Não existe um manual dizendo como se despedir. Não existe um manual que diga o quão difícil é ficar longe, o quanto machuca ir embora.
A maioria das vezes, pensamos o quão legal será morar sozinha, ir fazer intercambio em algum país dos sonhos. Só que nunca pensamos no bendito "adeus". No que diremos ao caminhar em direção ao check-in do aeroporto, ou quando começarmos a mobiliar a própria casa. Quando tudo tiver escuro, vai bater a saudade. Você não ouvirá o barulho das conversas malucas da sua vó, ou mesmo as frases desconexas ditas pela sua mãe no meio da noite. Todo mundo fala de como deve ser bom ter um lugar para chamar de seu, para fazer o que quiser, mesmo que seja as 3 da manhã. Mas não entramos no detalhe da saudade e como nos sentimos sós quando o travesseiro e os lençóis são os nossos únicos companheiros, e não há ninguém para espantar os monstros da nossa imaginação. É, afinal, não somos mais crianças, temos que enfrentar o mundo, montar nossa própria história. Nossa própria família. É quando deixamos de dá ''adeus'' e começamos a oferecer um ''bem-vindo'', à novas pessoas e novas coisas, como um namorado ou namorada, um filho, um cachorro e até mesmo algo material que esteve esperando por um bom tempo.
É difícil partir, seja para outro livro, ou para um novo relacionamento, pois nos apegamos muito fácil, e simplesmente não há como remover algo de nós com um estalar de dedos. Então se fomos pensar, nossa vida é como uma história cheia de derivados, onde cometemos o mesmo erro centenas de vezes e dissemos que não vamos errar mais. Onde escutamos música às 6 da manhã e passamos a repetir todos os versos o dia todo. Quando constantemente sonhamos com outra vida e outras pessoas, porque às vezes queremos ser diferente, poder trilhar um caminho novo, nascer em outro país, mudar de nome, ser simplesmente outra pessoa. E voltamos ao dito "crescer", onde percebemos que podemos realmente fazer tudo isso, mesmo com as contas para pagar e o trabalho. Jogamos tudo para cima e dizemos adeus a quem eramos, mesmo que seja só para pintar o cabelo ou começar a vida em outra cidade por conta do trabalho. Sim, não existe um manual sobre se despedir, pois cada um sente algo diferente, seja ruim ou bom, afinal, cada um tem a sua própria história e definitivamente nunca saberemos o que passa na cabeça do outro para decretar regras para a vida.

                                                           
                                                                           


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