Fechei os olhos e estava tudo escuro, os abri, a escuridão permanecia ali. Eu tentava fugir da escuridão, mas parecia que nunca chegaria a luz. Todos os dias sentava sozinha no pátio da escola, observando minhas unhas, fingindo pura diferença, querendo que alguém chegasse e pergunta-se: "tá tudo bem?" As falsas sempre chegavam, perguntando a cor do meu esmalte e comentando sobre o novato, como se a minha cara de choro não fosse nítida e as olheiras não fossem profundas. Mas eu ouvia, acenava com a cabeça e respondia, pelo menos alguém estava ali, mesmo que no fundo eu continuasse me sentindo só.
É horrível não se sentir parte de algo, com todos falando amenidades e você querendo comentar algo mas se sentir inteiramente só. O pior é me tocar que as amigas que achava que eram de verdade cravaram uma faca nas minhas costas. Mas minha mãe disse que ninguém está livre do sofrimento e que nos magoar faz parte, e que isso é só o começo.
Então eu mudei de escola. Decidi que agora iria ser diferente. Não ia me adaptar ao que as pessoas eram, seria eu. Cortei meu cabelo na altura dos ombros e fiz uma franja. Passei um protetor labial e coloquei a blusa da minha série preferida. Fui ao primeiro dia sorrindo e não tendo medo das encaradas. Se alguém falasse alguma besteira sobre mim eu revidaria ou daria as costas.
Voltei para casa sorrindo, encontrei meninas e meninos que gostam das mesmas série que eu, dos mesmos livros e que perguntaram onde eu havia cortado o cabelo. Respondi tudo sorrindo e conversando até demais, rindo demais. E tinha sido apenas o primeiro dia.
Uma hora acabamos encontrando o nosso lugar, mesmo que demore. Principalmente quando decidimos que nada vai atrapalhar nossa felicidade.

Nota: Esse texto é dedicado a Sabrina, que algo relacionado a amizade. Tentei me esforçar e espero que o texto tenha saído bom, e a mensagem serve para todos: não tenha medo de ser quem você é. Sejam felizes mesmo, e se você se sente deslocado, não se preocupe, um dia você irá encontrar o seu lugar.

                                                                           


                         Imagem de baby, cute, and family

Sinceramente, eu esqueci qual foi o último dia dos pais que passei lado a lado com meu pai. Dizer que eu não sinto falta seria total mentira, mas hoje não quero falar de coisas tristes, vamos trocar o disco.
Talvez você seja muito nova, como eu, ou seja uma futura mamãe ou um futuro papai, mas vamos partir da ideia que você está longe de ser mãe ou pai e ainda não encontrou alguém.
Sempre esteve na minha cabeça que o pai dos meus futuros filhos precisa ser "perfeito" para eles, colocando eles em primeiro lugar independente de tudo. Existem pessoas ruins no mundo e eu descobri sozinha, mesmo com a capa de proteção da minha mãe e da minha vó. Quero que a vida de quem sair do meu ventre seja completa, com um pai que vá para todas as festinhas da escola, que eu possa dividir a dificuldade de educar uma criança. Que possamos fazer planos juntos e que não seja apenas trocar fraudas.
Deve haver mais sorrisos do que lágrimas. Então pense antes de ser pai, ou se esse alguém com quem você está vai ser bom o suficiente. Viver sem a presença de um pai é uma droga. Ver duas vezes por ano não é suficiente, nem as ligações são. Pai de verdade tem que está presente, sabendo das notas da escola e das paixões, pai é com quem você sempre deve ter assunto para conversar e receber um dos melhores abraços do mundo. Que ele saia para passear e que o meu futuro filho, o seu, não tenha medo de se abrir e confessar os segredos que os aflige. Não vai ser fácil de nenhum jeito, mas que ele esteja lá para acolher nos braços e dizer que tá tudo bem ou dá um sermão.

Nota: Saindo bem tarde, mas esse é nosso Feliz Dia dos Pais! Espero que todos tenham aproveitado esse dia, até mesmo aqueles que a mãe, a vó, ou tio sejam o "pai", os abrace e diga o quanto são importante. Se está com magoado para ligar pro seu pai distante, perca seu orgulho e puxe o telefone do gancho. De resto é isso, esperamos que tenham um ótimo final de feriado. 

