Tenho essa mania de rir, chorando por dentro. Tenho essa mania de falar: está tudo bem, quando estou destroçada. Ninguém merece minha tristeza. A vida de todos é complicada, para que complicar-la mais? Isso pode ser meio solitário, não sei na verdade.
   Acredito em tantas coisas, que as vezes esqueço que acredito em mim. Não é sendo chata ou melodramática, longe disso, odeio o fato das pessoas terem esse apelo para o choro. O que custa sorrir? Eu posso ser o contrário disso, posso ter um sorriso forçado, 23 horas e 59 minutos por dia. Só que, ao longo da minha vida, aprendi que o máximo que podemos fazer para as pessoas é sorrir, tentar fazer o dia de alguém melhor. Pois é essa falta de alegria que deixa o mundo tão preguiçoso.
   Mas também tenho esse defeito. Esquecer de mim. Esquecer que eu sou um ser humano e também tenho os meus medos, desejos, tristezas e felicidades. Guardo todos esses sentimentos em um baú dentro de mim e tento fingir que eles não existem. Por isso sou tão fraca. Pois os sentimentos nunca vão parar de existir e uma hora eles vão átona, muitas vezes quando não quero demostrar que estou mal. Quando estou na frente de alguém e tudo o que eu quero é abraçar-lá é dizer o quanto ela é importante pra mim, mas o choro ta entalado na garganta e o medo de desabar e mostrar franqueza impede que eu faça isso. É por me preocupar de mais, que as pessoas que eu amo fiquem bem, que acabo destruindo um pouquinho cada vez mais de mim. Pois na realidade, não consigo colocar toda a carga que sinto pra fora. Posso falar, falar, mas não será o suficiente, eu falo, choro e sorrio, não gosto das pessoas preocupadas comigo. Não gosto do: vai dar tudo certo. Se não dê, como eu fico? Sempre será esse ponto de interrogação na minha vida. Por que necessariamente, tento ser o melhor para as pessoas, mas tudo que prego, rio, não sigo.
    Continuo com aquele medo que me persegue a anos: o de ficar sozinha. As pessoas sempre vão dizer que vão estar lá pra você, com você. As vezes não é nem que a pessoa não queira, mas a vida faz questão de afastar um eixo do outro. E eu acabo só de novo. Cansei das vezes que não sabia o que fazer, que todos aqueles momentos bons agora eram só memórias, e que agora tinha a dúvida novamente se teria alguém pra causar mais um buraco em mim depois de um tempo. Por esses motivos tenho medo de me entregar, de me entregar pra alguém e só esse alguém saber como eu realmente me sinto...e depois esse alguém for embora, deixando um buraco que não teria como criar uma cicatriz. As pessoas sempre vão embora. Por isso tento deixar um pouco de alegria pra alguém, fazer com que esse tempo não seja só um tempo. E quando todos paracem pra olhar as fotos antigas do tempo de escola, lembrassem e dissessem: Ah, olha aquela louquinha do cabelo azul, e rissem.

                                                                           


Nota: Nossa menina está meio sentimental, está puramente frágil, sem um resquício de seu sarcasmo. Definitivamente essa não é uma crônica, são só sentimentos escritos em um formato louco. Eu e a nossa menininha do cabelo azul, somos uma só hoje. Tirando do real, e colocando na vida de todos. Afinal, as vezes tudo o que tememos é ficar só. 


                                                                          


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