Seu cabelo vermelho derramava-se pelo travesseiro. Seus olhos permaneciam fechados. Respirava devagar, como se tivesse todo o tempo do mundo para viver. Um sorriso preguiçoso brotava no canto de seus lábios. Uma lágrima teimosa insistia em se espalhar por sua face.
Minha boça se abriu, mas não havia voz. 
- Não diga nada. - outra lágrima derramou-se pela sua pele alva. E toda aquela aura de felicidade foi-se embora.
Havia sido a última noite. Não tínhamos todo o tempo do mundo. 
Voltei-me a descansar o corpo sobre o colchão quente. Respirando descompassamente. Segurei sua mão gelada, levando-a aos meus lábios, como uma promessa não-dita. Fechei meus olhos, fazendo aquilo ser apenas um sonho ruim. Encostei minha cabeça em seu colo, sentindo suas mãos pequenas acariciarem meus cabelos. Podia dali ouvir seus batimentos rápidos, sua respiração pesada, e ali, percebi que no fim valia a pena. Lutar por alguém. Ter alguém esperando de volta. Ter para quem voltar. Essa sensação de pertencer a algum lugar, encheu meu corpo com uma pequena esperança, a outra parte ainda gritava, tamanha era a dor.
- Não me prometa nada. - sua voz sussurrou baixinho, enquanto suas mãos agora apertavam minhas costas, fazendo um pedindo mudo para não atender seu pedido, e prometer que estaria em breve de volta em casa. A apertei mais contra mim, minha voz tinha me abandonado. Subi minha cabeça ao alcance da sua, tomando-a pelos lábios, a reivindicando pela última vez. Enxuguei as lágrimas teimosas, sorrindo pela última vez, levando meus lábios as pequenas sardas que haviam em sua testa.
Levantei-me da cama, saindo rapidamente do quarto, escutando apenas o seu grito grave.
Meu único desejo era poder voltar. 




                                                                           


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