O armário estava abarrotado de roupas. Precisava de um novo. Já estava imaginando que meus casacos de tricô devem está desfiados. Tudo havia se resumido em uma eterna bagunça.
Entre minhas calcinhas haviam cuecas. Os sapatos tiveram que dá espaço para tênis e sapatênis. Os cremes e perfumes se somaram com relógios e remédios.
Agora esvaziava uma gaveta para roupinhas azuis e com estampas de super-herói. O espaço que sempre fora grande demais para mim estava começando a ficar pequeno demais. Sempre havia sido meio sozinha, voltando para casa, fazendo a comida, escrevendo até o meio da madrugada e indo dormindo. Agora tenho alguém 24 horas comigo. E outro alguém que está roncando do meu lado toda noite.
E em pensar que já pensei que seria sozinha para todo o sempre. Agora aqui, sentada no chão, no meio das minhas blusas de tricô, acabei puxando o fio de uma e descosturando um bom pedaço. Percebi que era meio que aquilo que havia acontecido na minha vida. Tinha começado com apenas uma ponta solta, fui trançando várias outras e agora estou descosturando e montando uma nova. E tudo passou em um piscar de olhos.
Observo a casa que consegui com tanto esforço e penso que tenho que deixá-la ir e adquirir um novo lar. Tenho que comprar novas roupas, um novo armário e um berço. É bom e ruim perceber que cheguei nos trintas e as responsabilidades só parecem aumentar.
Em pensar que uma das minhas metas de vida era dormir pelo menos 8 horas por dia.



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