Essa semana, enquanto assistia uma das minhas séries favoritas do momento, percebi que eu nunca havia feito um post sobre ela. E é uma série que me intriga bastante, mas é como Suits e White Collar - sobre as quais eu já falei aqui: a cada episódio, um novo caso, mas uma "temática" para cada temporada. 

Elementary 

Li que a série fora renovada para sua quarta temporada em 2015 e fiquei muitíssimo feliz, pois assisti às 3 primeiras e estava nervosa para saber se estava muito atrasada. A série iniciou em 2012 e mostra uma versão contemporânea de Sherlock Holmes, famoso personagem criado por Arthur Conan Doyle, mas, no caso da série, são histórias que se passam em Nova Iorque (outro motivo para amar). 

Sinopse

"Elementary trata-se de uma adaptação de Robert Doherty para a obra de Arthur Conan Doyle, que traz os personagens Sherlock Holmes e Dr. Watson para o tempo presente vivendo em Nova Iorque. Na série, Watson foi transformado em mulher, interpretada por Lucy Liu.
Sherlock (Jonny Lee Miller) é um ex-consultor da Scotland Yard que chega em Nova Iorque após passar um período em um centro de reabilitação. Forçado por seu abastado pai a dividir seu apartamento com a Dra. Joan Watson, uma cirurgiã que perdeu a licença há três anos quando um de seus pacientes morreu, ele precisa se manter sóbrio e longe das drogas. Assim, Watson pasa a acompanhá-lo em seu trabalho como consultor da polícia de Nova Iorque."


Eu posso ficar horas falando sobre o quanto Sherlock é incrível. Sherlock é incrível. Mas isso não é novidade para quem já conhece o personagem original. Mas mesmo que esse tenha outros aspectos comportamentais, ele continua sendo incrível. Mostra-se humano, mesmo que certos momentos de frieza faça com que quem assista não consiga criar um afeto por ele. Contudo, para mim foi inevitável. Você vê que ele tem sentimentos, tem um lado que poucos têm o privilégio de conhecer e me apaixonei pelo personagem.
Watson também é incrível. Achei uma particularidade fantástica o fato dela ser mulher, pois é uma outra abordagem que acontece na série. [Pequeno spoiler] No início, o pai de Holmes pagava para que Joan fosse sua acompanhante, mas depois de um tempo, dispensa seu trabalho. Watson não quer se desvencilhar de Holmes, então continua trabalhando com ele, mesmo sem receber seu salário. Quando Sherlock descobre, oferece a ela a posição de aprendiz de detetive, alegando que com ela, ele se concentra melhor. [/Pequeno spoiler] 
E uma das coisas que eu mais gosto na série é da relação dos dois. Sherlock não deixa nada claro, não fala sobre emoções literalmente. Mas Joan desperta nele esse lado humano, esse lado que se abre para a conversa. Assim como em Suits há a relação de Mike e Harvey e em White Collar, a relação de Neal e Peter, em Elementary, a relação de Joan e Sherlock é do tipo que há confiança acima de tudo. Sherlock confia nela, pois sabe do bem que Watson o faz e Joan confia em Holmes porque consegue ver o lado bom dele. 


A cada caso, vejo o trabalho sublime de Holmes e o avanço de Watson. E a cada novo episódio, não só o crescimento pessoal, mas do conjunto, da parceira de ambos. Há muitos segredos na série, dúvidas que só nos são apresentadas um pouco antes de serem respondidas. Você se pega tentando suspeitar dos mais bonzinhos e julgando cada caso. O lado investigativo, policial e essencial a cada episódio te prende à série e faz querer mais e mais. 
Vez ou outra, dou um tempo da série. Apesar de ser maravilhosa, são mais de 20 episódios por temporada e às vezes torna-se cansativo. A temática abordada ou os elementos colocados para mexer um pouco com a série - como personagens novos e vilões diferentes a cada temporada - é o que me faz voltar. Até agora, a minha temporada favorita é a segunda e só me resta torcer para que a série continue exatamente daquele jeitinho que eu gosto: Sherlock e Watson com diversos problemas pessoais, mas resolvendo-se a cada caso e mostrando o quão incríveis são juntos, a junção perfeita.







