Me sinto totalmente indefesa dos meus próprios pensamentos ruins. São pensamentos sem sentido, coisas que nem deveriam passar por minha cabeça nessa época do ano. Qualquer coisa que agora eu sinta irá me doer porque eu simplesmente não posso ser livre. Então, qualquer coisa que eu sinta, não será exposto, não poderei demostrar, pois estou presa em uma realidade massacrante. Tudo é muito intenso, tanto as críticas quanto os elogios. Ou é 8 ou é 80. Estou sendo pressionada a decidir o meu futuro, e aí eu quero ver como será. Não tenho ideia do que quero ser, do que quero fazer. Mas eu sei o que eu não quero fazer agora, e é decidir qual profissão irei seguir.
       Sinto muito mãe, sinto muito pai, eu não nasci pra viver a base de decisões, de escolhas, de preferências. Eu vivo em cima do muro. Não sei decidir algo sóbria e calma, dirá sob pressão e embriagada de tantas cobranças que têm me feito. Eles querem que eu escolha com a cabeça aquilo que eu deveria escolher com o coração, e escolher com o coração o que eu deveria avaliar minuciosamente com todo o meu raciocínio. E depois, ainda ostentam aquele discurso de que adolescente é complicado, quando na verdade o que nos complica são os adultos. Eles, não satisfeitos em viver numa realidade diferente e pouco distante da nossa, fazem questão de nos trazer problemas. É aquilo que uma vez eu já lhes disse: é como se os nossos pais não tivessem vivido a adolescência, como se quisessem esquecer dessa etapa, que pulasse essa página ou que simplesmente arrancasse-a por ter sido só um rascunho. 
       Eu não consigo aceitar essa obrigação de "você tem que saber o que quer fazer, o que gosta". Não sei nem qual a minha cor favorita, dirá a profissão que mais me atrai. Nem decidi se amo ou apenas gosto de um alguém, dirá o que eu vou ser quando "crescer". E já que toquei no assunto, negócio engraçado esse de perguntar "o que ser quando crescer". Pensei que eu já tivesse crescido o suficiente pra não ter que responder perguntas desse tipo. Aos 8 anos, pensei que com 15 a minha autonomia fosse ser muito maior do que apenas decidir qual roupa vestir. E quando eu era criança, via minha adolescência como algo muito distante e muito improvável. Imaginava que podia ser criança para sempre. Eu ainda quero ser criança, mesmo sendo algo impossível. Mas, agora, lembrando que quando eu era menor eu achava que estava muito distante de ser o que eu sou hoje, eu vejo o quanto passou rápido, e como eu só fechei os olhos e já tinha um balde cheio de responsabilidades, problemas, impossibilidades. E eu sei que tudo só fica pior, só que não sou obrigada a decidir tudo agora.
       O hoje é a minha etapa de erros. É o meu momento de escolher o errado para que eu saiba qual é o certo. É a minha hora de poder mudar sem medo, de viajar e conhecer novos lugares, de fazer novas amizades, de rir mais e de curtir muito, sem nunca perder o foco do que eu realmente quero, e isso vai além de ser somente feliz e ter um conforto suficiente no que eu for me formar. O que eu quero tem a ver com liberdade, com bem estar de espírito e estar bem com quem está comigo. Se eu tiver isso, só isso, eu estarei bem e a minha vida terá valido a pena. 

N/A: Com certeza eu já lhes disse que no final do ano os melhores textos saem. Estou tão perdida com todas as coisas quem vem me acontecendo, e eu não pedi nada disso de Natal. E como me falta coragem de dizer tudo isso para meus familiares, eu posto aqui mesmo. xoxo,


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