Autor(a): Lucy Diamond
Editora: Arqueiro
Nª de Páginas: 320
Narração: 3ª Pessoa 

Sinopse: 


Em uma casa elegante próxima à orla, três moradoras têm mais em comum do que imaginam...
Uma terrível descoberta leva Rosa a largar uma carreira de sucesso em Londres e, num impulso, recomeçar a vida como sous-chef em Brighton. O trabalho é árduo e estressante, mas a distrai. Bem, pelo menos até ela conhecer a adolescente emburrada que mora no apartamento ao lado, que a faz questionar suas escolhas. 
Georgie se muda para o Sul com o namorado, Simon, atrás de uma incrível oportunidade... para a carreira dele. Mas ela está determinada a ser bem-sucedida como jornalista e faz de tudo para trabalhar para uma revista local. A princípio, a cidade parece recebê-la de braços abertos, mas não vai demorar muito até ela se meter em várias enrascadas.
Após uma grande tragédia, Charlotte passa as noites isolada em seu apartamento. Porém, Margot, uma senhorinha estilosa que mora no último andar, tem outros planos para ela. Querendo ou não, Charlotte vai precisar encarar o mundo real... e todas as suas possibilidades.
Quando as três se conhecem, a esperança renasce, a amizade floresce e um novo capítulo se inicia na vida dessas mulheres.

Já tinha esse livro na minha estante há um tempo e até já tinha começado a ler um pouco, mas nada de terminar. Não fazia ideia da joia que se escondia na minha estante! Sabe quando você pega um livro que não esperava tanto, e no final ele é espetacular? Foi o que a obra de Lucy Diamond foi para mim. Escondidas atrás de uma capa linda, as moradoras de Sea View se infiltraram em minha mente e reforçaram a importância de mulheres erguerem umas as outras.
"A Casa dos Novos Começos" começa com Georgie chegando a Brighton. A jovem de vinte e poucos de Yorkshire está acompanhando o namorado, Simon, na nova oportunidade de emprego incrível que ele tem e começa a se perguntar quando ela vai fazer algo realmente por ela. Parece que tudo o que fez durante os anos de namoro foi priorizar os sonhos de Simon e escantear os seus. Mas agora em uma cidade diferente, ela quer explorar todas as suas possibilidades e resgatar o sonho de ser jornalista, mesmo que isso faça com que ela se envolva em várias enrascadas.
"Embora um mês antes pudesse ter saltado de alegria por Simon querer ir embora, Georgie tinha um lado teimoso que detestava desistir de qualquer coisa. Gostava dali! Tinha suas novas amigas e o trabalho! E, se pudesse escolher, queria chegar ao fim daqueles seis meses, aproveitar tudo o que a cidade tinha a oferecer, em vez de seguir obedientemente o namorado mais uma vez só porque ele estava com pressa de ir embora. Por que sempre tinha que fazer o que ele queria?" Página 243
No segundo capítulo conhecemos Rosa, a sous-chef do Zanzibar, um hotel chic de Brighton, que passa o dia inteiro escutando os gritos de seu chef e descascando cenouras. Rosa tem 35 anos e está recomeçando a vida depois de sofrer uma forte decepção (macho, né), era uma publicitária em Londres até ser tombada pela vida. Agora divide seus dias entre horas na cozinha do hotel e sua casa, até que Jo, a vizinha, passa mal e ela tem que cuidar de Bea, uma adolescente. Já sabem, né? Adolescentes estão aí para botar o mundo de cabeça para baixo.
"[...] Os homens podiam se prender muito a certas coisas, tentando viver de acordo com esses estereótipos, tanto quanto as mulheres, pensou. Pessoas perfeitas, pais perfeitos. Será que alguém de fato conseguia atingir essas metas? Apostava que até Ann-Marie Chandler, a deusa suprema da maternidade, gritava com os filhos às veze, cometia erros, tomava um gim-tônica às cinco da tarde de vez em quando porque tinha tido um dia péssimo. Todos os seres humanos não se sentiam assim, uma vez ou outra?" Página 222
Por fim, no terceiro capítulo conhecemos Charlotte, outra mulher que se mudou para pequeno prédio SeaView para recomeçar. Ela tem 38 anos e passou por um momento terrível (que obviamente não irei dizer qual), mas apesar de ter ido para Brighton para um novo começo, a advogada não consegue. Diariamente Charlotte repete a mesma rotina de faxina para não lembrar do que lhe causa dor e acaba sumindo dentro de si. Até que ela conhece Margot, uma senhorinha sensacional que a lembra o porquê é importante aproveitar a vida.
Tô completamente apaixonada por essa história. Só de falar dessas mulheres maravilhosas um sorriso cresce no meu rosto. Era o livro que eu precisava, de verdade.
"— Tenho certeza de que todos aqui também já se sentiram solitários. E todos nos lembramos desses dias, por mais que preferíssemos esquecê-los. São momentos difíceis e dolorosos, que nos fazem sentir infelizes e inseguros, sempre nos questionando se somos bons o bastante." Final da página 42 e começo da 43
Georgie tem uma aura feliz, quase como se fosse uma menina. Observar o momento de transição dessa mulher tão feliz, falando "preciso fazer algo por mim" foi incrível e inspirador. Não que Simon seja um monstro, ela não é, mas também não sabe pôr os sonhos de Georgie no topo. Então ela foi atrás, conseguiu espaço em uma revista local, fazendo colunas maravilhosa e falando sobre outras mulheres e isso rendeu confusões. E foram essas confusões que fizeram ela perceber o grande valor que tem e como sua relação estava se desgastando pela falta de diálogo ou até pela falta de brigas. Então ela se reconstrói como protagonista  da sua vida e de seu relacionamento, além de formar uma amizade linda com Rosa e Charlotte.
Rosa também vai em uma crescente, mas o recomeço dela é muito mais uma afirmação de que ela pode ser feliz com o que sempre sonhou e se curar das feridas que o boy causou nela. A pulguinha que vai mexer nela não é somente Bea e sua relação familiar, mas quando ela entende que as pessoas estão dispostas a abraçar-la e que sim, ela pode se importar com o outro, pode se doar mesmo que no passado tenha doído muito. Charlotte e Rosa são muito importantes nessa guinada dela também.
"— Eu me resgatei — ressaltou." Página 259
Para finalizar, a história de Charlotte foi aquela que me deu um soco no estômago, deu uma mexida no meu organismo e me lembrou como não sei lidar com perdas. Charlotte não consegue lidar com a perda dela (o que é super compreensível) e começar de novo parece uma piada, visto que as lembranças não conseguem se apagar de sua memória. Sendo assim, ela vive praticamente como um zumbi, sem um pingo de alegria, tentando não chorar todos os dias. E mais uma vez, o que levantou a sua vida foi outra mulher, Margot, uma senhorinha de mais de 80 anos que é puro luxo e vitalidade. Com as suas conversas no fim das tardes das sextas-feiras ela ensina a Charlotte de como a felicidade pode está intrínseca em pequenas coisas, desde comer um doce saboroso a ser atendida por milhares de homens gatos e educados. Além de tudo, ela mostra que ela pode se dá a oportunidade de ser feliz, dividir a sua dor com o outro e se permitir apaixonar, exatamente como uma menina de 15 anos.
"A Casa dos Novos Começos" tem amor, gritos estéricos e sessões de "Jesus, preciso saber o que vai acontecer", mas acima de tudo, é uma abraço para nós mulheres, para sabermos que somos livres, corajosas e que sempre devemos apoiar umas as outras. Não é só a história de 3 mulheres machucadas pela vida, e sim a de tantas que já sofreram e tiveram a força de se reerguer.