Para a menina com quem conversei na livraria do shopping perto de casa,
Você me inspirou a escrever sobre o amor depois de me contar do seu primeiro namoro. Não aquele amor banal, sacal, que está na boca de todo mundo hoje em dia. Mas o amor virgem, inocente, sublime e esquecido por muitos. Eu falo do primeiro amor e que, por sorte, foi correspondido. Aquele que nós não sabemos ainda se é, mas mexe com a gente de um jeito esquisito. É aquele amor que aconteceu no seu tempo de colégio ou só na faculdade e você não tinha ideia da imensidão deste sentimento por alguém que não fosse parente ou amigo. É quando você descobre que não pode controlar a própria mente ou coração e que ambos não trabalham juntos; seu racional diz que não, e seu coração, que sim, em todas as línguas e formas possíveis. Ele obriga teu cérebro a trabalhar junto, a não desgrudar o pensamento daquela pessoa. E você tenta se convencer: é uma paixãozinha boba, nada mais que isso. Mas você se pega preocupado com aquela pessoa e o ciúme toma conta do seu corpo de um jeito que você nunca imaginou. 
Vocês, juntos, passam por todo aquele início gostoso, no qual vocês vão se conhecendo. Apresentam suas preferências, mostram suas músicas favoritas, indicam filmes, chamam para sair. Acontece o pedido de namoro; ou nem acontece, vocês simplesmente aceitam que já estão juntos. E vocês se apresentam para seus pais. Você compreende que não pode dedicar sua vida cem por cento para o outro, mas dedica cem por cento de si mesmo quando vocês estão juntos. E vocês sonham juntos. Vocês aprendem juntos, coisa essencial para seu relacionamento. Vocês descobrem todo dia mais e mais o que é amar. Você reconhece os defeitos do outro, tem até raiva de alguns deles, mas esquece tudo quando ele vem com aquele jeito só dele, aquela voz única e inesquecível, aquele beijo que é só teu e te faz esquecer do resto do mundo. Vocês vão se amando e se conhecendo, vão construindo uma história juntos. A história a dois de vocês vai sendo moldada pelo tempo e pelas suas próprias mãos, e você vai amando mais e mais. Você quer que dure, que seja eterno. É o seu primeiro amor real, pois você se dá conta de que todos os anteriores não foram amor. Foram quase isso.
A vida se mostra mais fácil e bonita. O outro te faz ser par quanto o mundo te fazia ímpar. O primeiro amor é isso; descobrir o outro e se descobrir, descobrir o que é o amor e querer saber mais. E ele não é como dizem por aí... Ele aceita erros. Aceita que o outro vez ou outra possa vacilar, pois nada há de ser perfeito, e juntos vocês vão se consertar. Não se engane; o amor não veio para ferir ninguém. Ele veio para nos curar. E ele não vai acabar. Vocês podem brigar e terminar, e podem vir vários outros... Mas esse teu primeiro amor vai ser referência para a tua vida inteira, pois graças a ele você descobriu que pode amar, e amadureceu no primeiro relacionamento que teve. Aprendeu coisas que fazem parte de uma boa junção, descobriu o seu espaço e quem sabe até descobriu que o amor pode acontecer da maneira que você achar melhor. Faz desse primeiro amor uma lembrança boa e nunca se esqueça: ele veio para curar.

Nota: Conversei com uma menina triste que conheci por amigos em comum, que relatou-me sobre seu primeiro relacionamento que estava prestes a chegar ao fim. Quero que ela saiba que por mais que não pareça por haver um ponto final, ele foi o seu primeiro amor. 





Olhei para o céu hoje e vi lua cheia; automaticamente, meu pensamento voou até você. Já faz tanto tempo... Mas eu ainda lembro de todas as nossas conversas de madrugada, até o sol nascer, em que nós planejávamos um futuro juntos. Lembro do nosso primeiro beijo como se fosse ontem, de como aqueles instantes antes foram os mais nervosos da minha vida, e de como só de encostar em teus lábios toda a calmaria tomou conta de mim. Em todos os meus sonhos, eu visualizava uma lua cheia iluminando o nosso cantinho, aquele com o qual sonhávamos em construir em um futuro. Eu sonhava com nossos sábados de madrugada, nossos domingo indo almoçar com nossa família na cidade, com o dia que íamos formar a nossa própria família. Nós fizemos planos, vários deles, até simplesmente acabar tudo. 
Foi o tempo? Você se cansou de mim, simplesmente? Ou ambos se cansaram? Nós ficamos tanto tempo juntos. Nosso relacionamento passou por idas e vindas; idas que eu achei que fossem permanentes e vindas que juramos "para sempre". Mas nunca conseguimos durar. Nós nunca fomos capazes de manter um relacionamento estável, tranquilo e feliz. Sempre foi aquela coisa conturbada. Eu sempre morria de ciúmes de você, você sempre sentia raiva dos meus ciúmes, nós sempre brigávamos. Quem tinha razão? E isso importa agora? Hoje eu penso no quanto tempo a gente perdeu brigando, enquanto podíamos simplesmente dar o braço a torcer e deixar o orgulho de lado. Mas não. Nós insistíamos, ficávamos forçando aquilo. E queríamos que desse certo. Mas talvez não fizéssemos de tudo para que desse certo e foi por isso que nossas vidas tomaram rumos diferentes. Por mais clichê que isto possa soar, estávamos vivendo momentos diferentes e eu sei que não foi simplesmente por falta de amor. Tinha amor até demais e por isso doeu tanto. 
Eu descobri nesse tempo que amor não resolve tudo. Precisávamos de uma dosezinha de querer, um pouco mais de paciência, um pouco mais de atenção. Precisávamos de reciprocidade. Eu sei que queríamos que desse certo, mas não fazíamos por onde. E agora eu olho para trás e sinto falta dos momentos bons - daqueles em que não estávamos brigando nem mergulhando no nosso próprio orgulho. Eu sinto falta dos sábados no cinema, dos dias em que passamos a tarde na praia, das nossas conversas infinitas e cheias de esperança, do nosso abraço apertado depois de muito tempo sem se ver.
Eu sinto falta de você. É isso. E eu me pego pensando que eu não recusaria tentar de novo. Pode me chamar de louca ou o que for, mas por mais que tenha doído, eu tentaria de novo. E de novo e de novo. Eu faria tudo novamente com você, porque mesmo com todas as brigas, todas as vezes em que eu quis matar você, todas as reconciliações me fizeram amá-lo cada vez mais. E mesmo que o amor não seja tudo, é por ele que estou aqui agora, às 3:24 da manhã, escrevendo em um papel que arranjei no banco de trás do carro, decidindo se vou ou não deixá-lo na sua caixinha do correio. Se quiser, pode me procurar, podemos conversar. Algo em mim diz que o meu coração está cansado de buscar em outros lugares aquilo que ele só encontrou com você.
Com saudade,
Lua.