                                                                                           



Também já encontrei defeitos em mim,
Já olhei no espelho e fiquei extremamente insatisfeita com o tanto de imperfeições que estavam no meu rosto, no tamanho do meu nariz ou como minhas sobrancelhas sempre parecem precisar de uma ida ao salão. Os meus dois dentes da frente são separados e tenho um freio enorme, preciso até fazer cirurgia. Quando tô de biquíni ou lingerie e vejo minhas estrias tenho vontade de enterrar minha cabeça na areia. Então eu paro, respiro e digo: "eu sou é muito é gostosa". Tudo bem que não é em todas as vezes.
Mas existe o tipo de pessoa que só se bota para baixo, deixa de aproveitar muita coisa por causa do outro. Se você é assim, se ame mais. Olhe que beleza é algo tão relativo e às vezes nem tão importante. O que adiantar o menino ser o maior gostoso, mas ser um babaca? A menina ter o cabelo igual de uma propaganda de shampoo, mas ser puramente fútil? Nos apaixonamos pelo que a pessoa é, não apenas a casca, mesmo que exista toda a questão da atração.
Não precisamos necessariamente nos achar a última coca-cola do deserto. Mas precisamos estar confortáveis conosco, nem que seja preciso ir para a academia de segunda a sexta e estar no salão toda semana. As pessoas falam demais, inclusive nós, julgando sempre o nosso vizinho, mas isso não quer dizer que você é menos. Passe aquele batom vermelho, vista aquele vestido que você tanto gosta. Coloque aquela blusa com uma estampa bem louca e talvez até uma gravata. Coloque aquela música que faz os seus quadris balançarem e a sua voz acabar. Olhe no espelho e veja as infinitas possibilidades que temos de encontrar a felicidade.
Não se preocupe com os filtros nas fotos, ou o retoque no nariz. Como uma professora minha disse uma vez: "Nós nascemos para ser reais, não perfeitos." Mas você também deve olhar ao seu redor e observar. Será que as pessoas que pessoas que estão a sua volta, realmente te fazem bem? Você está sendo você mesmo? Repense sobre isso e veja que talvez o problema não seja você. As pessoas sabem estragar as outras.
Encontre o seu lugar, o que te faz. Seja em um grupo de natação ou em um de pokémon. Seja você e independente de tudo, se ame.


                                                                                    



Foi basicamente por este tweet (e por outro que a Editora Seguinte dizia que elas sairiam em turnê por outras cidade do Brasil) que eu corri loucamente à procura do livro Por Lugares Incríveis. Cartas de Amor aos Mortos eu já li, já fiz resenha e já chorei várias vezes relendo o livro (ou aquele finalzinho dele maravilhoso). 
Quando eu descobri sobre a vinda das duas, fiquei louca procurando o livro de Jennifer Niven, do qual eu já havia ouvido vários elogios de amigos que leram e consideram essa a sua melhor experiência literária. Resolvi experimentá-lo e eu preciso dizer que comigo não foi muito diferente. Estou completamente apaixonada por este livro.

Por Lugares Incríveis

Autora: Jennifer Niven
Editora: Seguinte
Número de páginas: 400
Narração: 1ª pessoa com alternância de eu-lírico
Título original: All The Bright Places

 Dois jovens prestes a escolher a morte despertam um no outro a vontade de viver.

Sinopse

"Violet Markey tinha uma vida perfeita, mas todos os seus planos deixam de fazer sentido quando ela e a irmã sofrem um acidente de carro e apenas Violet sobrevive. Sentindo-se culpada pelo que aconteceu, Violet se afasta de todos e tenta descobrir como seguir em frente. Theodore Finch é o esquisito da escola, perseguido pelos valentões e obrigado a lidar com logos períodos de depressão, o pai violento e a apatia do resto da família.
Enquanto Violet conta os dias para o fim das aulas, quando poderá ir embora da cidadezinha onde mora, Finch pesquisa diferentes métodos de suicídio e imagina se conseguiria levar algum deles adiante. Em uma dessas tentativas, ele vai parar no alto da torre da escola e, para sua surpresa, encontra Violet, também prestes a pular. Um ajuda o outro a sair dali, e essa dupla improvável se une para fazer um trabalho de geografia: visitar lugares incríveis do estado onde moram. Nessas andanças, Finch encontra em Violet alguém com quem finalmente pode ser ele mesmo, e a garota para de contar os dias e passa a vivê-los."

