Andei arrumando minha estante esses dias e me vi com As Vantagens de Ser Invisível em uma mão e Carta de Amor Aos Mortos em outra, relembrando da leitura dos dois e do quão parecidos são, e decidi vir aqui falar um pouquinho sobre eles, fazendo uma resenha rápida sobre os dois e logo vocês saberão as suas semelhanças. 

As Vantagens de Ser Invisível

Autor: Stephen Chbosky
Editora: Rocco
Número de páginas: 223
Narração: 1ª pessoa
Foi o primeiro dos dois que li, então será o primeiro da resenha. Devo ter lido entre 2013 e 2014, justamente entre os últimos dias de dezembro e os primeiros de janeiro. Li em um dia só, praticamente engolindo o livro. Existem diversas coisas que gosto nele: a narração de Charlie, a vida adolescente descrita com todas as suas inseguranças, e tantos outros detalhes.

Sinopse

"Mais íntimas do que um diário, as cartas de Charlie são estranhas e únicas, hilárias e devastadoras. Não se sabe onde ele mora. Não se sabe para quem ele escreve. Tudo o que se conhece é o mundo que ele compartilha com o leitor. Estar encurralado entre o desejo de viver sua vida e fugir dela o coloca num novo caminho através de um território inexplorado. Um mundo de primeiros encontros amorosos, dramas familiares e novos amigos. Um mundo de sexo, drogas e rock'n'roll, quando o que todo mundo quer é aquela música certa que provoca o impulso perfeito para se sentir infinito."

Resenha

Fora um livro importantíssimo para mim. Através das cartas, Charlie torna-se um amigo. E se fosse real, eu adoraria respondê-lo. Essa coisa do "se sentir infinito" me deu um significado para a vida que nosso vocabulário não é capaz de explicar. Ele se torna um amigo, pois descreve tudo de uma forma detalhista e cheia de dúvidas a respeito da vida. Não se sabe para quem as cartas foram escritas, mas, no final, acaba parecendo que foi para você, o leitor. 
Ele é solitário, mas acaba conhecendo algumas pessoas. Dentre elas, Sam e Patrick, irmãos que tornam-se grandes amigos de Charlie. Também tem o professor, Bill, que incentiva Charlie a viver sua vida, interessado nele, em vê-lo crescer. E Sam e Patrick fazem com que novas coisas a respeito de si próprio sejam descobertas. Ele vive uma fase difícil. Sente falta de um amigo e um familiar - e você sofre junto dele com o que ocorreu com esses dois. E o que eu achei de mais incrível é que Charlie não está ali para impressionar ninguém. Não quer nada demais, sem muitas perspectivas para a vida. É a vida dele mesmo sendo descrita de uma forma natural através das cartas, a vida de um adolescente qualquer que se descobre infinito, como todos os adolescentes devem se sentir. O final do livro é, inclusive, algo com o qual eu me identifico bastante, principalmente agora, no que eu vivo hoje. Realmente é um livro que fizera uma marca em mim. E eu também gosto muito do filme, apesar de não sentir tanto as mesmas coisas que Charlie quanto no livro.

Quotes favoritos

"Eu não sei se você já se sentiu assim, querendo dormir por mil anos. Ou simplesmente não existir. Ou apenas não estar ciente de sua existência. Ou algo parecido. Eu acho que querer algo assim é muito mórbido, mas eu acabo tendo esse tipo de desejo quando estou mal. É por isso que estou tentando não pensar. Eu só quero que tudo pare de rodar." (páginas 103 e 104)

"A gente aceita o amor que acha que merece." (página 35)

"Eu tive uma sensação na sexta à noite, depois do jogo de ex-alunos, que não se se serei capaz de descrever, a não ser que eu diga que foi ardente. (...) A sensação me aconteceu quando Sam disse a Patrick para encontrar alguma coisa no rádio. (...) E por fim ele encontrou esta canção realmente maravilhosa sobre um cara, e nós ouvimos em silêncio. Sam batucava com as mãos no volante. Patrick colocou o braço para fora do carro e fazia ondas no ar. E eu fiquei sentado entre os dois. Depois que a música terminou, eu disse uma coisa: "Eu me sinto infinito"." (página 43)


(com este marcador de página amorzinho que ganhei da Isabelle <3)

Cartas de Amor Aos Mortos

Autora: Ava Dellaira
Editora: Seguinte
Número de páginas: 333 (+ agradecimentos)
Narração: 1ª pessoa
Fiz a leitura em 2014, logo quando foi publicado, mas algumas coisas ainda estão bastante frescas em minha memória. Eu devo ter percebido de cara o quão é parecido com o primeiro livro, com a seguinte diferença: as cartas são direcionadas a famosos que já morreram. Laurel tem uma professora, a senhora Buster, que passou uma tarefa de inglês, em que ela tinha de escrever uma carta para uma pessoa que já morreu. Logo lemos um livro com várias cartas para Kurt Cobain, Amy Winehouse, Heath Ledger, River Phoenix, Judy Garland... E tantos outros, todos mortos. Ela procura falar sobre os segredos de suas mortes enquanto fala sobre a própria vida, sobre seus problemas, também na fase da adolescência. 

