É o que tenho de mais bonito a vontade de mudar gritando aqui dentro. Não somente grita, mas me corta. E parece que por algum momento longo eu não iria conseguir sair dali. Era o estado de calamidade em que eu me encontrava e me doía. Doía não pensar com a minha própria mente, mas pensar que era menos fraca e menos eu do que já fui em qualquer outro dia. Não me sentia digna de amor algum, nem mesmo o dele, nem mesmo o meu - o que eu pude corrigir logo após, visto que é em amor que eu acredito e é de amor que eu vivo. Fiz com que aquele amor me pudesse levar mais longe e me fazer mais forte. Era o gancho que eu precisava para me reviver.
Foi quando me vi crente de que as crises viriam mais e mais vezes posteriormente. E viriam mais fortes, muitas vezes. Mas eu também estaria mais forte. E descobri, quase imediatamente, que a minha autoestima, e a da maioria das pessoas, tem raízes profundas em questões que a aparência física e padrões de belezas não podem se relacionar. Tem a ver com a minha força, as minhas vontades e todo o resto que pouquíssimas pessoas se importam, no fim das contas. E tudo bem você não se importar. Só diz respeito a mim e a quem eu quero por perto.
Porque, é claro, quem eu quero por perto eu amo. E quem eu amo, de alguma forma, deve se importar. Eu cansei de tentar me explicar e demonstrar os sentimentos tão abertamente. Já é difícil demais entender por mim mesma, dirá fazer com que outros entendam.
E eu aprendi sozinha o que o mundo sempre tentou me enfiar goela abaixo. Está na Bíblia, nos muros, na música do Legião e tatuado na pele de várias pessoas. Sem amor, eu nada seria.



           E não chega!
                                                                     (Via Pinterest)

É engraçado como há 5 anos eu achava que te conhecia, descobri que estava tremendamente enganada. Acredito que talvez até saibamos a nossa essência, mas o nosso "eu" sempre será um total desconhecido. Mesmo assim não escapamos de decepções ou grandes surpresas.
Você, com a carinha inchada e  um sorriso gentil era a face do mulherengo quando nos conhecemos no ensino médio, sempre dando um jeito de roubar um beijinho de alguém. Apesar de o coração ser vagabundo, nunca te quis colado na minha boca, te quis colado na minha vida como bom amigo que tu é. Então se passaram os anos e nós mudamos tanto. O seu sorriso já estava recheados de história e meus olhares te diziam tanta coisa.
Te acolhi de peito aberto em noites tempestuosas, onde não sabíamos como seguir. Você, me consolou e deu cafuné quando minha mente já não era mais minha. Houveram outros amores e paixões, canções e suspiros desperdiçados. Mas desde o inicio era você, aquele que tiraria meu chão como um terremoto e me embebedaria de sentimentos antes nunca descobertos. Foi a nossa conversa mansa sobre estrelas e mundos paralelos que levaram a colisão dos nossos lábios, afogados um num outro como se sentissem sede por nós. O nosso corpo entrelaçado em lençóis amarrotados de um jeito tão colado que nunca imaginei que seriamos. Nos perguntamos que porcaria tinha acontecido e rimos sem parar, mas decidimos que tinha sido bom, como uma loucura de melhores amigos que precisava ser escrita. O problema é que não foi só uma noite. A nossa loucura acabou se tornando uma grande confusão e todas as saídas com amigos se tornaram desculpas para beijos intermináveis e um ciúme que nunca pensei em ter de ti, nem você de mim.
Então brigamos feitos idiotas, discutimos sobre tantas coisas e acabamos não resolvendo nada, foi nesse período que descobri que não conhecia você, não conhecia seu lado amante que adorava meu corpo e todas as pintas que nele existem, não conhecia tua insegurança ou em como ficava fofo quando pedia um beijo meu. Nesse período aprendi que existia outra face minha, uma que imaginei que nunca teria, pois sempre ria dos meus amigos apaixonados e cheios de apelidos. Por isso, tudo isso é muito engraçado. Minha vida deu um loop de 360 graus e me encontrei nos braços daquele que nunca imaginaria está.


