Fortaleza, 7 de julho de 2015.
                Excelentíssimo senhor leitor,
            Eu não sou fã de heróis ou ficção científica, como são aquelas garotas que se passam por geeks ou nerds (nunca soube a diferença disso e nem quero saber; é só mais um rótulo que fujo a todo momento), achando que estão sendo diferentes de muitas e sendo exatamente iguais. Não sou daquelas que é fã indiscutível de romances com finais certos e felizes - assisto-os, confesso, mas não são os meus favoritos. O que eu gosto mesmo são aqueles filmes que trazem consigo o realismo, que são capazes de transparecer aquilo para o qual fechamos os olhos, que preferimos evitar (como se, até, tivéssemos esse poder de escolha), e por ser um filme, continuamos achando aquilo totalmente impossível. Mesmo que eu fale demais, que eu pareça ser das pessoas mais transparentes de todas, ninguém me conhece por inteira. Pra falar a verdade, ninguém nunca quis me conhecer. 
            Durante todos os dias da minha vida, por todos estes quinze anos e quase um mês que vivo, ou simplesmente existo, eu já passei por momentos memoráveis, dos mais bobos até os mais intensos. De cada um deles, tirei alguma lição, algum aprendizado que devo levar para sempre. Uma das filosofias que adotei ao longo disso fora que uma prova não define quem você é, ela não quer dizer que você é burro ou nada disso; esta avaliação pode ter sido feita num momento difícil e você não pôde dar o seu melhor. Outra filosofia é que as pessoas só fazem aquilo que as convém - ah, essa é a minha favorita! Eu sei que uma década e meia é pouco para uma vida inteira, mas muita gente já veio e já se foi, numa rapidez quase não notável. Mas de cada uma dessas que me viera e logo foi embora, eu pude perceber como as pessoas realmente só fazem aquilo que lhes dão retorno e ponto final. Não se engane. Até quando o gesto é altruísta, ele dará um retorno ao seu feitor e é exatamente isso que ele visa ao fazê-lo. Mas a questão aqui não é essa; a questão é que as pessoas que vieram queriam algo em troca e as que se foram, só foram porque viram que eu já não podia oferecer mais nada pelo qual se interessassem. 
            Não sei o que eu fiz para ter que ouvir tanta asneira de gente que não sabe de nada sobre a minha vida e quer dar opinião - que, cá entre nós, não existe coisa mais chata do que aquilo de "dane-se, essa é a minha opinião"; pegue a sua opinião e... Bom, texto não apropriado para palavras de baixo calão. Mas como eu ia dizendo, eu não sei o que fiz para ter que aguentar tantos "amigos" falando coisas que é óbvio que se fossem amigos mesmo, saberiam que não é verdade. Porém, eu como cristã (não das mais fiéis, mas acredito), sei que Deus escreve certo por linhas tortas. Eu posso estar reclamando agora, até com muita raiva de tudo o que está acontecendo e tudo isso me cega ao que realmente importa: e se os acontecimentos sejam uma forma de me livrar do que realmente trará meu mal? 
            Sou muito grata por tudo. Bom, pelo menos agora eu sou, porque sei que algo melhor acontecerá. E se não acontecer, se somente piorar, eu nada poderei fazer. Detesto tudo aquilo que é imutável. Leis de Newton, ditados, especificaçoes, leis de sobrevivência ou qualquer coisa assim. Mas se você notar, vê que eu mesma entrego a minha própria hipocrisia quando, no decorrer do texto, utilizei-me de ditados e citei leis da vida. É como eu disse: odeio o que não pode ser mudado. Neste exato segundo eu posso amar coisas que no segundo seguinte eu irei odiar. 
            A verdade? No mínimo cômico perguntar isso. A verdade é que muita gente reclama não me entender e acaba por tornar-se igual a mim. Quero dizer, muita gente reclama. Ponto final. Ao tentarem ser diferentes, tornam-se uma coisa só e chatas demais, enjoativas e tediosas ao extremo. Falam coisas que ninguém quer ouvir além de si mesmos. É quase como conversar com um espelho; só aceitam aquilo que para eles é o certo e fim de papo. Quando desviam os olhos do próprio umbigo é apenas para olhar o outro da forma que quiser olhar, e a partir disso julga-o por não seguir costumes que os próprios decidiram ser o correto. Como diz o meu filme favorito de todos os tempos, você (pessoa que durante todo o parágrafo eu citei) nos enxerga como você deseja nos enxergar, em termos mais simples e com definições mais convenientes. E eu aprendi a não me importar! Eu aprendi a olhar na cara de todos estes que gostam de falar e rir deles. Rio muito. É o que eles mais odeiam: ver-me rindo enquanto eles queriam me ver chorar, o que nunca vai acontecer - pelo menos não na frente deles. E enquanto eles ainda estiverem preocupados demais com tudo o que se passa na minha vida, basta saber que enquanto eu estiver sorrindo nada vindo deles virá me atingir. Quem eu sou? Pouco importa. Eu sou quem eu quiser ser, sou amiga de quem eu quiser ser e nada, ouviram?, absolutamente nada mudará isso. 
            Atenciosamente,
            Letícia Lobo.
Nota: Estou colando este texto na minha testa, e não, isso não é por egocentrismo ou nada disso. Ah, não importa. A citação é do filme Clube dos Cinco, dos anos 80, cujo enredo, trilha sonora, personagens, e tudo aquilo que compõe o longa são os meus favoritos de todos os tempos. Não escrevo mais com base em músicas, mas decidi trazer um pouquinho de outra coisa de que gosto muito, além de conseguir descrever algumas coisas que estão rondando minha mente há alguns dias. Até a próxima!


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