Algumas escolhas mexem conosco, não é? Mas mexem mesmo, antes até de serem tomadas. Nós apenas não conseguimos tomá-las. Foi em um súbito momento de insanidade completa - ou de pura sensatez, no fim das contas - que eu decidi que, sim, era aquilo o que eu queria, independente do que viesse dos outros depois. O meu coração diz ser o certo. Eu sei que no fundo, bem no fundo, estou feliz, mesmo que a minha pequena quase inexistente necessidade da aprovação de todos tenha me feito angustiada. Já passei daquela fase de ficar irritada com o pensamento de que 17 anos é muito pouco pra decidir por algo que mudará a minha vida. A minha playlist de músicas brasileiras tem sido útil para me deixar mais tranquila comigo mesma. 
Pessoas especiais me ajudaram a perceber que não há nada de errado em querer realizar o seu sonho, mesmo que ele não corresponda às expectativas dos outros. Também está tudo bem se não for a escolha da minha vida, a "escolha certa", porque eu posso mudar depois se tudo der certo. E eu posso reconhecer o meu erro depois. Depois, as coisas ainda podem ser consertadas. Isso só está nas minhas mãos. 
Ainda há quem eu ame aqui e estas pessoas estão tão orgulhosas de mim que eu não consigo pensar em nada que possa substituir a felicidade de tê-las por perto. Elas gostam de quando eu me reinvento e demonstro melhorar minha autoestima. Elas choram comigo quando se compadecem, mas me fazem sorrir muitas vezes mais. E eu sei que posso estar em pedacinhos, elas não sairão de perto. Elas me fazem ser mais forte e eu não sei ser mais grata por nada do que sou por isso. É como tirar o bilhete premiado mesmo sem jogar nada. Não há sorte maior que essa.




                 




Amor, estás perdido pelas vielas da vida.                            Ah meu amor, foi o fim. 
Andando sobre os paralelepípedos                                         
com seu eterno caminhar de bêbado.                                  Encontrei-o desolado, 
                                                                                              maltrapilho e sujo,
Soprando baforadas de cigarro,                                            quis o ajudar. 
intoxicando a alma,
como se tudo fosse ser perdoado.                                       Mas eu também sangrava, 
                                                                                              estava bêbada,
Desculpe, meu amor.                                                            maltrapilha e suja,
                                                                                              tropeçando nos paralelepípedos. 
Envenenara-se sozinho, 
engolindo goles de vodka,                                                    Poderíamos nos afogar mais. 
queimando seu próprio corpo.                          mas nunca sairíamos daquele beco sujo.    Transformando as normalidades em cinzas. 

Derramando filetes de sangue por onde passa.



                                                        




Foi em dezembro de 2016 que eu tive o primeiro contato com conteúdo do tipo, especificamente com o Gugacast, o primeiro podcast que ouvi e que tive o prazer de gostar tanto. É uma indicação válida para o blog, visto que agora eu ouço muito e que alguns eu gostaria que o mundo todo ouvisse também.
E se você ainda não se situou no assunto: podcasts são programas de áudio ou vídeo, cuja principal característica é um formato de distribuição chamado podcasting - um meio de publicação que permite aos seus assinantes o acompanhamento ou download automático do conteúdo à medida que é atualizado. Existem diversos tipos - informativos; que contam histórias; sobre determinados temas; até no estilo de "fanfic" tem.
Dentro de toda a podosfera, Gugacast é formado pelo Guga Mafra e seu irmão, Rafael Mafra, com a ilustre presença do editor gato Caio Corraini; em alguns episódios, há a participação de convidados especiais diversos, contando suas histórias. O podcast em si é basicamente isso: compilados de histórias, dos locutores e de seus ouvintes, que geralmente têm algum tema específico. Eles também trazem vivências próprias, principalmente de suas infâncias pelos anos 80 e referências dessa época que, bem, eu não estava viva, mas o google está aí nos ajudando a entender melhor. Além disso, as doses de humor são ilimitadas e é um dos meus podcasts favoritos - quem sabe até o favorito.
Atualmente, os rapazes estão em um intervalo de férias, voltarão apenas para o episódio especial de Carnaval. Mas não impede você de encontrá-los em diversas plataformas - qualquer aplicativo de podcasts, no iTunes e até mesmo no Spotify.
Fosse você, eu também procuraria por eles nas redes sociais. Vez ou outra interagem com os ouvintes, além do grupo secreto no Facebook para assinantes - mas isso apenas entende quem ouve os episódios.
Recomendadíssimos e este é apenas o primeiro de todos que eu pretendo apresentar por aqui. Até a próxima!



