Se fosse outra pessoa, eu já saberia.
Mas foi você que cruzou a rua naquele dia em que meus olhos seguiram seu andar, curiosos. Foi você que chegou atrasado no segundo dia de aula e mais uma vez meu olhar estava em você, assim como o do restante da turma. Foi você que perguntou meu nome na fila da lanchonete e também sobre as provas e os professores; eu respondi e não nos falamos mais depois dali.
Foi você que me procurou meses depois para dizer que gostou da minha crônica que foi publicada no jornal da escola; e fui eu que passei todos esses meses fitando você do outro lado da sala. Foi você que perguntou se eu já tinha dupla pro trabalho de História e eu pedi para minha amiga para que ela fizesse com outra pessoa com a desculpa de que eu queria ajudar você, por ser o novato e tudo mais. Fui eu que chamei você para a festa na casa da minha amiga no final de semana seguinte. Você foi. Nós passamos a festa inteira na varanda, conversando e rindo dos que ficaram bêbados. Depois daquele dia, não ficamos um sequer sem nos falar Foi você que fez minha família lhe gostar e minha casa ter a sua marca e o seu cheiro.
E foi você que me beijou de forma tão singular depois de uma crise de ciúmes que você fez daquele menino com quem eu fiquei, mas já era passado e não tinha motivo maior. Fui eu que retribuí o beijo e desejei que o outro dia chegasse para que eu pudesse o beijar de novo. Foi você que fez tudo aquilo combinado com minha mãe, me deixando amá-lo da forma que eu queria. Foi você que passou a madrugada inteira comigo quando eu briguei com meu pai e quis sumir - você não deixou.
Apesar de tudo (brigas, discussões, ciúmes bobos, meus momentos de drama e birra e a sua lerdeza), foi você; não o cara que me comprou flores no meu aniversário ou o cara que passou meses conquistando minha mãe para me conquistar; mas, sim, você.
Se fosse pra ser outra pessoa, eu com certeza já saberia.

"É sobre você. É a sua cara!", disse uma amiga depois de ler. Não posso discordar.



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