Aquela era a terceira garota que eu saia em dois dias, sei, não sou o exemplo de melhor cara. Continuando, ela parece até interessante, tem uns peitos legais e ela fica exibindo-os para mim, - como se aquilo fizesse diferença, se bem que faz - mas assim como as duas garotas que eu sai nesses dois dias, ela é só uma garota, nunca vai ser ela
Ta, eu sei que isso é extremamente clichê e chato. Da onde já se viu, um homem negar pelos pares peitos por causa de uma menina que tinha embarcado para o outro lado do mundo, não pensando duas vezes antes de dizer "sim"?
Sorrio, tentando passar o máximo de simpatia para loira-peituda-que-não-para-de-falar. E incrivelmente ela não sai da minha cabeça. Agora eu sorrio com a lembraça daquela menina de 4 anos, com os cabelos pretos, chorando por causa de um machucado no joelho. Eu devia ter uns 5 anos, me lembro que o sangue saia do joelho dela e eu sentia nojo, mas não sei como, mesmo com aquele nojo todo, fui ajudar-lá, tentando focar só no seu rosto, como se o machucado fosse passar algum tipo de vírus. Cara, mesmo como os meus 5 anos, o que eu senti se igualou a sensação de receber um kit de carrinhos - pelo menos foi o que eu senti, naquela época -. Ela era a única garota da minha idade, que não tinha todos aqueles frufuzinhos, que conseguia ser ela, como ela consegue ser até hoje, não se deixando levar pela alienação do mundo, como eu me deixei levar. 
Nós somos ou éramos dois malucos, que acabaram estudando em escolas diferentes, logicamente com pessoas diferentes, amores diferentes - eu, particularmente, não gosto dessa parte -,  mas sabe, aquela sensação de lar que eu sentia desde os meus 5 anos prevaleceu, a inocência de beijar os cabelos da minha amiga, só por beijar, só por querer cuidar dela e, mesmo não sabendo, amando-a e isso não tinha importância alguma, era apenas natural. 
Ela continuava para mim com aquela lembrança antiga e tão presente, de nós dois brincando, derrubando tudo, nossas mães gritando. Essas lembranças - por mais gay que isso soe - acabam comigo. Não há peituda-que-queira-me-apresentar-seus-peitos, que me faça esqueça-la por 10 minutos, pois não há como esquecer alguém que esteve presente em todos as fases da sua vida e simplesmente se vai. 
Olhei para os olhos da menina a minha frente e me senti mal, eu só seria uma distração, por mais que ela soubesse disso, não merecia isso, eu não merecia isso. Sussurrei um "desculpe" e sai dali, recebendo a chuva fraca sobre o meu corpo. É, por fim, era melhor ficar só. 


Nota: Olá, adormecidas. Apresento para vocês ''Lembranças de nós dois'' - sei, o nome não é um dos melhores-, que a partir de hoje é um novo quadro do blog. Espero que gostem e que se identifiquem com os personagens.




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