               

                                                                             


Autor(a): Bruna Guerreiro 
Editora: Clube de Autores
Nº de páginas: 281
Narração: 1ª Pessoa

Sinopse: 

Ventura García Fontain tem vinte e quatro anos, um gato, um cachorro, um peculiar amigo desaparecido, mais talento do que acredita e um segredo que envenenou todos os anos de sua juventude. Sua pequena família, fragmentada por mágoas e desamor, ensinou-a desde muito jovem a proteger seu coração, isolando-se do mundo real, mantendo-se ocupada na faculdade de Literatura e no Museu Português onde trabalha, mas, sobretudo, afastando de si as pessoas reais e sufocando seus sentimentos.
Até que surgem, no quintal de sua casa, dois antigos diários do século 18, inexplicavelmente bem conservados, que irão atirá-la no vórtice de um mistério que precipitará uma série de acontecimentos em sua vida que ela não poderá mais impedir ou sufocar. Quando todas as hipóteses com as quais Ventura mal ousou sonhar começam a se tornar reais, a promessa desesperada de um terceiro diário, que pode trazer respostas à avalanche de perguntas provocadas pelos livros, torna-se sua tábua de salvação e, talvez, uma ponte para começar a percorrer os caminhos do seu destino.
"Não. Tudo o que eu queria era que ele me tocasse. Tudo o que eu queria era que ele me tocasse e que não doesse. Mas doía." Página 53
Meu primeiro contato com a obra da Bruna foi exatamente por causa dela. Lembro que ela me disse que não tinha costume de mandar livros para Instagrams/Blogs literários, mas que tinha gostado muito do nosso trabalho e queria mandar um exemplar pra gente. Não é que ela me mandou mesmo. Quase que eu morro! Afinal, não existe nada melhor do que receber livro de graça. Mas claro que vocês sabem que independente de parceria continuo falando o que penso e não tenho limites.
Ventura é uma jovem de 24 anos, trabalha no Museu Português, faz faculdade de Literatura e vive com um sentimento reprimido dentro de si, além da própria confusão. Vive com seu seu cachorro Wagner e seu gato Nietzsche (um deboche puro) em uma casa bonita de 2 andares que transborda conforto através da descrição do texto.
No meio de tudo isso, surge uma caixa no meio do seu quintal com dois livros encadernados e lindos dentro. Lógico que ela fica super confusa e não entende nada daquilo mas decidi fazer o mais óbvio do que se pode fazer com um livro: ler. A partir deste momento há uma sucessão de acontecimentos e a vida de Ventura muda por completo.
"Sabe o que é passar por uma dor e não poder chorar? Como se um bicho mordesse você, arrancasse fora um pedaço da sua perna, mas você não pode gritar, ou atrairá novamente o monstro? Era eu, ali, na casa da minha mãe, com aquele telefone na mão e o coração sangrando, cumprindo a profecia  que eu mesma tinha feito dez anos atrás. Perdi. Perdi. Ele não é meu porque nunca foi. E eu nem posso chorar." Página 57
Ao longo do livro fiquei procurando e pensando qual seria o tema central da obra, passei por "amor", pensei muito em "tabu", mas parei e fiquei em "descobrimento". A história não é sobre os amores de Ventura e sua luta por eles, ou o enfrentamento de tabus, mas sim de como ao longo de cada página Ventura se descobre como mulher, como ser humano, se desnudando de seus medos e se abrindo para as possibilidades diante dela.
A protagonista da obra é ela, a mulher confusa que trabalha com documentos no Museu Português. A moça que não se valoriza muito, com uma amiga maluca, um colega de trabalhado lindo e uma história de amor que nunca conseguiu escrever.
Alexandre, o agente de toda a confusão que ocorre na mente da personagem principal, também está sofrendo. Ele é intenso, bonito e proibido. Realmente eu consegui sentir toda aquela intensidade e vontade que ambos sentiam, mas ao mesmo passo que é bonito e angustiante, daquele jeito que faz o coração ficar pequenininho, também percebi que a relação dos dois não era saudável, não por ambos serem tóxicos ou algo do tipo, e sim porque a dor praticamente se equipara com o amor quando eles estão juntos, se tornando um enorme paradoxo. É tipo aquela coisa: "A gente se ama, mas não somos bons um para o outro."
"— Eu não sei o que fazer com você, Nana...Não sei quando te seguro, quando te largo, quando te persigo, quando te deixo paz. Porque não sei quando te faço bem e quando te faço mal. Quando você me quer.." Página 92
Já Téo é o cara "perfeito", aquele para apresentar para a mãe. Tímido, nerd e a coisa mais fofa desse mundo. E sim, apesar de toda a história que Ventura tem com Alexandre, o envolvimento dela com Téo não deixa de ser bonito e com muita química. Só que é claro que aquela intensidade vivida com Alexandre não vai existir na relação deles dois. Porém, ambos são saudáveis um para o outro, sem qualquer sensação de dor e angustia.
No plano de fundo temos os livros e o mistério que os rodeiam. Ao longo que esses mistérios vão sendo desvendados acontecem pontos de virada na vida de Ventura, quase como se um estivesse conectado com o outro.
Por fim, poderia contar que essa história foi minha companheira de viagens de ônibus na ida e na volta da faculdade, onde nos espremíamos nos espaços e ficávamos imersos juntos. Vimos carros, ônibus, motos, bicicletas e gente passar. Assistimos aulas juntos e criamos uma pequena história só nesse vai e vem da faculdade.
Ventura ainda está em processo de descobertas de si, se apaixonando, errando, confusa sobre a existência de Deus (até por isso usa deus com "d" minusculo) e fantasmas. Ela assim como eu, está mudando a cada dia. Só espero que não faça muita merda no próximo livro.
Você pode adquirir o livro em formato de e-book na amazon (só clicar), ele também está no Kindle Unlimited e em formato físico no site do Clube de Autores (disponível aqui)