Eu quase deixei meu verdadeiro eu escondido.

Sempre me pareceu impossível gostar de quem eu via no espelho. Gostar daquelas estrias, dos quadris largos, os braços maiores do que eu gostaria que eles fossem. Mesmo na infância, quando essas coisas deviam importar muito menos - praticamente reduzidas a nada. Mas eu me importava. Importava-me com cada centímetro meu que não cabia naquela roupa que eu queria mais que tudo usar, mas que foi produzida para qualquer meninazinha mais padronizada nos quesitos de corpo perfeito para os olhos dos outros. 
Importava-me com os biquínis que eu tanto odiava, dando preferência aos maiôs que sempre eram relacionados a gente gorda. É, gente gorda, é como minha mãe dizia. Gente gorda não tem boa saúde. Gente gorda não tem qualidade de vida. Gente gorda não arranja ninguém pra casar. E, ainda: gente gorda só conhece gente gorda. Parece que ela tinha gosto de dizer essas duas palavras com escárnio. Tinha gosto de me dizer, dentro daquelas palavras, que eu viveria para sempre sozinha, mal amada, infeliz, sem sucesso nem profissional, quanto mais pessoal. A Maria Clara de 15 anos não sabia se conseguiria sair daquela situação, daquele fundo do poço, sozinha.
Fui crescendo e coisas foram até piorando. Eu não conseguia me aceitar. Não conseguia gostar de outras pessoas sem me gostar, entrar em uma faculdade por achar que era incapaz, desistir de fazer muitas coisas, usar outras e até sentir diversas delas por medo daquilo não ser pra mim. Eu diminuí a mim mesma para caber no mundo dos outros. Entrei pra academia, fiz dietas alimentares, até o meu chocolate favorito eu cortei. Aquilo me colocou em uma situação de exclusão social e não-aceitação ainda maior. Foi quando eu comecei a ler mais. Eu comecei a conversar com pessoas que passavam pela mesma que eu e, pasmem, existem várias! Em todos os cantos, gordas, magras, negras, albinas, ruivas e, claro, principalmente mulheres, que não conseguem gostar de si mesmas porque um dia alguém lhes disse que "você seria mais bonita se...".
Os fantasmas do passado me perseguiram até a vida adulta. Mas percebi sozinha que autoestima não se relaciona somente com as coisas que eu via, com a beleza ou aparência. Relaciona-se diretamente com o sentir-se ou não capaz de atingir seus objetivos, com o poder de levantar-se da cama todos os dias e dizer a si mesmo "hoje eu consigo". Dentre todas as coisas que eu tive que passar por cima pra chegar de cabeça erguida aonde estou agora, a principal foi saber desapegar do que me fazia mal. Talvez não tão de cabeça erguida assim; cheia de cicatrizes e traumas que vez ou outra ainda tendem a acabar comigo, mas percebo que sem isso eu não seria eu de hoje.
Todos os dias, agora, são motivos novos para tentar. Ainda gorda, ainda machucada, mas muito mais forte do que há 10 anos atrás. Muito mais Maria Clara. De osso e de aço. De carne - muita carne -, tão humana quanto todo mundo. Elogios não são mal-vindos, mas depreciações nem batem à porta. Sinto-me bonita, capaz. Sinto-me uma grande mulher, da forma que eu gostaria que todas as Marias-mulheres pudessem se sentir também. Não há nada no mundo que mexa com seu coração que o seu amor próprio não possa superar.

