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Até então, o meu livro favorito de 2017 não pode deixar de estar aqui de maneira alguma! Enrolei demais para ler e não há arrependimento maior do que esse dentre os que eu sinto diariamente. Nós precisamos falar sobre este livro, sobre esta mulher que tem ganhado cada vez mais o meu coração. Já fiz uma resenha no blog sobre o primeiro livro que li dela (Eleanor & Park) e não achava que este iria me surpreender tanto. Acabou se tornando o meu preferido.

Anexos

Autora: Rainbow Rowell
Editora: Novo Século
Número de páginas: 219 
Narração: 3ª pessoa (capítulos completos de e-mails)

"Oi, eu sou o cara que lê seus e-mails, e, sabe, eu amo você..."

Sinopse

"Beth Fremont e Jennifer Scribner-Snyder sabem que alguém está monitorando seus e-mails de trabalho. (Todo mundo na redação sabe. É politica da empresa.) Mas elas não conseguem levar isso tão a sério, e continuam trocando e-mails intermináveis e infinitamente hilariantes, discutindo cada aspecto de suas vidas. Enquanto isso, Lincoln O'Neill não consegue acreditar que este é agora o seu trabalho - ler os e-mails de outras pessoas. Quando ele se candidatou para ser "agente de segurança da internet", se imaginou construindo firewalls e desmascarando hackers - e não escrevendo um relatório toda vez que uma mensagem esportiva vinha acompanhada de uma piada suja. Quando Lincoln se depara com as mensagens de Beth e Jennifer, ele sabe que deveria denunciá-las. Mas ele não consegue deixar de se divertir e se cativar por suas histórias. No momento em que Lincoln percebe que esta se apaixonando por Beth, é tarde demais para se apresentar. Afinal, o que ele diria...?

"- (...) Ninguém se casa com seu primeiro amor. O primeiro amor é só isso: o primeiro. Está implícito que algo vai vir depois." (capítulo 36)

Eu enrolei muito para ler (2016 inteiro, sendo específica) e não sei dizer exatamente o porquê. Mas o arrependimento eu sei justificar pelo simples fato do livro ser maravilhoso. Sério. Eu não tô nem medindo palavras pra dizer isso. Devorei o livro em um dia e meio, e só porque tive que parar para fazer outras coisas - tipo viver em sociedade
Basicamente, o livro tem os seus capítulos alternados entre os e-mails de Jennifer e Beth (que é o único meio pelo qual sabemos o que se passa na vida delas), jornalistas do The Courier, e capítulos narrados em terceira pessoa mostrando o lado de Lincoln, a vida dele, o apego da mãe, os poucos  e bons amigos que tem, as histórias sobre o último relacionamento que teve e todo o processo no seu trabalho, do primeiro dia até o momento em que se vê apaixonado por Beth.

"- Eu te conheceria no escuro - disse ele. - A mil quilômetros de distância. Não há nada em que você pudesse se transformar por que eu já não tivesse me apaixonado." (capítulo 36) *Lincoln sobre a ex-namorada.

O único empecilho - além do fato constrangedor de que Lincoln lê os e-mails delas há bastante tempo e nem sequer sabe como são seus rostos - é que Beth namora. E conta muito sobre ele em seus e-mails. Desde o princípio, Lincoln sempre a achou engraçada, divertida e inteligente, o que já o encantava. Até o dia em que Beth o viu pela redação e passou a chamá-lo nos e-mails como Meu Cara Fofo. É muito interessante, inclusive, a forma como isso é abordado: ela namora, é comprometida, Jennifer não a deixa esquecer disso um só segundo, mas continua o chamando de fofo e até entra em uma obsessão de o seguir às vezes pelo trabalho ou do cinema até em casa, por exemplo. 
Gosto da forma como a escritora faz dar certo o tempo em que o e-mail foi enviado e o tempo em que Lincoln o leu. O livro se passa entre 1999 e 2000, o que significa que eles passam pelo grande bug do milênio - que eu confesso que não fazia ideia do que era, já que eu nasci em 2000, então tive que dar uma pesquisada pra conseguir entender do que se tratava -, que foi basicamente o fato de que os sistemas antigos desenvolvidos no século XX guardavam e interpretavam as datas com 2 dígitos no ano, e quando o dia virasse para o primeiro de janeiro de 2000, os softwares identificariam como se fosse 1900 (devido ao 00 dos dois últimos dígitos). Por conta disso, foi necessário trocar os softwares de todas as máquinas, mas a tecnologia da época não garantia 100% que isso daria certo, então foi preocupante para todos que trabalhavam com computadores a chance de perder seus arquivos armazenados etc. E visto que Lincoln trabalha exatamente com isso no jornal, é um ponto muito lembrado durante o livro (o que eu gosto também, porque a escritora lembrou desse ponto, desse marco na história, sem ignorar a cronologia do enredo). 

"Não era atingindo o fundo do poço que você se obrigava a colocar algum juízo na cabeça? Não era o fundo do poço que te mostrava qual era o caminho para cima?" (capítulo 62)

Diferente de Eleanor & Park, o livro possui um tom que me fez rir do início ao fim, um humor inteligente por parte das personagens principais e algumas tiradas que eu achei muito, muito engraçadas. É um livro com personagens adultos, em um mundo adulto - exceto quando aparecem flashbacks de Lincoln na faculdade com sua ex-namorada -, com diálogos adultos, mas que eu recomendo para todo mundo. Também trata de situações como a decisão de se formar uma família, complexidades de uma vida que já passa dos 25 anos e angústias de quem ainda não encontrou aquele que seria o seu rumo certo pra tocar a vida.
Particularmente, achei um livro incrível, uma abordagem muito boa em torno do ser adulto e, além de tudo, muito divertido, uma leitura que te faz suspirar de amor e respirar fundo depois de rir tanto. Até me deu vontade de ler os outros da Rainbow porque eu certamente me apaixonei pela escrita e pela forma como ela consegue se diversificar nas mais variadas temáticas na construção de seus livros. Indico, e indico muito, para todas as idades. Até a próxima!

"- Você acredita em amor à primeira vista? // Ele se esforçou a olhar para o rosto dela, para seus olhos bem abertos e a testa ansiosa. Para sua boca insuportavelmente doce. // - Não sei - disse ele. - Você acredita em amor antes disso?" (capítulo 88)


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