Nota: Fazia um tempo que não tínhamos um texto tão romântico, mas o romance bateu na minha porta e resolvi escrever esse texto. Espero que tenham gostado. 



  

                        
                                                                     (Via Pinterest)


Posso dizer que já me decepcionei muitas vezes, mas não vou dizer que sempre estive preparada para cada uma delas, porque não estava. A gente nunca espera que as pessoas mudem de uma hora para outra, somos acostumados com a lentidão da nossa própria vida, construindo as coisas de pouquinho em pouquinho. 
Então é sempre um baque quando de repente alguém muda, se transforma em outra pessoa e não sabemos lidar com aquilo. Digo isso, meu caro leitor, de peito aberto. Pois nos últimos dias tive uma grande decepção, e uma onda de tristeza mascarada pela raiva me invadiu. Hoje, escrevo aqui sobre um amigo, no qual nunca achei que fosse escrever, pelos menos não sem serem coisas recheadas de bom humor e amor. 
Durante os últimos anos, você foi uma das pessoas que eu mais confiei, para tudo. Quando paro para olhar a minha galeria de fotos, você estava presente em quase todos os momento, junto com tantos outros amigos nossos. Mas não serei hipócrita e simplesmente fingirei que todos aqueles momentos não foram bons para mim, que não foram recheados de alegria e riso. Não irei me arrepender de ter vivido todos aqueles dias e de ter derramado toda a alegria e tristeza pelos meus poros. É uma pena que não irei poder contar com você nos próximos anos. O meu grande erro nas outras vezes que me machucaram foi não ter me valorizado como eu deveria, posso dizer que agora está sendo diferente.
É estranho dizer que você foi o primeiro garoto que me machucou de verdade, porém, essa é a verdade. Não foi nenhum menino que eu estivesse apaixonada ou um paquera que apenas quisesse me usar, foi você. Aquele que se apresentava tão integro, preocupado com o nosso bem estar e sempre disposto a ajudar. Só que tenho que te dizer: não conseguimos fugir dos nossos erros, ou agir como super-heróis que salvam o mundo em um estalar de dedos. Ninguém nesse mundo é perfeito e o seu erro foi tentar ser alguém que na realidade não é. Tu, com essa capa de invencível nos mostrou que Edna Moda estava certa sobre capas, você caiu na sua própria, se enrolando e tropeçando nas suas próprias mentiras. 
O problema não foi suas falhas, pois eu também estou recheada delas, mas a sua negligência com a nossa amizade e as suas mentiras que tentaram cobrir a sua verdade. No fim, acabo sentindo pena de ti, pois viver assim não é viver. E queria dizer com toda a consideração que tenho por aquela pessoa que aparentemente não existiu, que você fique bem e seja feliz. As coisa ainda vão mudar e muitas pessoas vão sair e entrar na sua vida, e não vai adiantar de nada que tu seja o substantivo que todos amem qualificar se no final a sua caracterização for rica de decepção. 
E eu, permaneço aqui. Mudei meus cabelos tantas vezes, ri de diversas formas, mas sempre procurei ser o mais verdadeira possível em todas as minhas facetas e xingamentos. Que pena que você é uma mentira. 

                                                     

Nota: Quem lembra da Aquela do Cabelo Azul? Provavelmente ninguém, pois faz um tempo que essa moça não aparece por aqui. Acredito que de todos os textos que a nossa menina botou a mão na massa esse é o que ela tá mais frágil e isso lógico tem super a ver comigo. O blog é o nosso canto de refúgio e a vida não é fácil e por todos esses anos vocês nos "escutaram", então esse post e todos os outros estão abertos para vocês compartilharem o que estão sentindo com a gente. 

                                                                                                                                                                                           
                                                          


                


Já senti um medo horrível de amar, de deixar que todo aquele sentimento tempestuoso se apodera-se de mim, tomando meu coração para si, sugando tudo e dando-me doses de riso adolescente. 
Não queria voltar para os meus 12 anos, onde me apaixonava pelo tempo e o céu, deixando que todo aquele grande universo tomasse conta de mim e guardasse meus segredos. Eu amei o senhor do universo por tempo demais e vi que não posso te amar. Pois não irei aguentar ver outro amor partir.
Perdi muito tempo no teu calor, contando os seus suspiros que significavam tanto amor para mim, como se tudo estivesse causando uma grande infecção generalizada dentro do meu sistema. E não posso, nem irei, aguentar te amar, assim como amei o tempo, e me perdi nele e não consegui me encontrar. 
Por isso, serei eu a pessoa que irá partir.