            

                                                               


Autor(a): Elle Kennedy
Editora: Paralela
Nº de páginas: 280
Narração: 1ª Pessoa 

Sinopse:

Logan parece viver uma vida de sonhos. Com um talento incrível para jogar hóquei e um charme inato para conquistar mulheres, ele é uma das maiores estrelas da Universidade de Briar. Mas por trás do característico sorriso maroto, ele esconde duas grandes angústias: a primeira, estar apaixonado pela namorada de seu melhor amigo; a segunda, saber que sua vida, após a formatura, se tornará um beco sem saída. Um dia, por acaso, ele conhece Grace, uma garota tão encantadora quanto intrigante. Tudo nela parece ser original e deliciosamente contraditório: tímida, mas ao mesmo tempo vibrante; doce, mas ao mesmo tempo forte e confiante. A cada encontro, Logan se vê mais e mais envolvido. Mas um grande erro colocará o relacionamento desses dois jovens em risco. Agora, Logan terá que se esforçar para reconquistar Grace - nem que para isso ele precise amadurecer e encarar suas questões mais profundas e doloridas. 

"O Erro", conta a estória de Logan e Grace. Logan é defensor do time de hóquei da Universidade de Briar e como já é de se esperar ele é um garanhão, tipico estereotipo de esportista de obras norte-americanas. Grace começou a faculdade agora, está descobrindo novos rumos e tentando sair debaixo da asa de sua melhor amiga. Até que em como todo livro, o mundo dos dois acabam se colidindo quando Logan acaba errando o endereço de uma festa e vai parar em frente a porta de Grace. Nessa hora, ocorre algo que realmente só acontece em livro ou filme, porque Grace acaba o convidando para assistir um filme com ela e ambos acabam trocando saliva. Tudo bem que ela já sabia quem ele era mas não se deve abrir a porta da sua casa (ainda mais quando se estar só) para um desconhecido.
"Então quer dizer que você tem um talento para ler as pessoas. Você consegue me ler?"
Sorrio. "Ainda não consegui decifrar você."
Sua risada rouca aquece meu rosto. "Nem eu." Capítulo 11
Os encontros dos dois acabam se tornando rotineiros e além de bate-papo eles se pegam também (gente bonita tem que fazer isso) até que Logan acaba errando feio com Grace e terá que suar para reconquista-la.
Realmente achei de bom gosto como a autora montou a construção desse "erro" porque ela não fez algo super elaborado e caótico e sim algo simples que as pessoas são capazes de se identificar e por ser algo pequeno se torna muito mais profundo.
Apesar de todos os livros da série Amores Improváveis serem New Adult com uma boa pitada de cenas de sexo eles não deixam de falar sobre assuntos importantes e que tem que ser abordados pela sociedade. Essa inserção de determinados assunto é crucial para dar corpo ao texto da Elle e o aprofundamento nas personagens o que toda a experiência da leitura mais imersiva, pois é como se estivemos descobrindo a pessoa por completo.
"Por quê?, eu o desafio.
"Por que você gosta de mim?"
"Porque..." Ele leva a mão ao cabelo escuro. "Você é divertida. É inteligente. Doce. Me faz rir. Ah. e só de olhar pra você eu fico louco."
Engulo uma risada. "O que mais?"
O constrangimento cora suas bochechas. "Não sei direito. A gente não se conhece muito bem, mas gosto de tudo que sei de você. E tudo o que não sei eu quero saber." Capítulo 22
Logan é um personagem com várias camadas e é muito claro a divisão que existe do pegador da Universidade daquele que sabe que terá que abrir mão de toda uma vida para assumir responsabilidades que não quer e do vazio que se estabelece entre esses dois extremos, onde mora toda a sua confusão.
Grace tem outra jornada e é igualmente interessante de acompanhar, exatamente porque ela está se descobrindo como mulher, desenvolvendo sua independência e acima de tudo a sua autoestima. Essa situação é clara no livro quando ela não se deixa desvalorizar pelo momento que ocorre com o Logan e faz com que ele corra atrás dela, o contrário de muitas personagens presentes em outros livros.
Para finalizar, a Elle consegue construir muito bem seus personagens e desenvolver a história, mas acredito que toda a profundidade que a autora consegue trazer nas pequenas coisas e nos pontos de conflito ela acaba perdendo no desfecho da história fazendo a simplicidade se tornar muito rasa.






Ontem foi um dia muito bom, muito bom mesmo. O meu sorriso era tão largo e constante que temia a cada passo que algo mudasse e aquilo passa-se. E eu pensava em você, pensava em como era puta importante eu conseguir ser feliz unicamente e simplesmente por mim. Mas eu queria enviar uma mensagem pra ti, quando já tivesse chegado tarde em casa e estivesse me preparando para tomar banho, dizendo um: “tô muito feliz, e você?” e que você se importasse com a minha felicidade, me parabenizasse e dissesse que a gente deveria se ver naquela semana. Mas não, não foi isso que aconteceu. Eu continuei feliz, claro, afinal tinha tirado a nota máxima em uma prova que eu precisava muito, fui dormir tranquila, conversei com uma das minhas melhores amigas sobre uma tatuagem que ela fez e continuei a ler Harry Potter de madrugada, com a lanterna do meu celular. Só que bem lá no fundo, eu sabia o que queria, queria você, jogando conversa fora comigo, falando sobre a sua rotina de estudo e a ansiedade ou mesmo filosofando como a vida é engraçada e irônica, como em um momento estamos rindo e no outro chorando. Eu queria ficar rindo para a tela do celular e rindo contra a sua camisa quando te abraçasse apertado, só que isso parece muito mais com uma utopia. Sinceramente, não vou dizer que o erro foi meu, que eu simplesmente poderia ter uma conversa com meu coração e dizer pra ele tomar vergonha e fazer o seu único e perfeito trabalho de bombear sangue para o meu corpo, e não ficar imaginando e criando uma realidade que nunca existiu. Depois de 5 anos, eu pensei que tinha superado, que não estaria chorando de novo como a criança de 12 anos que chorou ao perceber que aquele menino por qual era apaixonada não podia ficar com ela. Enfim, acho que essa sou eu de novo, agora talvez por motivos mais maduros mas o mesmo coração infantil de 5 anos atrás. Eu sei que as coisas poderiam ser mais fáceis. 