N/A: Esta Maria foi mais sucinta porque é um assunto muito difícil pra mim. Eu ainda tentei assumir a personagem, dar um "final" melhor para ela, mas ainda é complicado desenvolver quando você não sabe a maneira certa de expressar os mesmos sentimentos. E o motivo para fazer a publicação é que ela acaba sendo um prelúdio para assuntos dos quais eu pretendo falar mais por aqui. As letras do título e da frase pré-texto são de Who You Are, Jessie J. Ouvia enquanto escrevia, achei cabível. Até a próxima, Marias.



Já faz um tempinho que eu não sei o que é sofrer por amor. Mas eu sei exatamente o que é quando uma música ou outra deixa nosso serzinho em uma bad que só uma noite bem dormida e um café bem amargo - por mais que eu odeie o gosto - pra fazer passar. E o que é melhor do que isso? Se afundar de vez naquele momento - às vezes vejo filmes pra chorar; outras, escuto música para garantir minha passagem só de ida pro fundo do poço. Postagem de utilidade pública. Vamos amar um pouquinho esse povinho bonito aqui?

1. Barquinho de Papel - Anavitória



Não sinto tua falta. Não sinto a falta do teu cheiro de perfume importado que exportou de mim. Não sinto falta do teu erre puxado, nem do teu beijo com gosto de dente que morde coração envenenado. Não sinto tua falta. Não sinto! Nem lembro de você, nem da tua respiração ofegante. Não sinto falta; eu sinto ânsia. Distância do teu signo-preto, do teu silêncio - o grito. Sinto ânsia e a provoco. Enfio os meus dez dedos na garganta pra ver se vomito teu ser da minha alma.
A gente não precisa nem falar muito dessas meninas. Não são tantas músicas, mas qualquer que seja a que você decidiu ouvir, vai te transferir um sentimento forte. Barquinho de Papel tem um peso emocional indescritível.

2. Quando Bate Aquela Saudade - Rubel


Não tem medo, não. Eu sei, vai dar errado. A gente fica longe e volta a namorar depois. Olha bem, mulher, eu vou te ser sincero: eu tô com uma vontade danada de te entregar todos os beijos que eu não te dei. E eu tô com uma saudade apertada de ir dormir bem cansado e de acordar do teu lado pra te dizer que eu te amo, que eu te amo demais.
Essa música já não tem um significado triste para mim. Ela se tornou algo muito significativo, especial, que no lugar de trazer a angústia que ela me trazia antes, agora me traz paz. Em algum momento antes, só a introdução já era o suficiente para colocar pra baixo. Se você procurar, Rubel, na maior parte do tempo, é só tiro no coração. 

3. A Música Mais Triste do Ano - Luiz Lins



Tua vida ainda vai ter sentido se a nossa for tudo o que te sobrou? (...) Ainda vai sorrir quando eu for teu único motivo? Ainda vai ouvir o que eu digo mesmo quando eu só quiser falar de amor? Ainda vai tentar me entender quando eu não dizer mais sentido? E ficar comigo quando tiver visto o pior lado de quem eu sou?
Fazendo justiça ao seu nome, qualquer pessoa que já pôde amar alguém sente alguma coisa com a letra dessa música. O gênero não é nem o meu preferido, mas a letra paga qualquer coisa.

4. Te Vi na Rua Ontem - Konai



Talvez um dia a gente se resolva, talvez tu seja mais uma cicatriz. Mas sempre que falam de ti, lembro da sua mão na minha. Meu Deus, o que é que eu fiz? Ainda penso muito em ti. A vida não tem sido justa... Você sabe, ainda tô aqui. Sua falta ainda me assusta.
 Eu gosto consideravelmente muito da Ana Gabriela, o clima que ela traz. O show dela inteirinho é assim e alguns covers dela eu gosto até mais do que a música original, como é esse caso.

5. Ensaio Sobre Ela - Cícero



Não se esqueça por enquanto de esquecer alguma coisa pela casa e vir buscar do nada. (...) Nem vi você chegar, foi como ser feliz de novo. Nem vi você chegar, foi bom te ver sair de novo.
Estou certa de que é unânime a necessidade de Cícero em uma playlist como essa. Essa música é uma das minhas favoritas e foi difícil escolher um trechinho pra colocar ali - eu colocaria a letra inteira facilmente. Cícero é uma expressão de um montão de sentimentos que a gente não consegue pôr pra fora. Procura as outras músicas fazendo esse favor a ti mesmo! 

