Aos que temem algo,
        eu lhes entendo e sei o quanto é difícil viver no mundo de hoje. Sei o quanto dói viver sob um sentimento que nos atormenta e que é difícil de expôr. É um sentimento capaz de lhe privar dos maiores prazeres da vida, e a custa de quê? Admiro os que têm a capacidade de enfrentar esse grande vilão da história. Esses que conseguem ser mais fortes do que o próprio medo, e não necessariamente tiram ele de suas vidas, mas que aprendem a viver com esse pesadelo. E do medo que falo, não me refiro apenas ao que envolve perigo, adrenalina e força de vontade. Mas, também e principalmente, aquele que nos atormenta noites e noites antes de dormir, que nos faz chorar, que nos prende e aperta o coração de tanta dor. Eu estou falando do meu medo, do meu maior medo: ficar sozinha.
        Sim, meus caros, eu temo a solidão. Por mais que muitas vezes eu prefira ficar só, mesmo que eu sempre queira ficar em meu silêncio precioso, eu morro de medo de ser sozinha pro resto da vida. Eu odeio a solidão de corpo, odeio a falta que uma pessoa faz, a pessoa certa. Eu temo que eu não seja boa o suficiente para ter alguém, ou que ninguém seja ruim o suficiente para ter que me aturar. Tenho medo de ficar sozinha e essa é a maior verdade que eu posso lhes dizer. A solidão me espanta, assim como os males que ela traz. E esse medo só será enfrentado no dia que eu souber, que eu tiver a certeza de que não ficarei sozinha, de que terei alguém pra ficar comigo para todo o sempre, para me aturar, para cuidar de mim e para me aceitar como eu sou.
        Por todos os medos que eu sinto, eu respeito quem também sente - e isso inclui os que têm medo de um inseto até aos que temem a morte. A definição de dicionário diz que o medo trata-se de uma perturbação angustiosa perante um risco ou uma ameaça real ou imaginária, e a primeira forma de encará-lo é aceitando que se tem medo. Eu aceito, sempre aceitei. E sei que isso não é tudo, mas é um primeiro passo. Eu dei um primeiro passo para a minha eternidade sem medos, sem o principal medo. O que eu quero dizer é que agora eu estou muito mais feliz, agora que aceitei que tenho medo. Agora, eu sinto que posso viver, mesmo sabendo que o medo, em algum momento, irá me privar de algo bom. Mas eu jamais deixarei que o medo me impeça de sorrir, de ser feliz, de ser eu mesma. Jamais mudarei meu jeito, minha vida, por causa dessa perturbação.
        O medo é comum, mas isso não significa que sejamos obrigados a viver com ele, morar com ele, dormir e acordar com isso em nossas mentes nos obrigando a fazer coisas que não nos convém. Entenda, querido, que o medo trava nossas pernas nos nossos principais momentos de liberdade e que se não enfrentarmos isso, é aquela tipica questão de agora ou nunca: uma hora você vai ter que fazer, e vai ter que ser pra valer. O medo deriva de tantas coisas; é como se ele fosse o fruto de todos os nossos sentimentos, esses que temos medo de perder. Admito, morar com a incerteza é horrível, é como se cada passo dado fosse calculado por ter medo de cair, por ter medo de errar e não poder voltar atrás. Mas, sabe... A vida são os nossos frequentes erros e medos, quando formulamos quem somos e nos conhecemos de verdade. Viver com medo não é a melhor das coisas, mas esse me faz pensar que é preciso viver cada segundo como se fosse o último. Ter medo é só mais uma etapa da vida que deve ser concluída com sucesso; serve para saber que temos limites, ás vezes criados por nós mesmos, e que devemos respeitar esses limites. Só assim, passando por cada etapa, poderemos viver de verdade. E você, quais são seus medos?


N/A: Com essa primeira carta, damos início a mais um "quadro" aqui no blog, semanal. Traremos textos em formatos de cartas para determinados tipos de pessoas, e esperamos receber temas, opiniões, críticas e comentários pessoais sobre cada tema. A carta - que foi e sempre serão escritas pelas duas postadoras - de hoje foi sobre medo, e gostamos muito de falar sobre isso que nos assombra tanto. É isso, até a próxima.


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