Nota: Esse pequeno texto tem muita base em "Ventos de Netuno" do 5 a seco (que recomendo muito), e espero que tenham gostado porque fiz com muito amor.


                                                                                                                                                                                                                              


Algumas escolhas mexem conosco, não é? Mas mexem mesmo, antes até de serem tomadas. Nós apenas não conseguimos tomá-las. Foi em um súbito momento de insanidade completa - ou de pura sensatez, no fim das contas - que eu decidi que, sim, era aquilo o que eu queria, independente do que viesse dos outros depois. O meu coração diz ser o certo. Eu sei que no fundo, bem no fundo, estou feliz, mesmo que a minha pequena quase inexistente necessidade da aprovação de todos tenha me feito angustiada. Já passei daquela fase de ficar irritada com o pensamento de que 17 anos é muito pouco pra decidir por algo que mudará a minha vida. A minha playlist de músicas brasileiras tem sido útil para me deixar mais tranquila comigo mesma. 
Pessoas especiais me ajudaram a perceber que não há nada de errado em querer realizar o seu sonho, mesmo que ele não corresponda às expectativas dos outros. Também está tudo bem se não for a escolha da minha vida, a "escolha certa", porque eu posso mudar depois se tudo der certo. E eu posso reconhecer o meu erro depois. Depois, as coisas ainda podem ser consertadas. Isso só está nas minhas mãos. 
Ainda há quem eu ame aqui e estas pessoas estão tão orgulhosas de mim que eu não consigo pensar em nada que possa substituir a felicidade de tê-las por perto. Elas gostam de quando eu me reinvento e demonstro melhorar minha autoestima. Elas choram comigo quando se compadecem, mas me fazem sorrir muitas vezes mais. E eu sei que posso estar em pedacinhos, elas não sairão de perto. Elas me fazem ser mais forte e eu não sei ser mais grata por nada do que sou por isso. É como tirar o bilhete premiado mesmo sem jogar nada. Não há sorte maior que essa.




                 




Amor, estás perdido pelas vielas da vida.                            Ah meu amor, foi o fim. 
Andando sobre os paralelepípedos                                         
com seu eterno caminhar de bêbado.                                  Encontrei-o desolado, 
                                                                                              maltrapilho e sujo,
Soprando baforadas de cigarro,                                            quis o ajudar. 
intoxicando a alma,
como se tudo fosse ser perdoado.                                       Mas eu também sangrava, 
                                                                                              estava bêbada,
Desculpe, meu amor.                                                            maltrapilha e suja,
                                                                                              tropeçando nos paralelepípedos. 
Envenenara-se sozinho, 
engolindo goles de vodka,                                                    Poderíamos nos afogar mais. 
queimando seu próprio corpo.                          mas nunca sairíamos daquele beco sujo.    Transformando as normalidades em cinzas. 

Derramando filetes de sangue por onde passa.



                                                        




