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Esta fora uma das minhas primeiras leituras de 2017, e eu tenho aproveitado bastante este mês de janeiro pra ler o máximo que posso, já que o terceiro e último ano do ensino médio começa logo, logo pra mim e eu não vou ter tempo nem de viver. Mas foco, força e fé.
Peguei Suzy e as águas-vivas porque vi várias pessoas falando sobre e eu achei o resumo da história convidativo. É notável que ultimamente os livros infanto-juvenis todos são ligados a uma criança/um adolescente problemático: ou possui alguma doença, ou a família é desestruturada, ou passou por alguma situação que a marcou para o resto da vida. Estes livros têm feito os adolescentes refletirem muito mais sobre a vida hoje, sobre os planos que têm para o agora e o depois. E sobre ter coragem, principalmente, de aceitar que algumas coisas simplesmente acontecem.

Suzy e as águas-vivas

Autora: Ali Benjamin
Editora: Versus Editora
Número de páginas: 222
Narração: 1ª pessoa
Título original: The Thing About Jellyfish

Às vezes, quando nos sentimos mais solitários, o mundo decide se abrir de formas mágicas.

Sinopse

"Suzy Swanson está quase certa do real motivo da morte de Franny Jackson. Todos dizem que não há como ter certeza, que algumas coisas simplesmente acontecem. Mas Suzy sabe que deve haver uma explicação - uma explicação científica - para que Franny tenha se afogado.
Assombrada pela perda de sua ex-melhor amiga - e pelo momento final e terrível entre elas -, Suzy se refugia no mundo silencioso de sua imaginação. Convencida de que a morte de Franny foi causada pela ferroada de uma água-viva, ela cria um plano para provar a verdade, mesmo que isso signifique viajar ao outro lado do mundo... sozinha. Enquanto se prepara, Suzy descobre coisas surpreendentes sobre o universo - e encontra amor e esperança bem mais perto do que ela imaginava.
Este romance dolorosamente sensível explora o momento crucial na vida de cada um de nós, quando percebemos pela primeira vez que nem todas as histórias têm final feliz... Mas que novas aventuras estão esperando para florescer, às vezes bem à nossa frente."

Logo de cara, preciso confessar que a melhor parte do livro foi conhecer Suzy. Uma menina de 12 anos que me fez querer voltar pra essa idade para ter a mesma cabeça que a dela, os mesmos questionamentos, as mesmas descobertas. Suzy é diferente das demais crianças/pré-adolescentes pelo simples e ao mesmo tempo complexo fato de ter uma visão de mundo diferente até mesmo de pessoas adultas. Suzy tem uma percepção aguçada de coisas simples, um olhar curioso e inteligente que para alguns é esquisito, mas para mim, incrível é pouco pra descrever.

"Sempre que penso nesses dois dias, nesse espaço entre o dia em que você se foi para sempre e o dia em que eu fiquei sabendo, penso nas estrelas. Você sabia que a luz da estrela mais próxima de nós leva quatro anos para nos alcançar? O que significa que, quando a vemos, quando vemos qualquer estrela, na verdade estamos vendo como ela era no passado. Todas aquelas luzes cintilantes, cada estrela no céu, pode já ter se apagado anos atrás. Todo o céu noturno poderia estar vazio neste exato momento e nós nem saberíamos." (página 17)

A menina acaba de perder a melhor amiga de infância. Depois que cresceram, elas acabaram se distanciando, mas ao longo do livro, se percebe o quanto aquela amizade foi sincera e o quão Suzy é diferente de qualquer outra criança no que diz respeito àquela percepção. 
O livro começa com Suzy tendo este "estalo", a primeira vez em que ela levanta a hipótese de que Franny não morreu afogada, mas que uma água-viva causou a sua morte. A partir disso, as pesquisas começam: Suzy fica até um tanto quanto obcecada com o estudo sobre águas-vivas; estuda as espécies, estuda o crescimento quantitativo do animal, as causas e consequências da sua quantidade abundante no mar; busca por nomes importantes neste estudo, procura saber sobre pessoas que, assim como ela, possuem essa curiosidade incomum a respeito das águas-vivas que, para outras pessoas, são animais indiferentes na natureza. Suzy procura até por alguém, um especialista, com quem possa conversar e pesquisar sobre isso. Decide-se por um pesquisador australiano, Jamie Seymour, e tem a convicção de que será ele quem vai ajudá-la a comprovar sua teoria: Franny foi morta por uma água-viva. E, por isso, decide organizar sua viagem para o outro lado do mundo.

