20 de janeiro, 7:05 da manhã. Estou voltando para casa, sozinha. É uma viagem de 8 horas, e eu nunca tinha viajado só. Eu percebi que cresci. Não só por que estou sentada numa poltrona sem minha mãe ou vó do lado. Percebi, pois amigos meus de longa data estão indo pra faculdade, outros já estão no ensino médio. Crianças que eu peguei no braço, estão andando, falando e rindo. Eu e minhas amigas estamos batendo de frente com a vida, uma lutando contra uma doença chata, outra tomando decisões difíceis, aos pouco abrindo as próprias asas, todas lutando por um futuro e sonhos. No outro corredor do ônibus, vejo um homem trabalhando, e percebo que ele um dia será eu. É difícil, até mesmo ruim. Aceitar que temos responsabilidades,  que estamos saindo debaixo da saia da nossa mãe. Dói muito. Afinal, crescer tem seus malefícios. Talvez você vá morar em outra cidade, ou viaje demais. E a saudade bate, pelas pessoas que deixamos e das que vamos encontrar. Dói. Dói não ter a cama da sua mãe para dormir, ou mesmo aqueles gritos que a sua vó dá.  De toda forma, estamos indo embora. Construindo a nossa própria história. Deixamos pessoas que amamos escolher seu próprio caminho. Nos despedimos incontáveis vezes, mas também tudo começa com um "oi" ou "olá". Preferimos nos magoar à ferir quem amamos. Tomamos decisões não só por nós, mas pelos outros. Recebemos inúmeros "não" e nos matamos de estudar para conseguir entrar numa faculdade. Bate aquela saudade de quando tínhamos 5 anos e a única coisa difícil de fazer era seguir a linha pontilhada com o lápis. A decepção não demora muito a acontecer, mas faz parte. Descobrimos amores das formas mais improváveis, e os risos vem sequenciado de um palavrão. Os hormônios afloram, e nos vemos nos braços de alguém, construindo outra história no meio da nossa. Eu quero fechar meus olhos e fingir que apaguei muita coisa da memória. Voltar a pintar meu cabelo ou deixar-lo mais curto. Mas eu mudei, há um tempo abandonei os cabelos coloridos e estão mais longos. O sol já está lá no alto e está fazendo muito frio, minhas mãos estão frias e meus olhos estão
pesando. É, eu só percebi agora. São 7:58 e acho que vou descansar um pouco. Bem-vindo a vida.


Nota: Aquela do cabelo azul está de volta! No primeiro texto desse ano, falando sobre algo que muito de nós estamos passando, que é crescer. Espero que tenham gostado e aguardem o próximo, nesse mesmo batcanal e batlocal. 

                                                                           


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