Foi em dezembro de 2016 que eu tive o primeiro contato com conteúdo do tipo, especificamente com o Gugacast, o primeiro podcast que ouvi e que tive o prazer de gostar tanto. É uma indicação válida para o blog, visto que agora eu ouço muito e que alguns eu gostaria que o mundo todo ouvisse também.
E se você ainda não se situou no assunto: podcasts são programas de áudio ou vídeo, cuja principal característica é um formato de distribuição chamado podcasting - um meio de publicação que permite aos seus assinantes o acompanhamento ou download automático do conteúdo à medida que é atualizado. Existem diversos tipos - informativos; que contam histórias; sobre determinados temas; até no estilo de "fanfic" tem.
Dentro de toda a podosfera, Gugacast é formado pelo Guga Mafra e seu irmão, Rafael Mafra, com a ilustre presença do editor gato Caio Corraini; em alguns episódios, há a participação de convidados especiais diversos, contando suas histórias. O podcast em si é basicamente isso: compilados de histórias, dos locutores e de seus ouvintes, que geralmente têm algum tema específico. Eles também trazem vivências próprias, principalmente de suas infâncias pelos anos 80 e referências dessa época que, bem, eu não estava viva, mas o google está aí nos ajudando a entender melhor. Além disso, as doses de humor são ilimitadas e é um dos meus podcasts favoritos - quem sabe até o favorito.
Atualmente, os rapazes estão em um intervalo de férias, voltarão apenas para o episódio especial de Carnaval. Mas não impede você de encontrá-los em diversas plataformas - qualquer aplicativo de podcasts, no iTunes e até mesmo no Spotify.
Fosse você, eu também procuraria por eles nas redes sociais. Vez ou outra interagem com os ouvintes, além do grupo secreto no Facebook para assinantes - mas isso apenas entende quem ouve os episódios.
Recomendadíssimos e este é apenas o primeiro de todos que eu pretendo apresentar por aqui. Até a próxima!



Eu quase deixei meu verdadeiro eu escondido.

Sempre me pareceu impossível gostar de quem eu via no espelho. Gostar daquelas estrias, dos quadris largos, os braços maiores do que eu gostaria que eles fossem. Mesmo na infância, quando essas coisas deviam importar muito menos - praticamente reduzidas a nada. Mas eu me importava. Importava-me com cada centímetro meu que não cabia naquela roupa que eu queria mais que tudo usar, mas que foi produzida para qualquer meninazinha mais padronizada nos quesitos de corpo perfeito para os olhos dos outros. 
Importava-me com os biquínis que eu tanto odiava, dando preferência aos maiôs que sempre eram relacionados a gente gorda. É, gente gorda, é como minha mãe dizia. Gente gorda não tem boa saúde. Gente gorda não tem qualidade de vida. Gente gorda não arranja ninguém pra casar. E, ainda: gente gorda só conhece gente gorda. Parece que ela tinha gosto de dizer essas duas palavras com escárnio. Tinha gosto de me dizer, dentro daquelas palavras, que eu viveria para sempre sozinha, mal amada, infeliz, sem sucesso nem profissional, quanto mais pessoal. A Maria Clara de 15 anos não sabia se conseguiria sair daquela situação, daquele fundo do poço, sozinha.
Fui crescendo e coisas foram até piorando. Eu não conseguia me aceitar. Não conseguia gostar de outras pessoas sem me gostar, entrar em uma faculdade por achar que era incapaz, desistir de fazer muitas coisas, usar outras e até sentir diversas delas por medo daquilo não ser pra mim. Eu diminuí a mim mesma para caber no mundo dos outros. Entrei pra academia, fiz dietas alimentares, até o meu chocolate favorito eu cortei. Aquilo me colocou em uma situação de exclusão social e não-aceitação ainda maior. Foi quando eu comecei a ler mais. Eu comecei a conversar com pessoas que passavam pela mesma que eu e, pasmem, existem várias! Em todos os cantos, gordas, magras, negras, albinas, ruivas e, claro, principalmente mulheres, que não conseguem gostar de si mesmas porque um dia alguém lhes disse que "você seria mais bonita se...".
Os fantasmas do passado me perseguiram até a vida adulta. Mas percebi sozinha que autoestima não se relaciona somente com as coisas que eu via, com a beleza ou aparência. Relaciona-se diretamente com o sentir-se ou não capaz de atingir seus objetivos, com o poder de levantar-se da cama todos os dias e dizer a si mesmo "hoje eu consigo". Dentre todas as coisas que eu tive que passar por cima pra chegar de cabeça erguida aonde estou agora, a principal foi saber desapegar do que me fazia mal. Talvez não tão de cabeça erguida assim; cheia de cicatrizes e traumas que vez ou outra ainda tendem a acabar comigo, mas percebo que sem isso eu não seria eu de hoje.
Todos os dias, agora, são motivos novos para tentar. Ainda gorda, ainda machucada, mas muito mais forte do que há 10 anos atrás. Muito mais Maria Clara. De osso e de aço. De carne - muita carne -, tão humana quanto todo mundo. Elogios não são mal-vindos, mas depreciações nem batem à porta. Sinto-me bonita, capaz. Sinto-me uma grande mulher, da forma que eu gostaria que todas as Marias-mulheres pudessem se sentir também. Não há nada no mundo que mexa com seu coração que o seu amor próprio não possa superar.