Eu não sei como começar dizendo isso, mas apesar dos dois encontrarem em si mesmos o sentido da vida, em diversas partes do livro eu me peguei tendo sérias crises existenciais. O livro traz dúvidas como: o que estou fazendo com a minha vida? Morrer é realmente a única saída? Por que é tão difícil outras pessoas entenderem a nossa cabeça?
Finch é um garoto claramente problemático, mas infinitamente enigmático. Logo de início você percebe que ele tem problemas, do tipo "problemas mentais que as pessoas apenas usam para rotulá-lo como esquisito". E em diversas partes do livro eu me identifiquei com ele. Eu não tenho nenhum distúrbio mental, mas entendia quando os outros não o compreendiam, quando suas decisões tomadas não eram entendidas e aceitas pelos outros. 
Este livro me fez querer viver. Fez-me querer visitar lugares incríveis e ter alguém para viver isso comigo. Ultravioleta Markante (como Finch chama Violet) encontra no garoto um recomeço, como se sua nova vida se iniciasse ali.

"Amo: o jeito que os olhos dela brilham quando conversamos ou quado ela me conta alguma coisa, o jeito que ela fala as palavras pra si mesma quando lê concentrada, o jeito que olha pra mim como se só eu existisse, como se visse através da carne e dos ossos e de tudo que não importa e enxergasse só o eu que está ali, aquele que nem eu mesmo vejo." (página 226)

Diversas coisas me encantam. Um dos motivos para gostar de Cidades de Papel, por exemplo, são as andanças dos personagens, e isso é o que não falta neste livro.  Se tem duas coisas que eu amo são livros e viagens, e livros que me trazem viagens dentro deles são os meus favoritos, certamente.
Uma das coisas que eu mais gostei é que é simplesmente a vida de dois jovens com muitos problemas e de antemão, tentando não dar spoilers, eu não julgo Finch por suas decisões. Às vezes, nós simplesmente não temos o poder de escolha - os outros podem até achar que sim, mas somente nós sabemos o que se passa dentro de nós mesmos.

"Olho para ela longamente. Conheço a vida bem o suficiente pra saber que não podemos acreditar que as coisas vão ser sempre iguais, não importa o quanto a gente queira. Não podemos impedir que as pessoas morram. Não podemos impedi-las de ir embora. Não podemos impedir nós mesmos de ir embora. Me conheço bem o suficiente pra saber que ninguém consegue me manter acordado ou me impedir de dormir. Tenho que fazer isso sozinho. Mas, cara, como gosto dessa garota." (página 121)

Eu amei este livro. Ele aborda a morte - e principalmente o suicídio - de uma maneira diferente, de maneira que eu nunca havia pensado antes, que nunca nem passou pela minha cabeça. Não é só um romance adolescente. Não são apenas dois jovens que se amam e se salvam. É algo muito mais profundo do que isso e foi o que me apaixonou. E, além de tudo, ele é repleto de citações incríveis e referências lá no fim sobre o início da história. Foi muito difícil escolher esses trechinhos para colocar aqui, mas certamente foram os meus favoritos. Fez-me chorar, rir, sofrer e ter existencialismos que jamais tive. Vai para a lista de favoritos e para a lista de "todos devem ler isto antes de morrer".
A melhor parte ainda vem: li uns meses atrás no Beco Literário que o filme de Por Lugares Incríveis foi confirmado! De acordo com o site, ainda não existem certezas a respeito da produção, mas Elle Fanning foi escalada para interpretar Violet e tais informações foram divulgadas pela própria editora do livro aqui no Brasil. Estou muito ansiosa e ainda mais apaixonada, se é que é possível.
"E se a vida pudesse ser assim? Só as partes felizes, nada das horríveis, nem mesmo as minimamente desagradáveis. E se a gente pudesse simplesmente cortar o ruim e ficar só com o bom? É isso que quero fazer com Violet - dar a ela só o bom, manter o ruim longe, para que o bom seja sempre tudo o que temos à nossa volta." (página 145)



Desde que assisti How To Get Away With Murder e tantas outras séries de temática de advocacia, a Netflix me indica Scandal. Então, eu decidi dar uma chance. Confesso que, desta forma, tenho bastante coisa para falar sobre. 