N/A: Eu também estava com saudade... Mas era de escrever sobre esses dois, então decidi voltar. A última carta foi em janeiro de 2015, então muita coisa aconteceu desde então. Eles haviam se reconciliado, mas já terminaram tudo de novo, há alguns meses. A partir daí, vou escrevendo alternando a voz de ambos, como já fazia antes. Até a próxima!




Stranger Things


Não é segredo para ninguém que a Netflix está se saindo muito bem no quesito "séries originais": Sense8, Orange Is The New Black, Unbrekable Kimmy Schmidt, House of Cards, dentre incontáveis outras. São um sucesso todas elas e a mais nova não podia ser diferente: Stranger Things estreou dia 15 de julho e antes disso eu já havia assistido ao trailer e estive convicta de que não iria assistir. Não ia de jeito nenhum, pois vi que era sobrenatural demais para mim, com um suspense que talvez não me deixasse dormir à noite de tanto medo. Sim, medo mesmo. A série tem um lado sombrio que eu temi desde antes de ser lançada.
Mas aí um amigo meu, cujo gosto para séries é muito semelhante ao meu, disse que eu devia tentar assistir. Que talvez eu realmente fosse sentir medo, mas que valia a pena. Eu caí na tentação e não consegui parar, pra variar...


"E você não deve gostar das coisas porque as pessoas te dizem para gostar."

Sinopse

"Ambientada em Montauk, Long Island, conta a história de um garoto que desaparece misteriosamente. Enquanto a polícia, a família e os amigos procuram respostas, eles acabam mergulhando em um extraordinário mistério, envolvendo um experimento secreto do governo, forças sobrenaturais e uma garotinha muito, muito estranha."



Eu vi o trailer, vi que a série havia sido lançada. Vi amigos comentando, o Facebook enlouquecendo, até no Snapchat eu vi amigos falando sobre. Não custava nada tentar. À princípio, não tive coragem de assisti-la durante a noite - que é o tempo que eu tenho ficado acordada nestas maravilhosas férias. Não é que dê medo, mas de vez em quando rolam um sustinhos que eu não sei se ficaria bem para assistir de madrugada. Comecei a vê-la durante a tarde e vi os oito episódios direto, sem nem dar tempo de pensar em sair de perto do computador. Já era noite e a minha paranoia já havia diminuído.
Não consigo falar muito sem dar spoilers, mas de uma coisa estejam certos: essa série me prendeu de uma forma que eu não acharia que fosse. Por um momento, achei que seria ficção demais para mim, que eu não gostaria de verdade. Mas o suspense e as dúvidas que se formam na sua cabeça te fazem ficar ali, vidrado, prestando atenção em cada detalhe, querendo mais e mais.

 

Os personagens me cativaram: a menininha, Eleven, estou apaixonada por ela! A pequena Millie Bobby Brown atuou incrivelmente. Não tinha como não amá-la mais a cada segundo e gravar na mente o seu olhar único. Os meninos também são apaixonantes e infinitamente corajosos. E não só por eles estou apaixonada: Joyce, Hopper, Nancy, Jonathan... Você enlouquece junto deles, compreende as suas dores.
A série se passa na década de 80 e eu acho que algo que traz uma peculiaridade à série. Eu adoro esta década, os trajes, as suas particularidades. Isso me fez gostar também dos cenários, da fotografia da série, assim como dos efeitos especiais e de tudo o que eu conseguia ver. Se você gosta de suspense, gosta de uma série que te prenda do início ao fim e ainda entregue para você uma deixa angustiante para uma continuação, dê uma chance para esta. Não vai se arrepender.

 
 Por fim, depois de devorar a primeira temporada, percebi que tive a mesma sensação pós-Sense8: um desejo incondicional pela segunda temporada. Percebi também que o mesmo sentimento de "a próxima temporada precisa me explicar tudo" que eu senti depois de assistir ambas as séries é um sentimento desnecessário. Eu me perguntava sempre "por que isso acontece?", ao invés de perguntar "o que está por vir?". Não tinha parado pra pensar ainda que não devo perguntar o porquê, mas, sim, aceitar que aquilo existe (na série, é claro) e que o que vem sucessivamente é a história em si e não uma explicação do porquê de existi-la. Apesar das duas séries serem bem diferentes, percebi esta forte ligação entre elas: é um mundo de ficção introduzido no mundo real, e não o contrário, como é na maioria das séries. Eu achei isso incrível e por isso 5 luinhas para Stranger Things. E a boa notícia saiu ainda esta semana: a série já foi renovada para sua segunda temporada! Agora é só esperar para enlouquecer mais um pouco.


eu os amo e vou protegê-los.
 