N/A: Esta Maria foi mais sucinta porque é um assunto muito difícil pra mim. Eu ainda tentei assumir a personagem, dar um "final" melhor para ela, mas ainda é complicado desenvolver quando você não sabe a maneira certa de expressar os mesmos sentimentos. E o motivo para fazer a publicação é que ela acaba sendo um prelúdio para assuntos dos quais eu pretendo falar mais por aqui. As letras do título e da frase pré-texto são de Who You Are, Jessie J. Ouvia enquanto escrevia, achei cabível. Até a próxima, Marias.



Já faz um tempinho que eu não sei o que é sofrer por amor. Mas eu sei exatamente o que é quando uma música ou outra deixa nosso serzinho em uma bad que só uma noite bem dormida e um café bem amargo - por mais que eu odeie o gosto - pra fazer passar. E o que é melhor do que isso? Se afundar de vez naquele momento - às vezes vejo filmes pra chorar; outras, escuto música para garantir minha passagem só de ida pro fundo do poço. Postagem de utilidade pública. Vamos amar um pouquinho esse povinho bonito aqui?

1. Barquinho de Papel - Anavitória



Não sinto tua falta. Não sinto a falta do teu cheiro de perfume importado que exportou de mim. Não sinto falta do teu erre puxado, nem do teu beijo com gosto de dente que morde coração envenenado. Não sinto tua falta. Não sinto! Nem lembro de você, nem da tua respiração ofegante. Não sinto falta; eu sinto ânsia. Distância do teu signo-preto, do teu silêncio - o grito. Sinto ânsia e a provoco. Enfio os meus dez dedos na garganta pra ver se vomito teu ser da minha alma.
A gente não precisa nem falar muito dessas meninas. Não são tantas músicas, mas qualquer que seja a que você decidiu ouvir, vai te transferir um sentimento forte. Barquinho de Papel tem um peso emocional indescritível.

2. Quando Bate Aquela Saudade - Rubel


Não tem medo, não. Eu sei, vai dar errado. A gente fica longe e volta a namorar depois. Olha bem, mulher, eu vou te ser sincero: eu tô com uma vontade danada de te entregar todos os beijos que eu não te dei. E eu tô com uma saudade apertada de ir dormir bem cansado e de acordar do teu lado pra te dizer que eu te amo, que eu te amo demais.
Essa música já não tem um significado triste para mim. Ela se tornou algo muito significativo, especial, que no lugar de trazer a angústia que ela me trazia antes, agora me traz paz. Em algum momento antes, só a introdução já era o suficiente para colocar pra baixo. Se você procurar, Rubel, na maior parte do tempo, é só tiro no coração. 

3. A Música Mais Triste do Ano - Luiz Lins



Tua vida ainda vai ter sentido se a nossa for tudo o que te sobrou? (...) Ainda vai sorrir quando eu for teu único motivo? Ainda vai ouvir o que eu digo mesmo quando eu só quiser falar de amor? Ainda vai tentar me entender quando eu não dizer mais sentido? E ficar comigo quando tiver visto o pior lado de quem eu sou?
Fazendo justiça ao seu nome, qualquer pessoa que já pôde amar alguém sente alguma coisa com a letra dessa música. O gênero não é nem o meu preferido, mas a letra paga qualquer coisa.

4. Te Vi na Rua Ontem - Konai



Talvez um dia a gente se resolva, talvez tu seja mais uma cicatriz. Mas sempre que falam de ti, lembro da sua mão na minha. Meu Deus, o que é que eu fiz? Ainda penso muito em ti. A vida não tem sido justa... Você sabe, ainda tô aqui. Sua falta ainda me assusta.
 Eu gosto consideravelmente muito da Ana Gabriela, o clima que ela traz. O show dela inteirinho é assim e alguns covers dela eu gosto até mais do que a música original, como é esse caso.

