecimento, a lenda diz que Zeus transformou Pégaso em uma constelação a fim de recompensá-lo, onde deveria ficar à serviço dos deuses. Não se sabe como, mas há registros de Pégaso (ou mesmo outros cavalos alados de origem desconhecida) em outras narrativas. São seres dóceis, mas que apresentam uma postura de bravura. 

6. Unicórnios:
 
Talvez sejam tão conhecidos quanto os dragões, mas muito mais famosos na contemporaneidade. É um animal que tem a forma de um cavalo, geralmente é branco, com um único chifre em espiral. O símbolo do unicórnio é muito associado à pureza e à força, não deixando de ser uma criatura dócil. É muito frequente em narrativas medievais e renascentistas, não possuindo um significado único. A origem dele é incerta e se perde em nossos estudos. Presente em mitos de imperadores chinenes e em lendas do Ocidente. O mundo não-mágico é tão encantado por este animal que, em 1663, encontraram o esqueleto de um animal em uma caverna na Alemanha que, na época, atribuíram a um unicórnio. Descobriram, depois, que as ossadas eram possivelmente de um mamute com outros animais, montados por meros humanos de forma equivocadas. Mal sabem eles que os unicórnios jamais se aproximariam de regiões desprovidas de magia. 

Agora, voltarei os meus estudos para o baú e seguirei com a minha viagem. Espero ter atendido ao pedido de Rogéria e que você tenha gostado do recorte da nossa enciclopédia mágica. Até a próxima!

Fonte: Wikipédia (Verbetes de cada animal)



Autor(a): Sarah J. Maas 
Editora: Galera Record 
Nº de páginas: 392
Narração: 3ª Pessoa

Sinopse:  

A magia há muito abandonou Adarlan. Um perverso rei governa, punindo impiedosamente as miniorias rebeldes. Aos 18 anos uma prisioneira está cumprindo sua sentença. Ela é uma assassina, e a melhor de Adarlan. Aprisionada e fraca, ela está quase perdendo s esperanças, a sentença de morte é iminente, mas a jovem recebe uma proposta inesperada: representar o príncipe em uma competição lutando contra os mais habilidosos assassinos e larápios do reino. Mas ela não diz sim apenas para matar, seu foco é obter sua liberdade de volta. Se derrotar os 23 assassinos, ladrões e soldados, será a campeã do rei e estará livre depois de servi-lo por alguns anos. Endovier é uma sentença de morte, e cada duelo em Adarlan será para viver ou morrer. Mas se o preço é ser livre, e ela está disposta a tudo. Seu nome é Celaena Sardothien. O príncipe herdeiro vai provocá-la, o capitão da guarda fará tudo para protegê-la. E uma princesa de terras distantes se tornará algo que Celaena jamais pensou ter novamente: uma amiga. Mas algo maligno habita o castelo - e está ali para matar. Quando os demais competidores começam a morrer, um a um e de maneira terrível, Celaena se vê mais uma vez envolvida em uma batalha pela sobrevivência e inicia uma jornada desesperada para desvendar a origem daquele mal antes que ele destrua o mundo dela. É sua única chance de ser livre. No ritmo dos livros de fantasia de Tolkien, o mundo de Celaena é aquele em que a magia é proibida e o poder é arrebatado pela ganância. A narrativa em terceira pessoa permite uma visão frequente de vários personagens (heróis e vilões), mas sem perder o foco da confiante e conflitante protagonista. Eleito um dos melhores livros do ano pela Amazon e best seller do New York Times, o universo de Trono de Vidro começou a ganhar forma quando Sarah J.Maas pensou: e se Cinderela fosse uma assassina? E se fosse ao baile não para dançar com o príncipe, mas para matá-lo? Assim nasceu Celaena Sardothien, a heróina que conquistou milhares de leitores por todo o mundo.


Estou deixando Adarlan, minha jornada acabou por aqui, por enquanto. Quando pisei nessa terra, sabendo apenas algumas coisas que anciã deixou escapar, não esperava me surpreender tanto. Pois um começo e um fim se traçou aqui. Celeana, a assassina antes enclausurada, veio em busca de sua liberdade, disposta a servir aquele rei que tomara tudo de si e participar de um torneio perigoso. Dorian, o príncipe, tem um coração muito distinto de seu pai e um desejo e vontades convergentes com as ideias sanguinárias do rei de Adarlan. O jovem príncipe terá muito o que apreender, inclusive no amor. Mas enquanto o observava de longe, as mudanças eram perceptíveis, a assassina o mudou. Chaol, o capitão da guarda, tão novo (e gato! Que a anciã não me escute), viveu nesse período curto de tempo o agridoce da vida, provou o doce e o azedo, e para ele, que vivia a vida tão preto no branco, as coisas começam a se colorir de desenfreada, o assustando. A assassina também deixou sua marca nele. O engraçado é que marcou ambos com sua risada, coragem e não como a Celeana, a assassina, temida por todos. 

"Celaena entrava em uma cidade feita de papel e couro. Ela levou a mão ao coração. Para o inferno com rotas de fugas." Capítulo 8

Mas em um castelo de vidro, os sussurros percorrem, mortes acontecem, sentimentos adormecidos despertam. E as paredes transparentes viram sangue jorrar, fazendo os sussurros aumentarem e eu questionar se aquela força chegaria até mim. E por mais feitiços protetivos que tenha feito durante a calada da noite, o medo ainda percorria meu corpo e arrepiava minha espinha. Acredito que essa sensação não tenha sido diferente com Celeana. O medo estava escrito em seus olhos. Afinal, nós temos medo do desconhecido. 

"— Não importa o que aconteça — disse a jovem, baixinho, — quero lhe agradecer.