Bônus: Mar Fechado - Selvagens À Procura de Lei



E mesmo que eu lhe peça desculpas o ano inteiro, não me cobre mais amor quando chegarmos em janeiro. Fica mais um pouco e sustenta o meu corpo antes mesmo d'eu cair no mar, e como era de esperar, eu vou me afogar pra nunca mais ter que te ver por aqui.
Essa eu chamei de bônus porque sai um pouco do clima das outras. Selvagens entrou recentemente no meu amplo estilo musical e não tinha como não me sentir impactada por todas as músicas, principalmente por essa letra. Também poderia colocá-la inteira aqui.

Tentei me limitar às músicas brasileiras. A gente tem um monte de coisa por aqui que não tem a visibilidade que merece. Espero que gostem! Até a próxima.



Queria ter talento para te escrever uma ode - uma que declarasse a ti o meu amor inteiro. Mesmo assim, com todo o talento do mundo, eu ainda não poderia escrever tudo. Não nos cabe em gênero textual algum. Não nos cabe nesse universo imenso que é só nosso, mas nós o aumentamos e moldamos aos nossos padrões. Cabe-nos no beijo da chegada, que parece antes anos e anos sem ver você. Cabe-nos no abraço de quando você vai embora e eu me pego pedindo aos céus que seja breve o nosso próximo encontro. 
Eu cantaria a ode todos os dias se ela eu conseguisse fazer. Eu te amaria em versos líricos para você me sorrir e os seus olhos ficarem ainda menores do que já são. Você me pegaria a mão e a beijaria, como sempre faz transbordando as gentilezas que compreendem-se em ti. A ode seria escrita por mim, mas seria tão sua que eu perderia a autoria. Falaria sobre você, sobre a forma que você me veio quando eu não achei que fosse; a forma que você ficou quando eu quase caí - coisa essa que você nunca deixou; a forma como você colore todo o meu mundo preto e branco, escuro, embaçado. 
O que eu escreveria teria o teu cheiro. Aquele cheiro que não vem de nenhum perfume importado, mas um que é tão seu e tão meu quando gruda em mim. Eu escreveria com tudo o que eu pudesse usar - que repito: seria tão pouco -, sobre todas as vezes em que eu quis correr para os seus braços e me perder ali dentro, pois dentre tantos lugares pequenos, nele me cabe. Nele me cabe e me sobra. 
Talvez eu recorresse a outros tipos textuais, na tentativa falha de concluir meus planos. Mas eu já falei sobre o tamanho do teu coração? Tem algo de não-humano nele, como tem algo de meu que eu mesma nomeei e me apossei e você mesmo me entregou. E desde então, eu só soube cuidar desse amor todo como alguém materialista cuida da pedra preciosa que mais tem; mas eu não me limito ao material. Vou até ao irreal para amar você, de maneiras que eu demorei para perceber que conseguiria, mas eis me aqui. Eis que você me ensina dia após dia o que é ser eu de novo, mesmo que o nosso poema não tenha rimas perfeitas ou que até na elegia você consiga achar uma ponta de felicidade no mundo. Nas minhas epopeias, você sempre será o principal.
Em uma ode, ou em qualquer outro tipo, não cabem nossas palavras que às vezes nem conseguimos dizer, no silêncio que somente nós conseguimos decodificar. E elas significam muito mais do que aquelas que já foram ditas.



A primeira temporada saiu sexta-feira (5) e eu ouvi muito sobre logo de imediato. Na verdade, ouvi ainda antes, quando o trailer saiu. E eu preciso dizer que a premissa da história, o que o trailer nos apresenta, é muito, mas muito pouco sobre o que a série realmente é. 