Nota: Tava revirando as notas do meu celular atrás de uma coisa para a minha vó e acabei me deparando com esse texto de 24 de novembro do ano passado. Vou admitir para todos que cada palavra escrita veio de mim e das coisas que naquela época estavam acontecendo comigo. Lembro desse dia direitinho e de como pensei em tudo isso em pé na parada de ônibus. No fim, quero dizer que continuei muito feliz, exatamente porque tinha conquistado algo que não imaginava e provado para eu mesma que era capaz. Então é isso, mesmo que a gente sinta falta de alguma coisa, isso não irá anular nossa felicidade.

Autor(a): Elle Kennedy
Editora: Paralela
Nº de Páginas: 360
Narração: 1ª Pessoa

Sinopse:

Hannah Wells finalmente encontrou alguém que a interessasse. Embora seja autoconfiante em vários outros aspectos da vida, carrega nas costas uma bagagem e tanto quanto o assunto é sexo e sedução. Não vai ter jeito: ela vai ter que sair da zona de conforto...Mesmo que isso signifique dar aulas particulares para o infantil, irritante e convencido capitão do time de hóquei, em troca de um encontro de mentirinha. Tudo o que Garrett Graham quer é se formar formar para poder jogar hóquei profissional. Mas suas notas cada vez mais baixas estão ameaçando arruinar tudo aquilo pelo que tanto se dedicou. Se ajudar uma garota linda e sarcástica a fazer ciúmes em outro cara puder garantir sua vaga no time, ele topa. Mas o que era apenas uma troca de favores entre os dois opostos acaba se tornando uma amizade inesperada. Até que um beijo faz que Hannah e Garrett precisem repensar os termos de seu acordo.

Eu passei um tempo evitando os livros da Elle por meu inconsciente ter ligado ela (sem motivo algum) com a autora Lauren Layne (talvez porque eles sejam da mesma editora) e por pensar que seria do mesmo estilo me mantive distante. Menina, eu não sabia o que estava perdendo. 
Amores Improváveis é uma série de 4 livros, com cada volume contando a história de 4 amigos que são jogadores de hóquei na universidade Briar e que moram juntos. O primeiro volume, "O Acordo", aborda a história de Hannah e Garrett.
""Desculpa por ter saído correndo" admito. "Mas não vou me desculpar por querer ficar com você.""Capítulo 32
Hannah é uma mulher inteligente, bonita e super confiante, menos quando se trata de Justin Kohl, jogador do time de futebol americano da universidade. Garrett Grahm, é o capitão do time de hóquei da universidade e apesar de ser esforçado nos estudos está indo muito mal em "Ética filosófica", e se não conseguir melhorar, bye bye time de hóquei. Então os interesses dos dois se ligam e ambos decidem se ajudar, Hannah ensina a matéria para Garrett, e Garrett ajuda Hannah a conquistar Justin. Lógico que eles iam acabar se apaixonando não é? Isso já é pré-requisito para histórias do tipo. Um acordo desses não surge na minha vida.
Hannah é uma personagem muito boa, a gente se identifica com ela logo de cara. Somos surpreendidos bem no primeiro capítulo com uma informação jogada com muita naturalidade e que perpetua por todo o livro (apesar de ser no primeiro capítulo, não vou dizer o que é para quem quiser ler seja surpreendido assim como eu). Além disso, Garrett não é aquele estereótipo de macho machista, apesar de continuar sendo o pegador. E aqui eu queria fazer uma observação: os personagens masculinos da Elle não tem essa besteira de "meu Deus, não posso está me apaixonando", eles se questionam e tudo, mas não ficam com aquela frescura sem fim que a gente bem sabe que acontece em outros livros. Acredito que até acontece o oposto, porque na maioria das vezes eles que vão atrás das mulheres que amam.
"Mas o subestimei de novo. Seus olhos cinzentos se escurem, adquirindo um tom de prateado metálico, e, de repente, transmite calor. Um calor e um brilho de autoconfiança, como se estivesse certo de que não vou até o final." Capítulo 16
Pelo que eu percebi dos livros da autora (já li os quatro, Brasil) é que além de todo esse clima universitário, que envolve sexo, provas, jogos e festas (só em livro mesmo, porque minha universitário - que mal começou - se resume a morrer de ler e fazer trabalho) ela quer falar sobre pessoas, pessoas reais com problemas reais. Acredito que o poder de um bom livro é causar empatia, e esse em específico causa muito isso ao falar sobre questões sérias que rodeiam as vidas das mulheres. Eu, como mulher, me senti muito tocada.
Para finalizar, quero dizer que nunca li um livro com uma cena de sexo tão necessária para a história e a construção dos personagens, é o tipo de cena que não é jogada e sim extremamente necessária para a evolução de Garrett e Hannah. É isso, espero que tenham gostado e em breve (vamos orar para que eu consiga tempo) vou trazer a resenha dos outros três livros de Amores Improváveis.

            

                                                       




Autor(a): FML Pepper 
Editora: Galera Record
Nº de páginas: 406
Narração: 1ª Pessoa

Sinopse:

O azar pode ser a sua ruína. A sorte também. da mesma autora da trilogia Não pare! Rebeca, uma garota sem escrúpulos ou fé, criada para ser uma ladra. Códigos decifrados. Uma conta milionária invadida. Diamantes. Desaparecer do mapa. O esquema para o maior golpe de sua vida é irretocável, perfeito...até encontrar Madame Nadeje, a enigmática cartomante do decadente parque de diversões. Ouvir seus segredos mais íntimos seguidos de profecias perturbadora, entretanto, não impedem Rebeca de ir adiante e...pagar o preço! Seu mundo matemático e lógico desmorona ao enfrentar as previsões da vidente, e sua vida se transforma em um pesadelo. Caçada por criminosos, a jovem acredita que a saída está no treze, o número agourento lançado em forma de charada que, contra qualquer lógica, é justamente o caminho a seguir e, quem sabe, sua salvação. Karl, um orgulho e passional lutador de MMA, passa por uma grande decepção. Incapaz de aceitar derrotas, ele comete um erro estúpido e, de herói, se torna vítima em segundos. Um acidente deixa em seu cérebro um coágulo inoperável que pode se romper num piscar de olhos, a vida por um fio. Determinado a esconder a terrível condição de todos, ele resolve levar uma vida tranquila e passar longe de brigas. Um plano perfeito...até conhecer Rebeca! Por ela, Karl seria capaz de jogar toda precaução pelo ralo, seria capaz de tudo, inclusive aceitar que a derrota pode ser a sua salvação.