Sinopse

"Prestes a começar o ensino médio, Laurel decidiu mudar de escola para se afastar de todos que sabiam o que tinha acontecido. Ela não suportaria os olhares de pena e as perguntas que não conseguiria responder. Afinal, nem ela entendia o que havia ocorrido com May, sua irmã mais velha. 
May sempre fora a estrela da família e cativava todos à sua volta. Laurel a admirava muito, sonhava em ser livre como ela e desejava fazer parte de seu mundo. Então por que ela se foi?
Incapaz de encarar a situação, sua mãe viajou para a Califórnia sem previsão de retorno. Por isso, Laurel passou a alternar semanas entre a casa do pai, vazia exceto pelos ecos de palavras não ditas, e a casa da tia Amy, uma mulher religiosa que se preocupava em garantir que a garota aceitasse Jesus no coração e não tivesse o mesmo destino trágico da irmã.
Até que a professora de inglês passa uma tarefa nada usual: escrever uma carta para alguém que já morreu. Laurel começa escrevendo para Kurt Cobain, o cantor favorito de May. A experiência parece lhe fazer bem, e então ela escreve para Judy Garland, Elizabeth Bishop, River Phoenix, Amelia Earhart... Nessas cartas, ela analisa a história de cada uma dessas personalidades e tenta desvendar os mistérios que envolvem suas mortes. Ao mesmo tempo, conta sua própria vida, como as amizades no novo colégio e seu primeiro amor: um garoto misterioso chamado Sky.
Mas Laurel não pode escapar de seu passado. Só quando ela escrever a verdade sobre o que se passou com ela e com a irmã é que ela poderá aceitar o que aconteceu e perdoar May e a si mesma. E só quando enxergar a irmã como realmente era - encantadora e incrível, mas imperfeita como qualquer um - é que poderá seguir em frente e descobrir seu próprio caminho."

Resenha


Neste livro, as cartas são escritas por uma garota, então é a adolescência conturbada e difícil de uma menina cheia de medos e frustrações dentro de um coração inocente. Ela fala da morte da irmã de uma forma tão sentimental que eu devo dizer que era como se conhecesse Laurel e May, e elas fossem minhas amigas, e eu também sentisse falta de May como ela sente. Reli o último capítulo e o epílogo para fazer a resenha, e chorei como da primeira vez. Lembro-me de como eu amei Sky, e depois o odiei, e voltei a amá-lo páginas depois. Lembro-me de querer ter a amizade dos amigos de Laurel, pois eles são compreensíveis, loucos e realmente amáveis com ela. Lembro-me de ter raiva da mãe dela por ter ido embora, mas por ter sentido pena pela família inteira pela perda da irmã. Fora um livro que eu sofri até conseguir terminá-lo - e finalmente respirar.
Não me identifico com a história, pois nunca perdi alguém tão próximo. Mas ler foi como se tivesse perdido, por todas as vezes que chorei e as vezes em que senti o que Laurel sentia. Isabelle fizera um post falando que o livro vai virar filme, e eu só tenho a torcer para que a adaptação me proporcione as mesmas sensações que o livro me proporcionou. 
Por 85% do livro, eu daria 4 luas - mesmo que tenha se tornado um dos meus favoritos por me fazer pensar muito nele após ter lido -, mas o final, aquele final que acaba com você, fez valer 5 luinhas.

Quotes favoritos

"Ele segurou meu rosto com as duas mãos, e foi um beijo diferente de todos os outros. Eu não me senti mais como uma luz para a qual ele estava atraído, como a luz de um poste nem como a lua. Parecia que nós dois tínhamos o sol dentro de nós. Nossa própria maneira de nos manter aquecidos. E quando nosso corpos se juntaram foi a coisa mais intensa que já senti." (página 323)

"(...) Tem sido difícil ser eu mesma, porque não sei exatamente quem sou." (página 9)

"E talvez amadurecer signifique que você não precisa ser uma personagem seguindo um roteiro. É saber que você pode ser a autora." (página 312)

As semelhanças

Não que você não tenha percebido, mas as que eu gosto de citar...


  • As cartas são a principal semelhança. A vida dos personagens sendo escrita a cada nova carta, de acordo com que o tempo vai passando e você vai acompanhando seus crescimentos como pessoa.
  • A fase das vidas dos dois. São adolescentes descobrindo o mundo, descobrindo a si mesmos e lutando contra sentimentos e situações dentro deles e fora que seriam capazes de consumi-los. Se você é um adolescente, eu aconselho que leia os dois. Você provavelmente sentirá o que eu senti: afinidade com os personagens e cumplicidade entre as coisas que eles sentem e pensam sobre tudo.
  • Ambos abordam o amor, de todas as formas. Seja em relação à família, à amigos, à pessoas do mesmo sexo e de sexos diferentes. E ambos fazem com que o amor seja algo extremamente complexo nesta fase, mas muito valioso para nós, adolescentes. 
  • A vontade de ser amigo deles. Se me perguntassem quais personagens eu gostaria de ter como amigos, eu diria estes dois - e também diria os amigos deles -, pois em nenhum outro livro eu me senti tão próxima da vida do protagonista quanto estes. Eu gostaria de ser amiga dos dois para apresentar um ao outro.
  • Referências sentimentais à músicas que nos inspiram. Como na cena em que Charlie se sente infinito, também existe uma cena que Laurel vive e que mesmo sem ter verbalizado isso, eu tenho a certeza de que ela se sentiu infinita. Assim como eu.

Então, é isso. Espero que gostem, que leiam os dois, que sintam o que eu senti. Que me perdoem por ter ficado tão grande, e eu até tentei me controlar. São livros que eu poderia ficar horas e horas falando sobre. Até a próxima!






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