Então, eu me fiz de silêncio. Mas não um silêncio perturbador e estranho, muito menos daquele que incomoda todos em volta. Me fiz um silêncio calmo e que só incomodasse á mim. Um silêncio não melancólico, mas sombrio, de forma que só eu pudesse ser afetada pela minha própria escuridão. Me fiz de escuro, pra combinar. Me calei e me escondi para não tivesse quem no mundo pudesse me encontrar. E depois eu quis fugir. Quis me jogar da janela por descobrir que o principal problema da minha vida inteira não passa de um conflito amoroso. Foi quando eu resolvi me fazer de silêncio.
Me fiz de silêncio porque ele é barulho. Me fiz de escuridão porque só o sorriso dele já consegue ser a luz da minha vida inteira. Me fiz sozinha, fugindo dos meus próprios pensamentos ou pessoas que pudessem pôr coisas na minha mente porque ele próprio poderia me convencer de voltar a ser dele. E isso não pode acontecer. Procurei maneiras menos dolorosas de se acabar com isso tudo. Vi que não teria jeito e cortei o mal pela raiz. Comecei a ser o total oposto do que ele era para que ele pudesse desaparecer do que eu sou, da minha vida, pois percebi que o que nos juntou fora nossas infinitas semelhanças. 
Isso tudo já faz uns meses. E desde que eu percebi que ele já estava em outra, o meu medo aumentou, a minha escuridão se prolongou e o meu silêncio passou a perturbar. Não que eu sentisse falta, ou que estivesse chateada por ele estar com outra pessoa. Ele estava com outra pessoa e sendo feliz, é fato. Contudo, as minhas aversões á ele me impediram de dizê-lo tudo o que eu devia. E hoje, vivo engasgada com todas aquelas borboletas que antes habitavam meu estômago. Meu mp3 está pausado numa lista de reprodução que me fazem chorar no metrô, no caminho de casa pra escola, da escola pra casa. Eu sinto a sua falta e eu não sei se é certo dizer aquele clichê de "não vivo sem você". Mas eu bem que preferia ter você aqui pra te dizer mais uma vez que eu sinto falta, e a falta que você me faz não é daquelas de me causar nostalgias e sorrisos repentinos. A saudade me pega pelo braço e me ensina a dançar a valsa da solidão.

N/A: Que atire a primeira pedra quem nunca sentiu falta de algo, alguém. Eu sou tão suspeita pra falar de amor, tão errada pra falar de sentimentos, e ainda me atrevo a escrever sobre saudade. Não sei... Vez ou outra, satisfeita com o resultado, resolvo mostrar para o mundo sentimentos que tenho guardados em mim. Talvez um dia isso sirva de alguma coisa. xoxo,



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