The End of the F***ing World

Sinopse:

"James tem 17 anos e acha que é um psicopata. Ele acredita não sentir emoções e quer cometer seu primeiro assassinato. Ao conhecer a problemática Alyssa, ele vê nela a vítima perfeita. Os dois caem na estrada e o fato de James se apaixonar por Alyssa atrapalha seu plano de cometer o primeiro crime."
Assisti ao trailer, resolvi dar uma chance. Foi satisfatório ver o primeiro episódio passar em menos de 20 minutos. E quando vi que eram 8 episódios, percebi que seria muito bom e fácil gastar algumas duas horinhas nessa maratona, mesmo sem saber muito o que me prometia. 
Contudo, não foi difícil me envolver com os personagens. Devido aos episódios serem ligeiros, a forma como acontecem tão rapidamente, nos fazem aprofundar nos personagens. James pensa ser um psicopata. E pensa que não consegue sentir nada. Alguns acontecimentos anteriores não permitem que ele se deixe sentir. E uma série de coisas acontecem tentando nos convencer de que ele realmente é psicopata. Ele nunca havia matado uma pessoa, até que essa "vontade" o aconteceu e Alyssa pareceu ser o alvo perfeito. De princípio, a garota aparenta ser detestável. E eu abro aqui um espaço para dizer o quanto eu odiei a presença dela nos primeiros episódios - sem falar que todos os problemas que acontecem são culpa dela. Ela é irritante com todas as pessoas, fala palavrão como quem diz "bom dia" e sem nenhum esforço me fez acreditar, lá pelo meio da temporada, que eu não ia gostar de fato de nenhum personagem.


Os outros são trazidos de forma temporária, insignificantes até certo ponto. Mas um cenário diverso é visto entre as relações. Temos duas policiais homossexuais, a mãe de Alyssa vive um relacionamento abusivo, no meio do caminho eles se deparam com assediadores... O que faz não parecer que os episódios têm apenas 20 minutos.
A aventura começa quando Alyssa, farta da vida que tinha em casa, decide fugir e encontra em James o parceiro perfeito. A partir disso, eles começam a fazer uma série de besteiras, bobagens muito surreais mesmo. Ela só queria dar um basta na vida que tinha; ele, procura ocasiões perfeitas para o seu primeiro crime em uma pessoa. E por mais que eu soubesse que aquilo ali se encaminhava para um desfecho péssimo para os protagonistas, eu me peguei diversas vezes torcendo por eles, ansiosa para saber se eles ficariam bem. Porque a grande questão disso tudo é que se pôde perceber e conhecer outras pessoas dentro deles mesmos. Eles próprios se descobriram.

"Nunca fui o protetor da Alyssa. Ela era minha protetora."

A série é repleta de humor obscuro. Dentre os comentários que vi anteriormente, a grande queixa relacionou-se com a romantização da psicopatia, comparando-se à série 13 Reasons Why, que é unânime se dizer que esta romantizou o suicídio. Na opinião de leiga que posso proferir em meu nome, prefiro dizer que não. Não há uma romantização porque a série não se trata da afirmação de que James é um psicopata e que isso pode desencadear surtos do tipo. Ela se trata exatamente da negação, da forma como ele descobriu o "sentir" e isso, sim, graças à inconsequente Alyssa. 
Algo que é bastante simples de perceber é a evolução dos personagens - não que necessariamente todos concordem que seja positiva -, em que ambos começaram de um jeito e mais próximos do final, vimos quase que personagens diferentes. A série assume novos cenários, novos objetivos, o que me fez pensar, ao chegar ao fim, além de que o diretor/produtor/whatever foi trocado no meio da temporada, que a temática inovadora no que tange ao James se enquadrar como um psicopata não é bem tão importante. Na verdade, é uma das coisas menos relevantes. Acredito que o trailer e a atmosfera construída para divulgar a série não fez o seu trabalho direitinho.


Para as considerações finais, tomei nota de que muitos acontecimentos são bastantes previsíveis, não se esforçam para fugir do clichê de forma alguma; a trilha sonora é boa, foi uma das coisas de que eu mais gostei; durante as cenas, a "consciência" dos protagonistas comentam os acontecimentos como se eles estivessem assistindo conosco, o que eu também gostei bastante e o que nos propõe que aquilo é um reflexo da cabeça adolescente: as atitudes inconsequentes, a vontade de fugir, a incompreensão para com os pais (apesar de que alguns não são exatamente bons exemplos). Eu também gosto do casal esquisito e surreal que foi formado. A rapidez com que tudo acontece e o fato de ter seus aspectos cômicos me dizem que não foram duas horas perdidas. Eu com certeza esperava outro final e eu realmente quis cancelar minha conta da Netflix no mesmo instante em que a tela ficou preta. Mal posso esperar para saber se haverá uma segunda temporada e, assim, ver qual será a sua continuação.