 
É meio desgastante essa coisa de tentar agradar, dar o seu melhor, fazer a coisa certa e querer ser motivo de orgulho e no final só ouvir que você não faz nada direito. Dá uma vontade de fazer tudo errado de uma vez, só pra ser xingado com razão.
—  Vinícius Kretek

Para os que não acreditam em si mesmos,
Eu estive a semana inteira pensando no que lhes dizer. Eu conversei com pessoas, eu ouvi histórias. A verdade é que hoje em dia ninguém consegue parabenizar o outro por suas conquistas. As pessoas só sabem criticar, buscar seus defeitos, destacar seus erros, destilar sua inveja por todo lugar. A especialidade do mundo hoje é colocar você para baixo, dizer-lhe que você é incompetente, que não merece viver em sociedade porque não segue os padrões, porque seus sonhos são grandes demais para alguém como você. Ouvi relatos de pessoas que viveram a vida inteira ouvindo de quem considerava mais importante que elas não eram boas o suficiente. 
Tenho a obrigação de vir aqui para dizê-lo para esquecer tudo isso. Delete tudo, apague de sua memória todas as vezes em que alguém apontou o dedo para você. Esqueça de todas as vezes em que se sentiu inútil, um verdadeiro lixo. Esqueça de quando você achou que não era suficiente, quando suas perspectivas chegaram ao fim. Eu fiz o mesmo. E eu divido minha vida em "quando eu me sentia inútil" e "quando eu passei a acreditar em mim". Aconselho você a fazer o mesmo.
Todas aquelas coisas que você ouviu, todas aquelas vezes em que você chorou no quarto antes de dormir sentindo-se fracassado, devem ser esquecidas a partir de agora. Neste exato momento, se olhe no espelho e veja a pessoa incrível que você é. Veja o quão forte seu corpo é, o quanto você já suportou até aqui. Diga para si mesmo que não irá mais se martirizar por erros do passado. Olhe para frente. O futuro que te espera é tão lindo... Queira fazê-lo valer a pena, ser algo do qual você se orgulhe mais do que tudo. Não deixe que as pessoas ao seu redor digam o que você deve ser e o que deve fazer, não deixe que elas ditem o seu modo de pensar e agir. Você é capaz de tomar suas próprias decisões e elas são boas o suficiente para você.  Ame a si mesmo incondicionalmente antes de querer que alguém o ame o mínimo que for.
Nós temos universos dentro de nós e nunca sabemos o que se passa dentro do outro. Devemos nos amar e devemos compreender que não cabe a nós apontar os defeitos do outro. As nossas derrotas só dizem respeito a nós mesmos e devemos respeitar a queda do outro. Acima de tudo, devemos confiar em nós mesmos. Podemos ter milhares de amigos, uma família compreensível, um amor sincero, recíproco e para a vida inteira; mas, nos piores momentos, somente nós saberemos como lidar com a nossa própria dor. E, por isso mesmo, somente nós podemos achar que não fomos bons o suficiente - mesmo que na maioria das vezes o nosso pessimismo maquie isso. 
Acredite em si. Não tenha medo da sua capacidade. Não crie limitações para si. Creia que você pode ir longe, porque você pode, e se permita errar. Só assim podemos recomeçar e fazer do jeito certo. Você é muito melhor do que dizem e deve fazer de tudo para ser alguém melhor a cada dia. E saiba que eu torço por você.

Nota: Eu sei que tu tens coisas boas aí dentro; só precisavas de alguém que te lembrasse disso.





O armário estava abarrotado de roupas. Precisava de um novo. Já estava imaginando que meus casacos de tricô devem está desfiados. Tudo havia se resumido em uma eterna bagunça.
Entre minhas calcinhas haviam cuecas. Os sapatos tiveram que dá espaço para tênis e sapatênis. Os cremes e perfumes se somaram com relógios e remédios.
Agora esvaziava uma gaveta para roupinhas azuis e com estampas de super-herói. O espaço que sempre fora grande demais para mim estava começando a ficar pequeno demais. Sempre havia sido meio sozinha, voltando para casa, fazendo a comida, escrevendo até o meio da madrugada e indo dormindo. Agora tenho alguém 24 horas comigo. E outro alguém que está roncando do meu lado toda noite.
E em pensar que já pensei que seria sozinha para todo o sempre. Agora aqui, sentada no chão, no meio das minhas blusas de tricô, acabei puxando o fio de uma e descosturando um bom pedaço. Percebi que era meio que aquilo que havia acontecido na minha vida. Tinha começado com apenas uma ponta solta, fui trançando várias outras e agora estou descosturando e montando uma nova. E tudo passou em um piscar de olhos.
Observo a casa que consegui com tanto esforço e penso que tenho que deixá-la ir e adquirir um novo lar. Tenho que comprar novas roupas, um novo armário e um berço. É bom e ruim perceber que cheguei nos trintas e as responsabilidades só parecem aumentar.
Em pensar que uma das minhas metas de vida era dormir pelo menos 8 horas por dia.




