Sua boca estava na minha. A testa franzida. Os olhos baixos, pesados de sono. Me abraçando forte. Chorei. Olhei para você, finalmente em casa. Aquele buraco no meu peito estava se fechando. Os lábios num eterno roçar, respirando sobre o outro. Os corpos entrelaçados. 
Aquele sorriso lindo guardando na minha memória, diante de mim. O frio na minha barriga que sinto quando você me aperta e fica suspirando no meu ouvido. 
Seria mentira se dissesse que nunca te quis apagar da memória no período que você estava fora. Falei incontáveis vezes em frente ao espelho para ser indiferente. Como se existisse uma máquina que te deletasse. E eu segui em frente, com um pedaço quebrado, tentando miseravelmente fingir que não queria saber de você, quando sempre me via perguntando de você quando sua irmã ligava. A gente se cercava, procurando um meio de pedir desculpas pelos erros cometidos e não-cometidos, e recuando no último segundo por vergonha ou orgulho. Você bateu na minha porta, estava um pouco bêbado, todo encharcado e falando coisa com coisa. Eu queria te xingar e mandar embora. Então você me beijou. Com o bafo de cerveja, eu não me importava. Me prendeu na parede, e disse tudo aquilo que estava preso dentro de si. Agora estávamos aqui, você ajeitando meu cabelo e eu sorrindo feito boba, observando seus olhos ficarem pequenos e num tom assustador de azul. Não sabíamos o que seria dali para frente. Não saberíamos se o amor bastaria. Mas eu tinha certeza que nunca te esqueceria. Não quero o calor de outros braços que não seja os seus. Tinha certeza que lutaria por poder sentir seu beijo todo dia. 



   


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