            

O alarme tocou. Cinco e meia da manhã. Fechei os olhos novamente. Tocou de novo. Cinco e quarenta. Decido levantar. Botos os pés no chão frio com preguiça de procurar um chinelo. As mãos levantam para o ar, em uma falsa maneira de tentar despertar. Tomei banho de olhos fechados, escovei os dentes sem mal abrir a boca, tomei leite, pois era mais rápido, vesti a camisa errada. Escondi o celular no fundo da mochila, me empurrei no meio das pessoas dentro do ônibus e encontrei um lugar para escorar e tentar dormir por alguns minutos. Era engraçado como muitos estavam de olhos fechados e boca aberta, com fones de ouvidos, inchados e poucos conversavam. Alguns estavam até no celular, digitando palavras doce e engraçadas, como se a vida estivesse linda e você não tivesse que ir para o trabalho chato ou a escola chata.
Demorou 40 minutos até que eu chegasse ao meu destino. Sentei na minha mesa, em frente a um computador que nunca poderia pagar, mexendo em planilhas de empresas que eu nem sabia para o que servia. As pessoas riam e falavam sobre a amante do Seu Carlos, nosso patrão, pois pelo menos na vida dele acontecia alguma coisa. A moça da frente flertava comigo, oferecia café e "bom dias" recheados de alegria, e eu, bem, sorria por pura conveniência. Não fazia sentido nenhum, ela só queria um corpo para esquentar sua cama e tentar esquecer do namorado violento.
Saio às 6 horas e de novo tenho que me espremer em um ônibus, procurando um canto para me apoiar e dormir. As pessoas estão com os olhos fechados e de boca aberta, alguns ouvindo música, outros atualizando incessantemente seus próprios celulares, rindo de pessoas que nunca tinham visto na vida ou achando comum mais 20 pessoas terem sido mortas em um ataque.
Chego em casa, tiro toda a roupa, tomo um banho, como, escovo os dentes, e sento ao lado da minha mãe no sofá, pegando em sua mão. Assim, contamos sobre o nosso dia, enquanto a novela passa na TV, fingimos que grandes coisas aconteceram no nosso dia, além de ter derramado café na blusa do colega do trabalho, e que estamos felizes e realizados com tudo que temos. Mas o que temos não faz sentindo, é puramente automático e ninguém liga para isso.

                     

                                                          


                          Resultado de imagem para simplesmente o paraíso

                                                           Simplesmente o Paraíso 

                                                              Autora: Julia Quinn
                                                                Editora: Arqueiro
                                                                    Páginas: 272
                                                       Título Original: Just Like Haven


"Odiava ser o centro das atenções, mas, por Deus, desejava ser o centro da atenção de Honoria" 


Simplesmente o Paraíso é o primeiro livro da série "Quarteto Smythe-Smith" que é um grupo musical da família Smythe-Smith formado por 4 primas que se apresentam todos os anos em um concerto. Fomos apresentados a este quarteto na série "Os Bridgertons" e lá conhecemos a sua fama, ou melhor, má fama, pois as jovens solteiras do quarteto tocam horrivelmente.
Nesse primeiro livro, a autora narra sobre Honoria Smythe-Smith e Marcus Holroyd, um casal de amigos que se conhecem desde a infância, quando Marcus passava suas férias na casa de Winstead, com o irmão de Honoria, Daniel.
Porém os anos se passaram, e Daniel teve que se exilar, após uma discussão que teve com Hugh Pretice e um duelo mal resolvido, porém, antes de embarcar para longe da Inglaterra, o jovem conde, pede a seu melhor amigo que cuide de lady Honoria. E assim ele o faz, sempre a espreita nos bailes da temporada e afugentando todos os candidatos não aceitáveis.

                   "Havia algo de maravilhoso em conhecer tão bem outra pessoa."

