Aviso desde já que a história é verdadeira. Ou, para melhor entendimento do leitor, é baseada em fatos reais. Sim, realmente aconteceu. Ao ler o título, você deve estar idealizando uma crônica, talvez, mas não. Não invento fatos, ou ao menos brinco com as palavras. Tudo o que aqui está escrito realmente passou pela minha cabeça no exato momento em que aconteceu.
Por Letícia Lobo.

21 de Dezembro de 2013, ás 19:00 hrs.

Como é conhecimento de alguns, estou passando as férias em São Paulo, em uma cidade do ABC Paulista - São Bernardo do Campo. E muito próximo á casa de minha tia, há um shopping. São Bernardo Plaza, se é que me recordo. E hoje, resolvemos simplesmente ir á Saraiva mais próxima, pegar um livro qualquer, comprá-lo e lê-lo. Sim, exatamente como eu disse, impulsivamente. Mas quando chegamos lá, decidimos escolher com mais calma. 
Neste momento acontece a perda.
Com "As Vantagens de ser Invisível" e "Cidades de Papel" em mãos, eu falava com minha tia, contando a ela sobre minha dúvida entre os livros. Ela segurava o "Manual Prático de Bons Modos em Livrarias" e "O Tempo e o Vento", compartilhando comigo a sua dúvida também. Eu me distanciei, para pegar outro livro que a capa me chamou a atenção, e ela sem querer deixou cair um papel que estava pendurado na capa de "O Tempo e o Vento", informando que o livro continha volumes 1 e 2. Ela disse:
- Ô Lê - assim que todos me chamam, no meio familiar. - Pega aqui esse papel para mim, por favor.
Havia um garoto entre nós. De primeira, não o olhei com tanta atenção. Mas depois notei. Tinha em torno de 14 e 16 anos. Mas não era desses comuns que se vê por todo lado. Não usava boné de aba reta, ou qualquer tênis sneaker que se possa imaginar. Ele era mais para o lado mauricinho, e se vestia bem até. Como parte do quesito mauricinho, ele também é muito cavalheiro. Abaixou-se, pegou o papel, e entregou a minha tia por enquanto que eu ia em direção ao chão para pegá-lo. Nos levantamos.
- Oh, obrigada. - Eu e minha tia dissemos em coro. Minha tia virou-se de costas, e o garoto começou a sorrir olhando para meu delineador puxado e minha tiara com orelhas de gatinho.
Minha tia voltou-se para mim, e antes que o garoto pudesse dizer qualquer coisa, eu virei-me para ela, o ignorando. Ela o olhou, sorriu fraco, e começou a comentar comigo que havia achado o livro "O Lado Bom da Vida", o qual eu também estava procurando. 
Saímos da Saraiva. Eu portando minha nova compra, "Cidades de Papel", e ela a sua, "O Tempo e o Vento". Fomos lanchar, e no meio do lanche, eu comentei:
- As pessoas olham para mim, e eu imagino que elas devem pensar: "Nossa, o que essa menina tem na cabeça? Literalmente!" - Ela riu, e comentou.
- Bom, sabe aquele garoto na Saraiva? Ele tentou puxar assunto com você, e você nem deu bola para ele. - Eu ri, sem graça, e um pouco confusa. 
- O quê? - Perguntei, ainda rindo.
- Sim, aquele garoto, tipo, 16 anos mais ou menos... Ele pegou o papel. Você deu as costas para ele, e ele fez até uma cara tristinha.
Droga! Pensei na hora. Mas que droga eu acabei de fazer?! 
- Ele olhou para você, depois que levantou - ela continuou. - Ele deve ter gostado da sua tiara, e pensou: "Ela é bonita e gosta de livros, vou tentar", mas você o ignorou completamente.
A cada palavra que ela dizia, eu me sentia ainda mais envergonhada. Disfarcei minha cara, sabendo que eu não sabia onde enfiá-la, e sotei um "é claro que não", e em seguida mudei de assunto.
Moral da História para Mim: Da próxima vez que um garoto sorrir para mim em uma livraria, perguntarei a ele até seu RG. 



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