Eu sei exatamente o que é estar à beira de um abismo e sentir uma linha tênue abaixo dos seus pés, prestes a se partir, deixando você cair. Eu sei porque milhões de vezes eu me ponho neste lugar, brincando com a vida como se fosse um jogo o qual eu sempre posso manipular para ganhar - mesmo sabendo que no último jogo, eu vou acabar perdendo. Estar nesta beirada é ter poder nas minhas escolhas. Eu sei porque eu estou aqui agora mesmo. Olhar lá para baixo e me sentir aqui em cima é saber o que eu quero para a minha vida. É querer mais do que tudo pular, pois metaforicamente tudo já está caindo antes de mim, mas saber que eu não posso fazer isso. 
Estar ali, também é crer em mim. É crer que eu posso me dar uma segunda chance, que aquilo pode ser um recomeço para mim, que basta o abismo dentro de mim do qual eu caio todos os dias. Eu me afasto da beirada. Não por medo da queda ou de altura. Afasto-me por medo de mim mesma. E se, em um súbito, eu decido pular? Quantas coisas eu amenizaria, quantas coisas eu mudaria aqui, dentro de mim? E o engraçado é que eu saí de casa disposta a pular. Eu saí tão confiante e certa de que o faria que eu já até me envergonho do meu medo agora. Eu queria ir, não queria? Por que simplesmente não consigo agora?
Mas eu devo confessar que, por mais estranho que pareça ser, estar na pontinha deste abismo me traz uma sensação incrível de autocontrole. Outras milhões de pessoas podem achar que estou ali pronta para pular; eu acho que estou ali tendo controle sobre o meu próprio corpo, sã de minhas atitudes, portanto, decido não pular. Sou dona dos meus próprios pés. Eu mesma decido o que fazer com eles. Entretanto, também confesso que isso tudo que eu acabei de dizer neste parágrafo é só mais uma forma de mentir para mim mesma. A quem eu quero enganar? Eu só tenho medo. Sou orgulhosa demais para admitir que tenho medo de ir, pois outros abismos dos quais pulei já me levaram à caminhos que jamais gostaria de voltar. Não sei se neste eu posso confiar, muito embora me pareça muito seguro lá embaixo. É convidativo, tem um cheiro gostoso e um abraço do qual eu nunca gostaria de sair.
O meu maior abismo é amar você.



Namorado de Aluguel

Autora: Kasie West
Editora: Verus
Número de páginas: 252
Narração: 1ª pessoa
Título original: The Fill-In Boyfriend

Eu li este livro em dois dias e decidi que não ia fazer uma resenha sobre, pois eu estava convicta de que ele não havia feito nenhum efeito na minha vida. Mas no primeiro dia após lê-lo, eu não conseguia tirá-lo da cabeça. Os pensamentos que ele me provocara pós-leitura foram suficientes para me convencer a escrever sobre.
Li no Kindle (e encontrei-o enquanto passeava pelas páginas do LeLivros) e foi uma leitura leve e feliz. Depois de ler a sinopse, esperava algo meio The Wedding Date (ou "Muito Bem Acompanhada"), um dos meus filmes favoritos, em que a mulher viaja para o casamento da irmã e decide contratar um cara (por sinal, muito lindo) para se passar por seu namorado, desejando fazer ciúmes ao ex-namorado e provar para a família que não é tão encalhada assim. E o livro em questão realmente tem um pouco disso, provar para as pessoas algo que a personagem queria que as pessoas pensassem dela.
Mas esteja certo: ele transborda drama adolescente. A leitura é rápida, como se fosse um digno Paula Pimenta ou Thalita Rebouças. As coisas vão fluindo e rapidamente vão acontecendo. Ele me influencia a escrever centenas de crônicas, pois milhões de metáforas me vieram à cabeça enquanto eu o lia.

Sinopse

"Quando Bradley, o namorado de Gia Montgomery, termina com ela no estacionamento do baile de formatura, ela precisa pensar rápido. Afinal, ela vem  falando dele para suas amigas há meses. Esta era para ser a noite em que ela provaria que ele não é uma invenção de sua cabeça. Então, quando vê um garoto esperando pela irmã no estacionamento do baile, Gia o recruta para ajudá-la. A tarefa é simples: passar por namorado dela - apenas duas horas, nenhum compromisso, algumas mentirinhas. Depois disso, ela pode tentar reconquistar o verdadeiro Bradley.
O problema é que, alguns dias depois do baile, não é em Bradley que Gia está pensando, mas no substituto. Aquele cujo nome ela nem sabe. Mas localizá-lo não significa que o relacionamento de mentira deles acabou. Gia deve um favor a esse cara, e a irmã dele tem a solução perfeita: a festa de formatura da ex-namorada dele - apenas três horas, nenhum compromisso, algumas mentirinhas. 
E, justamente quando Gia começa a se perguntar se pode transformar seu namorado falso em real, Bradley reaparece, expondo sua farsa e ameaçando destruir suas amizades e seu novo relacionamento. 
Inteligente e maravilhosamente romântico, Namorado de aluguel retrata a jornada inesperada de uma garota para encontrar o amor - e possivelmente até a si mesma."