Chaol virou a cabeça para o lado.

— Pelo quê?

Os olhos de Celaena ardiam, mas ela culpou o vento impiedoso e piscou para afastar a umidade.

— Por fazer com que minha liberdade significasse alguma coisa." Capítulo 47

Apesar de ser um jogo perigoso, e sentado no Trono de Vidro, esteja um rei tirando, a forças realmente despertando por aqui. Sejam sentimentos fortes, como o amor, a liberdade, a dor, ou mesmo a vingança. Talvez quem sabe a magia, a palavra não pronunciada há muito tempo. No fim, temos um ciclo se fechando para mim, pois estou prestes a embarcar em outra jornada, e para Celaena, mas com a certeza de que um novo logo se inicia e ela terá que enfrentar o mal chamado homem e suas políticas corruptas. 

Espero poder ver o resto da história. O que me resta agora é encarar outro rei. Que a anciã me ajude!

                                 

                                                                                      



Quando sai de Edla e atravessei o Vale de Usib com a Letícia, e cada uma mergulhou em um portal espelhado, eu não esperava encontrar Adarlan como encontrei. Tive que me disfarçar, encobrindo completamente minha magia e consegui entrar no castelo de vidro (breguissímo, aliás). A anciã já havia me contado que aqui eu encontraria um rei genocida e que por nenhum segundo minha origem poderia ser descoberta, mas não esperava me deparar com um torneio e nele, com a assassina de Adarlan. Ficou muito claro que as pessoas não sabem a sua verdadeira identidade, mas eu sim. Conheci algumas pessoas de nomes bem difíceis, como Chaol e o príncipe Dorian. Nunca sei se estou falando o nome deles certo ou não. 

Venho acompanhando o torneio de longe, mas estudo cada passo, assim como as mortes que rondam o castelo misteriosamente.

Os dias correm, os campeões vem diminuindo pouco a pouco e eu continuo com uma impressão que algo irá vir para mudar tudo e começar uma nova história (a anciã é fofoqueira e já me contou algumas coisas do futuro de Erilea). 

"Celaena não temia a noite, embora achasse pouco reconfortante as horas escuras. Era apenas o momento em que dormia, o momento em que perseguia e matava, o momento em que as estrelas emergiam com beleza reluzente e a faziam se sentir maravilhosamente pequena e insignificante." Capítulo 24

Sinto romance no ar e a assassina, apesar de enfim ser uma assassina, encanta aqueles por onda passa, e enganam-se alguns que se dizem imunes a ela. Eu só sinceramente não sei se o destino dela está entrelaçado com o guarda turrão ou o príncipe gostosão (na realidade eu sei. Anciã fofoqueiraaa). 

Além disso, o mistério ronda por aqui, envolvendo símbolos antigos e uma magia adormecida. A cada dia que passa, sinto que mais sangue se derramará e que há muitas coisas escondidas, prestes a serem reveladas, e estou ansiosa para conhecer cada uma delas. Só espero que até lá, meu pescoço permaneça a salvo. 

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O que é fantasia?

Olá, se você não me conhece ainda, eu sou a bruxa Isabelle (sim, gosto de frisar que sou bruxa, pois me sinto poderosa) e fui enviada pela anciã Rogéria, para explicar um pouco sobre o universo da fantasia, que para os humanos (que são uma decepção, gente. Desculpa) não passa de uma grande mentira. Mas eu sei a verdade. No dicionário de Edla, "fantasia" está descrito como: 1. Faculdade criada pela qual o homem inventa ou evoca imagens por meio da imaginação. 2. Obra criada por meio da imaginação. 3. Coisa que não tem existência real, mas apenas ideal ou ficcional; folclore. Ou seja, é tudo mentira! O que significa que a minha existência é tão perfeita que parece irreal. Mas fiquem ligados, viu, a fantasia não é ligada a ciência ou tecnologia, a gente tem um pé na magia (porque é muito mais legal!).

História

Mas aí você me questiona, onde tudo começou? Como minha avó Clau dizia, quando eu era apenas uma pequena bruxa, "a fantasia existe desde que o tempo é tempo". Pois o mundo se construiu junto de mitos, lendas e tantas outras coisas. Na literatura clássicona, já temos fantasia, com Ódisseia, as Lendas Arthurianas, os romances medievais (com muito sangue e treta) e poesia como a Divina Comédia. Então se alguém falar que fantasia é isso ou aquilo, você já chega com meus ensinamentos: "Nós estamos na história, bebê! Em todos os cantinhos. Então pare de me perturbar". 

Conforme o Edla Search, a história do mundo moderno da fantasia começou em 1896 com o lançamento de "The Well at the World's End" (O poço no fim do mundo) de William Morris e muitas outras obras foram públicas desde então. Mas em meados do século XX, especificamente em 21 de setembro de 1937, O Hobbit era publicado e todos começamos uma grande aventura com "Numa toca no chão vivia um hobbit", logo depois houve a publicação de Senhor dos Anéis, As crônicas de Nárnia de C.S. Lewis e vários e vários outros autores que contribuirão para a "Alta Fantasia". 

E a fantasia continuou muito popular no começo desse século com Harry Potter (e nós, do mundo bruxo adotamos a família Harry Potter e as tiramos das garras do inimigo, J.K. Rowling) e continua  muito bem, obrigada, com autores como Sarah J. Maas, Holly Black, Rick Riordan, George R.R. Martin e muitos outros autores. Além disso, um espaço que antes era predominado pelos homens, hoje possui a presença forte das mulheres. Nós, jovens bruxas agradecemos. Temos mais histórias legais e de muita aventura, além de uns boys beeem legais. 


Fontes: WikiFandom; Michaelis (Dicionário).