Ainda lembro do abraço da primeira vez em que te vi. Lembro de quando te pedi pra ficar mais um pouco, pra sentir se aquilo era mesmo real. Lembro de ter te mandado áudio só pra te insinuar a fazer o mesmo pra eu poder ouvir tua voz e me tranquilizar. Eu lembro de ter te amado, mesmo sem saber ainda o que era aquilo, e de ter querido mais do que tudo que durasse. Que fosse firme. Que aguentasse a tempestades. 
Lembro do carinho na mão que a gente fazia um no outro no nosso cantinho. Lembro de me apaixonar todo dia pelo teu sorriso, pelo jeito que desviava o olhar quando eu te encarava - o que eu fazia sempre - e de ter o teu cheiro em mim e ser a pessoa mais feliz e boba do mundo por isso. Eu lembro de revirar os olhos para todo mundo que queria opinar no que nós tínhamos. Lembro da conversa boba, de falar qualquer coisa, de mandar letras de músicas e de mandar fotos de coisas que lembravam um ao outro. Pode parecer loucura, mas eu lembro de cada filme que escolhemos no cinema para não-assistir. Lembro de querer te levar pra casa em todas as vezes que tivemos que nos despedir. Lembro de sonhar contigo, de te querer perto, de ser convicta de que só você bastava para ser feliz.
Mas eu não fui o suficiente pra você. E agora eu entendo que realmente não era pra ser. Um dia eu acreditei que o problema era todo comigo, que o fato de você não ter ficado era culpa minha. E mesmo depois, quando eu já sabia que não, que eu não tinha culpa alguma por você não ter conseguido me amar - e depois de gastar horas e horas te escrevendo poesias, cartas que você nunca leria, procurando de todas as formas saber de você e ficar ali em vão, tendo a certeza de que não te teria de volta -, você acabava voltando. Você sempre voltou pra mim, mesmo que indiretamente. Voltava em sonho ou nas músicas que eu voltei a ouvir. Voltava nas poesias que eu encontrava pelo meu quarto e que tinham sido feitas por você. Voltava na foto que eu encontrava em uma pasta perdida no meu computador e que me fazia lembrar de tudo. Mesmo sem saber, você voltava.
Só que agora voltou de vez. Não de vez, mas fisicamente. É a tua forma mais presente que pode estar aqui agora, me dizendo para tentarmos de novo, mas dessa vez, de uma forma diferente. O nosso amor mais profundo não era pra ter acontecido, você me disse. E ali eu não entendi completamente o que queria dizer, mas depois percebi que você só me queria por perto, mas não da forma como meu coração pedia. Eu disse que poderíamos nos dar esta chance. Disse que também queria tentar. Mas não sei mais até que ponto eu consigo. Não sei o tanto de força que eu consigo ter para suportar. Ainda estou ponderando o que mais dói: te perder de novo ou te ter por perto. 
E de todas as listas que já me peguei fazendo de prós e contras pra você ficar, encabeça o lado de "motivos para tê-lo aqui" o meu medo de não suportar te ver partir de novo, porque algo em mim, uma parte profunda, quase silenciosa, mas que arranja alguns jeitinhos de se comunicar, me diz que é bom poder perguntar se você está bem, mesmo que você me prive de certas coisas e acabe dizendo "está tudo ótimo", ainda que não esteja. É bom também ter você se preocupando, me procurando, não tendo que perguntar pra outros ou pedindo para que terceiros me digam algo que você quer dizer. É bom finalmente ter respostas para todas as minhas perguntas e saber que se mais alguma surgir, você poderá responder.
Em segundo lugar na lista, escrevi "ele sempre volta". E por isso, eu decido que fica, pra evitar esse vai e vem. Não adianta te tirar de vez se mesmo sem saber você dá um jeito de voltar. E não adianta ir contra o meu próprio coração se ele é bicho teimoso e, de qualquer maneira, arranja um jeito de te puxar de volta.
Independente do fim para o nosso amor, é bom te ter por perto outra vez.



Deixe um comentário