Gia é uma menina comum. Está no auge da adolescência, com todos os conflitos interno e existencialismos acontecendo ao mesmo tempo depois do estopim: o verdadeiro Bradley termina com ela antes de entrarem no baile e antes que ela pudesse provar para todas as amigas que, sim, ela tinha um namorado e, sim, ele era um cara lindo e que já estava na faculdade. Foi ali que ela se viu em desespero. E como resultado de seu desespero, ela acaba convencendo um cara totalmente desconhecido a ser um dublê de Bradley só por aquela noite, que ela até pagaria por isso. Ia tudo bem, até aquela noite chegar ao fim e pelos próximos dias ela não conseguir tirar o dublê da cabeça.
Milhões de dúvidas surgem em sua cabeça, uma confusão de identidade, um mergulho em mentiras com as quais a protagonista se viu obrigada a lidar devido, principalmente, a uma de suas "melhores" amigas, Jules - uma garota que buscava incessantemente tirar Gia de seu caminho.
Dentre descobertas sobre si mesma, Gia começa a questionar também o modo como sua família age, a forma como sua mãe está sempre impecável e como seus pais sempre aceitam e perdoam os erros dos filhos sem fazer muito alarde quanto a isso; ela questiona o fato da família sempre aparentar ser perfeita, mas por dentro, ter suas falhas. Até então, a sua futilidade não alertava para esse tipo de coisa, mas passou a conhecer pessoas que abriram seus olhos para isso.

"Tudo e todos têm uma história, Gia. Quando você aprende essas histórias, você aprende experiências que te preenchem, que expandem seu conhecimento. Você adiciona camadas à sua alma."

No decorrer da história, você percebe a busca incessante da personagem por tirar de si a superficialidade na qual ela viveu por tantos anos. Há um querer por si conhecer e mostrar realmente aos outros quem ela é, pois percebe que nem sua amiga mais próxima a conhece de verdade. Tem a pressão da superficialidade de outras pessoas em cima dela e a sua vontade de se libertar disso. Ela não quer que se passem 10 anos e ela seja lembrada simplesmente por ser lembrada; quer ser lembrada por ter feito algo importante, por significar de fato algo na vida das pessoas, por ter a sua própria e incrível história. 
Apesar de que eu jamais ficaria desesperada para provar para alguém quaisquer coisas, eu identifico na Gia todos os conflitos que eu também tenho em mim. Eu também me preocupo com que história eu vou deixar, também me preocupo com o que eu reflito na vida dos outros. E eu também sei mais do que ninguém que as pessoas certas não estão onde procuramos; elas apenas aparecem no momento certo e nos lugares mais importunos. 
Essa não foi uma experiência literária que mudou minha vida, mas ela pôs em palavras boa parte do que eu sinto por ser adolescente. Não é forçado, não é muito longe daquilo que realmente vivemos. É a nossa cabeça, nossos medos e inseguranças, nossos conflitos. Somos nós. 

" - Isso não faz parte da adolescência? Descobrir quem somos? Quem queremos ser?"




Tenho para mim que agora que entrei nesta onda de séries, vai ser difícil sair dela. E a Netflix, por sua vez, tem feito um ótimo papel no que diz respeito a me apresentar novas séries a cada espacinho que encontro no meu tempo corrido de "ensino mediana". A escolhida da vez e que, em uma semana, me fez assistir duas temporadas inteiras e me enlouquecer a cada nova loucura inventada nesta série. Vamos falar sobre Hawaii Five-0?

Hawaii Five-0


Sinopse

"Uma equipe policial que tem carta branca da governadora do Havaí e pode fazer o que for preciso para capturar os maiores criminosos do estado: a nova versão do Hawaii Five-0 ainda traz a mesma premissa de seu predecessor. A série original foi ao ar na televisão americana entre 1968 e 1980, e fez grande sucesso com o público, chegando ao total de 279 episódios distribuídos por 12 temporadas. A nova série do século XXI acompanha as investigações de Steve McGarrett, um oficial da marinha que teve seu pai morto, e que voltou ao Havaí para enterrá-lo. A pedido da governadora, ele passa a liderar uma equipe especial de força-tarefa que tem a missão de diminuir a criminalidade na ilha de Honolulu. Assim, Steve também pode liderar a busca pelo assassino de seu pai. Para cumprir suas investigações, MacGarrett, um detetive durão e de métodos questionáveis, conta com a ajuda de Danny Williams, um policial que recentemente se mudou para o Havaí para ficar mais próximo de sua filha. McGarrett e Williams são opostos um do outro em todos os aspectos, e a sua parceria improvável é que termina garantindo o sucesso das missões. A equipe ainda conta com o detetive Chi Ho Kelly, que havia sido afastado da polícia por denúncias falsas de corrupção, e agora tem uma nova oportunidade de atuar na área que mais gosta: caçando criminosos. Integrando a força-tarefa, também está sua prima, Kono Kalakaua, uma bela havaiana e recém-formada policial." (Fonte: Minha Série)

Eu confesso que estava procurando por uma série policial com um pouco de romance. Confesso também que não esperava que fosse gostar tanto de Hawaii Five-0! A série, em seu início, nos apresenta toda a sua problemática, no intuito de nos prender aos episódios, e de acordo com que os acontecimentos vão gerando outros conflitos, você não consegue parar de assistir até que tudo esteja solucionado - o que responde-se por, basicamente, nunca.



Nesta saga imensa que desencadeia diversos segredos escondidos em cada partezinha da série, chega um momento em que você não consegue confiar nem em si mesmo enquanto assiste. Você só sabe que a confiança é forte e existe entre os 4 principais da Equipe 5-0. E, ainda maior, você percebe a confiança entre Danny e Steve, uma confiança maior e mais sincera do que a que existe entre dois irmãos de sangue. Eles criaram um laço que, sinceramente, eu invejo. Danny daria sua vida para salvar a de Steve, e vice versa. E isso torna as relações pessoais dentro da série ainda melhores.



