Talvez você não saiba, mas "eu te amo" não é a única forma de demonstrar o que se sente. Aquele seu amigo que mandou você ouvir uma música, uma música específica e especial, com certeza quer algo mais do que a sua amizade, e você só pode ser muito idiota de não ter percebido a cada verso da canção. Aquele dia em que seu pai deixou de ver o filme que ele tanto queria para ir assistir com você um longa adolescente, que você sabia que ele dormiria antes de chegar no meio do filme, mas ele foi, perguntou sobre o assunto e ainda fingiu se interessar. Aquele buquê de flores de aniversário, que continham as suas flores favoritas e você não ligou muito, pois não curte este tipo de presente. Aquele abraço que ele te deu, aquele ele, e que foi tão bom que você não queria largar de jeito nenhum mesmo que após isso o silêncio tenha constrangido tudo, tinha mais amor do que muita gente por aí. 
       Eu sempre preferi as ações. Minha memória fotográfica é boa, mas palavras eu esqueço rápido e logo, logo todas as declarações vão parar no buraco negro da minha cabeça e é como se não tivesse acontecido nada. Mas ações são tão memoráveis para mim, ficam tão gravadas no meu cérebro que eu chego até a pensar se isso é bom ou ruim - bom, por poder lembrar disso sempre, e ruim, pelo mesmo motivo -; é como se elas estivessem gravadas em um lugar tão especial, tão intocável, que independente do que a pessoa possa fazer depois daquilo, eu ainda vou lembrar do que de bom ela fez, ainda vou pensar nos bons momentos.
       Se eu pudesse ter um poder (que não fosse tão sobrenatural quanto, por exemplo, invisibilidade), escolheria poder ler as pessoas. Eu sei que isso não é algo impossível, e que algumas pessoas até conseguem com uma habilidade absurda que me deixa impressionada e assustada, mas eu realmente gostaria de saber o que a pessoa está sentindo só de olhar para ela. Acho que isso facilitaria muito as coisas, pois apesar de que hoje eu tenha este pensamento de que atitude é mais importante do que palavras jogadas ao vento, antigamente eu já sofri demais, querendo ouvir o que desejava ouvir, mas não conseguia simplesmente enxergar as coisas ao meu redor, e pessoas que diziam o que queriam sem usar a própria voz. Seja através da música, através de um filme, de um abraço, um sorriso de repente... Tudo isso pode ser interpretado de mil e uma formas diferentes, e confesso que antes eu achava simplesmente que eram coisas frívolas, sem nenhum valor real.
       E foi querendo ouvir demais que eu acabei percebendo onde estava errando. Foi querendo ouvir demais que eu me magoei, que chorei sem escrúpulos e me vi naquele momento em que nos olhamos no espelho e sentimos a obrigação de dizer a nós mesmos: "está na hora de mudar". Então, uma dica que dou e que eu mesma tento seguir: ao invés de querer que outros digam o que você quer ouvir, e que isso seja exatamente como você deseja, silencie um pouco e tente escutar o coração do outro, pois talvez ele possa estar aos prantos e você nem mesmo se dá ao trabalho de ouvir.

Nota: Gosto de fazer textos após alguma observação que fiz em algum longo período, e a de hoje em conjunto com o momento me inspiraram isso. Espero que gostem e até a próxima!


Deixe um comentário