Porém, como de praxe, tudo volta a mudar quando reencontra Honoria em uma movimentada rua da cidade, no meio de uma chuva. Eles conversam e só voltam a se encontrar quando Honoria está no meio do campo, em uma viagem com suas primas para tentar agarrar algum pretendente "universitário". E um acidente acaba ocorrendo com Marcus, quando torce o tornozelo em um buraco ao tentar ajudar Honoria que cairá neste mesmo buraco, que ela própria tinha feito. 
Depois de uma chuva torrencial, Marcus finalmente consegue voltar ao seu lar, com um cavalariço, mandado por lady Honoria, e se ver caído em uma forte doença.
Eu simplesmente amo a forma que a Julia Quinn narra as suas histórias, de uma leveza e firmeza impressionante, botando os fatos da época, mas traduzindo de uma forma que o leitor compreenda tudo. Isso ocorreu na série dos "Bridgertons" e volta a aparecer nesse primeiro volume do "Quarteto Smythe-Smith", trazendo uma história encantadora sobre estes dois amigos.
A forma que eles se apaixonam e percebem que estão amando é gradativa e bonita, quando se veem em um momento horroroso, onde Marcus não possui família e Honoria e sua mãe ficam ao seu lado, tratando do seu ferimento e cuidando para que este se tornasse saudável.
Acredito que se trata muito daquilo de "nos melhores e nos piores momentos", pois nessa loucura de quase morte, eles percebem que realmente estão apaixonados.
Mas voltando para a parte onde ele fica doente, é um ponto alto da história, principalmente como a autora consegue transmitir o tratamento de uma ferida, com tamanho realismo, naquela época e até o uso de drogas.
A história de ambos segue de uma maneira linear, com altos e baixos, claro, para dar aquela apimentada e uma dor no coração do leitor. Mas no final. tudo se resolve em um momento lindo, e temos até a volta de um personagem super interessante, além da aparição de Gregory Bridgerton e Colin Bridgerton, naquele fã service que todo mundo adora.
Simplesmente o Paraíso é um livro maravilhoso, com uma narrativa rápida e intrigante, te prendendo da primeira página a última. Cada vez me admiro mais com a inteligência da Julia Quinn e ela está me tornando uma viciada em romances históricos.


"Ela amava ensaiar com as primas, mesmo se, com o tempo, houvesse passado a tampar os ouvidos com chumaço de algodão."



           


Nota: Esse foi o meu último livro de 2017, e já comecei o segundo volume dessa série e espero em breve trazer uma resenha de " Uma noite como esta" que já está me fazendo perder o sono. Espero que tenham gostado.



                                                            






                


Existia uma fita amarrada ao meu pescoço e a cada vez que eu tropeçava, com palavras ou atitudes, ela me apertava mais.
O soluço constante me fazia sufocar, contraindo a garganta de mil formas em uma falha tentativa de respirar. As pessoas passavam por mim e estava tudo "ok", algumas apenas apertavam mais a fita, afrouxavam ou acrescentavam mais uma em volta do meu pescoço. Então eu sorria, como se nada estivesse acontecendo, como se dentro de mim a felicidade habitasse. Mas eu estava perdida, sufocada em pensamentos e em uma vida que não me pertencia, sendo guiada pelo desejo alheio e nunca sendo perguntada sobre o que eu queria de verdade. Sobre o que eu quero para minha vida, o que considero felicidade. Mas eu não via forma de sair, pois a cada passo dado em outra direção a fita se acochava mais.
Me segurando em uma vida cheia de feridas, onde band-ainds não poderiam segurar tamanha dor. Era um coração quebrado, um corpo doente. Até que surtei, sai correndo por aí, às 4h30 da manhã, de pijama, descalça, sem saber para onde exatamente ir, apenas continuei a correr e correr, até cair em meus joelhos em uma rua loteada de casas, e perceber que fita não tinha me estrangulado, nem ninguém, pois quem a estava apertando esse tempo todo era eu. Naquele momento eu havia arrancando-a da minha vida.

Nota: Feliz Ano Novo, meus amores! Espero que tenham compreendido a mensagem do texto, e que assim como relatado a cima, vocês possam retirar qualquer amarra que estão o prendendo da felicidade. Beijos e tchau.