Há uma série de coisas a serem desvendadas durante a série. São perguntas e mais perguntas que surgem ao longo de uma temporada (que sempre traz um tema específico, uma busca dos principais) e até mesmo dos episódios (com diversos casos). Eu jamais diria que uma ilha poderia ter tantos crimes e outros problemas sendo cometidos dentro dela.
Estou assistindo aos poucos (já que as férias me permitem assistir várias séries simultaneamente) e algumas coisas já começam a ser explicadas. Algumas perguntas, inclusive, eu mesma respondo, faço minhas teorias e fico encantada com esta brechinha dada pela série, nos permitindo fantasiar certas coisas, sem que tenhamos as respostas ao nosso dispor sempre. Certo que isso é ruim às vezes, mas agora mesmo, tem sido maravilhoso conspirar contra alguns personagens,  apontar culpados e comemorar quando descobrimos desde o princípio quem foi o assassino de determinado caso, por exemplo.



De qualquer maneira, Hawaii Five-0 é daquele tipo de série que você tira para assistir uma temporada inteira se tiver vontade, pois ela dá a você o que é necessário para prendê-lo: ação na dose certa.




Para os que tiveram um ponto final,
Eu entendo a sua dor. É, às vezes nós precisamos ler ou ouvir isso de algum lugar. Eu entendo a sua dor. Eu sei que você ficou sem reação e sentiu seus pés afundarem cada vez mais no chão quando a viu indo embora depois de dizer que sabia que vocês não tinham mais jeito. Eu sei que você chorou como uma criancinha quando ele disse que achava que vocês não tinham mais futuro juntos. Eu sei que você quis morrer naquele instante em que tudo acabou, simplesmente porque não se via mais sem aquela pessoa. Mas eu sei também que você sabe que isso é momentâneo. Você sabe que essa dor de luto vai passar, que o fim desse relacionamento pode até trazer coisas boas para você. Eu sei que naquele instante, a sua maior vontade foi correr e segurar aquela pessoa, obrigando-a a ficar com você, do seu lado para sempre. Você quis isso, mais do que qualquer outra coisa no mundo, mas sabia que não podia fazer nada. Ela havia decidido ir embora, mesmo que um dia desses vocês tivessem conversado e decidido juntos que iriam tentar. E você não pode negar que vocês tentaram; não se sabe da outra pessoa, mas você fez de tudo para listar inúmeras vezes os motivos pelos quais você ama aquela pessoa. Sim, ama, no presente, porque mesmo que as coisas já não estivessem tão boas, o que vocês sabiam um sobre o outro e a convivência diária fizera com que surgisse o amor, de forma sublime e silenciosa. O amor está ali, gasto, surrado e cansado, mas está. E está ali para tentar fazer vocês recomeçarem, darem uma nova chance para si mesmos. 
Mas aí ele ou ela viu que não tinha como continuar. Ele ou ela descobriu que era hora de ir para casa e "casa" já não significava mais o seu abraço. As diferenças já eram grandes demais para suportar. Não havia mais espaço para ele ou ela respirar e você sabia disso, mas não sabia como dar esse espaço. Você não sabia o que fazer para fazer aquela pessoa ficar e nem sabia se queria mesmo que ela ficasse. Pode ser que ele ou ela tenha ido embora, mas talvez isso era uma coisa que você queria fazer, só não tinha coragem ou estava acostumado com aquela vida que tinham e achava que devia focar nela, mantê-la ali, como estava. E você deve admitir que aquilo que ele ou ela fez exigiu muita coragem. Aquilo os obrigou a quebrar laços fortes que vocês criaram juntos, de mãos dadas. E de repente, esses laços se desataram, as correntes que ligavam ambos se quebraram e mesmo que a última palavra tenha sido do outro, talvez você que tivesse sido o que sentiu mais alívio, mesmo que tenha doído mais no orgulho. Você deixou o outro ir, pois sabia que não tinha o direito de prendê-lo ali. Você o deixou ir, porque queria que se fosse com você, ele também tivesse lhe dado essa liberdade. Apesar dos pesares, indiretamente, este fim foi de comum acordo - porque caso contrário, é claro, você estaria agora mesmo na porta da casa dele ou dela, implorando para voltar. 
O alívio veio porque você queria aquilo. Você queria ir embora, mas não conseguia. Você o viu indo embora e mesmo que quisesse segura-lo em um primeiro momento, no segundo você queria o deixar ir de fato. Você quis dar a ele ou ela as asas que queria para si mesmo. Você até prometeu em seu subconsciente que se a vida decidisse fazê-los se reencontrar, você seria ainda mais grato. Mas, por ora, só o que pode fazer é ser grato pelo ponto final, mas não vendo-o como literalmente foi: um fim abrupto daquilo que você jurava que duraria a eternidade; mas, sim, como todos os fins devem ser encarados: liberdade. Não que relacionamentos devem ser privados, que você deve ser preso àquela pessoa e fim de papo. Mas é uma liberdade de espírito, uma leveza, uma chance de se reinventar. Uma liberdade que tira de você pessoas que talvez pesassem sobre o seu corpo e coração e fizessem você ser aquela pessoa repleta de aspectos negativos. Liberdade para mudar; a casa, a aparência, o pensamento, o coração. A liberdade que dá a você o que você mais queria, só não tinha certeza: tempo para se reconstruir e se redescobrir. 
E da forma que existem diversos tipos de relacionamentos, também existem os diversos tipos de término. Muito embora isso, você pode tirar as partes boas de todos eles. A sua experiência, o seu aprendizado e as coisas boas que vocês cultivaram juntos ficarão para sempre na sua memória. Pode ser que o tempo passe e você ainda ame aquela pessoa e sofra todos os dias de saudade daquela convivência que vocês tinham. Mas também pode ser que você olhe para trás e agradeça por ter vivido aquilo e por estar no passado, pois só assim para aprender de fato como lidar com o que está por vir - mas essa parte nós deixamos para outra carta.