Já tinha visto algumas postagens sobre esse livro e também conhecia o trabalho da autora através da trilogia Não Pare! (Apesar de nunca ter lido) e sempre fiquei curiosa sobre essa mulher que conseguiu espaço em editoras grandes e que escreve sobre fantasia.  Fiquei mais feliz ainda quando ele veio falar com a gente, perguntando se não toparíamos ler 13. Então estou aqui para falar sobre esse livro que é uma mistura de várias coisas, mas que possuí um equilíbrio impressionante. 
"Se o amor fosse bom, não prenderia, mas sim libertaria. Quem ama deveria dar sem pedir nada em troca. E todo mundo quer algo em troca. Todo mundo..." Capítulo 4
Rebeca é da bandidagem (como ela mesmo gosta de dizer), só faltou dizer "eu sou o crime", para que eu risse mais. Enfim, ela é uma rata da computação e junto com a sua mãe pretendem fazer o golpe de suas vidas a La Casa de Papel, para poderem fugirem e nunca mais sofrerem. É óbvio que tudo dá errado. Mas ela já havia sido avisada antes pela Madame Nadeje quando foi a uma parque de diversões, que mais parecia um lugar com epidemia de tétano, com a melhor amiga. Madame Nadeje, com as suas bijus e lenço na cabeça, mais parecia mais uma picareta de plantão, mas disse tudo o que Rebeca não imaginava ouvir e tudo o que viria se tornar realidade. O golpe dá errado, ela acaba sendo vigiada pela polícia e fazendo alguns trabalhos para eles e está a caminho da segunda faculdade (onde Madame Nadeje disse que conheceria o amor de sua vida).
Karl Anderson, "A Fera", é um lutador de MMA em ascensão, acabou de vencer a luta que vai alavancar a sua carreira quando tudo dá errado. Karl descobre que é corno (muuuuu), porque ele estava sendo muito vacilão, fica com ódio e acaba se condenando ao sair de moto vuado (rápido para quem não é do Ceará) e obviamente acaba se acidentando. Bum! Um coágulo no cérebro inoperável surge em sua realidade, sentenciando o fim da sua vida de lutador. 
"Percebo que meus lábios parecem um espelho e se levantam ao menor sinal do sorriso estonteante dela. Apesar da baita enxaqueca, estou flutuando." Capítulo 12
Acontece realmente muita coisa no livro, com cenas realmente alucinantes, e uma que me deixou muita apreensiva, no melhor estilo de: "Meu Deus, isso não tá acontecendo.". Karl e Rebeca tem uma química imediata e ele parece se encaixar nas características que Madame Nadeje falou sobre o décimo terceiro namorado, porém, nem tudo são flores e outro cara surge, se encaixando nas mesmas características ditas pela vidente. Queria dizer também que Karl é um fofo e fiquei realmente muito envolvida pela relação dos dois e do ponto de virada que cada um significou na vida um do outro, e  que só podia ser muito amor, porque se fosse eu, tinha fugido de Rebeca na mesma hora (ô menina pra ser imã pra problema).
Apesar de Rebeca querer muitas vezes se forçar a ter algo com Eric (o outro boy), a atração e os sentimentos com Karl são muito claros e fazem uma bagunça na sua cabeça. Existe muita conexão entre os dois, mas tudo em volta acaba os sabotando (inclusive eles mesmo e a amiga de Rebeca, Suzy) e as coisas vão se acumulando e acumulando, deixando o leitor em um estado imenso de tensão.
          "Sou a cidade com as horas contadas, prestes a ser inundada." Capitulo 26
Enfim, para finalizar, eu nunca imaginei que o livro fosse falar sobre fé. Rebeca é uma mulher muito cética e realmente acredita que o seu fardo é nunca encontrar a felicidade, em como não existe espaço para isso em sua vida. Realmente, no final, a gente percebe que a história é muito mais sobre Rebeca se encontrar consigo mesma, sobre se refazer como pessoa e criar laços. É uma jornada difícil de realizar e bonita de acompanhar. Acredito que todo mundo já teve os seus momentos de reflexão e cada dia é mais complicado acreditar no ser humano, então livros como esses são importantes para a gente poder refletir sobre certas coisa e revisitar antigos questionamentos.  
Também é importante dizer que o livro não é religioso, acho que diante a tantas temáticas ele está longe de ser, mas deixa uma mensagem muito importante sobre segundas chances, perdão, e sobre quem queremos ser hoje. 

                                      

                                                              


Autor(a): Camila Marciano
Editora: Disponível no Kindle Unlimited e físico direto com a autora
Nº de Páginas: 577
Narração: 1ª Pessoa

Sinopse:

Você consegue dizer o ponto exato em que o amor acaba? Consegue dizer quando as contas, a rotina e os filhos afogam o amor? Consegue dizer quando acaba o tesão? 
Eu nunca soube. 
Isso aqui não é uma história de dois adolescentes que se batem mas no fundo se amam. Eu sou um pai de dois filhos, sou casado. 
Esta aqui é sobre reconquistar a mesma mulher que você já meteu uma aliança no dedo, mas deixou escapá-la por entre eles. Ela se foi e você nem viu. Esta vai para todos os cabaços que como eu, esqueceram-se que o amor não é um posto, é exercício. É um jogo de tentativa e erro com algumas regras pré-estabelecidas. 
Aqui, o amor é outra coisa. 
Não é à toa - Que os contos de fadas terminam no casamento e a ideia de "casamento perfeito" vem estampado num comercial de margarina.
"A gente não limpa o peito com dias de silêncio. A gente limpa o coração com minutos de conversa." Capítulo 34 "Meio-Dia"
Esse foi o segundo livro sobre casamento que li no ano, mas com uma pegada completamente diferente. Já havia visto o livro no Wattpad e conheci melhor a autora ao saber que ela faria parte das autoras da Série Deusas no Clube P.S.:, então depois de ver algumas contas de Instagram falando e ler direitinho sobre o que era o livro, decidi começar a leitura. E que livro maravilhoso! Tava só começando a ler e já chorava horrores. 
Enfim, a história começa quando Fernanda ou só Fê, sai de casa, deixando Dio (ou Rodrigo) e os dois filhos, Lipe e Guto. Durante esses sete dias, Dio pensa em tudo. Em como ele deixou o casamento esfriar e tudo se tornar automático. Em como foi consumido pelo trabalho, não ajudando em nada em casa e nem com os filhos. Em como conseguiu apagar quem Fernanda era. Então, após se xingar e se martirizar por um bom tempo, ele decide fazer diferente, decide reconquistar aquela mulher que está escorrendo por entre seus dedos nos próximos 6 meses.
 "Por que você deixou a mãe ir embora, papai? - Foi a única coisa que Lipe falou, chorando um pouquinho também, limpando os olhos na manga do uniforme.
Por que, meu filho? Porque seu pai cagou feio, porque seu pai é um babaca. Porque seu pai é um egoísta, um arrogante. Porque seu pai achou que daria certo engaiolar um pássaro selvagem. Porque ele achou que fosse o certo da história, ele achou que ser o patrocinador dos filhos fosse o suficiente." Capítulo 1 "Seis meses"
O nosso "eu" leitor está muito muito acostumado a ver a construção de uma história e não o temido "depois", então é lógico que quando nos deparamos com histórias do tipo surge uma certa surpresa. O felizes para sempre não existe. Sempre haverá dificuldade, dias ruins, assim como haverá dias bons. E é isso que vemos nesse livro. Um casal que se conheceu com seus 20 e poucos, vivia no fogo da paixão e nas expectativas altas para o futuro. Opostos que se atraíram e descobririam serem únicos nas suas diferenças. Uma Fê cheia de atitude, filha da capital. Um Dio ainda quase menino, filho do campo, mineirinho com sotaque forte. E os dois se moldaram, se moldaram como casal, cedendo aqui e ali, trocando alianças e deixando o tempo passar. Mas o tempo passa e ele pode ser muito cruel. A rotina chega, os filhos também e cada vez Fernanda se sentia mais de escanteio, sendo aquela mulher que nunca pensou que seria.
"Para casar tem que ser com aquela que vai te pentelhar a vida toda. Tem que ser aquela a conversa não tem fim, nem piadas, nem as risadas. Tem que ser aquela que você sonha em um dia poder voltar para casa depois de um dia de serviço e esquecer que trabalhou, esquecer que é segunda-feira, esquecer que está chovendo. Seu coração está em casa, você voltou para o seu lar e tudo está bem - é com essas que a gente casa." Capítulo 1 "Seis meses"
Primeiro que para mim é sempre meio pesado ler sobre quando um casal está prestes a desmoronar, quando as vidas parecem entrelaçadas apenas por um fiozinho prestes a se romper. Foi com esse desespero que comecei a ler a história. Chorei junto com Dio quando este finalmente se tocou que estava perdendo a mulher da vida dele. Chorei mais ainda quando ele percebeu que o beijo e todas as transas haviam sido automáticas, praticamente sem sentimento nenhum, como se do outro lado do colchão estivesse um desconhecido.
Me apaixonei por uma São Paulo e uma Minas Gerais que nunca conheci. Com cada particularidade que cada uma carrega consigo e as histórias que cada canto conta. Guto e Lipe são as crianças mais sensacionais que eu já tive o prazer de "conhecer", de tão fofas, inteligentes que são. E o mais importante: elas estão presentes em praticamente cada página. E isso é importante por quê? Pois alguns livros tratam os filhos como meros detalhes e estes mal aparecem, quando na realidade a gente sabe que não é assim. Quando se tem criança em casa, praticamente não se tem tempo pra si. Enfim, eles são tão maravilhosos que só poderia ser ficção mesmo, porque não vi uma birra sequer.
Existem outros vários personagens, como Ana e Bia, um casal maravilhoso e o que mais mexeu comigo: Seu Alcides e Dona Teresa. O pai e a mãe de Dio são a coisa mais fofa e que me trouxe uma infinidade de reflexões sobre muitas coisas e que com certeza vou levar comigo pro resto da vida.
"Quando você tem um problema de verdade, coisa que dói na alma, qualquer coisa menor perde a importância. Só isso dói, só isso importa. Nos primeiros dias as pessoas ainda te perguntam se você precisa de alguma coisa, se você quer conversar, se está querendo um ombro amigo.  No décimo segundo dia elas já cansaram de você e da sua vida. Estão tocando a vida delas o melhor que podem, mesmo que eu, mais uma vez, não embarque no bonde com elas." Capítulo 32 "Os Homens, os Mendigos, os Loucos"
Para finalizar, quero dizer que esse livro não deixa de ser uma declaração de amor de Dio para Fê. Sobre como o amor é um exercício diário e que nunca pode ser a nossa zona de conforto. Acho que às vezes as pessoas se prendem muito ao primeiro coríntios que diz que "o amor tudo suporta" e esquece os versos anteriores que dizem: "O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha/ Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor./ O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade./Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Acho que é isso. Sempre é importante lembrar que dentro de um casal existem duas pessoas e estas são diferentes e tem necessidades opostas, o que significa que de forma alguma podemos fechar os olhos para a dor do outro e sempre temos que está atentos aos sinais presentes em uma relação. 

              

                                                            


Autor(a): Judith McNaught
Editora: Bertrand Brasil
Nº de Páginas: 415
Narração: 3ª Pessoa

Sinopse:

Após perder os pais em um trágico acidente, Victoria Elizabeth Seaton é enviada para a Inglaterra, onde se espera que reivindique seu lugar de direito na sociedade inglesa. Assim que chega à suntuosa propriedade de Jason Fielding, ela é vista por seu tio Charles como a mulher perfeita para o sobrinho. Assustada com a má fama do marquês de Wakefield, Tory jamais pensaria que sob a frieza e a amargura de Jason haveria lembranças de um passado doloroso a atormentá-lo. Ele, por sua vez, acredita ser incapaz de amar de verdade, quem quer que seja. Juntos, Victoria e Jason descobrirão até que ponto se pode conter um coração que quer se entregar e todos os obstáculos que só um amor verdadeiro é capaz de vencer. 