"A questão é que temos muitas poucas chances de consertar algo, de fazer as coisas ficarem certas. Quando uma dessas oportunidades aparece, não se pode ficar pensando demais. É preciso segurá-la e agarrar-se a ela com toda força, por mais paf paf* que ela possa parecer." (página 45) *parafuso solto, forma como Franny chamaria.

Isso tudo acontece ao mesmo passo em que ela pratica o não-falar, que é o ato de silenciar simplesmente por não querer praticar o falar à toa, que é uma coisa que muitos fazem. E nesse silêncio, Suzy me intriga praticamente do início ao fim do livro; não fosse a narração em primeira pessoa, talvez eu enlouqueceria.
Este não-falar complica tudo, uma vez que os pais dela estão preocupados de todas as formas com o luto da menina. E por isso, a história me fez também ter uma noção de que o luto é sentido de diferentes formas por todas as pessoas...E para Suzy, é uma visão muito clara sobre tudo. 

"É interessante como não-palavras podem ser melhores do que palavras. O silêncio pode dizer mais que o barulho, da mesma maneira que a ausência de uma pessoa pode ocupar ainda mais espaço do que sua presença ocupava." (página 181)

É um livro sobre luto, sobre esperança, aventura, e até reconhecimento sobre si mesmo e sobre o mundo em que está. Suzy nos faz acreditar em suas teorias, em seu jeito de ver o mundo, mesmo que isso nos faça embarcar na aventura e imaginação de alguém com 12 anos.  Ela é tão convicta, tão certa do que pensa e do que sabe, que acreditamos, de fato, em suas certezas e até passamos a pensar como ela - apesar de que o não-falar me incomodou muito, de verdade; se eu fosse a mãe dela, precisaria de uma psicóloga pra mim também.
O livro é bem escrito, levando em conta que o eu-lírico é um pré-adolescente, e as constatações - os pesquisadores da águas-vivas, as informações sobre o animal e os nomes mencionados como referências - são todas reais. A autora fez uma vasta pesquisa antes de escrever o livro, estava tão fascinada quanto Suzy com as águas-vivas, e depois de ter o seu artigo recusado por editores de uma revista, o livro surgiu - de acordo com a autora, "nasceu de um fracasso". E eu me apaixonei por todos os personagens: Suzy, pais de Suzy, irmão e namorado dele, os novos amigos que Suzy faz, e principalmente a professora de ciências, a sra. Turton, que certamente influenciou muito na tão brilhante mente da menina.
A narração conta com alguns flashbacks da menina, nos proporcionando entendimento em torno do conflito entre as duas amigas, e é uma leitura rápida e que preencheu meu coração de "ufa" depois de tantas angústias ao longo do livro. Amo Suzy e para sempre vou protegê-la.

"E é quando me dou conta: tudo está prestes a mudar. Tudo está prestes a ficar enrolado, da pior maneira possível. Penso em meu cabelo, nos cachos com os quais eu luto todas as manhãs. Já passei muitas horas da minha vida tentando pentear cachos embaraçados. Mas, por mais cuidado que eu tenha em separá-los, eles ficam cada vez mais entrelaçados. Eles se prendem uns aos outros da pior maneira, até ficar impossível consertá-los. Às vezes não há nada a fazer, além de pegar uma tesoura e cortar o nó. Mas como se corta um nó formado por pessoas?" (página 68)




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