5. Ensaio Sobre Ela - Cícero



Não se esqueça por enquanto de esquecer alguma coisa pela casa e vir buscar do nada. (...) Nem vi você chegar, foi como ser feliz de novo. Nem vi você chegar, foi bom te ver sair de novo.
Estou certa de que é unânime a necessidade de Cícero em uma playlist como essa. Essa música é uma das minhas favoritas e foi difícil escolher um trechinho pra colocar ali - eu colocaria a letra inteira facilmente. Cícero é uma expressão de um montão de sentimentos que a gente não consegue pôr pra fora. Procura as outras músicas fazendo esse favor a ti mesmo! 

Bônus: Mar Fechado - Selvagens À Procura de Lei



E mesmo que eu lhe peça desculpas o ano inteiro, não me cobre mais amor quando chegarmos em janeiro. Fica mais um pouco e sustenta o meu corpo antes mesmo d'eu cair no mar, e como era de esperar, eu vou me afogar pra nunca mais ter que te ver por aqui.
Essa eu chamei de bônus porque sai um pouco do clima das outras. Selvagens entrou recentemente no meu amplo estilo musical e não tinha como não me sentir impactada por todas as músicas, principalmente por essa letra. Também poderia colocá-la inteira aqui.

Tentei me limitar às músicas brasileiras. A gente tem um monte de coisa por aqui que não tem a visibilidade que merece. Espero que gostem! Até a próxima.



Queria ter talento para te escrever uma ode - uma que declarasse a ti o meu amor inteiro. Mesmo assim, com todo o talento do mundo, eu ainda não poderia escrever tudo. Não nos cabe em gênero textual algum. Não nos cabe nesse universo imenso que é só nosso, mas nós o aumentamos e moldamos aos nossos padrões. Cabe-nos no beijo da chegada, que parece antes anos e anos sem ver você. Cabe-nos no abraço de quando você vai embora e eu me pego pedindo aos céus que seja breve o nosso próximo encontro. 
Eu cantaria a ode todos os dias se ela eu conseguisse fazer. Eu te amaria em versos líricos para você me sorrir e os seus olhos ficarem ainda menores do que já são. Você me pegaria a mão e a beijaria, como sempre faz transbordando as gentilezas que compreendem-se em ti. A ode seria escrita por mim, mas seria tão sua que eu perderia a autoria. Falaria sobre você, sobre a forma que você me veio quando eu não achei que fosse; a forma que você ficou quando eu quase caí - coisa essa que você nunca deixou; a forma como você colore todo o meu mundo preto e branco, escuro, embaçado. 
O que eu escreveria teria o teu cheiro. Aquele cheiro que não vem de nenhum perfume importado, mas um que é tão seu e tão meu quando gruda em mim. Eu escreveria com tudo o que eu pudesse usar - que repito: seria tão pouco -, sobre todas as vezes em que eu quis correr para os seus braços e me perder ali dentro, pois dentre tantos lugares pequenos, nele me cabe. Nele me cabe e me sobra. 
Talvez eu recorresse a outros tipos textuais, na tentativa falha de concluir meus planos. Mas eu já falei sobre o tamanho do teu coração? Tem algo de não-humano nele, como tem algo de meu que eu mesma nomeei e me apossei e você mesmo me entregou. E desde então, eu só soube cuidar desse amor todo como alguém materialista cuida da pedra preciosa que mais tem; mas eu não me limito ao material. Vou até ao irreal para amar você, de maneiras que eu demorei para perceber que conseguiria, mas eis me aqui. Eis que você me ensina dia após dia o que é ser eu de novo, mesmo que o nosso poema não tenha rimas perfeitas ou que até na elegia você consiga achar uma ponta de felicidade no mundo. Nas minhas epopeias, você sempre será o principal.
Em uma ode, ou em qualquer outro tipo, não cabem nossas palavras que às vezes nem conseguimos dizer, no silêncio que somente nós conseguimos decodificar. E elas significam muito mais do que aquelas que já foram ditas.