Nota: Gostaríamos que todas as pessoas do mundo que acreditam que encontraram o amor de suas vidas estejam certos quanto a isso. Mas também gostaríamos que, se calhar de haver alguém errado, esse alguém possa ver o fim como um recomeço para si e torcer para que seja feliz, assim como a outra pessoa que se foi. Que haja tudo, menos o medo de se entregar e de ir quando preciso for. E se for para ir, vá com a certeza de que não irá voltar. 



Uma carta sobre amor, que passou a ser sobre saudade, mas que no fim acaba (como sempre) sendo sobre ele.


Fortaleza, 06 de julho de 2016 - 02h18min. 
Querido amor,
Já é tarde, mas eu não consigo dormir sem escrever a você. Perdoe-e por mais uma carta. Mas é que eu, que achei que sabia de tudo, que já tinha experimentado o bastante e podia escrever um manual de instruções sobre a vida, me peguei descobrindo coisas sobre mim que nem sabia que existia quando me vi ao seu lado.
Foi quando você chegou e me abraçou que eu pude perceber que nada no mundo era mais confortante que aquilo, porque no seu abraço eu encontro o meu eu perdido sem você, porque no seu abraço eu sinto o seu coração batendo forte e vejo o quanto isso que nós temos é real, o quanto você é real, o quanto esse contato carnal me é essencial. Mas o mais incrível é descobrir, quando estou dentro do seu abraço, que o contato carnal não é o mais importante. Encontrar-me com sua alma, senti-la feliz por estar perto de mim e sentir o calor que emana dos seus braços naquele instante são o que importa. 
Foi quando você me beijou que eu pude sentir tudo formigar. Dos pés a cabeça, eu não me reconhecia. Eu era outra pessoa, uma versão de mim que ninguém além de você conhecia ou poderia conhecer. Era uma versão melhor de mim, a melhor que eu já pude ser, porque eu tinha você com a boca colada na minha e o corpo o mais perto possível. Eu descobri ali que o seu beijo é capaz de me revigorar, me carregar, me criar, me consertar, me construir, como também é capaz de me recarregar, recriar e reconstruir inteira em apenas um tocar de lábios. 
Foi quando você se despediu, abraçando-me e beijando-me, que eu percebi a tamanha saudade que eu iria sentir pelos próximos dias sem vê-lo. Eu senti um vazio gigantesco, uma falta absurda, como se você fosse a minha droga e eu estivesse abstinente. Mas ao contrário das outras drogas, você é um vício que me faz bem e eu não quero moderar em seu uso, muito menos me abster ou privar de você. Pelos próximos dias, eu me senti a pior pessoa do universo. Sentia o meu corpo corroer a si próprio, a saudade percorrer meu corpo dos pés à cabeça simplesmente porque não tinha suas mãos ou seus beijos ou seu cheiro por perto. Eu senti falta do seu amparo, do seu carinho em minha mão, dos seus beijos espalhados pelo rosto, das suas mãos, do seu sorriso acanhado (mas que é o mais lindo do mundo), do seu olhar concentrado (que me encara e me deixa desconcertada) e do modo como me faz rir.
Senti falta da sua presença como nunca senti de outro alguém, já imaginando que a qualquer momento eu podia quase que literalmente perder o controle sobre mim. Eu me vi em dias horríveis sem poder vê-lo e essa distância só acabava comigo a cada instante mais. Só ouvir sua voz pelo telefone ou reler os diversos poemas que me escreveu já não ajudavam mais. E eu, que sempre achei que conseguiria, me vi incapaz de enganar a saudade com todas aquelas nossas lembranças juntos, fotos, poemas e ligações. A saudade não se permitia mais ser enganada por mim e resolveu se vingar por todas as vezes em que eu tentei burla-la. 
E eu estou aqui, escrevendo para você, porque já até se tornou corriqueiro e chato você me ouvindo dizer que estou com saudades. E você mesmo já deve ter cansado de me dizer isso. Hoje, eu chorei enquanto pensava em nosso reencontro. Imaginei mil e uma coisas que podíamos fazer quando nos víssemos de novo, mas depois descartei todas elas. Quis, por fim, somente ficar ao seu lado, sentindo sua respiração batendo contra o meu rosto, dizendo-lhe repetidas vezes o quanto eu o amo e implorando ao tempo que ele seja eterno, que não corra enquanto estivermos juntos. 
Sei que você sabe, mas não posso deixar de dizer: eu sinto sua falta. E eu o amo muito. Não se esqueça nunca disso. 
Dorme bem hoje. E sempre. Enquanto eu não puder garantir com minhas próprias mãos que isso aconteça, se esforce, por mim. 
Um beijo da sua
Luz.