Só quero que as pessoas entendam que a minha dor de cabeça não é passageira; que estou há mais de uma hora parada, olhando pro nada, apenas tentando parar de pensar na causa disso tudo. Eu só não me conformo com a forma como as pessoas conseguem ser tão egoístas ao ponto de querer recolher coisas do passado para infernizar o presente; e que qualquer forma com que me peçam, eu não pedirei perdão. E os outros podem me chamar do que quiserem: boba, rancorosa, infantil. Mas eu já me arrependi. Eu já me desculpei por um erro meu que assumi e que quis me retratar. Contudo, se o egoísmo fora maior do que o não-querer de ficar só, eu não posso fazer mais nada. Eu não sou feita de ferro pra ficar intacta quando algo me afeta de tal forma, como também não sou tão tola ao ponto de aceitar tudo o que me pedem. Por isso, eu não posso mais.
          Tenho sentido dores que não deveria. Tenho chorado, preocupada se a culpa é minha, quando na verdade eu canso de chega à conclusão de que eu sou mesmo muito burra por sentir dor de cabeça por algo que não merece nem um terço da atenção que dou. E acontece que eu odeio esse sentimento de obrigação. Odeio quando me obrigam a fazer qualquer coisa, que dirá pedir perdão. Pedir perdão de novo. Pedir perdão por uma coisa que, hoje, eu já não sinto tanto arrependimento. Às vezes, acho que as pessoas merecem realmente ouvir o que não querem para, de vez em quando, perceber as burrices que andam fazendo. Existe muito aquela questão de "cada um cuida da sua vida"e que, obviamente, cada um sabe das atitudes que toma. Mas e quando essas atitudes passam a mexer com outros? E quando o que você fala, o que você faz e o que você é simplesmente passa a ser incômodo para todos? Continuar com isso não seria um ato de egoísmo? Ok, eu posso estar sendo babaca demais dizendo essas coisas. O que tem a ver se incomodar com a vida do outro, não é verdade? Só que quando há amizade no meio, ou somente os resquícios dela, tudo saí dos trilhos, desanda. 
          Aceito que é tolice me preocupar tanto. Pus na cabeça que não vou me desculpar novamente. Seria muito ridículo, num nível de humilhação que nem sei como explicar. Sei que errei, mas não fui a única. Sei que quem pede desculpas são aqueles que mais possuem conhecimento em relação a vida, mas, sendo assim, prefiro continuar com a minha mesma sabedoria de sempre. Os meus princípios dizem que eu não devo pedir por perdão mais uma vez, não sendo a pessoa que ela é, não sendo aquele tipo de caráter que tenho abominado. Se for pra conviver com a dor, convivo. Se for pra viver com esse assunto indo e voltando à minha vida, tudo bem. Me pedem para virar a página, mas uma hora ou outra irão perceber que buscar coisas no passado é o jeito mais fácil de dizer que tudo o que se vive é uma grande hipocrisia. Por mim, tudo bem. Contanto que essas dores do além passem e que eu possa viver bem. 
- May, 14.
Nota: Às vezes, pedir perdão é uma das coisas mais difíceis a se fazer. E quando se faz e não se é lembrado por isso, é ainda pior. A dor do rancor e a própria raiva criada pela suposta "vítima" são suficientes para tornar tudo ainda mais difícil, trazendo consigo dores de cabeça e outras indescritíveis. Até o próximo diário.



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