Eu quase tive uma arma apontada para a minha cabeça. Pegaram o meu celular e foram embora. Eu fiquei ali, parada, não acreditando no que tinha acabado de acontecer. Posso parecer muito corajosa e uma pessoa que tem opinião forte, - e eu realmente tenho - , mas não tenho um pingo de coragem. Não vou bater boca com ninguém armado ou que eu ache que está, eu sempre posso ser estuprada, assassinada, alguém da minha família sofrer. E pode não parecer, por essa minha capa de revoltada, que fala de tudo, como se fosse realmente da esquerda, - e não querendo generalizar, pois tem muitos da direita que são - , mas grande parte deles não acredita em Deus ou tem dúvidas, e eu por outro lado tenho muita fé, daquelas que fala nem que seja um pouquinho todos os dias com o cara lá de cima. E na minha visão ele é quem decide quando a hora de alguém chega, não qualquer pessoa que passa na rua, nunca nem te viu, nem conhece sua história, seus planos para o futuro e simplesmente tira a sua vida, seja por um celular de 600 reais ou uma carteira. Uma vida por acaso tem valor?
É ridículo estarmos reféns disso, e há horas que queremos que os direitos humanos vá para o espaço e enfiarmos balas na cara daqueles que só nos aprisionam. Mas então, quem somos nós para julgar o prazo de vida de alguém? Eu nem quero me meter nisso, pois é muito relativo e de cada um. Porém,
acho muito mais produtível alguém passar o resto da vida só do que levar um tiro na testa, pronto, acabou. Quem vai pagar os pecados daquele na realidade vai ser a família.
As pessoas são muito mal educadas, e não falo de educação acadêmica, digo no geral. Todo mundo gosta de meter o dedo na vida dos outros, batendo e agredindo como se isso fosse ser melhor, cometendo pequenas corrupções todos os dias. Seja por esse bixinho maléfico que está presente em cada um dia de nós, que nos torna capaz de fazer absurdos em situações extremas. É por mentirmos para nós mesmos, dizendo que tá tudo tranquilo, e completar com uma música besta, como se a cada passo dado que damos fora de casa não fosse uma virada de cabeça, um andado mais rápido. É o medo que milhares de mulheres sentem quando saem de casa de manhã cedo e voltam ao entardecer ou a noite, de ser violada, de ser imprensada na parede e alguém nunca visto passar a mão nos seios, na intimidade e simplesmente se enfiar no corpo de outro ser, por simplesmente querer, por simplesmente ser louco e não ter respeito por si próprio. É ver as pernas sangrando e saber que aquilo será um trauma para a vida toda.
Há bombas sendo lançadas e criadas a todo momento, os países criando grandes lacunas entre si, sorrindo para foto, mas com uma arma apontando na realidade.
Eu quero o direito de viver. Viver em paz e não ter que esconder meu celular no sutiã toda vez que eu for almoçar fora. Ver minha vó conversar com a vizinha no portão e não ter nenhum medo. Poder ir para os lugares e realmente aproveitar. Pelo menos é o que quero para mim e pros meus futuros filhos.
A arma está de novo quase sendo apontada na minha cabeça. Eu entrego o celular. Mas no fim eu durmo tranquila, eu continuo tentando ser feliz, pois sei que não fiz nada de errado, e essas pessoas que tentam roubar nossas vidas, nunca serão felizes de fato.



Nota: Sim, eu realmente fui assaltada. E acredito que estava na hora da nossa menina agir novamente. Sinceramente eu tô bem cansada de toda essa violência, e nós que vivemos no Brasil sabemos muito bem como é isso, por isso que eu não julgo quem diz que preferiria morar em outro país, pois eu também sou uma delas. Não é falta de patriotismo. Eu amo meu país, mas aqui aos poucos está virando um campo de guerra. 





                                                                 


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