Scandal

A série, que está em sua 5ª temporada, foi criada por Shonda Rhimes, que também produziu Grey's Anatomy e How To Get Away With Murder - o que nos faz querer que a série seja muito, muito boa. A primeira temporada, que conta com 7 episódios, eu devo dizer que não me prendeu 100%. Continuei assistindo e a segunda é, de fato, bem melhor. 

Sinopse

Uma ex-consultora de mídia do Presidente, Olivia Pope (Kerry Washington) dedica sua vida a proteger e defender as imagens públicas da elite americana, resolvendo problemas antes que o mundo saiba que eles já existiram. Depois de deixar a Casa Branca, ela abre sua própria empresa, na esperança de iniciar um novo capítulo - tanto profissionalmente como pessoalmente -, mas ela parece não conseguir cortar completamente laços com seu passado. 
Olivia é a chefe da equipe formada por Harrison Wright (Columbus Short), Quinn Perkins (Katie Lowes), Stephen Finch (Henry Ian Cusick), Abby Whelan (Darby Stanchfield) e Huck (Guilhermo Diaz).
Desse modo, a trama apresenta um grupo disfuncional que tem a função de mediar as crises empresariais e políticas de seus clientes. A Olivia Pope & Associates é uma firma composta por advogados e investigadores chamados para resolver situações que precisam ficar longe da mídia e da curiosidade do público, antes que cause um escândalo.



[Alerta spoiler!] A questão que implica em diversos problemas na série é que durante a campanha eleitoral do presidente, ele e Olivia engataram em um caso amoroso. Isso traz à série um drama que vez ou outra me dá vontade de abandoná-la. Isso também faz com que o próprio presidente seja um canalha milhões de vezes com a própria esposa, justificando que Olivia é o amor de sua vida. Queria encontrar com o personagem e dizer "querido, me poupe!". [Fim do spoiler]
Outra questão que me intriga é que diversas vezes durante a série, Olivia é apresentada como uma mulher forte, segura de si, cheia de segurança e desimpedida, quando, na verdade, chora o tempo todo e sofre por um amor não resolvido. Às vezes, deixa de agir racionalmente para agir com os sentimentos. Eu digo isso porque meu exemplo de mulher poderosa em casos assim seria a grande Annalise Keating (de HTGAWM). Tento não comparar as duas, mas é inevitável, levando em consideração o papel das duas em suas respectivas séries. As duas são símbolos de força, de poder, advogadas com muitos contatos e que sempre acabam tendo que recorrer para o trabalho sujo. Mas ao contrário de Olivia, Annalise passa por cima de tudo e de todos para o seu sucesso. 



De qualquer maneira, a série tem os seus pontos que me prendem à ela. Gosto da trama na Casa Branca, de como até mesmo o político mais limpo possui corrupção por baixo dos panos. E talvez isto represente alguma coisa em relação à minha personalidade, mas eu sempre gosto dos personagens mais esquisitos e misteriosos: o meu favorito de Scandal é o Huck, o que faz o trabalho sujo. É o meu favorito e talvez o único que eu goste de fato, além do Harrison e Stephen, que até tenho um certo afeto. O restante, nem mesmo fazendo 10 coisas boas anulam 1 coisa ruim que tenham feito; todo mundo é sujo nessa série.


"Huck, você tem que parar de matar pessoas.
- Por quê?"

Mas talvez isso seja exatamente uma coisa boa para a história. Não há ninguém perfeito, não tem um bonzinho neste meio. Todos são vilões, mesmo que façam coisas "boas", passam por cima de qualquer um para conseguirem o que querem. E esse "passar por cima" vai de tomar um cargo importante à realização de um assassinato. 
Os fãs vão me odiar, mas eu não tive um "feeling" enorme pela série. São só pequenos aspectos que me fazem continuar assistindo, mas só até aparecer outra que chame um pouquinho minha curiosidade, e eu mudo. Mas uma coisa é certa: a série apresentou um crescimento admirável e a melhora é nítida. Que continue assim!



"Eu quero ser um gladiador em um terno."