Eu estava voltando para casa, na noite solitária. Me sentia sozinha na rua, apesar de estar acompanhada dele. Ele que vem me acompanhando por todo esse tempo, mas que agora parece estar pouco se importando comigo. Nós andávamos, voltando para casa, do que deveria ter sido um jantar romântico á luz de velas, e se transformou em mais um noite de ironias e confusões. Ele já não é mais o mesmo de dois anos atrás. Nosso namoro ficou cansativo. Virou rotina. Eu odeio rotina. 
          Olho para o céu, e vejo que está perfeitamente contemplado com um batalhão de estrelas. Elas pareciam me encarar, assim como eu fazia com elas. Por um momento, me senti engolida por elas. Parecia que não existia nada, só eu e elas. Ele sumiu ali, para mim pouco importava sua presença. Ele agia dessa forma quando estava com os amigos. Então, eu comecei a sonhar. Eu imaginava que podia voar. E, se pudesse, iria para bem longe. Ali, onde eu encontrasse as estrelas. Procuraria por lugares os quais eu poderia me refugiar. Buscaria saber o real significado do amor. Ah, se eu pudesse voar... Estaria á quilômetros e quilômetros daqui.
          Agora eu tento entender por que estou com ele. Qual o motivo de me prender áquilo? Admito, eu o larguei um pouco. O deixei de lado para focar em outras coisas, e acabei esquecendo que ele é meu complemento. Nesse momento, eu me xingo cruelmente por achar que existe isso de "metade da laranja". Bom, na verdade, não existe. Mas, sim, existe aquela pessoa que se encaixa á você. Não te obriga a abrir mão de nada, mas te faz perceber que ela abriria mão de tudo por ti. E foi aí que voltei a vida real. Analisei um namorado um pouco assustado com meu estado, em transe. Eu pego sua mão, e lhe olho nos olhos. Sou quase capaz de ver através deles: Belos olhos cinzentos pelos quais me apaixonei, sou apaixonada e irei me apaixonar cada vez mais, a cada dia. Toco seu rosto, e digo: 
- Pode me prometer uma coisa? 
          E ele diz, confuso:
- Sim, é claro. 
- Promete nunca me largar? - Pergunto, mais como afirmação do que interrogação. 
          Ele aproxima-se, sorri fraco. Olha para cima e diz: 
- Se um dia eu te deixar, o que não pretendo que seja tão cedo, será por que eu estarei em meio ás estrelas, olhando por você e esperando por ti lá em cima. 
          Sorrio. Sorrio e pego sua outra mão, lhe dando um breve beijo. Em seguida, voltamos á nossa caminhada, e eu volto a encarar o céu. As estrelas voltam a me fitar e recomeço meus pensamentos. Ah, se eu pudesse voar... Não importa. Eu voltaria para ele de qualquer jeito. 

Nota da Autora: Acho que vocês já devem ter percebido minha paixão pelas estrelas. Sou perdidamente e incondicionalmente apaixonada por elas. E pensei em escrever esse texto enquanto voltava para casa a pé, olhando essas maravilhosas luminosidades. Coloquei a música por que acho que combina com o texto. xoxo,


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