Sinceramente, acho que demorei para fazer essa resenha porque eu queria ver se os meus pensamentos conseguiriam se acalmar e eu não viria aqui tão raivosa. Ledo engano. Ainda continuo pensando em como esse livro é TODO ERRADO. Todo errado em caps lock, caixa alta e tudo mais, porque isso realmente precisa ser dito. 
Enfim, esse livro, em ordem, seria primeiro que Algo Maravilhoso (resenhando aqui), mas ambos não tem ligação, além de um nome ou outro e podem ser lidos separadamente. Eu li primeiro Algo Maravilhoso e amei, fiquei super envolvida pela história e pela escrita da autora, então vocês já imaginam, acabei criando uma super expectativa em cima do livro. Me ferrei. 
Em Agora e Sempre, publicado originalmente em 1987 e relançado pela Bertrand Brasil (se não me engano, nesse ano), conhecemos a história de Victoria Seaton, uma jovem americana que após perder os pais acaba indo para a Inglaterra ficar com os parentes vivos (e que nem sabia que existia). Então ela se ver em um outro modelo de sociedade, com homens que ela mal conhece e separada da irmã. Do outro lado, temos Jason Fielding, o rico marquês, marcado pela vida e com todos os complexos e blá, blá, blá, blá.
Primeiro que tio Charles, o duque, decide anunciar o casamento dos dois antes mesmo deles se conhecerem. Victoria aparece e já fica toda confusa com as reviravoltas que estão fazendo com a sua vida. Mas Jason também não quer casar e o noivado fica muito mais como uma alavanca para o debut de Victoria na sociedade londrina. O plano dar certo e uma chuva de pretendes aparece e lógico que Jason se veria muito incomodado com isso, não é?
"— O amor não pode ser forçado a existir." Capítulo 1
Eu poderia resumir toda a história em uma simples frase: romantização de relacionamento abusivo. Não tem para onde correr. Não vou dizer que se cria um relacionamento complicado, que ambas as partes são falhas e toda aquela baboseira. Não. Não vou passar pano para isso. Se você realmente achou essa relação aqui OK, reflita um pouco e pense mais. Por que ser tratada desse jeito não é normal. 
Grosseria, manipulação, são sinais que parecem silenciosos, mas eles estão ai. Talvez o que mais me revoltou nessa leitura foi me deparar com avaliações positivas do livro. Gente falando que Jason é um sonho de consumo, o que automaticamente revelam que elas desejariam esse tipo de homem em suas vidas. Mulheres, lendo isso e agindo como se tudo estivesse OK. Vocês tem noção, que não somente Jason, mas Charles, manipulam toda a vida de Victoria? Não interessa se você é coberta de joias e vestidos bonitos se tudo não passa de um jogo, e não interessa, mais ainda se o livro é de época e os homens se comportassem desse jeito. Não existe graça em um homem tratando uma mulher como lixo.  
Também não interessa que Jason tenha um passado conturbado e por isso seja grosseiro e manipulador. Charles tenta enfiar goela abaixo de Victoria e do leitor que por dentro Jason é o melhor dos homens. Isso pode ter caído bem para Victoria, mas para mim não. E digo para você, leitor, não se engane, seja crítico. As pessoas tem uma ideia de que tudo se cura com amor, mas isso é mentira. Você não pode ser maltratada, manipulada e violentada e continuar pensando que o amor de verdade vai curar tudo. Isso não passa de uma grande e inegável mentira. 
Acho que para finalizar, quero dizer que nesse livro tem uma cena de estupro e que sim, aquilo que eu sei que você está pensando foi estupro. Judith McNaught continua tendo uma escrita incrível, mas erra rudemente nesse livro ao usar uma mulher para suportar tudo no pretexto de "salvar um homem" e criando um personagem masculino absolutamente tóxico. 
Agora eu quero falar para você mulher que ler este blog. Você é suficiente sim! Não deixe ninguém dizer o que você deve fazer, o que deve vestir, te diminuírem. Não deixe ninguém dizer que você é menos do que maravilhosa. Não aceite as palavras rudes e aquelas que só lhe botam para baixo. Isso não é amor. Isso não é salvação. E você não está disponível para ser maltratada por senhor ninguém. 
Por essas e outras que esses livros são perigosos. Por ao invés de abrirem os olhos das mulheres, as cegarem completamente e acharem que está sendo tratada dessa forma é normal e que tudo vai melhorar com uma boa dose de amor.
                                                                 
                                                                   
                                                       




É só sentar e escrever. Era o que eu me dizia quando costumava explorar mais as palavras para expressar o que penso e sinto. Não sei bem quando, nem o porquê, mas perdi o meu costume de escrever. As sentenças se formam na minha cabeça, mas no papel, as palavras não passam de unidades sem valor, parece um poema dadaísta com palavras aleatórias e sem conteúdo algum.
Sinto falta de gostar do que escrevo. Considerava até que podia ser, de certa forma, a minha contribuição artística para o mundo. Era aquela a minha arte, com seus defeitos e tanto a melhorar – hoje, releio os meus textos e me pergunto o que passava pela minha cabeça anos atrás para pensar que havia ficado bom. É, talvez a autocrítica seja um empecilho agora. E eu até que sou grata pela Letícia de quinze, dezesseis anos escrever o que viesse em sua mente porque é justamente isso o que eu não consigo fazer hoje em dia.
Não me leve a mal, eu não estou sofrendo. A vida anda um tanto parada, monótona, e antigamente eu odiaria isso, mas hoje, não. Hoje, estou bem. A calmaria se separa da felicidade por uma linha muito tênue para os meus parâmetros. Pergunto-me se é por estar bem que não consigo escrever, se a minha arte era baseada apenas nas coisas ruins que sentia, se é tão difícil assim falar sobre o que é bom. Já vejo tanta maldade, tanta mentira, tanta coisa ruim acontecendo, pessoas reais com problemas reais... É justo querer falar sobre amor e esperança? Estou certa em fantasiar histórias românticas, ver beleza onde parece não haver?
Olho para a mulher em pé no ônibus, de óculos de grau, cujos olhos parecem perdidos e cansados. O cabelo cortado me diz que ela é vaidosa, assim como as unhas pintadas de vermelho e a sobrancelha feita. Seu rosto não parece tão feliz, mas pode ser só cansaço. Concentro-me nela porque, de alguma maneira, quero acreditar que ela vai me inspirar a escrever alguma coisa. Mas eu só consigo pensar, pensar, pensar. Ela tem filhos? Um relacionamento amoroso? Será que está indo para casa ou indo trabalhar? Eu queria saber a história dela, porque... Bom, eu não sei o motivo, mas ela me despertou a curiosidade e era disso que eu sentia saudade.
E é também o que me causa inquietação. Os dias estão cinzentos, o meu corpo parece sempre mais pesado quando preciso levantar de manhã para ir para a faculdade e eu ainda preciso recuperar o sono de uns três dias atrás... A minha história parece ter caído um pouco na rotina, mas tem milhares de outras para contar, criar, imaginar. E eu não queria que ela focasse nas partes ruins, mesmo que a vida também seja feita delas, como um dos ingredientes principais. As histórias não precisam ser irreais... Quero mesmo que digam a verdade. Mas que não apaguem o que é bom, o que nos faz suspirar e nos dá coragem para viver. 
Hoje, eu quis escrever como eu fazia antes. Sem pensar muito, sem problematizar minhas ideias, sem calcular meticulosamente minhas palavras. Percebi que estava fazendo com a minha arte o que eu não podia fazer com a vida e isso não funcionou. Eu sou intensa, os sentimentos são viscerais dentro de mim, tudo é avassalador. Preciso de algum meio para externalizar tudo isso antes que eu exploda. 
Eu só não decidi ainda se é certo querer falar do que sinto de bom, mas vou continuar tentando, buscando reencontrar o meu espaço mediante o que eu escrevo. No fim das contas, se eu for falar sobre mim e o que eu vivo e vejo, sempre vou acabar falando de amor.

