É extremamente vazio. Não sei se irei me acostumar. Acordei as 7 horas, bati a mão do outro lado da cama e lembrei: "Você se foi". As lágrimas brotavam tímidas em meus olhos e lembrei de sorrir, começar um novo dia sem me martirizar. Então, ia escovar os dentes, a sua escova ainda se encontra enroscada a minha, todos os cremes de barbear dispostos sobre a bancada da pia assim como seu colírio. As mãos tremiam e sorri novamente, afundei-me no jato rápido do chuveiro, todas as lembranças consumiram-me. Você é tão lindo, com um sorriso tão gentil e aquela covinha funda bem no meio da sua bochecha. Incontáveis vezes tu sorriu para mim nesse mesmo box do banheiro pequeno, mas tão nosso, onde jogava água sobre os meus cabelos e lavava minhas costas e eu lavava as suas, como um perfeito casal de velhos.
Fechei o chuveiro e ao invés de pegar a minha toalha, enrolei-me na sua, sentindo o tecido felpudo que lhe envolveu por tanto tempo. Abri as portas do closet e vi todos os seus ternos e blusas com estampas de HQs e Star Wars em uma bagunça organizada como sempre gostou de dizer. Ao invés de por minha roupa para trabalhar, acabei caçando uma blusa sua com disseres matemáticos que nunca entendi, mas era sempre assim: você com seus cálculos, eu com a poesia. Você é minha poesia favorita, com cada pedacinho seu como pequenos versos, com um tom calmo e ao mesmo tempo muito risonho. Você é todo risonho, exagerado demais, enchendo o sorriso com todos os dentes mesmo que fosse algo singelo. Você nunca foi aquele que sorria com a boca colada uma na hora, essa sempre fui eu, afinal, demorei um tempo para corrigir os meus dentes, já os seus eram perfeitos desde sempre, talvez tenha sido ele que me conquistou quando nos conhecemos no meio de uma festa da faculdade, onde tu foi a salvação dentre todos aqueles bêbados.
Passei a mão por sua coleção de relógios e agarrei seu perfume favorito, preenchendo a casa e a mim com o seu cheiro.
Joguei-me na cama com o notebook sobre as penas, olhando as notícias do dia e já começando a escrever minha crônica. Olhar para o lado foi inevitável, você sempre estava lá dando palpites desnecessários. Sorri, até eles faziam falta.
Balancei a cabeça, permitindo meu coração se afogar de saudade tua e a mente chorar de descontamento, sentindo falta de montar frases sarcásticas para sua incansável curiosidade.
No fundo, o que fazia real falta era de como todos os dias me sentia bonita e especial a cada vez que o teu olhar batia com o meu, ou te encontrava apreciando alguma curva minha. Para alguém que não se amava antes, tu deu todos os caminhos certos. Nos esbarramos nele, nos ajustamos nele, encontrado o real bonito em nosso desajuste. Sem querer me tornei depende da tua voz, e não sabia seguir sem teu direcionamento, sempre me perdi sem ti.


Nota: Bem, fiz esse texto a pedido da Letícia Vieira, espero que a senhorita goste, e claro, todos os leitores também. O texto ficou meio meloso? Ficou. Mas isso acontece quando começo do zero e a minha cabeça parece um balão cheio de gás. Espero voltar em breve com mais conteúdo para vocês. Desculpem qualquer erro. Beijos


                                                                              





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