Bloqueio de escrita, ou eu acabo com você ou você acaba comigo. Eu decerto escolho a primeira opção. O título do texto é um trecho da música "Dinossauros", da banda Dingo Bells. Achei muito compatível com o que eu quis dizer. Ou talvez até caia em um paradoxo, mas isso fica para um outro texto. 



                                                                       (Via Pinterest)

Já vi muitos términos. Na maioria, infelizmente, com choros, raiva e mágoa. Acho que só uma vez que vi um que foi completamente amigável, de uma amiga minha com outro amigo meu. Eles nem choraram, mas eu, ave Maria, fui só lágrimas por um tempão. Até hoje digo que acho eles dois as coisas mais lindas do mundo juntos. Mas é isso, a vida continua, você conhece outras pessoas, troca saliva aqui, saliva ali, e aos poucos os amigos e parentes vão esquecendo que um dia existiu um casal entre você e outro alguém. Mas eu não gosto de fins, não sou muito fã do ponto final. Ele sempre me remente a uma tristeza muito grande. Demorou um tempo para que eu entendesse que eles são necessários. Afinal, aquele "e viveram felizes para sempre" não acontece para todo mundo, muito menos para todo casal. Na maioria das vezes você vai passar por muitas histórias antes de encontrar a "certa", quebrar muito a cara e se tornar um pouco mais duro para a vida, talvez se blindar mais. Lógico que você não vai começar algo pensando que vai terminar, né? Apesar do primeiro namorado muitas vezes ser só o primeiro de alguns, ele pode ser alguém para quem você vai voltar no fim do dia. 
Talvez por eu ter tanto medo de fins, que eu nem chegue a começar. Fico travada no primeiro "vamo sair" e se saio, nego beijo no fim da noite, dizendo que não estou preparada mesmo. Na maioria das vezes eu realmente não me sentia pronta nem para tentar. Na maioria das vezes, quem me pedia para sair e um beijo no fim da noite não era quem eu queria. Então continuo na minha, observando a vida e uma cadeia de términos sem fim. Já vi meu pai sair de casa e se sentar na garupa de uma moto e nunca mais voltar, o namorado da minha vó aparecer em um dia e depois não mais, o primeiro doeu demais, lembro do meu rosto de 5 anos encharcado, do meu grito. Aquele término acabou comigo. Acho que foi o único que senti demais. Ficou tão marcado na minha memória que até hoje lembro da minha franjinha querendo cegar meus olhos e do vestido quadriculado rosa, parecendo que ia para uma festa junina. 
O fim não se remete apenas a namoros e afins, amizades também chegam ao fim e dessas eu entendo direitinho. Já fiquei muito puta com amigos meus, já me senti diminuída, traída e até enganada. Já pus um ponto final em uma história que adorava, que pensava que teria capítulos sem fim. E foi aquilo, extremamente doloroso, mas necessário. Assim eu acabo ficando receosa, com medo de tudo e todos, porque não gosto desse estranhamento que abate as pessoas quando elas veem conhecidos que um dia significaram muito. Não gosto do sorriso sem graça, do aceno de cabeça e de seguir o rumo como se aquela pessoa simplesmente não tivesse significado nada para você. Também não gosto dessa ideia de que "tudo foi uma merda", como se os momentos bons tivessem sido completamente deletados e só ficassem os difíceis. Não gosto de como as pessoas se diminuem sobre as outras, de como arrastam relacionamentos por anos e anos, querendo proteger uma família que já conhece todos os seus erros. Não gosto de muitas coisas, mas acho que ficar me repetindo é ruim para o português. Por fim, quero dizer, que me desagrada (olha, sei usar outras palavras) o fato de ver pessoas como completos desconhecidos dentro da própria casa, dormindo em camas separadas, brigando toda hora, não se respeitando de jeito nenhum e nem trocando um beijo verdadeiro, porque ele parou de ser de verdade há muito tempo. É tudo por aparência e infelicidade. Nessa hora, por mais que doa e existam muitas variantes, é importante por um fim. Fechar o livro e guardar no topo da estante, daquelas que é necessário uma cadeira para ser alcançado. Não espere para se afogar em suas próprias lágrimas para entender que términos acontecem, para entender que aquela dor no peito passa e que simplesmente basta a gente escolher uma próxima história, de preferencia, com você de protagonista. 
                                          
                                                       
Nota: Queria dizer que voltei! Ninguém nem lembra de Aquela do cabelo azul e também não vou explicar! Mas queria também dizer que estava olhando os textos antigos e tá tudo errado viu, sinto vergonha. Enfim, espero que tenham gostado desse "comeback", que tenham lido e que essas palavras tenham significado alguma coisa para vocês.